Ville Bathke foi preso
porque o Cartório do Crime, do qual era escrivão vitalício, emitiu certidão negativa a
favor dos denunciados por crime de estelionato, no famoso caso Vendramim, sobre
grilagem de terra na Gleba Sem Passo. A grande vítima era a viúva de Jorge
Walter, dona Julia da Rocha Loures Walter (Nha Dona), que chegou a receber
oferta de uma máquina de costura em troca do imenso quinhão de terra que era a
perder de vista, e aceitou. Quem interviu e impediu a transição foi Elias
Xavier do Rego, que era uma especie de procurador da família Walter. Não muitos
dias mais tarde foi assassinado a tiros, pouco antes do meio-dia, em plena
Avenida Capitão Índio Bandeira, em frente da Inspetoria de Terra (hoje Sanepar)
pelo pistoleiro Gaspar Negreiro e seu filho Antonio, justamente no dia que foi
agilizar a legalização daquela gleba.
Uma funcionária do cartório
verificou o fichário e o Livro Tombo e não encontrou nenhum acento de processo
contra os requerentes e expediu a certidão de nada consta.
Ocorreu, anteriormente, que
o juiz de direito Joaquim Euzébio de Figueiredo, antes do inquérito dar
entrada no Fórum despachou e disse ao estafeta dar meia volta com a
documentação e entregar urgente ao delegado de polícia, com ordem expressa para
agilizar a prisão dos denunciados. A coisa estava indo longe demais e o caso se
complicava. Suspeitava-se que corria muito dinheiro por debaixo do pano
envolvendo, inclusive, autoridades locais, daí a pressa do meritíssimo em
apurar os fatos e trancafiar os culpados se assim fossem julgados.
A prisão foi ordenada pelo
Capitão Neudo – um dos suspeitos - que comandava os militares da ditadura em
Campo Mourão.
Ville Bathke foi comunicado
da ordem de prisão pelo oficial de justiça, Faustino Elias dos Santos, antes
das 8 hs da manhã, enquanto tomava o habitual chimarrão com seu pai, na área da
sua casa, na Av. José Custódio de Oliveira, em frente das residências de Pierre Jort e Aldo Casali.

A cadeia era onde
funcionaram a Assessoria de Imprensa da Prefeitura e finalmente o Conselho
Tutelar, espaço este tomado pela construção do novo prédio da Câmara Municipal.
Os médicos Manoel Andrade e José
Carlos Ferreira intervieram e tiveram permissão de levar seu Ville a um dos quartos do
Hospital São Pedro.
No dia seguinte, pela manhã, escoltado
por dois militares, embarcou em ônibus na rodoviária provisória em frente da
antiga Loja Rio Grande. Apenas dois amigos o acompanharam até o embarque para
Curitiba: Aldo Casali e José Paulino Slompo, além dos policiais que a todo
instante lhe pediam desculpas. Eram amigos.
A manobra foi sigilosa e nem
a família ou amigos foram comunicados.
Por coincidência, os dois amigos estavam tomando chimarrão com ele no hospital, quando os militares solicitaram que os acompanhasse e que estavam seguindo, juntos, para Curitiba. A ordem era levá-lo a pé e algemado, do hospital à rodoviária, passando antes pela frente da delegacia, mas não o fizeram. O capitão Neudo gostava de humilhar seus prisioneiros, mas sua ordem foi desconsiderada a revelia.
Quanto ao Dr. Joaquim também foi preso, mas não se soube como foi levado até a Prisão Provisória do Ahú.
Por coincidência, os dois amigos estavam tomando chimarrão com ele no hospital, quando os militares solicitaram que os acompanhasse e que estavam seguindo, juntos, para Curitiba. A ordem era levá-lo a pé e algemado, do hospital à rodoviária, passando antes pela frente da delegacia, mas não o fizeram. O capitão Neudo gostava de humilhar seus prisioneiros, mas sua ordem foi desconsiderada a revelia.
Quanto ao Dr. Joaquim também foi preso, mas não se soube como foi levado até a Prisão Provisória do Ahú.
Seu Ville, conhecido dos
diretores da instituição prisional, trabalhou na ala administrativa, na parte burocrática do órgão, com
direito à prisão domiciliar. Neste caso ele prestava serviço durante o dia e
das 18hs à 8 hs do dia seguinte ficava em sua casa no Alto Cajuru, em companhia
da sua esposa. Os filhos acompanhavam tudo, com ansiedade e desejo de um
desfecho feliz, desde Campo Mourão, o que, felizmente, aconteceu a bom termo. Ville Bathke foi absolvido
e o Dr. Joaquim também.
As ações dos agentes do
regime militar corriam no mais extremo sigilo e total segredo de estado.
Dr Joaquim foi preso
por falsidade ideológica e suspeição de estar envolvido, propinado, no caso e
ter falsificado sua assinatura.
Nada foi provado contra
ambos e, cerca de um ano depois, foram julgados inocentes por unanimidade, com direito as
indenizações por danos morais e aposentadoria compulsória.
Atuou na defesa de Ville
Bathke, o insigne advogado René Dotti indicado, no processo, pelo então
prefeito, advogado Horácio Amaral e pelo deputado eleito por Campo Mourão, Paulo
Poli, amigos do escrivão acusado.
Na sua volta Ville Bathke –
que nunca reclamou e nem falava da injustiça de que foi vítima – fixou
residência na entrada do Jardim Modelo, loteou o Jardim Santa Cruz (mais de 300
datas) e distribuiu terrenos a baixo custo às famílias de pequena renda. As
prestações dos lotes variavam de 5 a 10 cruzeiros, sem reajuste nem correção,
com 10 a 20 anos para quitar. Tem gente pagando até hoje, conseqüência do
inventário, obrigatório, aberto após seu falecimento, em 15 de novembro de
1980.
Ele era natural de Balsa Nova, antigo distrito de Campo Largo - PR, onde nasceu dia 26 de junho de 1910.
Ele era natural de Balsa Nova, antigo distrito de Campo Largo - PR, onde nasceu dia 26 de junho de 1910.
Casou em primeira nupcia com
Maria Conceição Vera e tiveram sete filhos: Santina, Glauco, Rubens, Wille,
Vilma, Roseli e Fernando. E em segunda nupcia com Terezinha Menezes.
Repousa em Campo Mourão no
Cemitério Municipal São Judas Tadeu, de acordo com seu desejo.
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