21/04/2018

Arena Lembra Sangue - wibaju


Arena Lembra Sangue

Durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014, disputada no Brasil,, alguns narradores e comentaristas esportivos, inconscientemente, por talvez entender que a palavra arena é bonitinha, ignoraram que este termo catalão lembra as Praças de Touros, Sangue e Areia (filme famoso)
Arena é um local onde um animal irracional tenta matar outro animal dito como racional.
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Estádio do Palmeiras

Na mesma Espanha os clubes de futebol disputam seus jogos em campos (Camp Nou do F.C. Barcelona – por exemplo - que significa Campo Novo).
Areia também lembra a seiva da vida que corre em nossas veias, e as lutas sangrentas entre gladiadores, até a morte;
Na antiga Grécia e na Velha Itália os jogos são disputados, até hoje, em estádios, por sinal a correta designação para os campos cercados por maravilhosas arquiteturas, com capacidade média de 40 mil espectadores.
É tempo de se repensar a questão entre cronistas e responsáveis narradores de futebol que formam a opinião e a educação popular, no mundo.
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Gladiadores até morrer !!

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Lutador Brasileiro - Nocaute

18/04/2018

O Tico Tico de Campo Mourão


 

Renato Javorski Tico-Tico de Oliveira
de Campo Mourão

O mais famoso repórter policial revelado em Campo Mourão pelo Jornal do Meio Dia, da pioneira Rádio Colmeia,  não foi radialista de boa cepa por acaso. A comunicação, desde jovem, era sua paixão e ajudar pessoas carentes sempre foi a sua vocação, principalmente as crianças.
 
Dona Maria Javorski de OLiveira mãe de Renato - o Ticotico

Quem era -Filho de Antonio Muller Javorski e de Maria Javorski de Oliveira. Renato tem 3 irmãos e 1 irmã: Wellington, João Luiz, Carlos, Quito e Ana Maria (Zizi) (também radialista e pintora).

Em Pitanga seu Antoninho era Oficial de Justiça e membro da Justiça Eleitoral. Era de baixa estatura o que lhe valeu o apelido de Baixinho que, por sinal,  ele odiava quem o chamava assim e até brigava.
“Tinha um cara lá, grandão, dava quase dois do meu pai, fosse onde fosse só o chamava de Baixinho pra fazer pirraça e ver ele bravo até que um dia, o grandão chegou, abraçou meu pai e gritou ‘esse é nosso Baixinho’e dava tapinhas na cabeça dele... papai enfezou e desferiu uma facada na barriga do'chato' que abriu um berreiro, mas não morreu. 
Com certeza, para evitar topar com o gozador, papai decidiu mudar de cidade. Muitos anos depois ambos se encontraram e se tornaram amigos, mas nunca mais o grandão chamou meu pai de Baixinho", (rindo).

1956 - "Papai gostava muito daqui e nós também. Foi quando decidiu morar em Campo Mourão onde trabalhou toda sua vida como pintor de paredes e ensinou a profissão aos filhos, inclusive eu, que sou pintora (profissional) de paredes, desde mocinha. O Renato – que inclusive trabalhou em Curitiba - e o Wellington aqui, também se revelaram excelentes profissionais na arte de pintar. 
O Renato virou o Ticotico e se deu superbem no rádio. O Wellington continua na profissão. Eu sempre gostei da comunicação e trabalhei na Rádio Colmeia por muitos anos" contou Ana Maria, a Ziza.
Renato Javorski de Campo Mourão
militar em Curitiba

Renato Javorski – foi soldado do exército na capital, acantonado no quartel do 5º Regimento de Cavalaria, onde hoje está o Shopping Curitiba desde 1996. 


"Quando deu baixa do serviço militar, como reservista de 1ª categoria, permaneceu um tempo em Curitiba trabalhando com pinturas em casas e prédios. Nas horas vagas visitava as emissoras de rádio. Ele sentia uma grande atração pela comunicação. Gostava de ver e conhecer os locutores. Seu sonho era entrar em um estúdio e poder falar com os ouvintes.
Na ocasião em que ele pintou o prédio onde ficava a Rádio Colombo – propriedade de Erwin Bonkoski, dono da Colmeia - de uma das janelas dava para ver o estúdio, a mesa de som e os locutores falando ao microfone.
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Para subir e descer, pintando a imensa parede daquele edifício, ele usava uma plataforma de madeira movida por cordas fixadas no topo da construção, uma espécie de rapel. Mas quando chegava na janela da Colombo ele parava, deixava a pintura de lado e ficava um tempão olhando o movimento dentro da emissora, até que um dia conversou com o Ratinho que o convidou para lhe visitar qualquer hora. Só que nesse meio tempo – o hoje famoso apresentador de TV – mudou de emissora, foi embora de Curitiba e nunca mais se viram. Nesse tempo o Ratinho era repórter policial e o Ticotico se inspirou muito nele", contou Ziza. 
Alguns meses depois o Ticotico retornou a Campo Mourão e auxiliava nos trabalhos de seu pai.

Repórter Ticotico – Nasceu Assim



O Jornal do Meio Dia, na Rádio Colmeia,  marcou época, apresentado pelo duo: Antonio Kienen e Wille Bathke Junior, das 12 às 13 horas, de segunda-feira a sábado. Na técnica Roque de Freitas. Domingo era apresentada a Resenha da Semana, pelo Wille, das 10 às 12 hs, com leitura e comentários das manchetes dos jornais, além de executar quatro músicas: duas nacionais e duas internacionais, com intervalos de 15 minutos, Domingo o programa era eclético porém sem entrevistas. Afinal de contas é dia de repouso das pessoas, menos na área de jornalismo gerenciada por Milton Rolim. Ele ficava em casa e o locutor na emissora com o filho dele: "'Pimpão' na técnica e discoteca. 
O jornalismo da Colmeia mantinha esquemas com vários órgãos públicos, entidades de classe e clubes de serviço que entravam direto e davam informações quentes, importantes e atuais ao público ouvinte.
Um desses contatos era com o plantão da 16a Sub Divisão Policial de Campo Mourão.
Jornal do Meio Dia no ar, o técnico sinalizou que a Delegacia estava na 'linha' e avisou que foi preso o famoso bandido, o Polaco (Paulo Chicóski), e que a rádio mandasse um repórter a fim de registrar a proeza da polícia. Nesse dia e horário, a Colmeia estava sem reporte de rua. 

Renato Javorski e seu pai Antonio (excelentes pintores de paredes) estavam raspando as tintas velhas no alto do Edifício Plaza onde funcionou a cigana Rádio Colmeia que também ia receber pintura nova. Antonio Kienen saiu do estúdio rapidão, largou o Wille falando sózinho e chamou o Renato meio sujo de tinta:
- "Meu jovem. Nos faça um favor. Desce depressa lá na décima sexta,  coloque o delegado na linha e só fale assim: Aqui é o plantão policial da Colmeia, e deixe o mais comigo.”
O rapaz desceu 'voando', de bicicleta; tocou o telefone, o técnico avisou, Antonio Kienen atendeu e anunciou com aquele vozerão:
-Agoraaa, diretamente da Delegacia de Campo Mourão, uma bomba policial... com o o o... o repórterrr.... Ticooticoo !!
Renato falou da maneira que o instruiu o experiente Kienen - competente profissional - que completou a entrevista com o Delegado, nos mínimos detalhes.

- Oh Kenão. De onde você tirou Tico Tico ??
- Foi no estalo. Nem sei o nome do rapaz !!

A partir desse dia Ticotico virou ‘piolho’ da rádio. Perguntava como havia se saído  e pedia, com insistência, uma 'chanche' na equipe de jornalismo.
Um mês após o Wille lhe deu a chance (5 min) e um gravador (National) - o melhor da época - para fazer o noticiário policial gravado, dentro do Jornal do Meio Dia - a fim de evitar gafes e o perigo de queimar seu inteligente pupilo. 
Não demorou, Renato aprendeu os macetes depressa e criou seu famoso programa exclusivo, de meia hora, apresentado logo após o jornal falado, das 13 às 13:30h: {Repórter Ticotico – Doa a Quem Doer}. Na sequência, lançou um jornal do gênero, que não foi além do Nº 1 porque mudou de cidade e perdeu os 'patrocínios'.
Este foi o primeiro repórter policial – de fato – em Campo Mourão.


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Alguns meses depois, sempre polêmico, ameaçado e certas ocasiões agredido, foi aventurar em outras cidades. Em seu novo endereço, e já conhecido, trabalhou em emissoras de Maringá onde era bem quisto: candidatou-se e foi vereador e, na sequência, candidato a deputado, além de assessor político do ex-governador Alvaro Dias. Foi quando ele adotou o nome de: Renato Javorski Tico-Tico de Oliveira, que passou a ser sua marca registrada e consta legalmente em seus documentos pessoais.



Reclamando de forte dor na cabeça, faleceu em Maringá, vitima de derrame cerebral - AVC, dentro da farmácia onde foi se medicar da pressão alta. 
Seu nome está eternizado em uma das vias públicas da Cidade Canção: Rua Renato Javorski Tico-Tico de Oliveira, no Parque Industrial Bandeirantes, Maringá - PR

 LEI Nº 5170/2000 

AUTORIZA A CONCESSÃO DE USO DO CARNEIRO ONDE SE ENCONTRAM DEPOSITADOS OS RESTOS MORTAIS DE RENATO JAVORSKI TICO TICO DE OLIVEIRA.

A CÂMARA MUNICIPAL DE MARINGÁ, ESTADO DO PARANÁ, aprovou e eu, PREFEITO MUNICIPAL, sanciono a seguinte, LEI:
Art. 1º O Poder Executivo Municipal fica autorizado a conceder o uso, a título gratuito, do carneiro (sepultura) simples sob número 03, da linha 12, da quadra 50, do Cemitério Jardim Municipal, onde se encontram depositados os restos mortais de Renato Javorski Tico Tico de Oliveira.
Art. 2º A concessão objeto desta Lei será exclusivamente à inumação acima mencionada, pelo prazo de três anos, a contar da data do sepultamento, e havendo interesse de reutilização por parte dos familiares, o carneiro deverá ser adquirido.

Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º As disposições em contrário ficam revogadas.


Paço Municipal, 13 de julho de 2000
Jairo Morais Gianoto
Prefeito Municipal  ______________


 
Arquivo Policial - Jornal do Ticotico não foi além do Nº 1
Campo Mourão - Maio de l983

Algumas perolas do Ticotico:

 “segundo informações, a polícia acaba de encontrar um cadáver  morto no meio do matagal, já bichado!” (existe cadáver vivo?)

"o meliante foi encontrado morto a tiros, com duas facadas..." (afinal, tiro ou faca?)

"faleceu nesta madrugada... f de t... vítima de calipso cardiaco" (nessa época cha-cha e calipso eram moda)

"no cemitério dos mortos tinha alguns vivos lá, mas disseram que assistiram tudo, mas que, na hora do pega, ninguém viu nada..."

"é com imenso prazer que anunciamos a morte do meliante Zé Cascavel, mas não convidou pro enterro..."

"cuidado, tá rolando um lance na praça; é o golpe do cheque premeditado;  a malandragem te dá um cheque alto por um valor bem baixinho e quem compra só pode descontar na data premeditada" (não seria pré-datada?)

'que tipo de arma você usou pra esfaquear tua mulher?"

"dormiu na tampa e acordou morto no fundo da fossa, na frente do Mercadão que tava podre !!" (a tampa ou o mercadão, podre?)

"depois que cercaram a zona com as casas e a mulherada dentro, piorou. Agora o povo sobe na muralha de tábuas pra ver o que tem de interessante na zbm... as charretes foram proibidas de fazer ponto ali, no fim da Santa Catarina. Coitadas das damas e do seu Valdemar." (elas usuárias e ele dono).
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Só quem trabalhou em rádio
sabe o que é isso

  
Agradecimento:
Narrativas de Ana Maria Grotti, caçula da Família Javorski

 
Ave comum  do cerrado mourãoense, em extinção
 
 
Renato Javorski entre amigos e familiares
Campo Mourão - Anos 80 - primeiro < esquerda.
 
A filha Dany é co-proprietária e locutora da Rádio Serra do Mar - AM
em Antonina - litoral do Paraná



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30/03/2018

Entre o céu e a terra - Campo Mourão no meio

(Religião e espiritualidade na história política de Campo Mourão).

Vivida de forma intensa através de nossa religiosidade, a dimensão espiritual que carregamos em cada um de nós ajuda a combater angústias e rancores da vida, o que nos conforta das decisões racionais e frias do cotidiano. Próprias de cada indivíduo, base do cultivo amigável dos círculos de família, as motivações religiosas não param aí: elas também integram o cálculo político de governantes e autoridades públicas.


Na história (católica) de Campo Mourão, iniciativas governamentais ligadas ao mundo espiritual foram comuns na política nas décadas de 60 e 70.
Na instalação da diocese do município, dia 18 de abril de 1960, (o governador Lupion, o prefeito Antonio Teodoro de Oliveira) e vereadores organizaram-se para a recepção do  primeiro bispo diocesano Dom Eliseu Simões Mendes e acompanharam a posse da autoridade religiosa. 
(O mestre de cerimônia foi o advogado Armando Queiroz de Morais, eleito Deputado Estadual)

Personalidades eclesiásticas, civis e militares participaram, em abril de 1961, de uma Sessão Especial de Entronização de um crucifixo colocado no plenário da Câmara Municipal, segundo solicitação de um dos vereadores. Eles declararam a felicidade de serem guiados pelo símbolo religioso do crucifixo posto na sala de reuniões. Imagens religiosas são comuns em repartições públicas de várias cidades. (Outro crucifixo foi colocado na sala do prefeito no dia da inauguração do prédio do Paço Municipal 10 de Outubro com a benção do bispo)
Um crucifixo numa sala de um órgão público, a participação deles  em comemorações religiosas, cívicas ou o simples nome de uma praça mostram que gestos de religiosidade e de cultivo do espírito estão presentes também em muitas ações administrativas governamentais.
Entre o céu e a terra, trocas e negócios humanos se fazem. Tudo parece ter um propósito.
Em março de 1970 foi aprovada lei que concedia título de cidadão honorário ao bispo Dom Eliseu. Atribuir a cidadania honorária ao bispo era “exemplo dignificante das excelentes relações do nosso povo com a sua Igreja (…)”, justificou o vereador que fez o projeto de lei.
Em Campo Mourão, símbolos religiosos também estão em espaços comuns da cidade. A praça central do município, modificada no contexto da criação da nova catedral, ganha o nome de “Praça São José” por requerimento de vereador feito em fevereiro de 1969. O gesto de dar nome religioso à praça era “homenagem ao grande santo” e demonstrava “o sentimento de religiosidade do nosso povo”, como esclareceu depois, o autor do requerimento.
Autoridades políticas e eclesiásticas comparecem na realização de festejos cívicos e religiosos. Em junho de 1973, o prefeito convidava os vereadores a participarem da festa de Corpus Christi. O chefe municipal dizia que aquele seria um ato de “testemunho a Deus e comunidade, de humanismo e cristandade”.
Os negócios humanos entre o céu e a terra podem envolver subsídios financeiros, doação de terrenos, isenção de impostos, ligando o governo da vida humana aos desígnios da fé e da política. Como em todo lugar do mundo, entre o céu e a terra há os homens tramando suas histórias. Campo Mourão não foi e nem será diferente.

Texto: Lara Grigoletto Bonini.
Curso de História – (UNESPAR) Campus de Campo Mourão
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A Fábula dos Dois Lobos

O menino apanhou de outro índio. Estava tomado pelo ódio, mas antes de qualquer decisão contra seu desafeto, perguntou ao cacique como lidar com bons e maus ?
- Como consigo separar o  ruim do  bom?
Chefe pele vermelha respondeu:
- Dentro de cada um de nós existem dois lobos que vivem brigando a ponto de um querer matar o outro.
Um ataca toda hora. Outro se defende. Temos que separar os dois, senão vão se matar e nós, sofrer!

Este conto indígena enfatiza a nossa complexidade e a necessidade de empenharmo-nos a fim de de cuidar da nossa própria evolução. Como moral desta sábia narrativa, concluímos que só depende de cada um ser bom ou mau frente a esses dois lobos que duelam no coração de cada vivente. 

 

- Qual dos dois lobos você quer que sobreviva?


Certo dia, um jovem índio chegou perto do cacique e  pediu conselho. Momentos antes, um de seus amigos ofendeu o jovem que, tomado pela dúvida, de se vingar ou não, buscou os sábios conselhos do chefe.
O experiente  índio olhou fundo nos olhos de seu pequeno guerreiro e falou:
Eu também, as vezes, sinto grande ódio daqueles que cometem injustiças. Mas ódio corrói quem sente e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno com desejo que inimigo morra. Morre quem tomou.
 Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos e só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira justa e correta, mas o outro lobo… este é cheio de raiva. A coisa mais insignificante é capaz de provocar nele um terrível acesso de ódio. Ele briga o tempo todo, sem nenhum motivo. Ele não mede as conseqüências de seus atos. É uma raiva inútil, pois isso não muda nada. Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu coração.”
O jovem índio perguntou:
- ''E qual deles vence?
O cacique debruçou e sussurrou em seu ouvido:

Aquele que Você alimentar.

  
Entre dois lobos está Campo Mourão

21/03/2018

Campo Mourão e a Lenda do Capitão Índio Bandeira


 
Foto atribuída ao Índio Bandeira 
Acervo de Joaquim Xavier do Rego

Nosso avô Rodolfo Bathke esteve em Campo Mourão em 1937 a convite do seu cunhado Francisco Ferreira Albuquerque (Tio Chico) que chegou em junho de 1935 e era irmão da nossa avó Idalina Ferreira Bathke. 
Do tempo que esteve por estas bandas, nos contava que o matreiro Índio Bandeira era tão 'capitão' quanto Guilherme de Paula Xavier era 'coronel'. Esses títulos tinham nada a ver com militarismo. Dava-se, por exemplo, a quem conhecia bem os caminhos do sertão: 'capitão do mato', ou a quem possuía grandes posses e poderes políticos: 'coronel'.
O cacique Capitão Índio Bandeira tinha sua taba no chamado Campo do Abarrancamento onde mantinha e comandava sua pequena tribo de kaingangues, região hoje conhecida por Campo Bandeira, entre os rios do Campo e da Várzea.
Por ali passava uma estradinha primitiva, um ramal do caminho do Peaberu, que seguia por Corumbataí do Sul até Fênix - nos dois sentidos -  inclusive por Campo Mourão e pelo vale do Ivai/Piquiri afora.
No trecho que cortava por frente do seu arranchamento ele colocou (enterrou) dois grossos mourões de madeira de cerne da altura de uma pessoa, um de cada lado do estreito trajeto e, dos viageiros que por ali passavam, cobrava ‘pedágio’ em dinheiro ou espécies. Fazia qualquer negócio para levar vantagem. 
O local passou a ser ponto de referência e conhecido por: Campo dos Mourões e, até se comentava naqueles tempos, que veio daí o nome do Município quando, de fato, sabemos que a verdade é outra.

    -  Oh Vô. O senhor alguma vez passou por ali e pagou?
-  Não. Nunca fui para aqueles lados, mas sei que atravessava o Rio do Campo do lado de cá... o Rio da Várzea do lado de lá e saia no Bairro dos Inácios... seguia por Bourbonia, Cantinho do Céu, Pocinho, Corumbataí do Sul, Rio Lontra, Barbosa Ferraz... até a Vila Rica do Espírito Santo (Fênix)  pelo chamado Caminho dos Padres, dos Íncas e Pe abe y u dos Guaranis.

 
Não havia estradas e os rios de Campo Mourão não tinham pontes
A travessia era feita nas partes mais rasas (lajeados)

-  É verdade que ele cobrava até para dar informações?
-  É verdade. O destemido sertanejo Jozé Luiz Pereira nos contou que procurava os Campos do Mourão  vindo de Pitanga com sua caravana... se desviou da rota e foi barrado pela cheia do Rio da Várzea (Vargem, nome dado por ele) e, à margem direita, ali mesmo, se obrigou a parar e acampar. 
Choveu muito por dias a fio e os mantimentos emboloraram quase todos devido a grande quantidade de água que caia e pela demora da chuvarada parar quando, do nada, apareceu o Índio Bandeira acompanhado de alguns bugres. 
Conversaram pouco e seu Jozé Luis Pereira perguntou em que direção ficava Campos do Mourão.
O índio respondeu evasivamente, com cara de paisagem:  
- Fica praaa láaaa do Campo do Abarrancamento.
- Você pode nos indicar o rumo ou nos levar até lá?
- Posso, mas só se pagar!
-Estamos quase passando fome. Não temos dinheiro nem    alimento pra lhe dar!
 
  
  O índio, então, ergueu o braço esquerdo estendido e falou:
   - Esse campo que procura, é praaa láaaa !! Apontou em direção oposta porque viu que ali não lhe renderia nada. Virou as costas e por onde apareceu, sumiu com seus 'guerreiros'.
  
A comitiva depauperada, no clarear do primeiro dia de sol, levantou acampamento rapidamente e retornou à Pitanga para se reabastecer. Partiram bem cedinho, no raiar de um dia carregado de nuvens ameaçadoras.
A família Pereira liderada pelo seu Jozé, conseguiu aportar nos Campo do Mourão em 1903, depois de duas tentativas fracassadas ao longo fr três anos.
Apesar da idade avançada, mais de 70 anos quando aqui chegou, era um homem forte, barbudo, um grande chapéu de aba bem larga na cabeça, destemido e apaixonado por cavalgadas, aventuras, caçadas em sertões distantes e desconhecidos. Dançava bem e seu ritmo  preferido era o fandango em bailes caseiros que atravessavam a noite num embalo só de um pandeiro e viola. 

 
Céu carrancudo em Campo Mourão
(Acervo Salete Brito)

- Veja bem. Essa tinha sido a segunda tentativa, mas foi só na terceira que os Pereira chegaram aos Campos do Mourão, desta feita pelo Picadão da Pitanga, aberto sobre o Caminho do Peaberu (BR-158). Veio a cavalo e dois carros-de-boi, em 16 de setembro de 1903, em onze pessoas, concluiu o grande alemão Germano Francisco Rodolfo Bathke - nosso inesquecível avô - que é perpetuado por nominar umas das principais avenidas dos Jardins Santa Cruz/Batel em Campo Mourão.


A imagem pode conter: 1 pessoa, céu e atividades ao ar livre 
Av. Germano Uranisco Rodolfo Bathke
Jardins Santa Cruz e Batel - Campo Mourão

Amigo do Comendador - O Índio Bandeira, que denomina a principal avenida de Campo Mourão, já habitava a região quando vieram os pioneiros. Ele próprio se empenhava para que os ‘brancos’ viessem morar aqui, criar gado, fazer roças e erguer uma cidade.  
Seu principal amigo era o Comendador  Norberto Marcondes (nome de avenida em Campo Mourão) nascido em Palmas – PR,  onde foi batizado Norberto Mendes Cordeiro. O nobre senhor visitou a região dos Campos do Mourão entre 1880 e 1883, época que chegou a registrar um quinhão de terra em Cartório de Imóveis de Guarapuava em seu nome, mas nunca tomou  posse ou fez morada nestes campos.

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Marcondes recebeu o titulo de comendador e a medalha da Ordem das Rosas justamente pelo trabalho benemérito de amansador e protetor de índios, desde Guarapuava até os sertões além Tibagi e do intrincado Oeste e Centro Oeste do Paraná. 
A significativa honraria lhe foi entregue pelo Imperador Dom Pedro II durante jantar da corte palaciana em Petrópolis - RJ, oportunidade em que foram narradas suas destemidas façanhas junto aos nativos de grande parte da terra devoluta do Estado do Paraná, aos quais ele dava o nome de bugres (índios mansos).

Ordem da Rosa
Era uma condecoração honorífica brasileira criada em 1829 pelo Imperador D. Pedro I para perpetuar a memória de seu matrimônio com Dona Amélia de Leuchtenberg. 
É formada por uma estrela branca de seis pontas maçanetadas, unidas por guirlanda de rosas. Ao centro, monograma com as letras "P" e "A" entrelaçadas circundado por orla azul com a legenda "AMOR E FIDELIDADE". No reverso a data 2-8-1829 e a legenda "PEDRO E AMÉLIA". Em alguns graus o conjunto traz no topo a Corôa Imperial.
Agraciados com a Ordem da Rosa 
Houve durante o período Imperial uma grande distribuição desta comenda. Poucas foram concedidas no 1º Reinado enquanto no 2º houve um significativo aumento - mais especificamente durante a Guerra do Paraguai.  
Isso se deveu ao fato de não existir uma medalha específica para atos de bravura individual durante a Guerra do Paraguai (a que existiu nunca foi distribuída - a Medalha aos Mais Bravos). Desta forma o Império contava com as ordens vigentes para preencher tal lacuna. A que foi mais usada foi a da Rosa no seu grau de Cavaleiro em 1870.

A Ordem da Rosa também tinha uma aplicação civil, e era constantemente usada para condecorar pintores, músicos e pessoas ligadas a arte em geral. No final do império foi usada por D. Pedro II como moeda de troca para incentivar fazendeiros a alforriar escravos. Além de brasileiros foi grande a distribuição desta ordem para membros da corte européia e também militar daquele continente. 
A Ordem da Rosa bem como as  demais medalhas, imperiais foi extinta após o banimento da família mperial e o início da República. 


Meus avós: Idalina e Rodolfo. Minha mãe Conceição Vera 
e meu irmão Rubens Bathke, em Balsa Nova - PR

Vô Rodolfo, filho do nosso bisavô Wilhelme (Guilherme) Bathke - nome de rua em Balsa Nova - não se aventurou a vir morar no desértico Campos do Mourão dos anos 30 e retornou a Balsa Nova onde era colono e tinha sua chácara que produzia de tudo; era dono de açougue e fornecedor de lenha para a estrada de ferro RVPSC. Somente em 1950 é que veio residir aqui a pedido do seu filho, o escrivão do crime e viúvo Ville Bathke. 
Vô Rodolfo adotou Campo Mourão e os netos, até sua morte e descansa no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, na derradeira morada dos Bathke 

 
Cemitério de Campo Mourão

Segundo contava o amigo Toni Nishimura - de saudosa memória - o Índio Bandeira foi sepultado na localidade denominada Catacumba, município de Mamborê e os restos mortais do famoso cacique foram traslados para São Paulo pelos seus descendentes.


19/03/2018

Historia do Radio em Campo Mourão


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O Rádio  - é um sistema de comunicações através de ondas eletromagnéticas propagadas no espaço, que por serem de comprimentos diferentes são classificadas em: ondas curtas de alta frequência ou ondas longas de baixa frequência, utilizadas pelas emissoras de televisão, rádio e etc. Os sistemas de comunicações normais são formados por dois componentes básicos transmissor e receptor. A princípio, o rádio é a união de três tecnologias básicas: a telegrafia, a telefonia e as ondas transmissoras (difusão). 
Antes de destacar a História do Rádio em Campo Mourão vamos relembrar como foi descoberto e, gradativamente, posto em funcionamento nos Estados Unidos, no Brasil e no Mundo. Em nosso país foi uma grande conquista, não sem dificuldades derivadas das infames e insanas barreiras impostas por alguns burocratas governamentais ávidos por dinheiro fácil. Entraves que, aliás, se observam até os dias atuais em pleno limiar do  Novo Milênio. No grosso miolo da burocracia está infiltrado o forte do império da propina, onde prevalece o: 'eu aprovo por deizinho, tá?' ou: 'eu libero, mas quero 'vintinho'! ou, ainda: '1% de todos os contratos, tá bom?! 

História do Rádio


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A invenção do rádio é atribuída ao italiano Guglielmo Marconi, mas o aárelho sonoro reúne uma série de pesquisas e descobertas anteriores reclamadas pelos seus autores, porém descartadas pelos segmentos da comunicação.
  
Prevalência
A exemplo de tantas outras invenções vale a de quem a fez funcionar oficialmente perante a ciência humana. Casos de Thomas Edson que acendeu a primeira lampada; Santos Dumpnt que decolou o primeiro avião e neste caso, Marconi que fez a primeira transmissão via rádio;

Precursores do Rádio

A primeira descoberta das ondas de rádio, com capacidade de enviar som e imagens pelo ar. aconteceu em 1860, quando o físico escocês James Maxwell descobriu este fenômeno que foi apresentado publicamente, somente em 1886 por Heinrich Hertz. Foi este quem primeiro demonstrou a variação rápida da corrente elétrica para o espaço em forma de ondas de rádio. Assim, com mais este trunfo Marconi estabeleceu, em linha telefônica, os sinais de rádio (Código Morse), que denominou telégrafo- sem- fio.

Transmissão Pioneira
A primeira transmissão por ondas de rádio foi em evento esportivo ocorrido durante a regata de Kingstown patrocinada pelo  jornal de Dublin. Em 1901, pelo feito histórico, Marconi recebeu o Prêmio Nobel de Física. A invenção, porém, ainda não tinha o formato igual ao que conhecemos, porque emitia somente sinais. A primeira transmissão de voz ocorreu em 1921 e um ano depois começou a operar em ondas curtas e frequência modulada. 

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Reinald Fessenden

A Primeira Voz no Rádio
A primeira transmissão conjugando voz e música por, ondas de rádio, deu-se em dezembro de 1906, feita pelo canadense Reinald Fessenden que reproduziu, durante uma hora, conversas e músicas entre radio operadores, principalmente aos embarcados marinheiros. Ele tornou-se a primeira voz do rádio, no Natal de 1906, quando improvisou no estúdio em Brant Rock, ao lado de Boston, um programa de mensagens de Natal e música espiritual para navios no mar. Christmas Eve era o nome do programa.


Primeiro Rádio do Mundo 
Outras transmissões de voz marcaram a combinação, mas era preciso dispositivos semelhantes a fones de ouvido e grandes alto-falantes nos primeiros aparelhos, feitos à mão. Era uma parafernalia. Na verdade, os receptores eram confeccionados em sulfeto de chumbo e as antenas bigodes de gato usadas para detectar os sinais de rádio eram  ligadas a aparelhos de cristal (tipo galena). 
A massificação do rádio ocorreu após 1927. Até então a lembrança catastrófica da I Guerra Mundial foi o mais significativo fator limitante à difusão do rádio, embora já existissem centenas de emissoras aleatórias. 
O interesse mundial cresceu após a guerra e os governos radicais monitoravam as transmissões, a maioria na clandestinidade. O rádio era considerado instrumento de guerra, de uso bélico. 
Mas, paulatinamente, esses governos passaram a utilizar a novidade como meio oficial de comunicação entre as potências mundiais. 
Em 1922 começou a liberação ordenada de mais emissoras, chegando a 550 neste ano, menos nos países da América do Sul,  considerados de terceiro mundo.

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O Rádio no Brasil

Um ano depois – 1923 - o rádio chegou no Brasil, mais precisamente dia 23 de setembro, data do nascimento do escritor e advogado carioca Edgard Roquette Pinto (n>1884-f>1954). 
A primeira transmissão ocorreu durante a Exposição do Centenário da Independência, quando empresários norte-americanos instalaram uma estação no Corcovado, aos pés do Cristo Redentor. Na ocasião ouvintes acompanharam, pelo rádio, a ópera "O Guarani", de Carlos Gomes e o discurso do então presidente brasileiro, Epitácio Pessoa. 

Roquete Pinto 
  Edgard Roquette Pinto, pioneiro do rádio no Brasil

Diante da novidade, o médico e escritor Roquette Pinto, tentou instalar a primeira emissora, no que foi impedido pela burocracia do governo federal. Contudo, a Academia Brasileira de Ciências acolheu o projeto e, assim, nasceu a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que transmitia poesias e informações sobre o circuito cultural da Cidade Maravilhosa. 
No Brasil, a primeira transmissão aconteceu em 1923 por Edgard Roquete Pinto e Henry Morize (foto).

A Era de Ouro do Rádio

A partir de 1927, o rádio passou a ter a possibilidade de transmissão de sons de aparelhos que reproduziam gravações dos discos, diretamente ao microfone. É iniciada a profissionalização do meio, com a contratação de artistas, transmissão de programas de auditório, futebol, radionovelas e humorísticos. Deste ponto de partida, as emissoras se espalharam pelo Brasil todo. A segunda em Pernambuco e a terceira no Paraná.

Rádio no Paraná

Rádio Clube Paranaense, mais conhecida por B-2 foi a primeira emissora de rádio instalada no Paraná e a terceira no Brasil, com sede em Curitiba, com prefixo oficial de PRB-2. Operava no dial AM, frequência 1430 kHz em OM de 6040 kHz (49m), 9725 kHz (31m) e 11935 kHz (25m). Começou transmitindo com minguados 3 watts de potência.
Exatamente às 11 horas do dia 27 de junho de 1924, se iniciavam as primeiras emissões da Rádio Clube Paranaense instalada na Mansão das Rosas - Av, João Gualberto perto do Colégio Estadual do Paraná - residência de Francisco Fido Fontana, coronel da erva-mate. Lá estava um grupo de radioamadores que, antes da inauguração da emissora, tinha por hábito a audição de radio galena. O grupo, então, fundou o Clube do Amigo e foi deste clube, que surgiu o nome da emissora.
O jornal Gazeta do Povo noticiou na página 5: "Por iniciativa de diversos (rádio) amadores fundou-se hoje nesta Capital uma sociedade denominada Rádio Club Paranaense, com o fim de difundir pela telephonia sem fio, concertos musicaes, palestras instructivas, contos para creanças, músicas e notícias de interesse geral."

Locutora Pioneira 
A  B-2 foi a primeira estação de rádio do estado a admitir uma locutora, Alice Martins Xavier, em 1926. Ela gravava os reclames (anúncios) que sustentavam a empresa, financeiramente. Também foi a primeira com auditório publico e a que ousou a realizar uma transmissão esportiva ao vivo entre Coritiba 1 x Atlético 1, dia 2 de setembro de 1934, no antigo Estádio da Água Verde, onde hoje está a Arena da Baixada. Os locutores deste feito pioneiro foram: Jacinto Cunha e Jofre Cabral, há mais de 80 atrás.
Nos idos de 40, durante a II Guerra Mundial, A B-2 fixou sua sede na Rua Barão do Rio Branco, nº 139, onde vivenciou os melhores períodos de sua história. 


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No fim da II Guerra, dia  9 de agosto de 1945, os pracinhas da Força Expedicionária Brasileira - FEB desembarcaram em Paranaguá e subiram de trem até a Estação de Curitiba (atual Shopping Estação). Seguiram em ordem unida pela Rio Branco tomada por uma grande multidão que aplaudia sem parar nossos heróis vitoriosos, debaixo de uma 'chuva' de flores. O evento foi transmitido ao vivo pela B-2.

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O insigne magistrado, Prefeito em Campo Mourão e Juiz Federal,  
Milton Luiz Pereira foi um dos destacados locutores. da B-2


Rádio em Campo Mourão
Na primeira semana de agosto de 1958 a Rádio Colmeia foi ao ar em caráter experimental. A primeira voz ouvida foi a do professor Hains Ravache, que falava desde a casa do transmissor e da antena, em frente ao antigo almoxarifado municipal, na R. Harrison José Borges esquina com Av. Goioerê. 
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Primeiro long-play (disco de vinil) da Rádio Colmeia 
de Campo Mourão - PR

A primeira música transmitida foi Cu-cu-ru-cu-cu Paloma, cantada pelo mexicano Miguel Aceves Mejia, com sua  voz de falsete inigualável, gravada em disco de vinil de 12 polegadas. Continha doze músicas, seis de cada lado.
Oficialmente, a Rádio Colmeia inaugurou dia 2 de agosto de 1959, dirigida por Otávio Rottili. Fizeram parte da primeira equipe de funcionários: Elza Brisola Maciel (discotecária), Aroldo Tissot (locução geral), o gerente J. Ambrósio Neto (locutor esportivo e comercial), Natália Domanski (secretária), Raimundo Spacki e Osvaldo Morais (técnicos de som). A princípio, a pioneira Colméia, foi instalada no Edifício Gênero da Rua Brasil, quase esquina com a av. Irmãos Pereira. O primeiro jornal falado da Rádio Colmeia chamava-se “O Mundo em Foco”, inicialmente apresentado por Pedro da Veiga e J. Ambrósio Neto e depois com Aroldo Tissot. As notícias eram quentes, captadas pelo telegrafista Carlos Mareck, que o locutor Pedro da Veiga buscava de bicicleta, no Correio da Rua Harrison José Borges, onde antigamente tinha a CAFE do Paraná pouco acima da esquina da av Manoel Mendes de Camargo, ao lado do antigo Móveis Rio Grande e depois na casa de Odilon Jofre Tayer, na esquina da Rua Brasil/Avenida Goioerê, perto do Colégio Marechal Rondon. Muitas vezes furamos o famoso Repórter Esso, apresentado por Heron Domingues, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro”, conta Pedro da Veiga. 
A primeira agente oficialmente designada do Correio em Campo Mourão foi Jovita Messias Marques e o segundo, Carlos Mareck, gerencias de fundamental importância aos noticiosos da Rádio Colmeia. O único problema era traduzir os telegramas cifrados, porque não dava tempo de redigir os artigos, pontos e vírgulas. "Felizmente sempre nos saímos bem”, sorri realizado o inesquecível Pedro da Veiga – Dom Diego entre os amigos, pela sua semelhança com o personagem Zorro. A Rádio Colmeia era sintonizada em OM - Ondas Médias, em 850 Mhz, com 500 Wats de potência, com o prefixo ZYS-63.
Oficialmente, a Rádio Colmeia, foi inaugurada dia 2 de agosto de 1959,  com um show de artistas famosos, entre eles Angela Maria, no Cine Mourão, na Av. Irmãos Pereira, esquina com a rua São Paulo (onde hoje está o fundo  do Banco Itau. Na esquina do banco  tinha o Bar Pinguim do Elói Leão; à esquerda do Cine Mourão o Banco Comercial e, em frente, o Hotel Ponto Chic com seu prédio ainda existente no mesmo local. A segunda instalação da Colmeia foi no último andar do Edifício Mourão, esquina da Rua Brasil com a Avenida Capitão Índio Bandeira que ainda está ali. A terceira mudança foi para o primeiro andar do Cine Plaza (hoje igreja universal). E a última mudança, em casa própria, foi para o quinto andar do edifício Antares, onde funciona até hoje. 

      Os Primeiros
José Ambrósio Neto foi o primeiro gerente.
Elza Brisola Maciel -        segunda gerente
Doracy Scorsatto –          terceiro gerente
Milton Rolim –                  quarto   gerente
Luiz Ferreira Lima -          quinto   gerente
Hosana [Avila Tezelli  –    sexta    gerente
Miércio tezelli -                 sétimo  gerente

Proprietários 
O fundador e primeiro proprietário foi Octávio Rotille.
A primeira secretária, foi Natália Domanski.
O segundo proprietário foi Erwin Bonkoski, que vendeu a emissora a um grupo de empresários mourãoenses: José Boiko, Delórdes Daleffe, Ronauro Gouveia e Tauillo Tezelli, os quais administravam a emissora pelo sistema de revezamento anual. Atualmente a proprietária da Rádio Colmeia é Hosana Tezelli.
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Locutores pioneirosHainz Ravache, José Ambrósio, Luiz Gonçalves, Pedro da Veiga, Aroldo Tissot e Eloy Maciel. Depois vieram: Adinor Cordeiro, Ruy Sérgio Karpstein, Jaime de Assis (garrafa), João Gonçalves (jota), Ciro Monteiro (depois TV Tupi), Manoel Rodrigues Correia, Zé Mané, Anísio dos Santos Morais, Wille Bathke Júnior, Coronel Bastião, Antonio Reinisz, Gerson Costa, Antonio Carlos (formigão) Antonio Kienen, Renato Javorski (tico tico), Luiz Carlos Silva (faro fino), João Nereu, Acir Gonçalves, Gerson Maciel e, etc e tal.
Repórteres de rua: Levi de Oliveira, Wilson Bibiano e Alderi Ribeiro.
Técnicos de som: Osvaldo Moraes e Raimundo Spaki. Depois vieram Antonio de Freitas, Roque de Freitas, Sebastião Vitter, Wilson José (trevé), wilson bibiano, João Batista, Acir Gonçalves e Beto Júnior.  

Emissoras em Campo Mourão Até 2017

FM - Frequência Modulada
  • 94.7 MHz - Terra FM
  • 98.5 MHz - Rádio T FM
  • 100.9 MHz - Musical
  • 104.9 MHz - Faixa Comunitária

  • AM - Amplitude Modulada

  • 730 kHz - Rádio Rural
  • 850 kHz - Rádio Colméia 


 
Cronologia do Rádio
1844, 24 de maio - Samuel F. B. Morse envia a primeira mensagem à distância através do telégrafo, primeiro sistema de comunicação a longa distância que o mundo conheceu.
1850 – O alemão Daniel Ruhmkoff inventa um aparelho capaz de transformar baixa tensão de uma pilha em alta tensão: surge o primeiro emissor de ondas eletromagnéticas.
1853 – O físico australiano Julius Willheim Gintl prova ser possível enviar várias mensagens simultaneamente por uma única linha telegráfica.
1867 – O alemão Siemens inventou o dínamo gerador de corrente elétrica.
1875 – Surge o primeiro serviço permanente de notícias por cabo. No mesmo ano, Alexandre Graham Bell inventou o microfone que ele chamava de  transdutor magnético.
1877 – Emile Bertiner torna o microfone um equipamento personificado e Thomas A. Edison registra som em cilindros.
1893 – O padre e cientista brasileiro Roberto Landell de Moura realizou a primeira transmissão falada, sem fios, por ondas eletromagnéticas. Sua experiência mais importante – praticamente desconhecida do mundo – foi em São Paulo, quando transmitiu por telegrafia sem fio do alto da avenida Paulista para o alto de Sant’Ana. Todos os equipamentos usados forma inventados pelo próprio Landell de Moura, com patentes registradas no Brasil dia 9 de março de 1901.
1895 – O russo Aleksandr Popov inventou uma antena capaz de receber frequências baixas, na faixa de 30 kHz. No mesmo ano, próximo à região da Bolonha, na Itália, Guglielmo Marconi conseguiu realizar o que ficou conhecido como a primeira transmissão de sinais sem fio por uma distância inicial de 400 e em seguida de 2 mil metros.
1896,  2 de junho – O italiano Marconi registra, na Inglaterra, uma patente para um sistema de comunicações sem fio, que mais tarde usou para receber e transmitir sinais em código Morse em um raio de até 3 km de distância.
1899 – Realizada uma transmissão de 42 km entre dois cruzadores franceses equipados com o dispositivo Ducretet/Popov. Dia 28 de março do mesmo ano, Marconi vai mais longe e faz uma transmissão através do Canal da Mancha enviando sinais de Dover para Wimereux.
1900 – Marconi consegue a patente por um processo que permite ao operador do equipamento selecionar um comprimento específico de onda. Em fevereiro deste ano surgiu a primeira estação comercial, localizada na ilha alemã de Borkum.
1901 – Marconi realiza a primeira transmissão transatlântica. Usando o código Morse, o cientista consegue transmitir entre Poldhu na Comualha britânica e St. John, Newfoundland.
1903 – Criada a Telefunken, com a união da Siemens e da Allgemeine Elektizitats Gesellschaft. Também neste ano, Gustave Ferrie instala uma estação de telégrafo de longa distância na Torre Eiffel, o que permite que o London Times e o New York Times recebam informações sobre o andamento da guerra entre a Rússia e o Japão. Ainda Não era possível transmitir sons, apenas sinais.

1904 – Landell registra a patente do Transmissor de Ondas, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio nos EUA.
O inglês John Fleming inventa o diodo, uma válvula iônica de dois eletrodos que possibilita finalmente a transmissão do som. Imediatamente, uma estação de radiotelégrafo é construída na costa Adriática, no principado de Montenegro.
1905 – A Marinha de Guerra do Brasil realizou várias experiências com a telegrafia por centelhamento no encouraçado Aquidabã.
Criado o Ato do Telégrafo sem fio (Wireless Telegraph Act), no Canadá, que estabelece regras para a obtenção de licença para a telegrafia. No mesmo ano, ocorre a primeira comunicação sem fio da Espanha, realizada entre El Ferol del Caudillo e La Coruña. Neste ano, são descobertas as propriedades da galena (lead sulphide) como detector de sinais radioelétricos.
1906 – O norte-americano Reginald Fessenden constrói o primeiro alternador de alta freqüência e realiza a transmissão da voz humana pelo rádio. Em 25 de outubro, Lee de Forest patenteia, nos Estados Unidos, o triodo – uma válvula de três eletrodos que permite a detecção, transmissão e amplificação dos sinais de rádio.
1908 – O rádio descobre sua vocação de prestação de serviços, com a adoção do sinal SOS, de socorro, internacionalmente.

1910,  13 de janeiro  – A tripulação de um navio em alto mar – a 20 km da terra firme , consegue ouvir a voz famosa do tenor italiano Enrico Caruso graça a uma transmissão do Metropolitan Opera House, em Nova Iorque.
1913 – Surge a Wireless Society de Londres, na Inglaterra, que se tornaria mas tarde a Radio Society da Grã-Bretanha.
1915 – Surgem na Alemanha as primeiras transmissões internacionais de programas diários de notícias.
1920 – Surgem, na França, os primeiros rádios a pilha, vendidos com outra inovação: fones de ouvido. Neste período, o jornalismo ocupa parte importante da programação, ganhando um caráter de seriedade econômica depois que a Holanda lança moda ao começar a transmitir o movimento da bolsa de Amsterdam mesclado com noticiário econômico.
1922 – Já existem estações de rádio com programações regulares em quase todo o mundo, incluindo aí a Argentina, Canadá, União Soviética, Espanha e Dinamarca. Em 7 de setembro do mesmo ano, o discurso do presidente da República, Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da independência do Brasil é transmitido via rádio, trata-se da primeira transmissão oficial pelo novo veículo de comunicação. Foram importados 80 receptores de rádio especialmente para o evento. Em outubro, nasce a britânica BBC (Britsh Broadcasting Company), em paralelo com as primeiras estações de rádio em Shangai, na China, e em Cuba.
1923 – A Itália nacionaliza o rádio por decreto real Ainda em 1923 a França segue o exemplo e transforma o rádio em monopólio estatal. Edgard Roquete Pinto – considerado pai do rádio brasileiro – e Henry Morize fundam em 20 de abril, a primeira rádio brasileira: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada para atuar sem fins comerciais. Enquanto o Japão termina e regulamentar as leis de funcionamento do rádio optando por banir a publicidade neste meio de comunicação.
1924 – Suécia cria o modelo de estação de rádio sem anúncios e com um propósito claramente educativo.
1926 – No Japão, a criação da NHK (Nippon Hoso Kyokai) institui o monopólio no país – a companhia acaba incorporando as rádios privadas existentes. Nesta mesma época, no Brasil começa a operar a Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro.
1929 – O Vaticano cria sua primeira rádio, que foi oficialmente inaugurada em 1931.

1932 – O Decreto nº 21.111, de 1º de março, que regulamentou o Decreto nº 20.047, de maio de 1931, primeiro diploma legal sobre a radiodifusão define o rádio como “serviço de interesse nacional e de finalidade educativa”. No mesmo ano, o Decreto nº 21.111, autoriza a veiculação de propaganda pelo rádio, tendo limitado sua manifestação, inicialmente, a 10% da programação.
1934 – Criada a SARBU (South American Radio Broadcasting Union), entidade que reúne o países latino americanos.
1935 – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai assinam tratado de cooperação técnica em radiodifusão.
A Rádio Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, cria vários programas de notícias.
1936 – É fundada a brasileira Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que foi a primeira em audiência por mais de vinte anos.
1938, 30 de outubro – Orson Welles vai ao ar deixando milhares de pessoas em pânico com a certeza de que a Terra estaria sendo invadida por extraterrestres com a transmissão de Invasão dos Mundos, peça do escrito H.G. Wells.
1939 – A Alemanha da Hitler proíbe a audiência de rádios estrangeiras. O segundo passo ocorre em 1940, quando as rádios alemãs passam a transmitir a mesma programação de caráter ultra-nacionalista, já totalmente sob o domínio nazista. O presidente francês General Charles de Gaulle também usa o rádio como instrumento de mobilização ao apelar para que os franceses resistam aos ataques alemães, pela BBC em Londres.
1940 – O Decreto-Lei no. 2.073, do presidente da República Getúlio Vargas, criou as Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União, que entre outras encampou a Rádio Nacional, de propriedade do grupo A Noite. Em 1938, inaugurou-se o programa “A Hora do Brasil”.
1941 – Surge o Repórter Esso, criado pela Rádio Nacional, durante a II Guerra Mundial. O programa ficou no ar até 1968.
1942 – Criado o Grande Jornal Falado Tupi, da Rádio Tupi, de São Paulo. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro leva o ar a primeira radio novela: “Em busca da felicidade”.
1944 – A resistência é avisada, por intermédio da mensagens codificadas, de um iminente desembarque dos aliados na Normandia, no famoso Dia D.
1945, 15 de agosto – O imperador do Japão anuncia a rendição do país, por rádio, depois dos ataques norte-americanos com bombas nucleares sobre Nagasaki e Hiroshima. No mesmo ano, o controle governamental sobre o rádio no Japão é abolido.

1946 – Surgem os gravadores de fita magnética. O início da substituição das válvulas retificadoras por retificadores de selênio, material semicondutor em estado sólido muito menos propício a queimar do que as velhas válvulas a vácuo.
1954 – Chega o Regency TR1, primeiro rádio transistorizado do mundo, lançado nos EUA.
1985 – A japonesa Sony desenvolve um rádio do tamanho de um cartão de crédito.
1990 – Criada a Rede Bandeirantes de Rádio, a primeira do Brasil a operar via satélite com 70 emissoras FM e 60 AM em mais de 80 regiões do País.
2002 – Aprovada emenda constitucional que permite que empresas de comunicação sejam de propriedade pessoas jurídicas e permite a entrada de capital estrangeiro no setor.

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Radio Digital – A Nova Geração
Radio digital – como a televisão -  o radio deverá ter sua versão digital. As radio AM terão a mesma qualidade das atuais FM, transmitindo em estéreo. Por sua vez, as FMs devem oferecer qualidade próxima à dos CDs. Além disto, o mostrador de um aparelho domestico ou de automóvel poderá exibir por exemplo, uma serie de informações adicionais, como o nome das emissoras, cotações de moedas estrangeiras e outras. Disputam o mercado o sistema americano, da empresas Ibiquity, e o europeu, desenvolvido pelo consorcio DRM ( Digital Radio Mondiale ). Ambos são variantes de um mesmo padrão, o IBOC ( In Band On Channel ). Há ainda o padrão Eureka 147, europeu, que opera em outra freqüência, e o japonês NISDB-T, ainda em desenvolvimento, mas os dois terão dificuldades de aceitação no Brasil, por não permitir a digitalização em FM e AM. O IBOC transmite simultaneamente sinais analógicos e digitais, que facilita a transição das emissoras que operam analogicamente. Por isso, é provável que será o preferido pelos radiodifusões, tanto dos EUA como da maioria dos países latino-americanos, já que a transição é mais barata e segura.


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Transmissão  e Recepção