09/10/2017

Campo Mourão, casos e causos com Mariza


 
Mistérios da Meia Noite

Mariza Ferreira em Campo Mourão - Pr

Mariza Ferreira - Filha de Isaura Nunes e Valfrido Ferreira Padilha, irmã de Edgar, Odival e Adalgisa, nasceu em Marechal Mallet – PR, dia 7 de dezembro de 1949, registrada no Cartório Civil de Roberto Brzezinski.

“Nasci bem num dia festivo em que o governador Moysés Lupion visitava nossa cidade natal. Vim ao mundo pelas mãos abençoadas do médico Ernani Bengel e fui honrada em meu documento de brasileira pelo cartorário, depois inesquecível prefeito de Campo Mourão, Roberto Brzezinski, cidade que mais tarde nos acolheu. Aqui passamos a morar, por graça do destino”, fala orgulhosa, Mariza Ferreira.


Camas torneadas - “Ainda bebê minha família morou em Guarapuava, depois Campo Mourão aonde cheguei com três anos de idade”. Seu Valfrido foi trabalhar nas proximidades da Indústria Cama Patente, empresa proprietária da Serraria Santa Maria, “que fabricava e vendia ao Brasil todo, as famosas camas de molas com a armação toda roliça, de madeira de pinho, inclusive bem envernizada. Eram camas muito bonitas na época. O colchão era padronizado, de brim grosso, recheado de um capim especial, pano listrado em azul e rosa, tanto para solteiro como para casados”, relembra a maletense sorridente. 

 
Fazenda Santa Maria da Cama Patente
era pinhal fechado em Campo Mourão - PR

Patrimônio - A colônia de empregados da Indústria na Serraria era bem numerosa e formava quase um patrimônio. “Faltava um pouco mais de população para ser um distrito administrativo ou uma vila quase cidade. Os pinheirais se perdiam de vista e o pessoal encarregado do corte, assim, igual os trabalhadores na serraria, encaravam jornadas de, praticamente, dia e noite. Folga mesmo, só aos domingos. Não havia tal do sábado inglês (meio expediente). Lá existia de tudo que se precisava: armazém, escola, capela, futebol e muitas festas, geralmente de santos e santas. Tinha de tudo, entende? - Inclusive meu pai negociava e vendia mercadorias, bem próximo dali. Ele sempre foi comerciante bem ativo. Aprendi muito com ele nesse ramo; pena que se demorava pouco nas cidades em que moramos”, explica porque a fama de cigano.

Infância – “Eu tinha muito medo do ‘homem do saco’. Minha mãe dizia que ele roubava crianças, assim eu não ia longe de casa. Meu pavor era vento forte, trauma que perdi quando nasceu minha filha. Quando dava ventania me agarrava nela para protege-la, então me sentia poderosa. Daí meu medo acabou. Entre meus 6 e 12 anos conversava com personagens que eu criava; fazia  e batia peteca de palha de milho, sozinha. Montava histórias, tipo novela. Um dia o Dr. Horácio Amaral leu e me incentivou continuar a escrever daquele jeito, que eu ia ser famosa. Creio que a alma de algum escritor encarnou em mim (risos). O que o Dr. Horácio me falou, quase aconteceu quando moça, conseqüência do meu primeiro trabalho assalariado na Rádio Colmeia e na Estação Rodoviária de Campo Mourão”, registra.

Cemitério fantasma“Mas, ainda, na minha infância, nos locais solitários onde moravamos, eu fiz um cemitério e dei nome aos sabugos. Quando um ‘morria’ eu chorava, rezava e o enterrava, muito triste. Quando meu irmão Edgar me flagrava fazendo minhas ‘artes’, me batia, me chamava de louca e mandava eu ir ajudar nosso pai no armazém ou a mãe em casa. Mas no outro dia meu procedimento era o mesmo, sem deixar de cumprir minhas tarefas: tirar água do poço fundo num latão de uns 20 litros; capinava aquelas barbas de bode (capim) que era praga bem enraizada, sempre vigiada pelo Edgar, meu irmão mandão. Banho era debaixo de um balde grande, pendurado por uma corda, acima da nossa cabeça. Já imaginou se caísse? Matava, né?”, relembra das lides nos sítios que morou. 

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O Lobisomem - "Onde morei tinha até lobisomem (risadas). Você não acredita, pode rir, mas é verdade porque eu vi em foto”, e entra em detalhes: “Eu tinha 6 anos. Meu pai era dono de armazém na região da Fazenda Santa Maria/Cama Patente, 11 quilômetros de Campo Mourão. Existia um pinheiral imenso naquela vastidão. Era Quaresma. Noite de sexta-feira. Lua-cheia. A cachorrada da colônia latia endiabrada e atacava um cachorrão esquisito. Ele rodeou as casas, fungou feio e soprava forte nas frestas das paredes do nosso rancho sem mata-juntas, bem próximo de onde eu dormia. Não tive medo. Pegamos o lampião a querosene. A gente espiava pelas frestas para localizar o animal, mas lá fora não se via nada. Estava tudo embaçado. Isso acontecia só na Sexta da Quaresma. Certo? - Como te disse, sempre trabalhei com meu pai no armazém e ouvi muitas histórias assim, contadas pelos fregueses, a maioria matutos, gente boa e muito simples, as quais dão um livro bem interessante... de arrepiar”, garante Mariza. 
"Não sei se era o mesmo, mas um lobisomem reapareceu na colônia em 1960. Já estava moça. Ele foi visto comendo os cachorrinhos, crias de uma cadela dali. Os cachorros latiam e avançavam nele até que seu Dadinho (Eduardo) acudiu e atirou naquela coisa horrível, que ficou ali estirada. Mas quando começou a clarear o dia e a lua sumiu, ele se transformou em homem. Eu vi foto dele". O caso foi registrado pela policia de Campo Mourão e a notícia saiu nos jornais da época, "só que o tal 'coisa' nunca mais foi visto por ali", afirma com segurança.
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Mais 1 - “Outra feita, eu já mocinha, tenho certeza que namorei um lobisomem, pistoleiro de aluguel de Campo do Tenente - PR. Ele me visitava em casa, na Vila Angélica, quando tivemos negócio (armazém) em Araucária - PR. O moço parecia normal, só que quando chegava sexta-feira quaresmeira, ele mudava totalmente o comportamento e repetia várias vezes, com uma voz gutural, parecia rouco... falava e mostrava dentes pontiagudos: ‘vou embora... não posso te matar! Vou embora... não quero te matar'... e antes da meia-noite ia embora, transtornado, quase correndo que nem um cão... grunhia coisas sem sentido. Nada o detinha nessa hora soturna. Sumia mesmo. Desconfiei da coisa e larguei dele rapidinho”, rindo meio contida.


 
Isaura Nunves e Valfrido Ferreira Padilha
pais de Mariza

Derruba lombrigas“Até vir morar na cidade eu acreditava em cegonha. Olha só! (risadinha encabulada). Minha mãe aprendeu ser parteira, daí caiu o mito, descobri o tabu. Ela também era benzedeira/curandeira e cuidava de criança e  gente grande. Teve um tempo que lombriga matava. A barriga ficava enorme – falavam barriga d’água – dava diarreia (desidratação). Minha mãe mandava a gente matar um frango. Prendia ele entre as coxas, puxava pela cabeça apontada para baixo, degolava e aparava o sangue em um prato ou tigela. A pessoa lombriguenta deitava de bruços e o sangue era esfregado, com a mão espalmada, acima do bumbum e entre os omoplatas. Logo apareciam as cabecinhas e boquinhas vermelhinhas das lombrigas a flor da pele. Mamãe passava a navalha onde elas afloravam e 'degolava' todas. A pessoa sarava da desinteria e da anemia. Só que o tal do ‘derruba lombriga’ só dava certo na Lua Minguante. Era nojento, mas funcionava, coisa que médicos não davam conta. Até uns iam lá em casa aprender a habilidade da Mãe Isaura. O sangue de um frango caipira dava para curar, exatamente, 23 pessoas”, contabiliza.


Mal semiótico – “O povo do mato dizia ‘doença de macaco’. Médico falava: ‘mal de semioto’, mas não curava. Mamãe sim. O teste era ver se a criança encostava o cotovelo direito no joelho esquerdo e vice versa. Se não conseguia era porque estava minguando por causa da desinteria que dava, a nervura encolhia. A criança sofria tanto que ficava quase louca... parecia um macaquinho”, observou. “Minha mãe também curava ‘sapinho’ (afta) que dava na boca, mais dos bebes. Esse mal ela sanava com chá de erva-doce e panos que passava nas mucosas infestadas e punha no sol a fim de secar a saliva, e curava mesmo”, concluiu a filha da dona Isaura, que conhecia muito de ervas medicinais nativas, do mato, sem ser índia.

Capelinha – “As famílias aumentavam a colônia da serraria da Cama Patente e minha mãe decidiu fundar a igrejinha de madeira a qual deu nome de sua padroeira: Nossa Senhora das Graças. Quando tinha missa eu ajudava o padre, organizava as cerimônias, participava da Via Sacra vestida de anjo e lenço na cabeça, sinal de respeito ao Altíssimo. Depois da missa os jovens se reuniam em pic-nics pelas redondezas e perto da represa d’água que existia ali. Tinha muito Pinhal e Pitangueiras nativas, em volta que a gente colhia e comia à vontade. Ouvia-se música em toca-discos portáteis: Agnaldo Rayol, Teixeirinha, Tema de Lara, Jerry Adriani, Roberto Carlos... me lembro dos jovens e moças que ali iam, das famílias dos Carolo, Tramujas. Tonet, Ferri, tudo no maior respeito”, recorda com saudade. Enquanto isso o Cine Mourão exibia Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo, seriado do Zorro... “Me lembro de alguns moços bonitos que participavam: Jaime Tagliari, Pedro Tonet, Wilmar Carolo, Moacir Ferri... Enquanto ouvia-se músicas e conversava, a gente comia muita bolacha caseira de polvilho, enlatadas pela mãe. Tinha também o ‘brodo cozido’ (caldo grosso de galinha) com pão molhado na sopa e, na sobremesa era bolo enfeitado, tipo aniversário”. Tempo bom mesmo, que não volta atrás. “Por isso temos que aproveitar, o máximo possível, do hoje”, recomenda.

<O Pote de Ouro>


Festanças – “No patrimônio da Cama Patente, tinha, quase de tudo. As festas eram lindas e animadas principalmente pela grande família de negros queridos dos Cafurna. As casas deles eram coladas uma nas outras. Parecia outro país. Eram mais de 200 pessoas lideradas pelo seu João Cafurna que dizia ter mais de 100 anos e era filho de escravo. Sua mulher, dona Ana Cafurna e os filhos José e João Cafurna Fº ajudavam ele na organização, além da Antonina, moça branca, empregada de mamãe. Era bonito de se ver e participar. A procissão andava lentamente em círculos, em volta da capela, entoando rezas. A grande festa se realizava em honra a  Santa Ana (28/07) em um fim de semana, desde o amanhecer até quase a madrugada do dia seguinte. O terreiro era forrado e decorado com pelegos coloridos (pele de carneiro com a lã tingida). Já existia vários mastros fincados ali e a cada ano era colocado mais um, encimado com a bandeira da santa. A cerimônia era acompanhada de muitas rezas e cantorias consagradas a ela e a Deus. Não tinha bebida alcoólica. Distribuíam guaraná, sodinha, muita carne assada, pão  de padeiro (era novidade), pão caseiro, bolos cobertos de clara de ovo (esses eu não gostava, era muita baba crua), éca!.. faz careta. 

Lugar animado – “Além da festa anual de Sant’ana – não sei se já te contei – tínhamos o Clube Social que o pai presidiu; lindos bailes animados por sanfoneiro, violeiro e pandeiro, era um fandango batido que varava a noite... tinha campo e time de futebol; raia de corridas de cavalos onde disparavam os animais pangarés e de raça. Faziam altas apostas. Antes das corridas e jogos de futebol a gente montava barzinho para as torcidas, com refrigerantes e salgadinhos... vendia-se tudo. Meu pai tinha até cronômetro e cavalo de raça pura. Era tão fanático que eu até pensava que ele gostava mais de cavalo do que de nós”, risos. 

Vi a morte - “Certa feita papai comprou um potro e pagou seu Domingos (domador) para amansar e adestrar o animalzinho de égua corredeira, puro sangue, importada. Uns quinze dias depois, bem cedinho, quando ele veio entregar o potro domado, estava montado em pelo... abri a porta do armazém... o animal assustou, empinou... seu Domingos deslizou pelas ancas do animal... caiu de costas, bateu forte a nuca na terra dura e morreu no ato, ali. Me senti culpada por muito tempo, mesmo que meu pai tenha me consolado”. Aconteceu sem querer, lamenta.

Petróleo - “Ainda próximo a Cama Patente tivemos um vizinho de nome Alexandre. Na terra dele, bem próxima de onde nós estávamos, surgiu a notícia que ali existia petróleo. Foi cerca de um ano aquele barulho infernal de máquinas e brocas durante as perfurações que faziam as turmas da Petrobrás. Não deu um mês lacraram os buracos e informaram que iam embora por causa da broca que quebrou. Minha mãe sabia de tudo que se passava, inclusive as conversas no acampamento. Ela era cozinheira contratada pela estatal que hoje só dá vexames com essas prisões devido as propinas incalculáveis desvendadas pela Policia Federal, no caso Lavajato, também conhecido por Petrolão. Minha mãe dizia que ouvia, sempre, os encarregados dizerem que ali tinha o que eles 'queriam'", revela Mariza. A propriedade, mais tarde, foi adquirida pelo seu Manoel Castanheira, o qual confirma a existência das perfurações, ali lacradas, pela Petrobrás.

 
A Noiva
 
A professora Mariza Ferreira

Professora – “Estudei os três primeiros anos na Escola Isolada Cama Patente, com as professoras Maria e Algemira, que eu amava. Concluí o curso primário no Educandário Cristo Rei (ucraíno) de Campo Mourão com as queridas irmãs Rita e Tarcisia. Prestei exame de admissão e concluí o ensino médio em Araucária. Trabalhei no comércio com meu pai até 1969 quando me arranjaram um casamento contra minha vontade. Tentei fugir, mas não deu. Ele era viúvo, nada amoroso e com quase o dobro da minha idade. Só que era bem de vida, daí o interesse dos meus pais. Pensavam que isso me faria feliz, mas não fez”, lamenta. “Quando fiquei solteira me preparei e lutei e consegui ser professora do ensino primário. Adoro trabalhar com crianças e idosos”, diz sorridente.

A Moça da Rodoviária – “Quando vim morar em Campo Mourão, por volta de 1954/55, fui a primeira locutora da estação rodoviária e anunciava os horários de embarques e destinos dos ônibus. Tinha duas empresas apenas: Expresso Nordeste e Expresso Maringá, com horários bem reduzidos. Para Curitiba, só um à noite, que partia às 20h 30min. Mais tarde entrou a Viação Garcia, de Londrina. O estúdio ficava anexo ao Hotel Municipal, da família Zavadniak, no piso superior e o som pertencia ao Doracy Scorsato – depois gerente da Rádio Colmeia - onde também fui locutora contemporânea do Manoel Rodrigues Correia, Darci Favaro, Coronel Bastião, Carlos Matos, Ivo e outros. Eu gostava de rodar discos de músicas sertanejas e populares e o Doracy insistia para colocar músicas orquestradas, tipo Paul Muriat, Frank Purcel, Mantovani... Mas eu era teimosa e alegre e a que mais eu tocava era: Vai com Deus (quando o ônibus partia), Coração de Luto, Aperta Aparício, Pára Pedro (rindo). 


"Nesse tempo, nas horas de folga, eu sentava na praça, ao lado da catedral, lia jornais e escrevia letras de músicas. Também redigi umas novelas que chegamos a ensaiar na Radio Colmeia, instalada lá em cima”, último andar do Edifício Mourão. “Eu era mocinha e muito paquerada, até pelos cantores e artistas que se apresentavam na rádio e nos clubes de Campo Mourão. Mas sempre me contive porque fui educada assim: casar pura. Quando teve concurso de locutoras (1957), que seriam duas contratadas – uma na Colmeia e outra na Rodoviária – estavam inscritas umas 50 candidatas bem bonitas. Eu fui a segunda testada pelo Antero Cláudio (programador) e pelo Darci Favaro. Passei em primeiro lugar e a menina  Doraci em segundo. Escolhi trabalhar na Rodoviária porque era mais junto do povo, mais movimento, entende?”, relembra com orgulho suas vitórias na juventude e seu primeiro emprego remunerado, conta feliz.

Rádio Record – Em meados de 1950/60 estavam no auge as novelas radiofônicas em três emissoras famosas: Tupy (Sua Vida Me Pertence, que estreou em 21 de dezembro de 1951); Nacional do Rio de Janeiro (O Direito de Nascer) e Record de São Paulo (A Muralha). “Foi anunciado um concurso voltado a possíveis interpretes de rádio pela Record, em Maringá. Não falei nada a ninguém e fui. Eu já tinha meu dinheiro. Passei em primeiro lugar, mas quando avisei a família que ia fazer novelas em São Paulo – praa quêee! se colocaram contra mim e me impediram de viajar. Quase apanhei”. É que nesse tempo, artista de rádio e teatro não era bem visto, principalmente as atrizes. “Não confiaram em mim, daí não fui. Fiquei, maiss é muiiito frustrada, mesmo! Diluíram meu sonho maior! Então me consolei ao lembrar das palavras que o Dr. Horácio Amaral, advogado e ex-prefeito de Campo Mourão, me disse, quando leu minhas historinhas de criança e me incentivou a continuar, ainda lá na Cama Patente”. Deu uma pausa, triste, pensativa como se procurasse algo no ar.

Propina – Mariza é uma mulher dinâmica, atualizada, correta em seus compromissos, que acompanha os noticiários, alimenta diariamente sua rede social, é professora e atuante na política partidária. “Já fui candidata a vereadora por duas vezes em Araucária – PR. Assessorei prefeito e também vereadores e, infelizmente, sou testemunha de muitos maracotões”. Conta de que forma foi envolvida: “eu assessorava um vereador, em Curitiba (citou o nome, mas pediu sigilo). No meu holerite oficial da Câmara constava, vamos dizer, 5 mil reais e eu o assinava como recebido, só que o dito cujo, de  família importante e abastada, do ramo de transportes coletivos, ficava com 3 mil e fazia eu assinar um recibinho de 2. Certo dia ele me chamou e disse que eu estava dispensada, mas soube que ele me prejudicou por contratar a namorada, por exigência dela. Eu fiquei muito triste e decepcionada porque eu cuidava direitinho da agenda dele e até elaborava bons projetos que o mal agradecido apresentava no plenário e a maioria era aprovada. Na eleição seguinte, eu fui ao comitê. Ele era candidato contra o Requião. Quando lá cheguei falei com o marqueteiro da campanha. Disse que fui roubada, queria meu dinheiro de volta,  e que  tinha os holerites e recibos guardados e que ia dar nas mãos do Requião. Pediram por misericórdia para não fazer aquilo. Perguntaram quanto queria pelos papeis comprometedores, assim, na cara dura. Ofereceram, né? Então pedi 30 mil reais, pois tive prejuízos de mais de 50 com a sacanagem que ele me aprontou, pois assumi dividas. Falaram que era muito e iriam conversar com o candidato pilantrão e no dia seguinte me dariam uma resposta. Ligaram e me orientaram que fosse sozinha, sem nada nas mãos, nem bolsa que toda mulher carrega, nem roupa com bolsos. Veja só como são esses cafajestes!! Disseram-me: ‘vá naquele casarão velho, atrás do Shopping Muller, número tal. A porta estará aberta, entre e alguém vai
te entregar 20 mil reais em dinheiro e nada mais que isso... não insista!! -Fui sozinha como ordenaram. Entrei devagar, ressabiada. Tudo meio escuro. Vi uns vultos, creio de uns quatro homens e um sentado atrás de uma mesinha. Fui até ele. Pediu-me os papeis. Eu falei: primeiro o meu. Ele me deu um saquinho de mercado com o dinheiro e lhe entreguei a minha sacolinha com as provas. Só que eu fiz e tenho cópias. São meus trunfos. Não nos falamos mais nada. Saí com muito medo e apressada. Eles poderiam me ‘apagar’. Nem olhei para trás. Na frente do Muller peguei um táxi e só parei quando cheguei em casa, ansiosa, agoniada. Contei o dinheiro. Tudo certinho. Respirei fundo pelo sufoco que senti. Guardei no roupeiro. Com isso, pelo menos, paguei minhas contas. Esse tal nunca mais me perturbou”, diz aliviada.

Idas e vindas – “Em 1958 mudamos para Marajó, patrimônio de Nova Aurora – PR. Instalamos um bar bem movimentado perto da balsa do Porto 2 do Rio Piquiri. Ajudava ali e à tarde eu fazia locução da Hora da Ave Maria na igrejinha de Marajó, onde conheci meu futuro primeiro marido, o viúvo Antonio Giraldeli. Casamos em seis meses, dia 11 de janeiro de 1959, com a benção do padre Dionísio, que era contra essa união por causa das idades. Aí começou meu calvário”, pausa, pensa e continua: “Ficamos juntos 12 anos e tive um casal: Joelma e Marcos, que sempre foram tudo de bom na minha vida e os amo demais”, fala feliz. 
“O Marcos está bem, na Irlanda do Norte, onde trabalha de Consultor de informática e a Joelma é enfermeira em Itaperuçu – PR, mãe do meu neto William. A neta Andressa, casou e me deu a bisneta, linda de viver, Nataly, e moram em Lecce – Itália, mas nos falamos praticamente todos os dias pelo watzap. E eu aqui, em Curitiba... Olha só!”, risos.

 
Casamento de Mariza Ferreira
Padre Dionisio e padrinho Guido Castelli

Casamentos – “Quando casei teve festa de três dias, de sexta a domingo, no Sítio Padilha, do meu pai. O sanfoneiro Meirinho, antes disso pegou minha aliança e disse que não ia me devolver. Ele também era contra. Mas na véspera o vi num bar, pedi por favor e me devolveu. Ele que cantou, tocou sanfona e animou o baile do meu casamento, de graça. A gente se conheceu na rádio Colmeia. Quem me levou até a igreja de São José, sem eu parar de chorar, maquiagem toda borrada, foi meu amigo Edir Castelli, do qual gosto muito. O seu Guido Castelli foi meu padrinho. Afinal casei. Teve a tal lua de mel em um quarto de parede e meia com o dos meus pais. Veja só!! -Não sei para ele, mas para mim foi uma noite amarga, de fel. Ele me machucou toda, era bruto. Fui parar no médico, que o ameaçou de processo pela brutalidade que me fez. Mesmo assim, depois que acabou a festa, sobrou para mim. Me doía toda. Tive que limpar a casa e aquela sujeira danada de restos e toalhas imundas das comilanças, sentindo dores horriveis. Pior: na lua de mel ‘ganhei’ uma cistite dele (cistite é inflamação muito dolorida, na bexiga, causada por fungos). Foi um sufoco esse casamento até acabar depois de 12 anos... ele era muito estupido e zoneiro... uufah!”, relaxa e suspira fundo como que expulsando algo muito ruim, de dentro si.

Mandioca - O Sítio Padilha, onde se deu esse frustrante enlace matrimonial, ficava a margem esquerda do Rio da Várzea, entre o patrimônio da Cama Patente e Campina do Amoral, onde moravam os gaúchos: Ferri, Tramujas, Carolo, Fioravante. “Fui auxiliar da professora Margarida Ferri, na escolinha da serraria de Nadir Figueiredo, durante um ano. Tinha 45 estudantes de 1ª a 3ª série. Meu irmão Osdival trabalhava ali e era motorista de caminhão... transportava toras enormes, desde os estaleiros do matão até o pátio da serra grande, na sede. O gerente era seu Eugênio e dona Rosa, sua esposa, atendia o armazém próprio da madeireira. Eles moravam na casa mais bonita da colônia Nadir. Eu ficava ali e no fim de semana ia até a casa dos meus pais. Foi nessa serraria que tive que comer muita mandioca, por imposição de dona Rosa. Aconteceu uma forte chuva de granizo que derriçou tudo. As estradinhas de terra não davam passagem e faltou mantimentos. Daí ela me obrigava comer mandioca, só mandioca, entendeu?” risos. “As paredes das casas eram meio pretas, por causa do tempo de edificadas. Ficaram ‘pintadas’ de bolinhas claras, marcas das pedras de gelo que bateram nelas durante aquela terrível tempestade”, relembrou. 

Apaixonada – “Eu tive dois amores de paixão mesmo, que tenho certeza dariam certo. Um era o Turquinho, quando mocinha e o outro, ainda estava casada e com dois filhos.  Com  esse tínhamos planos em terra de Rondônia. Sofremos muito até chegar e voltar de lá em uma camionete velha que pifava muito e bebia gasolina demais. Uma tarde, já no Paraná onde viemos vender a terra – estava negociada - foi me comprar uns presentes. Veio até a rodoviária, estava falando... me elogiando a uma amiga e, do nada, caiu morto. Teve infarto”, relembra quase chorando. “Continuei  sem apoio algum e com bastante luta criei e eduquei meu casal de filhos, que é meu orgulho e minhas paixões de mãe feliz e realizada. Graças a Deus !!”, olhando pro alto.

Ciganinha – “Meu pai também foi tropeiro e gostava de mudar de lugares, igual cigano. Por falar nisso, deixa eu te contar: fui roubada por ciganos... acredita? - Aprendi ‘ler’ a sorte pelas linhas da mão. Ainda moçoila morei com a família Bruniéri  no  Campo e conheci o seu Prudêncio quando a mulher o tinha abandonado e ele andava bem desesperado atrás dela. Eu soube onde ela estava através de fofocas. Perguntei se ele queria saber, pela leitura da mão, onde ela estava. Ele concordou, era muito apaixonado. Então disse a ele que sua amada estava na Boite Azul, entre Luiziana e Iretama. Levantou rapidão da cadeira e foi no ato. Encontrou-a lá onde eu disse, mas ela se   recusou a voltar. Queria festa. Daí em diante só me chamavam de Ciganinha”, rindo muito. “Quem me chama de ‘turquinia’ e de ‘brima’ é o Wille. Ele pensava que eu era árabe porque namorei o Turquinho, quando fui locutora”, sorri. 

Marajó – “Em Marajó tivemos um pequeno sítio no auge do plantio de hortelã que se vendia nos alambiques para fazer menta. Depois tivemos bar em Bandeirantes do Oeste - PR, no Porto 2 da balsa do Rio Piquiri. Nesse rio jogaram muita gente morta nas brigas por terra, entre jagunços e posseiros, a mando dos grileiros. Papai foi nomeado Inspetor de Quarteirão porque ali não tinha delegado. Andava de revólver na cinta só para impor respeito, mas nunca deu um tiro. Ele sempre foi a favor do diálogo – uma boa conversa resolve tudo, né?!”, orienta a professora Mariza.

 
Produtos de beleza da Avon e Cristian Grey

Nova Aurora – “De Bandeirantes fomos parar em Nova Aurora – PR. Meu marido vendeu tudo em Marajó e comprou loja de tecidos onde mudamos. Pagou 250 mil na época, só que não tinha nem 60 mil de estoque. Ele quis desmanchar o negócio com o picareta, mas não houve acerto. Perdemos tudo. Passei a vender Avon e Cristian Grey. As mulheres da boite me ajudaram muito. Elas vinham de charrete, paravam, sem descer, na minha janela, pediam, pagavam e eu entregava o que elas queriam e agradecia. Eram bem bonitas e educadas, pelo menos comigo. Ajudaram-me a sobreviver, viu?! Elogia as clientes.

Pimenta Bueno – RO – “O danado deu de beber, virou zoneiro e acabou passando para o nome daquele safado da loja, tudo que nos restava. Decidi me afastar dele. Tinha duas crianças para alimentar e educar e ele era um péssimo exemplo de pai de família e marido. Não o suportava mais. Fedia cachaça por todos os poros". 
"Nesse meio tempo, conheci uma pessoa que me tratava muito bem – Firmino era o nome dele e seria meu segundo casamento. Me amava e dizia que o maior prazer dele era me ver feliz e me tirar daquela vida de sofrimentos. Fomos parar em Pimenta Bueno, embarcados em em uma camionete bem ruim, queimava muita gasolina e quebrava atoa. Te falei, né?  - A viagem daqui até lá foi uma grande aventura digna de um filme. A camionete quebrou no meio da viagem, acabou a gasolina e o  dinheiro. Nos hospedamos no Hotel Ouro Preto – Cuiabá - MT, de um amigo dele. Ficamos ali, no meio do caminho, duas semanas, até que o irmão mandou dinheiro, pagamos o hotel; o mecânico e seguimos rumo à Rondônia onde estavam nossas duas fazendas de 42 hectares cada uma. A dele era Tema de Lara e a minha Tema de Vilma. Já ouviu? São músicas lindas. Era mata devoluta, onde tinha muito porco do mato, onça e outros bichos selvagens. Para complicar, a terra estava invadida por índios e posseiros. Creio que iam morrer pessoas ali se a gente teimasse em ficar. Era muito perigoso. Então ele negociou com um amigo do Paraná. Acabou o dinheiro e ele passou a vender banana em Porto Velho, fruta que dá bem em Cacoal, Espigão e na região. Com esse dinheiro voltamos de ônibus - minhas crianças sempre juntas - e nós, com plano feito de investir o dinheiro da terra de Rondônia em restaurante e salão de beleza em Salto Santiago, perto da Usina de Itaipu, mas quando chegamos de volta, ele enfartou e tudo se acabou. A gente tinha levado sofá, fogão, banheira, baú de roupas e acabamos largando tudo lá, até a camionete.  Fiquei sem nada... eu, com meus filhos, voltamos a Cama Patente, na casa dos meus pais”.

Nova Aurora – Aqui aconteceu um caso do prefeito apaixonado por Mariza. “Certo dia, depois de tanto me rodear, ele se declarou. Me propôs mudar para Curitiba. Contratou meu marido de motorista e eu de professora, só que não nos pagava. Era só armação para me segurar perto dele”, explica a futura mãe, grávida do Marcos nesse período. “Comecei sentir dores, pensei que o bebe ia nascer. Mandei um bilhete ao prefeito apaixonado, no qual pedi ajuda pois em Nova Aurora não tinha recursos. Ele largou uma reunião às pressas, encostou o carrão em frente de casa e me levou até Formosa do Oeste, mas ao ser examinada, era ‘alarme’ falso (rindo). Uma semana depois tive que fazer cesariana e  laqueadura porque meus partos eram difíceis, sofri muito em ambos e nem sempre tinha condições para pagar médico e hospital”. O marido havia fugido de Mariza para Guaíra, morar com um casal e, quem estava lhe dando assistência era o amigo Firmino, “um bom homem, trabalhador e que demonstrava muitos cuidados e carinho por mim, até que, seis meses depois do parto ele me convidou a fim de recomeçar a vida em Rondônia”, relembra a malfadada viagem e a morte súbita do amigo e companheiro. 

Frustração - Estava tudo certo com Firmino e Mariza que sonhavam com uma vida feliz. O negócio das fazendas em Rondônia estava fechado. Combinaram no que iriam investir e se preparavam para morar juntos, de vez. Muitas coisas e utilidades para a nova casa ele já havia adquirido. Até compras em Maringá, Firmino fez (sofá, rádio, secador de cabelo, etc). Mas, uma semana antes da viagem marcada, ele morreu. “Me disse que ia me comprar uma sandália numa loja perto da rodoviária. Comprou e na volta encontrou uma amiga. Disse ela que ele estava me elogiando quando caiu, assim, do nada, já morto. Enfartou e nem a sandália vi. Ele já havia me alertado que isso poderia acontecer porque ele portava a doença de chagas, conhece né?!”, conta triste.

Goioerê – Depois dessa melancólica passagem, Mariza voltou a morar em Campo Mourão. O marido tinha jurado matar o Firmino. “Procurou-me, me ameaçou e me obrigou a gente mudar para Goioerê, criar bicho da seda. No inicio fomos bem, até que uma praga incontrolável atacou as amoreiras e os casulos morriam”. Foi nesse tempo que o marido sequestrou as crianças por que sabia que a esposa não o queria mais. “Tive que recorrer ao juizado. Daí ele devolveu, senão iria preso”, conta mais calma.

Moreira Sales – Nesta cidade, Mariza lecionou no interior rural, onde também estudava sua filha de 6 anos de idade. “Nós íamos a pé da cidade até a escolinha, longe uns 7 quilômetros. No frio era terrível e no verão, não era melhor, era sufocante”. Além de dar aulas, Mariza ensinava catequese aos sábados, no sitio da Colônia Italiana cercada por cafezais. Ali formou um pequeno coral, ensinou cânticos  sacros e orações; fazia leituras bíblicas e levava o padre uma vez por mês, para rezar missa e fazer a comunhão dos católicos. “O vigário  passou a ir mais vezes, o que animou a italianada a construir a Capela da Imaculada Conceição, seguida de uma grande festa de inauguração. Veio muita gente de todo lado”. Nesse meio tempo - meados de 1979 -  sua família já havia se estabelecido na Vila Angélica, em Araucária – PR.

Cabeça – Na Vila Angélica, logo Mariza se tornou líder comunitária e naturalmente, mas pelo seu destacado trabalho e atividades sociais, foi envolvida politicamente. “Tudo que as famílias reclamavam de bom para todos eu, sem mandato eletivo, sem expressão política nenhuma, fazia abaixo-assinados e recorria aos vereadores e prefeito de Araucária”. Assim ela conseguiu: cancha de esportes, telefone público. posto de saúde, água encanada enquanto que, para sobreviver e cuidar bem dos seus filhos lecionava em dois períodos na Escola de Vila Angélica. 

 Vereadora -  Enquanto empenhava-se a fim de melhorar o padrão de vida da Vila Angélica, trabalhou de balconista em datas especiais do calendário comercial e foi vendedora autônoma, até que, em 1988 recebeu convite de filiação no PTB e outro chamado para se candidatar a vereadora. "Aceitei, sai mas não me elegi por míseros 26 votos. Me deram muitas rasteiras e vi que nos bastidores da politicagem existe muita traição; camarilha de adversários e eleitores malacara. Jogam baixo  pra xuxu, e isso não é do meu caráter”, sem comentários. 


Concursada - Participou de concurso público municipal, foi aprovada e efetivada por 20 anos nas áreas da educação, saúde e assistência social. “Quando funcionária municipal, fora das minhas atribuições, continuei a agir como cidadã  comum e servil, dedicada às necessidades da nossa comunidade”. Foi presidente da Associação de Moradores da Vila Angélica e da Associação de Pais e Mestres na Escola Municipal Aleixo Grebus. Respondeu, também, pelos serviços de enfermaria no Posto de Saúde. “A prefeitura me pagava salário mínimo, até que fui convidada por um vereador de Curitiba, que precisava de assessora parlamentar. Me prometeu cinco salários mínimos, mas lembra que te contei do vereador? Ele me roubava 3 e me pagava 2 salários até que a namorada dele fez birra a fim de pegar meu cargo. Conseguiu e me dispensou”. Xingou.

Araucária – Retornou à Araucária a convite do prefeito Rizio Wachowicz. “Mais uma vez fui vitima de ciumeira. A amante do prefeito, que trabalhava no gabinete, pediu minha cabeça e ele obedeceu”. Na seqüência Mariza foi chefe de gabinete do vereador curitibano, Osmar Bertoldi, hoje deputado federal. “Esse me pagava 1/3 do meu salário e o restante ele embolsava, até que sua namorada (Andreia) resolveu tomar minha função e ele cedeu. Resultado? Sabe né?!”  rindo das ciumentas e das rasteiras políticas.

 
Mariza (de rosa) diretora do CCI de Araucária

Idosos - Nesse período voltou a assessorar o prefeito Rizio, por insistência do próprio. “Contei a ele das tramas contra mim. Disse que não sabia das armações. Desculpou-se e reconduziu-me ao cargo de diretora administrativa  no qual fiquei até 2003”. 
Durante sua permanência em Araucária foi chefe de departamento e responsável pelo CCI - Centro de Convivência de Idosos, “função que desempenhei com todo meu carinho e muita dedicação, pois são pessoas adoráveis com as quais fizemos muitas festas, concursos e desfiles de modas, bailes, reuniões sociais, eleições de senhorinhas rainhas e comemorações sempre muito divertidas”, relembra mostrando fotos.

2º Casamento – Conheceu Rui Santos, em Curitiba, onde já morava. A princípio parecia ser um bom homem, educado, boa pinta, gentil, mas que decepcionou logo depois das núpcias. “Mentia muito e me explorou por 12 anos. Me agredia e desfazia de mim. Aturei até cansar e o dispensei de dentro da minha casa. Só me dava desgosto; tornou-se agressivo e queria tirar o pouco que tenho. Esse só meu dor de cabeça e depressão. Mandei ele sumir, relutou, chorou, mas foi.”, lamenta Mariza.

 
Mariza Ferreira em Curitiba com seu neto William

Mariza hoje – “Estou aposentada. Vivo bem. Não me falta nada, principalmente saúde e amizades, afora a saudade imensa que sinto de Campo Mourão, cidade que me adotou e que amo muito, muito mesmo!”, concluiu Mariza Ferreira, nossa querida amiga anfitriã, hoje residente na Fazendinha – Curitiba PR.

  

Cavalo come na mão de Mariza



Histórico sobre a Cama Patente 



 
"Quem já não dormiu em uma?, indaga Mariza.

"Este modelo de cama já foi popularíssimo no Brasil. Em nossa casa e de meus avós destas, que deveriam estar ali há um bom tempo, e até hoje não sai da minha memória.
Ela foi criada em 1915 e se tornou um marco na história do mobiliário brasileiro pelo seu design diferenciado do padrão quadrado da época, de tábuas largas, tipo caixote.
A cama patente foi projetada pelo espanhol Celso Martínez Carrera (1883-1955) emigrante da Galicia que veio morar no Brasil em 1906. Trabalhou na marcenaria da Companhia Estrada de Ferro Araraquara, antes de abrir sua própria oficina.
Criou uma cama montada com madeiras torneadas, composta basicamente por três partes: cabeceira alta, cabeceira baixa nos pés e estrado armado com arames de aço flexível, sustentado por molas dentro de um conceito funcional eficiente, que permitiu sua industrialização em série e a preços populares.
A primeira cama patente foi fabricada em Araraquara – SP, a pedido de uma clínica médica que importava leitos de ferro da Inglaterra. A primeira guerra mundial dificultou as importações e favoreceu as vendas das camas patentes fabricadas no Brasil. 
O espanhol Celso não teve o cuidado de patentear sua invenção, o que acabou sendo feito pelo imigrante italiano, Luigi Liscio (1884 1974) chegado ao Brasil em 1894, e assim, por lei, o dono das camas deixou de fabricar.

Indústria Cama Patente L. Liscio S.A foi fundada em Araraquara e depois transferida para São Paulo (capital), onde funcionou até 1968, com extração e madeira serrada de milhares de pinheiros abatidos em Campo Mourão - PR. 

Onde encontrar - A cama patente, um clássico do mobiliário brasileiro, voltou a ter espaço no mercado, inclusive em versões contemporâneas, a exemplo do novo modelo - cama patente - do designer Fernando Jaegger, ou a versão comercializada pela Tok & Stok.

Quer uma? - Assim, muitos brasileiros que ainda não tiveram a satisfação de dormir numa confortável cama patente, igual que nós, agora tem essa rara e prazerosa oportunidade. 

Imagem relacionadaGaleria de Fotos de Mariza Ferreira

 
Meus pais: Isaura e Valfrido

 
Mariza Ferreira: adoro a natureza!

 
Minha primeira comunhão
 
Escritório da Indústria Cama Patente - Campo Mourão

 
Meus irmãos na Serraria Santa Maria

 
Meus irmãos e o amigo Verci Boquai (à direita)
pai das minhas primas Noeli, Magali e Luceni 
 
Mariza lecionou em Araucária - PR 

 
Na Fazendinha
 
Centro de Curitiba

  
Mariza  candidata com o nome de casada

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Comunicação não é magia, é tecnologia








OBS: página em construção

28/09/2017

O Primeiro Prefeito de Campo Mourão - PR

 
Pedro Viriato de Souza Fº

O primeiro prefeito eleito de Campo Mourão, nasceu em  Curitiba, dia 13 de  dezembro de 1901. Filho dileto de Pedro Viriato de Souza e de dona Helena Parigot de Souza.

Casamentos -  Teve duas núpcias: a primeira com Cecília Wilhelm com quem gerou seis filhos: Cecília, Arlette, Pedro Viriato, Almir, Júlio Jacques e Rachel e, na segunda, com Raquel Sun, com a qual teve mais dois filhos: Jorge Rômulo e Hugo.

Formado em Perito Contador, começou a trabalhar em 1918 como 3° Oficial da Procuradoria da Fazenda, sendo efetivado como datilógrafo em 1921. Foi promovido por várias vezes.

Diretor - Ocupou importantes cargos no Governo do Estado, dentre os quais, o de Diretor do Departamento de Imprensa Oficial e Diretor do Departamento de Assistência Técnica aos Municípios convite este, recebido justamente quando exercia o cargo de primeiro prefeito eleito, em Campo Mourão.

Agraciado - No seu tempo de militar participou da Revolução de 1930, liderada por Getulio Dorneles Vargas, quando foi citado e homenageado por "ato de bravura".

Morou em Curitiba até 1943, quando transferiu residência à zona rural de Campo Mourão, onde era safrista de porcos e foi eleito, como candidato único do Partido Social Democrático - PSD, o primeiro prefeito, com 230 votos, dia 22 de novembro de 1947. Teve como antecessor, o prefeito nomeado pelo governador, o dentista José Antonio de Souza. Era presidente do PSD, nesse tempo, o lapeano Francisco Ferreira Albuquerque, mais conhecido por Tio Chico, homem de fibra e de muito apego a nascente cidade de Campo Mourão, que encabeçou o movimento pró-independência, quando aqui pertencia ao município de Pitanga, juntamente com outro abnegado pioneiro e ex-prefeito, Antonio Teodoro de Oliveira.

Renúncia - Em 20 de abril de 1950 transmitiu seu cargo para Devete de Paula Xavier, aceitando o convite do governador Moysés Lupion para assumir o Departamento de Assistência aos Municípios.

Lembrança - Conhecido na região como "Pedro Parigot" tem seu nome em uma avenida no Jardim Aeroporto.
Mais tarde, fixou residência em Goioerê, com fazenda de gado e café e outras culturas menores.
Foi homenageado em 1978, durante o desenrolar dos festejos da Independência do Brasil quando deixou um histórico discurso gravado sobre o pioneirismo da época do desbravamento de Campo Mourão e da região.
Em 1970, voltou a morar em Curitiba, onde faleceu dia 11 de abril de 1980.


Primeira prefeitura-escola de Campo Mourão

1ª Câmara - No dia 5 de dezembro de 1947 foi instalada a Câmara de Vereadores de Campo Mourão  e deu-se a posse dos eleitos ao Poder Legislativo, em sessão solene presidida pelo titular da 38ª Zona Eleitoral da Comarca de Londrina, Dr. Luiz de Albuquerque Maranhão Júnior.

1ºs Vereadores - A primeira legislatura de Campo Mourão (1947 a 1951) contava com oito vereadores eleitos, não remunerados, empossados juntamente com o prefeito - em sessão solene realizada na Prefeitura/Escola localizada em frente a praça 10 de Outubro, na av Índio Bandeira,aqui citados por ordem alfabética: Augusto Mendes dos Santos, Daniel Portella, Devete de Paula Xavier, Joaquim Teodoro de Oliveira, Newton Ferreira Albuquerque, Porfírio Quirino Pereira, Waldemar Roth e Waldomiro Cilião de Araújo.


Três prefeitos - Devete de Paula Xavier foi o primeiro presidente da Câmara de Vereadores de Campo Mourão e assumiu a prefeitura após a renúncia de Pedro Viriato de Souza Filho. Devete renunciou e assumiu a prefeitura, Joaquim Teodoro de Oliveira, que conclui o mandato até 1951.


Primeira visita de Lupion a Campo Mourão - Set/1948 
em primeiro plano: Lupion, Almira Lemes e Chico Albuquerque.
Pedro Viriato é o de camisa branca, no alto, à direita.

Campo Mourão e  a praça 10 de Outubro, 
atual Getulio Vargas 

Primeiro desfile escolar em Campo Mourão
Setembro/1948 em frente à Prefeitura/Escola

Lupion e Pedro Viriato escolheram o Salto São João no Rio Mourão
e construíram a Usina Mourão I

 
Prefeito Pedro Viriato de Souza Fº
na primeira prefeitura/escola de Campo Mourão



23/09/2017

TECLAS "F" DO COMPUTADOR - Para que servem


A maioria (95% dos usuários) nem imagina a que se prestam as 12 teclas F, que encimam o teclado do computador. Poucos operadores notam suas presenças. Elas têm múltiplas funções que agilizam o trabalho, principalmente aos operadores de Microsoft World. Essas teclas são conhecidas, também, por “chaves” e variam conforme o programa operado.

Vamos, então, saber as funções da família “F”
F-1
A maioria dos programas usam a tecla F1 para exibir o menu de ajuda. Assim, se você está visitando uma página da web e pressiona esse botão, o navegador exibirá um menu de ajuda automaticamente. Se você estiver trabalhando com o Microsoft Word e pressionar a tecla F1, você será redirecionado à seção de ajuda.
F-2
Se você está na área de trabalho, pressionar a tecla F2 irá permitir que você renomeie um arquivo ou pasta em uma única etapa. Por exemplo, se você quiser dar um nome específico para a sua pasta "Imagens", clique uma vez no ícone da pasta e, em seguida, pressione a tecla F2. Assim, o nome da pasta será realçado para que você possa inserir o novo nome. Se você estiver trabalhando com o Microsoft Word, pressione o comando F2 em conjunto com as teclas "Ctrl" e "Alt" para abrir um novo documento de forma rápida e fácil. Ainda no Microsoft Word, a combinação das teclas "F2" e "Ctrl" permite que você abra a visualização de impressão de um documento para definir as opções de impressão.
F-3
A tecla F3 é usada para abrir uma pesquisa na maioria dos programas, incluindo o Windows, o Google Chrome e o Internet Explorer. Este recurso lhe ajuda a encontrar uma palavra-chave em texto, seja em um documento ou em uma página da web. No Microsoft Word, pressionar a tecla Shift + F3 irá permitir que você mova o cursor para colocar em maiúscula a primeira letra de uma palavra. Se pressionar mais uma vez, você vai mudar a palavra inteira para maiúsculas. Se você pressionar uma terceira vez, a palavra irá retornar à sua forma original.
F-4
Se você estiver usando o Internet Explorer e pressionar a tecla F4, a barra de pesquisa será aberta automaticamente, e assim você vai poder digitar o endereço de um novo site que deseja abrir. - Se você está no Microsoft Word, pressione a tecla F4 para repetir a última ação. Por exemplo, se a última coisa que você fez foi salvar o documento, pressionar a tecla F4 para salvar novamente. Pressione as teclas Alt + F4 para fechar o programa que você está usando imediatamente. Isto aplica-se aos navegadores de Internet, programas do Microsoft Office e qualquer tipo de arquivo. 
F-5
Se você estiver navegando na Internet, use a tecla F5 para atualizar e recarregar a página que está usando. Se você estiver trabalhando com o Microsoft Word, pressione essa tecla para abrir o comando "Localizar e substituir". Isto permite-lhe substituir uma palavra por outra automaticamente, sem ter que procurar em todo o texto.
F-6
 Na maioria dos navegadores de web, incluindo o Internet Explorer, Google Chrome e Mozilla Firefox, a tecla F6 é usada para mover o cursor para a barra de pesquisa. Este recurso permitirá que você navegue através de diferentes páginas web de forma rápida e eficiente. No Microsoft Word, pressione F6 + Ctrl + Shift simultaneamente para abrir um novo documento sem fechar o que já está em uso. Em um notebook (laptop), a tecla F6 lhe permitirá reduzir o volume.
F-7
Apesar de não possuir nenhuma função na maioria dos navegadores de web, se você estiver trabalhando com o Microsoft Word e outros programas, pressionar a tecla F7 irá levá-lo automaticamente para o verificador de gramática e ortografia. No Microsoft Word, pressione a tecla Shift + F7 para abrir um dicionário de sinônimos e encontrar um termo equivalente para qualquer palavra que você destacou no texto. Em um notebook (laptop), use esta tecla para aumentar o volume (este recurso se aplica à maioria dos laptops, mas não todos).
F-8
A principal função da tecla F8 é o acesso ao modo de segurança quando o computador está iniciando. O modo de segurança é utilizado para resolver problemas causados ​​por software e drivers que não iniciam adequadamente ou que impedem a inicialização correta do Windows. A menos que você tenha experiência com o modo de segurança, recomendamos que você consulte um especialista antes de tentar corrigir um problema assim.-         
F-9
Apesar de não possuir nenhuma função na maioria dos navegadores de web, a chave F9 permite atualizar um documento no Microsoft Word. Se você usa o Microsoft Outlook como caixa de e-mail, pressione F9 para enviar e receber e-mails em todas as contas configurados no programa. Em um notebook (laptop), pressione esse botão para reduzir o brilho da tela (este recurso se aplica à maioria dos laptops, mas não todos).
F-10
Pressione F10 para ativar o menu do seu navegador de internet, ou de programas como o Microsoft Word. Nas versões mais recentes do programa, essa chave também é usada para exibir um menu de atalhos úteis, tais como "editar" ou "salvar". Pressione Shift + F10 para substituir o botão direito do mouse em um documento ou um link da web. Na maioria dos navegadores, este truque permite que você visualize uma série de opções para acesso rápido, para "atualizar" ou "voltar para a página anterior".  Em um notebook (laptop), pressionar a tecla F10 lhe permitirá aumentar o brilho da tela.
F-11
Pressione a tecla F11 para alternar o modo de tela cheia no seu navegador de internet. Este recurso é útil se você estiver assistindo a um vídeo.
F-12

Pressione a tecla F12 para abrir a opção "Salvar como" no Microsoft Word. Ainda no Microsoft Word, pressione as teclas Ctrl e F12 simultaneamente para abrir um documento. Se você estiver trabalhando com o Microsoft Word, pressione as teclas Shift e F12 simultaneamente para salvar um documento. Pressione as teclas Shift + F12 + Ctrl simultaneamente para imprimir um documento no Microsoft Word.
Conheça seu teclado!

>clic na imagem p/ amplirar<