13/11/2017

Dr Claudino homenageado em Campo Mourão

 
Francisquinha e Joca Claudino

Francisco Fernandes Claudino (Rildo), herdou o nome de sua mãe. Nasceu em Cajazeiras PB, dia 26 de maio de 1938.  Filho de Joca e Francisca Fernandes Claudino. Joca e Francisquinha tiveram 17 filhos: Antonio, Nicéa, Socorro, Lindalva, Valdecy, João, Valderi, Mônica, Raimunda Nonato, Lourdes, Lizeri, Francisco (Rildo), Iuná, Nairton, Ideth, Neudson e Iolani.


Dr. Claudino foi diplomado em Medicina, em 1963, pela Faculdade da Paraíba. Especializou-se em Cirurgia Geral na Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia e, em Ortopedia-Traumatologia, na Universidade de São Paulo, com especialização médica no Hospital das Clínicas. Dr. Claudino é agregado permanente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e membro da Sociedade Brasileira do Trauma, e da Sociedade Latino Americana de Ortopedia e Traumatologia.

Casou com a professora por vocação e administradora por opção, Lilian Achoa Claudino, a qual foi eleita a Empreendedora Destaque de 2016 a nível regional e reconhecida estadualmente, oportunidade em que foi alvo de várias homenagens, inclusive em Cascavel - PR. Desta união nasceram: Denise (psiquiatra), Pérsio (hemodinamicista e especialista em neuroradiologia vascular) e Cláudia (hotelaria).

Francisco Claudino, com sua esposa Lílian Achoa, chegou a Campo Mourão em janeiro de 1967. É o primeiro ortopedista da região. Iniciou atendimentos e trabalhos clínicos numa modesta casa na rua São Paulo (em frente da Sicoob).


Em 1975 ingressou - por concurso público - no Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social – INAMPS, classificado, por méritos, em segundo lugar. No mesmo ano iniciou atividade no antigo Pronto Socorro, atual e moderna Central Hospitalar - Center Clínicas, na avenida Manoel Mendes de Camargo, entre as esquinas das ruas Roberto Brzezinski e Devete de Paula Xavier propriedade, em regime familiar, administrada pela sua dinâmica esposa Lílian Achoa Claudino, apoiada por cerca de 90 funcionários que ela chama, carinhosamente, de “meus parceiros”. “Quando chegamos, era tudo difícil por aqui. A cidade evoluía e nós nos esforçamos para acompanharmos esse progresso, com muita luta. Enquanto meu marido cuidava dos pacientes, eu me dediquei aos ensinamentos às crianças, em escolas distantes do centro, mas com muita abnegação”, orgulha-se dona Lílian.

O mais recente e importante investimento da empresa hospitalar, segundo Dr. Claudino, “são ampliações da área física e incorporação dos modernos equipamentos de serviços de hemodinâmica cardiovascular, sistema pioneiro em nossa cidade e atendemos  todo Centro Oeste e Noroeste do Paraná, no novo Centro Cirúrgico para Cirurgia Cardíaca e Transplante de Órgãos, anexo à Central Hospitalar do Pronto Socorro", explicou a importante conquista regional. 

Ao completar 50 anos de residência e profícuas atividades em Campo Mourão, recebeu o honroso título de Cidadão Benemérito, em belíssima cerimônia que contou com mais de uma centena de convivas, autoridades e parentes do Piauí.
A sessão solene da Câmara de Vereadores, iniciada às 20hs, dia 8 de setembro de 2017, destinada especificamente à entrega do diploma a Francisco Fernandes Claudino, em agradável jantar, foi realizada nas dependências do Recanto do Criador, anexo ao Parque de Exposições de Campo Mourão.


 
Dr. Claudino recebe do presidente da Câmara, Edson Battilani
O título de Cidadão Benemérito de Campo Mourão 

Dentre os presentes, o senador Elmano Ferrer (Piauí), suplente de senador e irmão do homenageado; João Claudino (Piauí) e do ex-senador João Vicente Claudino (sobrinho do Dr. Claudino).
Coube aos vereadores Olivino Custódio de Oliveira e Miguel Batista Ribeiro conduzir Francisco Fernandes Claudino até a mesa principal. Após a execução do Hino Nacional e da leitura de um trecho bíblico, o Poder Legislativo Municipal prestou homenagens às autoridades vindas do Piauí. 


 
Luiz Carlos Kehl autor da homenagem, 
Dr. Claudino e o prefeito Tauillo Tezelli.

Na condição de autor do projeto de resolução que concedeu a honraria, o ex-vereador Luiz Carlos Kehl destacou a atuação do novo Cidadão Benemérito Mourãoense ao ressaltar “a sua dedicação e empreendedorismo em benefício da saúde do nosso povo”. 

O prefeito Tauillo Tezelli enfatizou que o homenageado radicou-se na cidade com cerca de 30 anos de idade e praticamente dedicou toda a sua vida a Campo Mourão. Também acentuou que enquanto muitos hospitais fecham portas, Dr. Claudino continua a ampliar o seu, sempre prestando relevantes serviços a toda a comunidade e finalizou: os mourãoenses e região têm muito a agradecer ao homenageado.
As autoridades e parentes do Piauí, em suas oratórias, disseram, com ênfase, da inusitada satisfação de participar da cerimônia. Revelaram-se surpresos com a grandeza de Campo Mourão e enalteceram Francisco Claudino e se referiam a ele como Dr. Rildo (apelido de infância), pela dedicação a medicina. Já o vereador professor Cícero Pereira de Souza prestou homenagem ao novo Cidadão Benemérito de Campo Mourão e aos visitantes, com declamação de um oportuno cordel nordestino.

Após receber o diploma de Cidadão Benemérito de Campo Mourão, das mãos do ex-vereador Luiz Carlos Kehl e do prefeito Tauillo Tezelli, Francisco Fernandes Claudino falou da sua vinda a Campo Mourão, das dificuldades enfrentadas nessas cinco décadas de atuação e a luta pela implantação da Central Hospitalar. Também agradeceu a honraria municipal e o grande apoio recebido dos profissionais de saúde. Destacou o trabalho dos funcionários, em especial o incentivo da família, “que sempre me auxiliou e é solidária comigo”.


 
Esposa e companheira, Lilian Achoa Claudino
 coordenou o evento com maestria


A histórica sessão solene foi conduzida pelo presidente da Câmara de Vereadores de Campo Mourão, Edson Battilani, com a presença de 12 dos 13 edis e encerrada com o cantar do belíssimo Hino de Campo Mourão, que reproduzimos aqui.







Francisco Fernandes Claudino
 Comentários  no Facebook 

Alice Semtchuk Parabéns, título merecido.

Leila FortiniParabéns!!!

Antonio Cotrim - Campo Mourão é uma cidade constituída por um povo reconhecido e grato a todos aqueles que de alguma forma ou outra contribuíram com a cidade. Dr Claudino é um exemplo.

Drica Silva - Parabéns bens, merecido mesmo. Se não fosse ele, na maioria das vezes muitos estavam perdidos

Fatima Albuquerque de Araujo - Parabéns ao Dr. Claudino e família. Homenagem muito justa.

Gilmar da Frical - Parabéns

Mari Prado Merecido!

Dora Tonolo - Mais que merecido. Sempre que precisei era ele que estava pronto a ajudar . Parabéns Dr . Claudino ! Que Deus o abençoe sempre.

Joani TeixeiraParabéns e vamos em frente. Outras homenagens  virão.

Brisa Brisola - Eu sempre fui bem atendida por ele quando precisei.
Embora não more mais ai, penso que ele fez sempre por merecer ser homenageado.

Adalgisa Terezinha OliveiraParabéns Dr. Claudino , excelente profissional, muito competente e muito educado!

Neiriah Quennehen - Só tenho a agradecer cuidou do meu pai! Cuidou da minha vovó e cuidou da minha mãe quando ela foi atropelada recentemente em CAMPO MOURAO!
SÓ TENHO QUE AGRADECER DR. FRANCISCO FERNANDES CLAUDINO!

Tânia Maria Ferraz Quintino - Admiro demais Dr Claudino. Parabéns. Muito mais que merecido este título a ele concedido.

Emerson Abel Garcia Dr Claudino. Respeito e admiração por esta pessoa.

Adoniran Antunes de Oliveira Ele é merecedor.

Mario Feldmann Você Merece. Parabéns.

Mario Telmo Ferri Alessi Sempre batalhou pela Saúde em Campo Mourão

Joani Teixeira Homenagem merecida, parabéns e vamos para a próxima no Piaui, sua terra natal.

Paulo Santana Mais do que merecido, esta homenagem, DR CLAUDINO,

Jorge Gomes Parabéns

Brisa Brisola Parabéns Dr Claudino, brm merecido.das vezes q precisei o sr. me foi bom e profissional. .

Vanda Silva Parabéns doutor Deus te abençoe sempre

Denise Brzezinski Muito orgulho desta família !parabéns

Patricia Deitos Merecidissima!!!!

Onice Schlott Muito merecido....Parabéns Doutor. 


 
Pioneiro da Ortopedia em Campo Mourão

 
1989 - Dr Francisco Claudino com seus pais e irmandade 
quando o patriarca Joca Claudino comemorou 90 anos.
Dr Claudino é o segundo à esquerda do seu pai.
de perfil, camisa e tênis brancos.

 
O menino Rildo, de Cajazeiras - PB
é o Dr Francisco Fernandes Claudino, de Campo Mourão - PR







08/11/2017

Sena em Campo Mourão

 
Sena lança livro em Campo Mourão

Antonio Sena lança  seu sexto livro, segunda-feira, dia 13, em Campo Mourão. Trata-se do livro "Histórias que eu não havia contado", uma coletânea de contos e crônicas que será lançado às 20 horas na Biblioteca Pública Municipal "Prof. Egydio Martello", com noite de autógrafos.

Dentre as Históorias que não contei... estão: "Nosso Natal que não veio", "O Sabre de Ouro", "Monólogo de um Réu" dentre várias outras, bastante interessantes. "São histórias apaixonantes tanto fictícias como verídicas, com várias passagens para reflexão", acentua o autor Antônio Sena.
O 6º livro do advogado-escritor é dedicado ao ex-deputado estadual e federal constituinte Darcy Deitos (in memorian), militante do MDB/PMDB.

Antonio Sena é advogado criminalista. Iniciou sua fase política ao se eleger vereador e presidir a Câmara Municipal de Goioerê. Foi presidente da Associação das Câmaras Municipais da Região de Campo Mourão – Acamdoze, prefeito de Goioerê e diretor geral do Detran-Paraná. Sena é membro do Centro de Letras do Paraná e  autor dos livros: "O Porcenteiro" adaptado para o teatro, premiado nacionalmente; "Navegar é Preciso", título inspirado na obra de Fernando Pessoa; "Histórias que a Vida me Contou", a primeira coletânea de contos; "Operação Terra Sem Mal", uma ficção tendo como tema o lendário Caminho de Peaberu e "Só o Vento pode Explicar", que alerta sobre o efeito estufa, que ameaça o mundo.

Livros editados por Antonio Sena
estão na biblioteca de Campo Mourão


01/11/2017

Bento Munhoz Parou Campo Mourão

Tio Chico conta a História

da Usina de Campo Mourão


O Jornal Correio de Campo Mourão, edição do dia 2 de fevereiro de 1952, propriedade do capitão Renato Romeiro de Mello, publicou vários artigos escritos por mourãoenses, dentre eles: Nelson Bittencout Prado, com o título, Um Dos ‘Porques’ Da Deficiência Administrativa; Amauri Cortes abordou o tema O Paraná no Concêrto da Federação; Manoel Alves Quadrado enfocou: A POLÍTICA DO TRABALHO com o sub-título, Um problema do Povo brasileiro e sua solução, e na página 9, com publicidades do Expresso Campo Mourão, Instituto Santa Cruz e a coluna Tribuna Livre, nos deparamos com o texto primoroso de Francisco Ferreira Albuquerque – o inesquecível Tio Chico - que, nele, demonstra seu grau de instrução, o amor por Campo Mourão e a importância da “Usina Hidro-Elétrica do Salto São João” mais conhecida por Usina Mourão I. Esta foi a primeira das grandes conquistas do pioneiro prefeito Pedro Viriato de Souza Filho (Pedro Parigot) em benefício do nascente município de Campo Mourão na qual, também esteve presente o atuante Tio Chico, e demais lideranças, junto ao governador Moysés Lupion.
O texto impressionante tem um detalhe: mantivemos a ortografia vigente em 1952. Não existem erros de português neste oportuno e histórico apelo de um humilde, mas ferrenho mourãoense, quando eram novidades as perseguições políticas e os desmandos que, na gestão de Bento Munhoz da Rocha Neto, paralisou o recém criado Campo Mourão e considerável parte do norte do Paraná, por quatro anos. Vejamos porque:

“Quando de uma feita, S.Excia. o Sr. Governador Moysés Lupion visitou este Muncipio, a colher dados e ver com seus próprios olhos os problemas administrativos mais importantes para o bem e a felicidades coletiva, acompanhamos S. Excia.no Salto São João, no rio Mourão.
Andamos a pé por uma picada até atingirmos os pontos mais críticos das pirambeiras, próprias dos desníveis das quedas de água, em pleno sertão com suas matas virgens como lhe dotára a natureza. A certa altura paramos para um pequeno descanso.
Depois de tirar um alvo lenço (do bolso) e enxugar o suor, S. Excia.exclamou: ‘vamos construir uma Usina hidro-elétrica para beneficiar todas as cidades e patrimônios, daqui até Apucarana, e a sua cidade (Campo Mourão), entretanto, será iluminada dentro de um ano’.
A essas últimas palavras de S. Excia., correu-nos por todo o corpo um calafrio de satisfação, que, por fim veio alojar-se em nosso coração.
Continuamos a caminhada, mas em nosso intimo permanecia bem viva aquela impressão maravilhosa da correnteza d’água a precipitar-se no alto e a formar lá embaixo aquela esteira de bolhas brancas como neve que a pouca distância se desfaziam.
Assim pareceu-nos que aquelas palavras de S. Excia. a medida que ele se distanciasse de nós, iriam desaparecendo e não passariam de um sonho.
Essa impressão de dúvida e incredulidade se justificava em nossa descrença porque até então não conhecíamos, nunca vimos em nosso Estado um governo realizador, dinâmico, um governo que trabalha.
Mas tão logo S. Excia. regressou a Curitiba, as providências foram postas em prática, destacando engenheiros competentes e auxiliares sob a direção inconfundível do ex-Diretor do Departamento de Água e Energia Elétrica, Dr. Luiz Orlando.
Estes imediatamente mobilizaram máquinas, materiais e o necessário e puzeram mãos a obra. Salientado seja, por justiça, o engenheiro, dr. (Alcides)Bergamini, que dirigiu ‘in loco’ todos os trabalhos técnicos que lhe eram distribuídos, quando testemunhamos a sua competência, dedicação e amor ao trabalho.
No dia 17 de agosto de 1950, Campo Mourão testemunhou a maior festa já assistida em sua cidade, com a presença de S. Excia. Governador Moysés Lupion e sua comitiva quando foi inaugurada oficialmente a fôrça e luz nesta cidade, com um conjunto de emergência, no salto São João.

PROSSEGUIMENTO DAS OBRAS


S. Excia. após visitar e fiscalizar as obras em andamento, determinou o aceleramento dos serviços que passaram a ser movidos a fôrça elétrica, facilitando assim o manejo das máquinas, britadores, minas, etc., para o termino dos dois grandes túneis, escavados na rocha, e represa, a construção do prédio onde seriam assentados os grandes conjuntos e outros serviços a concluir e, consequentemente, a linha de alta tensão até a cidade de Apucarana.
Tudo em ordem, os trabalhos com toda organização seguiram seu curso normal, para dentro de pouco tempo ficar terminado.
Nessa altura dos acontecimentos assume o Governo do Paraná, o Dr. Bento Munhoz da Rocha Neto, para que o povo desta região, isto é, até Apucarana, como uma provação, premio de sua própria ingratidão, sinta, decepcionado, os efeitos da nova orientação. E eis as suas providências imediatas: afastou do Departamento de Água e Energia Elétrica o grande construtor de usinas, dr. Luiz Orlando, suspendeu dos trabalhos o dr. Bergamini; desmantelou toda a organização das obras e não foi o pior.
Não entendemos dos manejos administrativos, mas há coisas que nos causam surpresas. Foram CONGELADOS todos os pagamentos destinados as obras da Usina e não se via mais um níquel de tostão. A situação aflita em que S. Excia. pôs à prova os empreiteiros, sub-empreiteiros e os humildes operários chegou ao auge e em conseqüência, ainda há poucos dias, correu pelo Foro desta Comarca uma Ação Judicial Trabalhista, movida pelos operários da Usina, que se achavam em greve há cerca de um mês, por não receberem os seus salários. Em resumo, as obras estão completamente paradas, notando-se um panorama desolador ao visitarmos as obras onde, por toda parte, se encontram ferramentas jogadas, máquinas e materiais enferrujando e tudo que possa traduzir o fim triste de uma iniciativa.

ILUMINAÇÃO DA CIDADE


Contamos até agora com a iluminação e instalações que Moysés Lupion inaugurou, sendo que o processo desta cidade, no que diz respeito às construções, parece até fantástico, estendendo-se em todos os rumos, com ruas repletas de edificações, destacando-se várias indústrias, cinema, casas comerciais, hotéis e as Sociedades Recreativas ‘1º de Maio’ e ’10 de Outubro’.
Daí a necessidade do prosseguimento de novas instalações. Existe, porém, ordem superior para que não se faça mais uma única instalação. E isto não se sabe porque.
Temos, assim, uma pequena parte da cidade maravilhosamente iluminada com suas aprasiveis residências, etc., e outra parte, isto é, a maior parte da cidade às escuras, porque não se  pode fazer novas instalações.
Política? Não. Não, porque?
Será isso uma desforra s. Excia. o Sr. Bento Munhoz da Rocha Neto venceu em nosso município por grande maioria de votos no pleito que o elegeu a Governador do Estado do Paraná.
Queremos e necessitamos o prosseguimento das obras, fator preponderante e primordial do bem estar social e do desenvolvimento econômico e industrial  de uma região riquíssima do Noroeste do Paraná.
A energia elétrica que será irradiada pela Usina do Salto São João irá beneficiar, como disse o Governador Lupion, Campo Mourão, Araruna, Peabiru, Engenheiro Beltrão, Ivailândia, Floriano, Marialva, Mandaguari, Jandaia, Cambira, Pirapó e Apucarana.
Dai o valor da iniciativa e a soma enorme de responsabilidades que atribuímos saber ao atual Governador, pela paralização dos trabalhos de construção da Usina.
O Paraná, que está em sua fase máxima de progresso, até hoje clama em alta voz aos seus filhos para que o ajudem em sua ascenção, quando não seja com o sacrifício de cada um, ao menos com um pouco de PATRIOTISMO.
É absurdo e chocante o que se vê em Campo Mourão no que diz respeito a administração pública, o que faz crer que o Governo, premeditadamente, procura entravar ou brecar o vertiginoso progresso desta terra, paralisando as obras desta usina, suspendendo as construções do Grupo Escolar e da Cadeia Pública; do Posto de Monta e a Escola de Trabalhadores Rurais não se tem mais noticias. A ponte sobre o Rio Ivaí e muitas obras imprescindíveis e urgentes, são hoje assunto liquidado.
A este apelo humano e justo que parte de Campo Mourão, sem dúvida, associar-se-ão as demais comunidades ameaçadas de serem preteridas de receber o ’MILAGRE’, como bem se poderia interpretar, as realizações da FORÇA E LUZ abundante. Este nosso modesto, real e verídico comentário tem por objetivo expor à análise com fatos, tal como na realidade eles se nos apresentam.

                                  Francisco Albuquerque  

1936 - Francisco Ferreira Albuquerque
e Anita Gaspari Albuquerque em Campo Mourão


Campo Mourão
Moisés Lupion anuncia Plano Hidro Elétrioco

Um motor de submarino, a diesel, foi utilizado
para gerar energia elétrica, até a retomada das obras da Usina




09/10/2017

Campo Mourão, casos e causos com Mariza



Mariza Ferreira em Campo Mourão - Pr

Filha de Isaura Neves e Valfrido Ferreira Padilha, irmã de Edgar, Odival e Adalgisa, nasceu em Marechal Mallet – PR, dia 7 de dezembro de 1949, registrada no Cartório Civil de Roberto Brzezinski. “Nasci bem num dia festivo em que o governador Moysés Lupion visitava Marechal Malet cidade onde nasci e fui registrada. Vim ao mundo pelas mãos abençoadas do médico Ernani Bengel e fui honrada em meu documento de brasileira pelo cartorário, depois inesquecível prefeito de Campo Mourão, Roberto Brzezinski, cidade que mais tarde nos acolheu. Aqui passamos a morar, por graça do destino”, fala orgulhosa, Mariza Ferreira.

Isaura Nunes e Valfrido Ferreira Padilha, pais de Mariza

Estudos - “Estudei os três primeiros anos na Escola Isolada Cama Patente, com as professoras Maria e Algemira, pessoas que eu amava. Concluí o curso primário no Educandário Cristo Rei (ucraíno) de Campo Mourão, com as queridas irmãs Rita e Tarcisia. E só depois de adulta, quando já morava em Araucária, concluí o ensino médio e fui professora de ensino primário”.


Camas torneadas - “Ainda bebê minha família morou em Guarapuava, depois Campo Mourão aonde cheguei com três anos de idade”. Seu Valfrido foi trabalhar nas proximidades da Indústria Cama Patente, empresa proprietária da Serraria Santa Maria, “que fabricava e vendia ao Brasil todo, as famosas camas de molas com a armação toda roliça, de madeira de pinho envernizada. Eram camas muito bonitas na época. O colchão era padronizado, de brim grosso, recheado de um capim especial, pano listrado em azul e rosa, tanto para solteiro como para casados”, relembra a maletense sorridente.

 
Serraria, colônia e escritório da Cama Patente em Campo Mourão - PR
Quase Vila - "A colônia de empregados da Indústria na Serraria era bem numerosa e formava quase um patrimônio. Faltava um pouco mais de população para ser um distrito administrativo ou uma vila quase cidade. Os pinheirais se perdiam de vista e o pessoal encarregado do corte, assim, igual os trabalhadores na serraria, encaravam jornadas de, praticamente, dia e noite. Folga mesmo, só aos domingos. Não havia o tal do sábado inglês (meio expediente). Lá existia de tudo que se precisava: armazém, escola, capela, futebol e muitas festas, geralmente de santos e santas. Tinha de tudo, entende? - Inclusive meu pai negociava e vendia mercadorias, bem próximo dali. Ele sempre foi comerciante bem ativo, comunicativo e de muitos amigos", recorda Mariza.

Lombrigas - “Chegamos a Campo Mourão em 1953. Eu tinha quatro anos. Até vir morar na cidade eu acreditava em cegonha. Olha só! (risadinha encabulada). Minha mãe aprendeu fazer benzimentos e simpatias para curar sapinhos, cortar íngua, com faca, na cinza, mas o forte mesmo era cortar lombriga. Vinha gente de longe em busca desta cura. Era um ritual para fazer isso e sempre na lua minguante. Ela usava o sangue de galinha ou frango. Colocava-se o galináceo entre as pernas, com a cabeça para baixo e prendia bem para o sangue não espalhar... aí cortava o pescoço da ave, escorria aquele sangue no prato sem deixar o frango se debater... aparava o sangue em um prato ou tijela... a pessoa ou criança ficava de bruços em uma cadeira se fosse adulto, e se passava aquele sangue ainda quentinho nas costas e na região lombar, em forma de um circulo pequeno; assim que passava ela limpava com água e ficavam as cabecinhas vermelhinhas sobre a pele, em grupinhos e não saiam só com água, tinha que passar uma navalha velha só para afastar as cabeças vermelhas... raspava tudo e lavava o local e assim as lombrigas sem cabeça que ficavam na pessoa eram expelidas naturalmente. O frango a gente comia depois, já que minha mãe nunca cobrou nada pelos trabalhos de cura", explica.

  O Lobisomem - "Onde morei tinha até lobisomem (risadas). Você não acredita, pode rir, mas é verdade porque eu vi em foto”, e entra em detalhes: “Eu tinha 6 anos. Meu pai era dono de armazém na região da Fazenda Santa Maria/Cama Patente, 11 quilômetros de Campo Mourão. Existia um pinheiral imenso naquela vastidão. Era Quaresma. Noite de Sexta-Feira. Lua-cheia. A cachorrada da colônia latia endiabrada e atacava um cachorrão esquisito. Ele rodeou as casas, fungou feio e soprava forte nas frestas das paredes do nosso rancho sem mata-juntas, bem próximo de onde eu dormia. Não tive medo. Pegamos o lampião a querosene. A gente espiava pelas frestas para localizar o bicho, mas lá fora não se via nada. Estava tudo embaçado. Isso acontecia só na Sexta da Quaresma. Certo? - Como te disse, sempre trabalhei com meu pai no armazém e ouvi muitas histórias assim, contadas pelos fregueses, a maioria matutos, gente boa e muito simples, as quais dão um livro bem interessante... de arrepiar”, garante Mariza. "Não sei se era o mesmo, mas um lobisomem reapareceu na colônia em 1960. Já estava moça. Ele foi visto comendo os cachorrinhos, crias de uma cadela dali. Os cachorros latiam e avançavam nele até que seu Dadinho (Eduardo) acudiu e atirou naquela coisa horrível, que ficou ali estirada. Mas quando começou a clarear o dia e a lua sumiu, ele se transformou em homem. Eu vi foto dele". O caso foi registrado pela policia de Campo Mourão e a notícia saiu nos jornais da época, "só que o tal 'coisa' nunca mais foi visto por ali", afirma com segurança.

Infância - "Lembro com saudade da minha infância na região da Cama Patente, onde meu pai era comerciante. Todo dia 26 de julho tinha festa no Sitio dos Cafurnas, Ali morava uma família numerosa, formada por filhos e netos e o João Cafurna (filho de escravos) já bem idoso, homenageava Santa Ana. A festa tinha muito churrasco feito em espetos de paus verdes tirados do mato, bolos caseiros, guaraná, sodinha... era muita fartura e tudo grátis. Tinha oração e cantoria dentro de uma casa toda enfeitada de papel crepom de várias cores, com flores e fitas, pelegos de carneiros no chão para os rezadores. Desta casa saia a procissão. As crianças, até 7, anos se vestiam de anjos e la ia eu com aquelas asas que minha mãe fazia de papelão cobertas de papel crepom branco, que imitava penas. Era levado um mastro enorme de madeira com a bandeira da santa no topo e os homens colocavam ao lado do mastro anterior seguido de muito foguetório. Participavam, nunca menos que duzentas pessoas. Dos Cafurna, até hoje existe uma terceira e quarta geração em Campo Mourão", afirma, com certeza.

 
Primeira comunhão de Mariza Ferreira

Petróleo - “Ainda próximo a Cama Patente tivemos um vizinho de nome Alexandre. Na terra dele, bem próxima de onde nós estávamos, surgiu a notícia que ali existia petróleo. Foi cerca de um ano aquele barulho infernal de máquinas e brocas durante as perfurações que faziam as turmas da Petrobrás. Não deu um mês lacraram os buracos e informaram que iam embora por causa da broca que quebrou. Minha mãe sabia de tudo que se passava, inclusive as conversas no acampamento.Os americanos e engenheiros da estatal brasileira que faziam os trabalhos de sondagem na região, almoçavam em nossa casa. Pena que hoje a milinária Petrobrás só dá vexames com essas prisões devido as propinas incalculáveis desvendadas pela Policia Federal, no caso Lavajato, também conhecido por Petrolão. Minha mãe dizia que ouvia, sempre, os encarregados dizerem que ali tinha o que eles 'queriam'", revela Mariza. A propriedade, mais tarde, foi adquirida pelo seu Manoel Castanheira, o qual confirma a existência das perfurações, ali lacradas, pela Petrobrás.

Juventude
- "Tive uma juventude muito boa, principalmente quando mudamos para o Rio da Várzea, onde tínhamos  armazém (venda) na beira da estrada há 23 km de Campo Mourão  bem perto da Ponte das Sete Cruzes,  na serraria de Belim Carolo, como se fossemos uma só família. Ali era uma esécie de colônia italiana, a mairia vinda do Rio Grande do Sul, a convite do seu Belim, homem de bom coração e que ajudava a todos que a ele recorriam. Lembro bem das serrarias e das lavouras das famílias: Tonet, Ferri, Brunhonie e  Tramujas. Nesta localidade a gente se reunia seguidamente em pic-nics e, principalmente, nos aniversários, ocasião em que era servido o famoso brodo (caldo de galinha). Bolo nem era surpresa mais pois todo o aniversariante sabia que a turma ia lá matar as galinhas para o brodo e sorver um bom vinho. Nas via sacras que tinha na escolinha,  íamos todos juntos as moças e os rapazes no maior respeito. Aos domingos fazíamos churrasco a beira da represa, onde levávamos nossos toca-discos parecidos a uma maletinha com auto falante embutido na tampa. Levávamos latas de bolachas caseiras e sempre tinha na casa de todos muita compota e musicas do Teixeirinha e Irmãos Bertussi. Para os mais velhos Aguinaldo Rayol, e os da Jovem Guarda ouviam Jerry Adriani, Roberto Carlos, Vanderleia. Eu gostava muito de fazer teatro e alegrar a turma junto com minhas amigas Cleci, Lurdes, Beusa Brinhoni sobrinhas do seu Belim e da família Tonet. 


Voz da Rodoviária - "Um belo dia estava eu cuidando do armazém dos meus pais e anunciaram que tinha um teste para locutora na Radio Colmeia. Meus pais estavam no sitio longe dali, então fechei o comercio me arrumei e peguei carona com um conhecido e fui até a cidade. Lá estavam muitas candidatas... me senti incapaz diante daquelas moças lindas da cidade e quase dei meia volta.  Mas não deu tempo. Me deram um empurrão e fui a primeira a fazer o teste. Fiz confiante e muito bem as leituras dos textos. Retornei para casa, feliz, e contei aos meus pais a aventura vitoriosa. Se zangaram comigo, mas foi de leve. Para minha surpresa uma semana depois, me chamaram. Passei em primeiro lugar. O difícil foi convencer meus pais para eu ir morar na casa dos outros para trabalhar pois eu ajudava eles e tinha tudo. Não era por salario , mas sim, por gostar da comunicação. Finalmente consentiram e fui morar com a família do advogado Horácio Amaral e da sua esposa, professora Dea. uma família linda, super querida que me tratava muito bem. Em 1967 aconteceu a inauguração da nova rodoviária no centro da praça de Campo Mourão. Sai da rádio e fui fazer os serviços de auto falantes. Fui a primeira locutora que anunciava os embarque e rodava músicas e fazia comerciais. Esse período foi muito bom. Fiz muitas amizades ali, mas meu pai sempre pedia-me tanto para sair de lá. Depois de dois anos, por ele, saí". 



 
Mariza casou em Campo Mourão

Casamento - "Fui embora da rádio e da rodoviária, muito triste, para um lugarejo, na casa de uma tia, passar uns meses lá. Conheci a família Ghiraldelli e em seis meses conheci e namorei um viúvo pai de dois filhos e 'me casaram' com ele. Foi contra minha vontade. A cerimonia simples aconteceu na matriz de São José de Campo Mourão, celebrada pelo padre Dionizio. O amigo Guido Castelli e meu cunhado Armando foram meus padrinhos. Foram três dias de festa no Sítio Padilha, da nossa família, com ampla divulgação através da Radio Colmeia, pelos colegas que lá deixei: Coronel Bastião, Rodrigues Correia e Carlos Matos".

Sacrifícios - "Um ano depois ganhei a minha filha Joelma, no Hospital e Maternidade São José, de Campo Mourão. Meu casamento durou 12 anos com muitas incompatibilidades e diferença de idade eu era bem mais nova que meu marido. Ele gostava de ficar só na beira do Rio Piquiri pescando e eu ficava muito só com minha filhinha que era muito doente até os dois anos de idade. Desde que nasceu me dedicava totalmente a ela tendo que atravessar o Rio Piquiri, em tempos de tempestades e enchentes, com ela nos braços, sozinha. O perigo era grande ao atravessar o rio cheio pois a balsa não funcionava. O barqueiro se recusava a atravessar, mas eu  insistia, falava do perigo da minha filha morrer e ele remava até chegar na outra margem. A canoa não parava direito na correnteza e balançava demais. Mas todo esse sacrifício e riscos foi para salvar minha filha, que graças a Deus foi curada". 


Luta pela vida - "Logo mudamos para Bandeirantes do Oeste e de lá voltamos a Campo Mourão. Novamente Joelma adoeceu. Pegou meningite que os médicos lá de Nova Aurora tratavam como se fosse dor de ouvido. Foi salva por um milagre porque Deus me deu forças para aquele começo de noite atravessar o rio com água revolta no barco e o barqueiro querendo desistir de cruzar o rio. Cheguei no Hospital em Campo Mourão e logo constataram a doença: meningite. 


Geada negra - "Ainda lá nas barrancas do Rio Piquiri, moramos em Marajó, pequeno distrito de Nova Aurora. Meu marido tinha um sitio de café, e quando estava para vender por um bom preço, a noite veio a geada negra e torrou até o caule todo o cafezal. A propriedade perdeu o valor. mas mesmo assim compramos um bar e lanchonete com parada de ônibus em Bandeirantes do Oeste, próximo a Goioerê. Ali trabalhei muito para dar conta do bar, a freguesia compensava". 

Bebedeira - "Enquanto eu trabalhava e cuidava da casa e da família, meu marido ia para lugares de baixo meretricio. Em uma destas noitadas, bebeu demais e, embriagado, assinou documentos de venda do local onde morávamos e torrou outros bem adquiridos... deu tudo... nosso Jeep, a casa, a lanchonete, o ponto comercial a troco de uma uma loja de tecidos em Nova Aurora. Pagou o valor de 60 milhão na época e assinou duplicatas de 190 mil cada uma para o trambiqueiro que armou tudo Meu sogro era avalista. se nos não pagássemos ele iria perder o sitio e a casa dele, também. Fomos ver a loja e constatei que não tinha nem a metade da mercadoria no valor da entrada que demos, e assim, perdemos tudo. Devolvemos a loja e ficamos sem casa para morar. Meu marido se entregou a bebida e a nossa vida virou um inferno. Ai fiquei gravida do meu filho que nasceu lá em 75. Foi difícil essa derrocada. Passei minha gravidez vendendo Avon. Minhas clientes principais eram as mulheres que vinham nas charretes comprar na janela de minha casa onde eu pagava aluguel. Vendi Avon até bem depois que meu filho nasceu e o marido sempre agressivo e bebendo, desanimado da vida". 


Aventura - "Piorava tudo até que um dia um amigo que morava perto de nós, me convidou para ir embora com ele para Rondônia onde ele sempre ver as terras dele. Foram poucos dias para eu me decidir. Acabei indo. Viajamos em uma camioneta muito ruim. Levei meu casal de filhos. Passamos muitos apertos. A estrada era longa. A  camionete quebrou... queimava muita gasolina. O mau jeito e solavancos na viagem me atacou os rins a ponto de querer voltar de tanta dor que sentia. Mas conseguimos chegar até lá. depois de quinze dias. Encaramos muitos problemas naquele matão, inclusive ataque de febre amarela que me pegou feio". 

Ameaças -"Recebi  carta do meu marido seis meses depois. Fiquei com pena dele. Pedia para trazer as crianças porque ele sentia saudade delas. Nessa carta ele ameaçou de morte meu companheiro se eu não largasse dele e voltasse para casa. Fiquei com medo e voltei. No dia que íamos retornar a Rondônia buscar nossas coisas,  a camionete e fechar o negocio das terras com um comprador, meu companheiro sofreu um infarto fulminante, na rodoviária de Nova Aurora. Voltamos a Campo Mourão. Aí sofri muito mesmo, pois o falecido era maravilhoso. Foi o único homem que me tratou como uma deusa. Morreu falando em mim, com uma amiga,  dizendo que estava realizado e feliz comigo. Alguns dias depois,  passando na casa de meus pais, me convenceram a voltar com meu marido porque era pai dos meus filhos. Voltei e fui morar em Goioerê  criar bicho-da-seda. Era triste morar ali. Minha filha tinha que sair no escuro bem cedinho e andar no meio do cafezal uns cinco quilômetros até a escola, com os primos. Foi aí que comecei dar catequese na escolinha da colônia dos italianos. Fiz muitas amizades com os colonos e logo começamos uma capela no local. Eu organizava cultos e, uma vez por mês, o padre ia rezar missa. Aí aconteceu uma tragédia. Meu marido de tanto desinfetar os barracões de produção de casulos do  bicho-da-seda pegou uma ferida na garganta e teve que abandonar o serviço e vir se tratar em Curitiba. Fiquei no sitio com as crianças até que ele conseguiu uma casa em Araucária - PR,  onde meus já moravam e viemos embora". 
 
Mariza Ferreira professora

Mudanças - "Ai sim comecei a trabalhar em lojas, estudei, fui aprovada em concurso público na sagrada função de professora e, nessa profissão trabalhei dez anos. Morava pertinho da escola. Porém, mais uma vez meu marido aprontou muito na véspera de ano novo e e na minha formatura. Tomei uma decisão definitiva. Pedi a ele para ir embora para Goioerê e ele concordou. Ele não gostava de morar aqui. Fizemos o desquite e eu criei os meus filhos sozinha, sem pensão e nenhuma ajuda dele. Lutei com a benção de Deus e venci !"

 Mulher Aranha - "Estava eu passando o Natal com minha mãe, por quanto meu pai já havia falecido. Como presente fui picada por uma aranha marrom que estava em uma buchinha vegetal e eu a esfreguei no peito do pé. Senti muita dor, alergia pelo corpo e dor tipo cólica de figado. Vomitava quase as tripas. Voltei rapidamente a Curitiba, onde residia, e fui diretamente ao hospital. Minha perna ficou enorme, preta, reluzente, mas muito inchada mesmo. Chorava pois as ferroadas do veneno doíam demais, latejavam sem parar. Quando chegou minha vez de ser atendida no Hospital das Clínicas, os médicos disseram que tinha que amputar pois tinha dado gangrena. Apavorei. Saltei da maca e pedi para  ir pra casa onde cheguei e fiz um remédio caseiro: urina e fumo de corda. Fervi bem em uma vasilha e misturei com um pouco de álcool. Fiz compressas com um paninho em cima do local necrosado. Senti um alivio e a dor começou a sumir em meia hora. No dia seguinte começou a desinchar  e, graças a Deus, sarei completamente. Esta experiência passo a quem sofreu ou venha a sofrer o mesmo episódio que eu. Fiz o remédio e deu ótimo resultado. Minha perna continua como Deus a me deu", recomenda Mariza.

Liderança e politica - "Em Araucária morei na vila Angelica e sempre participei de tudo para o bem do lugar. Fazia abaixo assinados para conseguir desde água encanada, posto de saúde, melhorias na escola, participação nos eventos do município,  instalação de terminais de ônibus... participei da fundação da Associação de Moradores e conseguimos a sede desta entidade. Presidi a Associação de Pais e Mestres e conquistamos vários benefícios para a escola. Ganhei medalhas como a pessoa mais querida do bairro através de votos abertos e manuscritos, dos quais tenho copias guardadas como grata recordação. Ajudei fundar outras associações em bairros próximos. Trabalhei no governo Requião no Centro Comunitário, quando ele ainda era deputado e em seguida, prefeito de Curitiba. Participei, em Brasilia, da Assembleia Constituinte e do Congresso das Associações de Moradores em Salvador - BA. Encabecei e realizamos eventos culturais e festas na comunidade, entre elas: festa de patronos, de padroeiro, gincanas, fazia teatros com peças infantis as quais apresentávamos também, em vários lugares. Concluí muitos cursos práticos que muito me ajudaram em minhas atividades profissionais e voluntárias. Ajudava a comunidade até como assistente social. Minha casa sempre tinha gente me esperando e quando eu chegava, atendia a todos com a mesma dedicação e carinho", registra Mariza. 

Vendedora e vereadora - "Nos meus períodos de férias eu fazia 'bicos'. Sempre fui boa vendedora. Trabalhei em vários sensos de pesquisas do IBGE e coordenei campanhas politicas, até que me animei e saí candidata a vereadora em 1988. Só não me elegi porque concorri com mais cinco candidatos do meu bairro, fato que dispersou muito os eleitores. Mesmo assim fui a mais votada. Continuei na politica assessorando vereador em Curitiba, entre 1986 e 1993. Na Assembléia Legislativa do Paraná, assessorei  dois deputados em anos diferentes. e por último era assessora  de gabinete do prefeito de Araucária,  Rizio Wachovsccki. Saí do gabinete designada diretora do Centro de Convivência da Melhor Idade que, para mim, foi uma experiência muito gratificante. Trabalhamos com mais de 600 idosos, divididos em grupos de 100. Era muita diversão, brincadeiras, jogos, dança, teatro e viagens turísticas. Promovemos até desfiles de modas e as modelos eram do grupo, todas lindas.  Na eleição seguinte o prefeito não se reelegeu e, infelizmente, meu cargo era de comissionada e tive que me demitir, automaticamente, é de lei", explica.

 
Mariza Ferreira (de rosa) 
no Centro de Convivência da Melhor Idade

Segundo matrimonio - "Após 20 anos, legalmente desquitada do meu marido, escolhi morar em Curitiba e saí de Araucária onde criei meus filhos com muita luta e dignidade. Passado um tempo, era Natal. Fui participar de um culto da Igreja Quadrangular e lá conheci um senhor elegante que não tirava os olhos de mim. Pensei: deve ser o prometido (risos). Terminada a cerimônia, nos aproximamos e conversamos. Ele contou que estava separado há poucos meses e, de cara, gostei do jeito educado dele e ele de mim. Dias depois nos encontramos de novo, passamos o ano novo juntos, ele conheceu minha família e três meses depois foi morar na minha casa. Isso deu um transtorno danado com meu filho que morava comigo, mas logo isso foi superado. Mas em pouco tempo, veio a decepção: ele mentia demais e eu descobria as verdades. Começou ter dupla personalidade, mas mesmo assim casamos.  Eu já era evangélica antes de conhecer meu segundo marido, por isso tolerava os mal feitos dele. Fingia que não via e não sabia, na tentativa de melhorar nosso relacionamento". 

Pastora -  "Eu já havia feito o curso para pastora e para exercer este mister  tive que regularizar nossa  união perante a lei e a igreja. Casamos no civil e no religioso. Me esforcei bastante para ter uma vida de casada com ele até a eternidade, pois não adianta se unir na terra e não se ligar no céu. Poucos meses depois além de me ofender verbalmente começou a me agredir fisicamente. Cheguei fazer exame de delito, pois andava machucada, de tanto apanhar sem motivo. Mesmo quando estava eu a ler a Bíblia ele, do nada, me atacava, depois chorava, pedia perdão e continuava com as mentiras. Parecia um psicopata. Orei muito e pedi a Deus uma solução. A situação chegou a tal ponto que não deu mais para suportar as loucuras desse homem. Agradeço por não ter uma arma de fogo  em casa pois tinha horas que se tivesse eu teria feito a desgraça. Então me enchi de coragem e pedi para ele ir embora e foi. Sofri muito de novo, com a separação. Ele se humilhou, pediu para ficar, tive dó. Mesmo separados ajudei muito ele. Mais tarde reatamos amizade de novo mas sem morar juntos. O tempo voa e já se passaram quinze anos que estou só, com Deus e em paz. A pesar da solidão, tenho medo de me relacionar de novo. Finalmente aprendi a gostar de mim", fala com seriedade no olhar.

  

Mariza tranquila em Curitiba, com Deus e na Paz 

Atualmente - "Sou uma mulher solitária, pacata, caseira, aposentada, sem cumprir horário para nada. Realizei cirurgia bariátrica há onze anos atrás e mais umas outras por estética, menos no rosto (risos). Meu filho mora e trabalha na Irlanda do Norte e, modéstia à parte, é um gênio em informática, mora só e é solteiro por  opção. Meu neto Alexandre, com 27 anos, está na Itália e breve deve ir para a Inglaterra, com a esposa e minha amada bisneta Nataly". 

"Ela é o meu sol, minha vida. Sinto muito a falta deles, de todos e, principalmente, da minha parceirinha linda... das nossas brincadeiras e de todos os momentos felizes que vivemos juntas. Aqui tenho em outro município da região metropolitana minha filha que também está só depois que o filho, a nora e a netinha foram para a Itália. É a vida. Criamos nossos filhos e depois eles voam do ninho e tudo fica um vazio. Também deixamos nossos pais para termos vida própria. Assim caminha a humanidade. Mas apesar dos meus 67 anos ainda tenho sonhos: quero escrever meu livro, viajar e morar em Portugal". revela Mariza.

Decepcionada - "Hoje estou decepcionada com as falcatruas  politicas e a impunidade neste país inclusive ter uma suprema corte em que mais parece nossa inimiga do que homens e mulheres da justiça. Mas com Deus eu rumo para o alto, respondo com perdão aos meus poucos inimigos e não guardo mágoa dos que me machucaram. Com fé vamos em frente, pois ela não costuma falhar". concluiu Mariza.


Até breve, Mariza Ferreira



Cama Patente: quem não dormiu em uma? 

Este modelo de cama já foi popularíssimo no Brasil. Na casa da minha avó, nos idos de 1970 tinha algumas destas, que deveriam estar ali há um bom tempo, que até hoje não sai da minha memória. Ela foi criada em 1915 e se tornou um marco na história do mobiliário brasileiro pelo seu design diferenciado do padrão quadrado da época.

Idealizador - Foi projetada pelo espanhol Celso Martínez Carrera (1883-1955) emigrante da Galicia que veio morar no Brasil em 1906. Trabalhou na marcenaria da Companhia Estrada de Ferro Araraquara, antes de abrir sua própria oficina. Criou uma cama montada com madeiras torneadas, composta composta basicamente por três partes: cabeceira alta e cabeceira baixa nos pés e estrado com molas flutuantes, dentro de um conceito funcional e eficiente, que permitiu sua industrialização em série e a preços populares.

Guerra - A primeira cama patente foi fabricada em Araraquara – SP, a pedido de uma clínica médica que importava leitos de ferro da Inglaterra. A primeira guerra mundial dificultou as importações e favoreceu as vendas das camas patentes fabricadas no Brasil. Celso não teve o cuidado de patentear sua invenção, o que acabou sendo feito pelo imigrante italiano, Luigi Liscio (1884 1974) chegado ao Brasil em 1894, e assim, por força da  lei, Celso deixou de fabricar camas que ele inventou.

Indústria Cama Patente L. Liscio S.A foi fundada em Araraquara - SP e depois transferida para São Paulo capital, onde funcionou até 1968, com extração e corte de pinheiros nativos em Campo Mourão - PR. Essa empresa foi a precursora da produção de móveis em série no Brasil e conquistou todo o mercado nacional.

Onde encontrar - A cama patente, clássico do mobiliário brasileiro, voltou a ter espaço no mercado, inclusive em versões contemporâneas, como o novo modelo - Cama Patente - do designer Fernando Jaegger, ou a versão comercializada pela Tok & Stok. Assim, muitos brasileiros que ainda não tiveram a satisfação de dormir numa cama patente como nós, agora tem essa rara e prazerosa oportunidade. 

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Comunicação não é magia, é tecnologia