21/08/2017

Campo Mourão e a Guerra às baitacas

Baitacas também chamadas de Maritacas
ainda sobrevoam Campo Mourão

Para se ter uma ideia da grande quantidade da passarada e da rica fauna de Campo Mourão, o vereador da primeira legislatura mourãoense, que também era Juiz de Paz e morava próximo da atual Vila Guarujá, Porfirio Quirino Pereira, na sessão extraordinária do dia 6 de dezembro de 1947, propôs ao plenário do Poder Legislativo a aprovação de uma Lei de Proteção à Lavoura, com incentivo monetário ao extermínio de baitacas e maracanãs, mediante o pagamento de um cruzeiro por cabeça, aos que apresentarem (as aves mortas) na Prefeitura. Também propôs a multa de dois cruzeiros por cabeça, aos que deixarem de fazê-lo, ou seja, aplicação da pena pecuniária aos lavradores, donos de roças, que não matassem as "danosas" baitacas e maracanãs que, pela manhã e à tarde, faziam suas revoadas em enormes bandos, que pareciam nuvens, em grandes algazarras sob os céus de Campo Mourão, no sentido oeste/leste pela manhã, e sentido inverso no final da tarde.
Guarda-chuva - Lembro-me bem do seu Porfírio, sempre de terno escuro, camisa social branca abotoada até o pescoço e nos punhos de mangas longas (sem gravata), sapatos pretos meio surrados e com seu inseparável guarda-chuva preto, debaixo do braço, mesmo com sol, e nas suas idas e vindas, sempre a pé. 


19/08/2017

Curiosidades sobre Vinho - Wibaju

VINHO, do grego clássico:  oínos, ou do latim: vinum, que tanto significam: "vinho" ou "videira". Genericamente é uma bebida alcoólica produzida pelo sumo da uva, fermentado.
O vinho possui uma longa história que remonta mais de 6000 anos. Acredita-se que sua origem vem dos atuais territórios da Georgia, Turquia e Irã, enquanto que o seu aparecimento na Europa ocorreu no mesmo período, nas atuais Bulgária e Grécia. Também foi muito comum nas antigas civilizações Grega e Romana.
O vinho tem desempenhado papel importante em várias religiões desde tempos antigos. O deus grego Dionísio e o deus romano Baco representavam o vinho, e ainda hoje o vinho tem papel central em cerimônias religiosas cristãs e judaícas - nas celebrações da Eucarístia e do Kidush.
Na uniuão européia, o vinho é legalmente definido como produto obtido exclusivamente por fermentação parcial ou total de uvas frescas, inteiras ou esmagadas, ou de mostos. 
No Brasil é considerado vinho a bebida obtida pela fermentação alcoólica de mosto de uva sã, fresca e madura, sendo proibida a aplicação do termo a produtos obtidos a partir de outras matérias-primas ou de outras frutas.
A constituição química das uvas permite que estas fermentem sem que sejam adicionados açúcares, ácidos, enzimas ou outros nutrientes.
Apesar de existirem outros frutos como a maçã ou algumas bagas que também possam ser fermentadas, os "vinhos" resultantes são designados em função do fruto a partir do qual são obtidos. 
Por exemplos: vinho-de-maçã, vinho-de-laranja. Estes são mais conhecidos por vinhos de frutas.
A fermentação das uvas é feita por vários tipos de leveduras que consomem os açúcares presentes nas uvas transformando-as em álcool.

Coisas sobre Vinho: 
O cheiro e característica de cada tipo de uva são chamados de “aroma”. O aroma completo, de todos os vinhos, chama-se “bouquet”.
2.Na Grécia antiga, em ocasiões onde ia-se beber vinho, o anfitrião dava o primeiro gole para provar que aquele não estava envenenado e, sim, saudável. Daí a expressão “saúde!”. Em Roma, começou-se a usar a palavra “toasting” (torrada), até hoje usada em países de língua inglesa. Isso porque eles colocavam um pedaço de torrada para tirar gostos estranhos e acidez do vinho.
3.A degustação olfativa é uma parte importante do processo de degustar vinho. Nesta parte as mulheres saem na frente porque elas têm um melhor senso de olfato, principalmente na idade adulta reprodutiva.
4.O vinho traz relaxamento. Beber quantidades moderadas antes do ato sexual pode trazer um sexo mais prazeroso às mulheres. Pesquisa italiana afirma que as mulheres que bebem duas taças de vinho por dia têm uma atividade sexual mais agradável do que as que não bebem.

 5.No vinho tinto, a cor avermelhada se dá por causa da extração de pigmentos presentes na casca da uva. Vinhos brancos são fermentados sem a casca, e por isso são brancos. Nem todo vinho branco é feito de uva branca. Aliás, o champanhe é feito de Chardonnay e Pinot Noir, em sua maioria. A segunda é uma uva tinta.
6.Em todo o velho testamento, o único livro que não contém referência alguma ao vinho é o livro de Jonas.
7.Mulheres romanas não podiam beber vinho. O  assassinato delas era permitido caso o marido pegasse a mulher dando aquela roubada na adega de casa.
8.A primeira ilustração contendo menção ao vinho tem 5000 anos, em um painel Sumério conhecido como “Standard of Ur”.
9.Há estudos científicos em evolução que sugerem que beber vinho diminuiu o risco de ataque cardíaco, Alzheimer e derrame.
10.Vinho tinto tem mais antioxidante do que o vinho branco.
11.Girar a taça, ajuda a oxigenar o vinho e a liberar mais aromas. Porisso é importante por apenas 1/3 de vinho na taça.
12. A taça tem a curvatura que vai fechando mais na boca pra poder reter os aromas do vinho.
13.O Código de Hammurabi (1800 a.C) incluía uma lei que punia os vendedores de vinho fraudulentos. A pena? Morrer afogado, mas não em vinho, e sim em um rio.
14.Os romanos descobriram que misturando chumbo com vinho ajudava a manter a bebida boa por mais tempo, além de dar um gosto mais doce e certa textura. Envenenamentos crônicos por chumbo são citados até hoje como um dos componentes influenciadores na queda do império romano.
15. O pior lugar pra acondicionar o seu vinho, é, claro, a cozinha. Isso se dá pelo calor liberado pelos eletrodomésticos forno e fogão.
16. As pessoas costumam harmonizar vinho e comida porque ambos produzem uma sinergia que transforma doi sabores em um terceiro. 
17.O vinho limpa as papilas gustativas da boca, ou seja, quando você for comer a próxima garfada, vai sentir o prazer como se fosse a primeira.
18.Durante a Lei Seca nos Estados Unidos, caracteriza o período de 1920 a 1933 durante o qual a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas para consumo foram banidas nacionalmente, como estipulou a 18ª emenda da Constituição dos Estados Unidos. Durante essa época tentou-se tirar dos livros escolares qualquer menção ao vinho, e também provar que o vinho tão citado na bíblia era, na verdade, suco de uva sem a fermentação alcoólica.
19.Sempre segure a taça com vinho pela haste, nunca pelo bojo, caso contrário você aquecerá o vinho com o calor de suas mãos.
21. Apesar da descrição de “válido por prazo indeterminado se acondicionado de modo correto”, em todas as garrafas de vinho, essa não é uma verdade.
22. Ao contrário do que se pensa, cheirar a rolha revela muito pouco sobre o vinho. Quando o sommelier entregar a rolha pra você, procure pela data ou outras informações de identidade. Cheirar a rolha pode até ajudar a identificar um vinho oxidado, mas não é suficiente. Procure, na verdade, por rachaduras, perfurações, umidade, rolha seca, ou rolha quebrada. São bons indicativos de que um vinho pode estar indo embora.
23. Em 1988 uma italiana iniciou a primeira organização feminina devotada ao vinho, a Le Donne Del Vino. O objetivo era encorajar as mulheres a participarem mais da produção italiana do vinho. 
24.O vinho tem um efeito maior em mulheres do que em homens. Elas têm em menor quantidade uma enzima necessária para transformar o álcool absorvido pelo organismo.
25.No centro do círculo intelectual e social Grego existiam os simpósios, que literalmente significam: “beber junto”. De fato, simpósios refletiam o gosto dos gregos em misturar álcool com discussões filosóficas.
26.Com pouca freqüência um vinho pode apresentar odor de papelão molhado. Este fato se dá por causa de um fungo que atinge a rolha e contamina todo o conteúdo da garrafa.
 27. Quando a tumba do faraó Tutancâmon foi descoberta em 1922, os vários farros de vinhos encontrados ao lado da  múmia eram específicos tanto que poderiam passar pela legislação atual de vários países vinícolas. Neles constam os anos da safra, o nome do produtor e comentários como este: “vinho muito bom”.
28.Você tem dificuldade de entender os vinhos franceses porque eles são nomeados de acordo com sua região e não com a variedade de uva que o compõe.
31.A União Europeia decidiu que o vinho espumante produzido fora de Champagne (região), não pode ser chamado de Champagne. Portanto, nosso vinho espumante se chama “espumante”, e não champagne.
32. A análise de um vinho passa por três processos: visualolfativo gustativo. Ou seja, você vê, cheira e depois sim, degusta e bebe.
33. A videira mais antiga da Europa está localizada na cidade de Maribor (Eslovênia), e tem mais de 500 anos (cinco séculos) de produção.

Estudiosos do Vinho
Muitos homens da ciência, cada um ao seu tempo, dedicaram-se a estudar assuntos relacionados ao vinho. E todos eles contribuíram, de maneira significativa, no desenvolvimento desse universo. Vejamos alguns exemplos:  
Hipócrates (460 -370 a.C.), o pai da medicina, incorporou o vinho no tratamento da maioria das doenças agudas e crônicas. Fez várias observações sobre as propriedades do vinho, que são citadas em textos de história da medicina.
Cláudio Galeno (131-201),  médico romano de origem grega abordou, em sua obra, o uso do vinho como anticéptico e antídoto de venenos.Ele elaborou uma lista de remédios, conhecidos como “galênicos”, a maioria a base de vinho.
Arnaldus de Villanova (1235-1311), médico e professor da Universidade de Montpellier, escreveu o primeiro livro impresso sobre o vinho, “Liber de Vinis”, no qual cita as propriedades curativas de vinhos aromatizados com ervas, em uma infinidade de doenças.
Dom Pierre Pérignon (1638-1715), monge francês é, oficialmente, considerado o inventor do Champagne. Também foi ele quem adaptou a cortiça para que ela suportasse a pressão de gás carbônico dentro das garrafas de vinhos espumantes.
Antoine de Lavoisier (1743-1794) ao identificar o que acontece quimicamente durante a fermentação, o cientista, pai da química moderna,  ajudou enólogos a compreenderem melhor o seu ofício. 
Louis Pasteur (1822-1895), da França, foi determinante para a enologia moderna ao demonstrar que a produção de vinho envolvia a ação de micro-organismos. A pasteurização permitiu eliminar bactérias que contaminavam e azedavam o vinho.
Émile Peynaud (1912-2004) com sua filosofia de controle de , tanto no vinhedo como na vinícola, ajudou a mudar o perfil estilístico, principalmente dos vinhos de Bordeaux, com influência, sobre muitos produtores do mundo todo.




02/08/2017

CAMPO MOURÃO NA HISTÓRIA DO BRASIL

 Situação Histórica



É antiguíssima a história territorial de Campo Mourão, tanto que se confunde com a do Brasil, pois, sua área de 766.4 km2, faz parte do imenso território nacional.
O traçado urbano e rural está desenhado sobre região quase plana com suaves declínios que se debruçam diretamente aos dois regulares mananciais que a circundam, ricos em vertentes de água natural. O magnífico espigão, sobre o qual se fixa o quadro urbano, está localizado no terceiro planalto paranaense a 24º02'38'' de Latitude Sul e 52º22'40'' de Longitude Oeste do Meridiano de Greenwich, a uma altitude média de 630 metros acima do nível do Oceano Atlântico com características únicas no planeta Terra, entre as férteis várzeas do Rio do Campo e do Ribeirão 119, que deságuam no Rio Mourão, tributário do Rio Ivai que, por sua calha,  despeja sua água corrente no caudaloso Rio Paraná, e daí, no Oceano Atlântico.



O terreno primitivo, elevado e imune a enchentes, está sobreposto a um rico solo basáltico coberto por gramíneas e capins típicos, entremeados a uma vegetação de centenas de espécies que se destacam em um imenso cerrado de arbustos, árvores e palmeiras de pequeno porte, resistentes ao calor, a maioria retorcida, de grossas cascas medicinais e diferentes frutíferas, que abrigam rica flora e fauna.
Abaixo do subsolo e da imensa laje basáltica, a cerca de mil metros de profundidade média, encontra-se água pura e cristalina do imenso Aqüífero Guarani ou Mar de Botucatu.
O território central, em seu conjunto todo, forma um cerrado emaranhado de campos e pequeno bosques onde predominam árvores de Copaíba, Angico do Campo, Cereja campestre, Ipê Amarelo, Gabirova, Pitanga, Piqui, Barbatimão, Ariticum, Capota e etc. Este raro ecossistema, localizado no Centro Oeste do Paraná, era cercado por três tipos de florestas bem distintas: a de Araucárias (pinheirais, erva-mate e outras madeiras nobres de clima frio) desde o norte de Santa Catarina até a margem direita do Rio do Campo: a Tropical (clima temperado) desde o sul de São Paulo até a margem direita do Rio do Campo e a do Arenito do Caiua (madeiras nobres e palmitais) desde o sul de Mato Grosso até a margem esquerda do Ribeirão 119. Esta última destacava-se pela enorme quantidade de perobas branca e rosa, pau-marfim, óleo pardo e abundantes palmitos, em solo arenoso de clima úmido e quente elevado.

Tudo a ver com Campo Mourão


Em Abril de 1500, quando o explorador português, Pedro Álvares Cabral, ancorou ao largo de Porto Seguro, no sul da Bahia, com 10 caravelas, retornou com todas elas carregadas de Pau Brasil e várias especiarias extraídas da Mata Atlântica povoada por nativos  facilmente conquistados com bugigangas e quinquilharias que lhes foram oferecidas, e habitado por centenas de milhares de aves e animais nunca vistos pelos europeus. 
Antes de Cabral iniciar a extração da riqueza do Pau Brasil, já se tinham notícias de outras frotas de caravelas chegadas ao continente sul-americano, dentre elas a do navegador italiano Cristóvão Colombo, em 1492, que ancorou nas Antilhas da América Central, e a de João Dias de Solis, navegador espanhol, em 1516, que cruzou toda a costa brasileira rumo a Bacia do Rio da Prata a fim de estabelecer um porto destinado à segurança das naus espanholas na Bacia do Rio da Prata. 
Porém, antes de completar a viagem traçada, resolveu fundear sua nau e visitar tribos de índios Carios (Carijós) que avistou em terra firme do continente desconhecido. Ao desembarcar na praia, Solis e dezenas de marujos que o acompanhavam, foram atacados e impiedosamente mortos pelos nativos.
Os 11 marinheiros que ficaram a bordo do navio assistiram o massacre e, apavorados, embarcaram em um único escaler (pequeno bote) e remaram desesperadamente de volta em direção a Ilha de Santa Catarina sobre mar revolto, borrascas e ventos cortantes. Quase próximo ao território catarinense o bote virou sob o impacto das violentas ondas, mas os marinheiros, com muito esforço, conseguiram chegar a praia, a nado, em local também habitado por índios, porém de índole pacífica, que os acolheram e abrigaram. Este trecho de areia firme ficou conhecido como Praia dos Naufragados, no litoral catarinense.

Descoberta do ouro Inca

Dentre os tripulantes espanhóis havia um astuto marinheiro português de nome Aleixo Garcia, que depois casou com uma nativa e teve um filho de nome Diogo Garcia. 

Havia também um negro (José Pacheco) e nove espanhóis.
Nas reuniões da tribo, Aleixo Garcia e seus companheiros, ouviam os nativos contar histórias sobre as reluzentes montanhas do Sol e da Lua que resplandeciam ao sol e ao luar, nos distantes sertões continente a dentro, e que podiam ser atingidas depois de longa caminhada pela trilha primitiva do “Pê abê i u” (caminho antigo de ir e vir). Aleixo Garcia, o mais arrojado dos náufragos, ficou convencido que as ditas montanhas eram de ouro (sol) e de prata (lua). Nas mesmas narrativas ouviu falar do Império Ínca ou Império do Sol, onde utensílios e adornos eram de ouro, estanho e prata (até então os povos sul-americanos desconheciam o ferro).
Em 1523, Garcia convidou seus companheiros a fazer parte desta cega aventura, mas apenas dois toparam. Justamente o negro e um espanhol. A pedido de Garcia, a tribo formou um exército com cerca de 2 mil flecheiros dos temidos carijós e com eles foram sua mulher e seu filho, cientes dos perigos, dificuldades e tribos hostis que iriam confrontar ao longo do estreito caminho de aproximadamente 5 mil quilômetros, a pé. Munidos de armas e alimentos primitivos e naturais, seguiram Pêabeiu afora e continente adentro a partir da Praia dos Naufragados. Na divisa de Santa Catarina/Paraná atravessaram os rios Santo Antonio e Iguaçu. Em 1524 atingiram a região dos Campos, as margens dos rios Tibagi e Cantu, atravessaram a região do Cerrado onde está Campo Mourão, cruzaram o Rio Paraná e estabeleceram a Vila de Nuestra Senhora de Assumpcion, onde construíram abrigos e plantaram roças de subsistência. Uns poucos ficaram enquanto o grosso da expedição de Garcia seguiu em frente.  Em 1525 avistaram terras povoadas nas proximidades de Cuzco (capital do Império Inca). Fizeram rápidos contatos com alguns moradores, trocaram presentes e conseguiram 25 quilos de peças artesanais em ouro puro.
Avisados que soldados incas foram alertados da presença de invasores brancos e de índios desconhecidos, vinham em seu encalço, Garcia deu ordem de retirada e regressou pelo mesmo caminho. Na volta, próximo de Assunção (Vila São Pedro/Garcia Coé), na travessia do Rio Monday, foi atacado por índios Paiaguás que, praticamente, exterminaram o exército Carijó e, entre os mortos, tombou Aleixo Garcia.
Seus dois amigos marujos e algumas dezenas de índios aliados conseguiram escapar do massacre, com parte do ouro. Retornaram à Santa Catarina e a notícia do Império do Sol espalhou-se rapidamente entre espanhóis e portugueses e daí em diante formaram-se muitas caravanas, registrando-se intensos avanços em busca do ouro e da prata que mais tarde foi encontrada em Potossi (Bolívia), a 150 km de onde passou a caravana de Garcia.
Desta forma, Aleixo Garcia foi o primeiro comandante branco a cruzar pela região de Campo Mourão e a descobrir a nação Inca, através do caminho e trilhas do milenar Peabeiu.

Em 1541, o comandante militar espanhol, Alvar Nuñes Cabeza de Vacca, foi designado ‘adelantado’ militar de Assunção e da Província Del Guairá (hoje oeste do Estado do Paraná que tinha como ponto central a região conhecida como Campos (Campo Mourão) onde situava-se o grosso da nação Guarani, com mais de 250 mil nativos. Cabeza de Vacca e seu pequeno exército de 230 arcabuzeiros (atiradores)) e cerca de 20 cavalos foi o segundo comandante branco a passar pela região de Campo Mourão. Guiado pelos índios seguiu, praticamente, a mesma trilha do Pêabeiu até aqui, utilizada por Aleixo Garcia. Cabeza de Vacca apenas derivou sua rota a Oeste e deparou-se com as belezas das Cataratas do Iguaçu e dali atravessou o Rio Paraná, de onde alcançou Assunción - Paraguai.

Destruição das Missões 



O domínio espanhol na região terminou a partir de 1630 com invasão e ataque intermitente de bandeirantes paulistas às missões jesuítas, na caçada de índios para trabalho escravo e busca de riquezas fáceis.
No desespero de salvar os nativos catecúmenos, que sobreviveram aos primeiros massacres nas missões da Província Del Guairá, os jesuítas castelhanos encabeçaram uma dramática fuga, de cerca de 12 mil índios do Paraná, em 1631, conduzidos além das barrancas do Rio Paraná por cerca de 1500 km a pé, que se refugiaram nas cercanias das Cataratas do Iguaçu, em vasta terra paraguaia e Argentina, onde começaram tudo de novo, inclusive denominando as novas reduções, com nomes das destruídas em terra brasileira.


Nota - (Assista essa invasão bandeirante no excelente filme: “Missão”, com Roberto Del Niro). 

Wille Bathke Junior - Campo Mourão - Pr, 11 de Janeiro de 2015

01/08/2017

CAMPO MOURÃO NA GEOGRAFIA DO BRASIL

 
Mapa da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão
COMCAM
É antiguíssima a história territorial de Campo Mourão, tanto que se confunde com a do Brasil, pois, sua área de 766.4 km2 faz parte do imenso território nacional. O traçado urbano e rural está desenhado sobre região quase plana com suaves declínios que se debruçam diretamente aos dois regulares mananciais que a circundam, ricos em vertentes de água natural. O magnífico espigão, sobre o qual situa-se o quadro urbano da cidade de Campo Mourão,  está localizado no terceiro planalto paranaense a 24º’02'38'' de Latitude Sul e 52º22'40'' de Longitude Oeste do Meridiano de Greenwich, a uma altitude média de 630 metros acima do nível do Oceano Atlântico com características únicas no planeta Terra, entre o Rio do Campo e o Ribeirão 119, que deságuam no Rio Mourão, tributário do Rio Ivai que despeja suas águas no caudaloso Rio Paraná.
A região primitiva, bem elevada e imune a enchentes, está sobreposta a um rico solo basáltico coberto por gramíneas e capins típicos, entremeados a uma vegetação de centenas de espécies que se destacam em um imenso cerrado de arbustos, árvores e palmeiras de pequeno porte, resistentes ao calor, a maioria retorcida, de grossas cascas medicinais e diferentes frutíferas que abrigam rica flora e fauna.
Abaixo do subsolo e da imensa laje basáltica, a cerca de mil metros de profundidade média, encontra-se água pura e cristalina do imenso Aqüífero Guarani ou Mar de Botucatu.
O território central, em seu conjunto todo, forma um cerrado emaranhado de campos e pequeno bosques onde predominam árvores de Copaíba, Angico do Campo, Cereja, Ipê Amarelo, Gabirova, Pitanga, Piqui, Barbatimão, Ariticum, Capota e etc. Este raro ecossistema, localizado no Centro Oeste do Paraná, era cercado por três tipos de florestas bem distintas: a das Araucárias (pinheirais, erva-mate e outras madeiras nobres de clima frio) desde o norte de Santa Catarina até a margem direita do Rio do Campo: a Tropical (clima temperado) desde o sul de São Paulo até a margem direita do Rio do Campo e a do Arenito do Caiua (madeiras nobres e palmitais) desde o sul de Mato Grosso até a margem esquerda do Ribeirão 119. Esta última destacava-se pela enorme quantidade de perobas branca e rosa, pau-marfim, óleo pardo e palmitos em solo arenoso de clima úmido e quente elevado.

Em Abril de 1500, quando o explorador português, Pedro Álvares Cabral, ancorou ao largo de Porto Seguro, ao sul da Bahia, com 10 caravelas, retornou com todas elas carregadas de Pau Brasil e várias especiarias extraídas da Mata Atlântica povoada por nativos  facilmente conquistados com bugigangas e quinquilharias que lhes foram oferecidas, e habitado por centenas de milhares de aves e animais nunca vistos pelos europeus.
Antes de Cabral iniciar a extração da riqueza do Brasil, já se tinham notícias de outras frotas de caravelas chegadas ao continente sul-americano, dentre elas a do navegador italiano Cristóvão Colombo, em 1492, que ancorou nas Antilhas da América Central, e a de João Dias de Solis, navegador espanhol, em 1516, que cruzou toda a costa brasileira rumo a Bacia do Rio da Prata a fim de estabelecer um porto destinado à segurança das naus espanholas na Bacia do Rio da Prata. Antes de completar a viagem traçada, resolveu fundear sua nau e visitar tribos de índios Carios (Carijós) que avistou em terra firme do continente desconhecido. Ao desembarcar na praia, Solis e dezenas de marujos que o acompanhavam, foram atacados e mortos rapidamente pelos nativos.
Os 11 marinheiros que ficaram a bordo do navio assistiram o massacre e, apavorados, embarcaram em um único escaler (pequeno bote) e remaram desesperadamente de volta em direção a Ilha de Santa Catarina sobre mar revolto, borrascas e ventos cortantes. Quase próximo ao território catarinense o bote virou sob o impacto das violentas ondas, mas os marinheiros, com muito esforço, conseguiram chegar a praia a nado, em local também habitado por índios, porém de índole pacífica, que os acolheram e abrigaram. Este trecho de terra firme ficou conhecido como Praia dos Naufragados, no litoral catarinense.
Dentre os tripulantes espanhóis havia um marinheiro português de nome Aleixo Garcia, que depois casou com uma nativa e teve um filho de nome Diogo Garcia. Havia também um negro (José Pacheco). Nas reuniões da tribo, Aleixo Garcia e seus companheiros ouviam os nativos contar histórias sobre as reluzentes montanhas do Sol e da Lua que resplandeciam ao sol, nos distantes sertões, continente a dentro, e que podiam ser atingidas depois de longa caminhada pela trilha primitiva do “Pê abê i u” (caminho antigo de ir e vir). Aleixo Garcia, o mais arrojado dos náufragos, ficou convencido que as ditas montanhas eram de ouro (sol) e de prata (lua). Nas mesmas narrativas ouviu falar do Império Ínca ou Império do Sol, onde utensílios e adornos eram de ouro, estanho e prata (até então os povos sul-americanos desconheciam o ferro). Em 1523, Garcia convidou seus companheiros a fazer parte desta cega aventura, mas apenas dois toparam. Justamente o negro e um espanhol. A pedido de Garcia, a tribo formou um exército com cerca de 2 mil flecheiros dos temidos carijós e com eles foram sua mulher e seu filho, cientes dos perigos, dificuldades e tribos hostis que iriam confrontar ao longo do estreito caminho de aproximadamente 5 mil quilômetros, a pé. Munidos de armas e alimentos primitivos e naturais, seguiram Pêabeiu afora e continente adentro a partir da Praia dos Naufragados. Na divisa de Santa Catarina/Paraná atravessaram os rios Santo Antonio e Iguaçu. Em 1524 atingiram a região dos Campos, as margens dos rios Tibagi e Cantu, atravessaram a região do Cerrado onde está Campo Mourão, cruzaram o Rio Paraná e fundaram a Vila de Nuestra Senhora de Assumpcion, onde construíram abrigos e plantaram roças de subsistência. Uns poucos ficaram enquanto o grosso da expedição de Garcia seguiu em frente.  Em 1525 avistaram terras povoadas nas proximidades de Cuzco (capital do Império Inca). Fizeram rápidos contatos com alguns moradores e conseguiram 25 quilos de peças artesanais de ouro.
Avisados que soldados incas foram alertados da presença de invasores brancos e de índios desconhecidos e que vinham em seu encalço, Garcia deu ordem de retirada e regresso pelo mesmo caminho. Na volta, próximo de Assunção (Vila São Pedro/Garcia Coié), na travessia do Rio Monday, foi atacado por índios Paiaguás que praticamente exterminaram o exército Carijó e entre os mortos tombou Aleixo Garcia. Seus dois amigos marujos e algumas dezenas de índios aliados conseguiram escapar do massacre, com parte do ouro. Retornaram à Santa Catarina e a notícia do Império do Sol espalhou-se rapidamente entre espanhóis e portugueses e daí em diante formaram-se muitas caravanas, registrando-se intensos avanços em busca do ouro e da prata que mais tarde foi encontrada em Potossi (Bolívia).
Desta forma, Aleixo Garcia foi o primeiro comandante branco a cruzar pela região de Campo Mourão e a descobrir a nação Inca, através do caminho e trilhas do milenar Peabeiu.

Em 1541, o comandante militar espanhol, Alvar Nuñes Cabeza de Vacca, foi designado a tomar posse da governança de Assunção e da Província Del Guairá (hoje oeste do Estado do Paraná que tinha como ponto central a região conhecida como Campos (Campo Mourão) onde situava-se o grosso da nação Guarani, com mais de 250 mil nativos. (Cabeza de Vacca e seu pequeno exército de 230 arcabuzeiros (atiradores)) e cerca de 20 cavalos foi o segundo comandante branco a passar pela região de Campo Mourão. Guiado pelos índios seguiu, praticamente, a mesma trilha do Pêabeiu utilizada por Aleixo Garcia.
Cabeza de Vacca derivou a Oeste e ‘descobriu’ as Cataratas do Iguaçu e dali atravessou o Rio Paraná e se estabeleceu na governança de Assunción - Paraguai.

Nota - Assista esta invasão espanhola no excelente filme: “Missão”, com Roberto Del Niro.

Wille Bathke Junior Campo Mourão, PR, 11 de Janeiro de 2015

18/07/2017

Primeiro Juri em Campo Mourão




1951 dia 2 de Abril

Nesta data, o Fórum da Comarca de Campo Mourão realizou seu primeiro juri. Localizava-se em um casarão de madeiras, alugado pelo Estado, coberto de telhas, com vidraças, na av. Irmãos Pereira, entre as ruas Araruna e Francisco Albuquerque.
Juiz de Direito: Dr. Sinval Reis (substituto).
Promotor Público: Dr. Luiz Renato Pedroso.
Escrivão do Crime: Ville Bathke.
Advogados: Dr. Homero Cavalcanti e Dr. Altevir Alves Ribeiro.
Réu: Ezequiel Francisco Dutra.
Jurados: Eduardo Michicoski, Jamil de Oliveira Jacob, Guilherme Normann, Nelson Amaral,  Miguel Scharan, Egydio Genero e Domingos Maciel Ribas.
O sorteio dos sete Jurados foi feito pelo “menor” Wille Bathke Jr, de 11 anos de idade, e o réu foi absolvido.

17/07/2017

Independência de Campo Mourão por Pedro Viriato


Pedro Viriato de Souza Filho homenageado 31 anos depois
 
Pedro Viriato e Augustinho Vecchi

Dia  2 de setembro de 1978, 31º Ano da Emancipação de Campo Mourão, esteve presente nas comemorações da Semana da Pátria, a convite do prefeito Augustinho Vecchi, o primeiro prefeito eleito de Campo Mourão, Pedro Viriato de Souza Filho que, na ocasião, foi homenageado, juntamente com outros ex-prefeitos que o sucederam. Ao fazer uso da palavra, no palanque oficial, na Av. Índio Bandeira, esquina com a Rua Brasil, perante mais de 3 mil pessoas, visivelmente emocionado, Pedro Viriato agradeceu a recepção e fez um relato histórico, detalhado, sobre o mais importante episódio da História de Campo Mourão: a sua emancipação. 
Com a palavra, sua excelência, o primeiro prefeito de Campo Mourão: Pedro Viriato de Souza Filho.


 
Primeiro Prefeito de Campo Mourão

-- ”Vocês sabem que sempre fui um homem emotivo e, a solenidade que hoje se realiza, toca profundamente o meu coração. Não sei se poderei dizer a todos, aquilo que eu tanto desejo.
Voltando a 30 anos passados, para dizer melhor, ao dia em que Francisco Albuquerque, seguido por Antonio Teodoro de Oliveira, chegou ao meu rancho, na costa do rio da Vargem, levando a notícia de que o Estado passava por uma reforma administrativa e, com isso, criando diversos novos Municípios. A finalidade, no entanto, não era só darem a notícia, mas apelarem para que eu fosse tentar a criação do Município de Campo Mourão, alegando que eu era curitibano e que tinha boas relações de amizade na Capital e, portanto, era o mais indicado da turma, para tal reivindicação. Éramos um punhadinho de companheiros, dentre os que viviam ao redor da atual sede, tendo como ponto de reunião a casa e armazém de Francisco Albuquerque, na margem do rio (do Campo).
A empreitada era bastante dura, pois em volta da atual praça existiam quatro casas velhas, mais a escola e a igreja, em fase de construção. O esforço e a força de vontade da turma, mais o apelo de Francisco Albuquerque e Antonio Teodoro, que me receberam e me ajudaram a arranjar uma boa colocação, quando aqui cheguei, me fizeram seguir para Curitiba, onde tomei conhecimento de que o projeto já tinha passado em primeira discussão na Assembléia Legislativa. Não havia tempo a perder e, assim, na manhã seguinte fui diretamente ao Palácio e tive a sorte de conseguir uma audiência imediata com o Governador Moysés Lupion que eu conhecia, mas com quem não tinha intimidade. Conversamos sobre o assunto e ele achando que ainda não tínhamos possibilidades e eu garantindo o contrário, expondo que diariamente entravam mudanças que iam se internando no sertão, com famílias a pé, puxando cargueiros com as coisas mais necessárias, levando cabritos para garantir o leite para seus filhos, outros, já melhorados, montados à cavalo, puxando diversos cargueiros e até algumas reses e outros já em carroças com toldos, que traziam até sementes para a primeira plantação. Que a distância de Campo Mourão‑Pitanga era muito grande para se tratar de qualquer ato administrativo ou judiciário, e que o Município (Pitanga), não dava nenhuma atenção ao Distrito (Campo Mourão), ao ponto dos próprios moradores terem que atender a cerca do cemitério para que os animais não mexessem nos defuntos. De repente um cidadão que havia entrado, sem que eu notasse, disse ao Governador: “o que esse homem pede é impossível, só daqui uns dez ou quinze anos pode‑se pensar nisso”. Levantei como picado por uma cobra e respondi com violência, perguntando‑lhe se conhecia Campo Mourão, ou achava que eu estava mentindo, e fui mais grosseiro um pouco, o que valeu‑me uma repreensão do Governador, dizendo‑me que se tratava de um Secretário de Estado, afinal este se retirou e continuamos a conversa sobre o assunto, até que o Governador fez‑me umas perguntas:
- Você veio com o apoio total dos seus companheiros?
- Sim Senhor, respondi‑lhe.
- Eles confiam em você e você neles?
- Sim Senhor.
- Se você for candidato a Prefeito, tem possibilidade de se eleger?
-Absoluta, mas desejo que seja Francisco Albuquerque, é paranaense como eu, mais antigo em Campo Mourão, comerciante e tem inúmeros amigos e compadres.
- Quem está pedindo e garantindo as possibilidades é você, disse o Governador, portanto se você for o candidato vamos pensar nisso.
- Governador, o Senhor pode fazer o favor de mandar parar o projeto por uns dois dias e me dá esse prazo para resposta?
Ele concedeu. Nessa tarde me virei atrás de um teco‑teco que consegui com a BOA, para o dia seguinte cedo e passei um rádio por intermédio do Palácio, para Peabiru, avisando minha ida. Chegando a Campo Mourão, os companheiros aflitos já esperavam em volta de Francisco Albuquerque, dei‑lhes detalhadamente o acontecido e todos acharam que eu já devia ter resolvido.
Voltei em seguida, trazendo comigo Francisco Albuquerque que apresentei ao Governador como nosso líder, dizendo‑lhe que a turma havia ficado na maior satisfação e que os representantes da UDN e do PR, declararam que não apresentariam candidatos, estabelecendo assim, candidatura única.
Assim ficou resolvida a criação do Município. Criado o Município, para os efeitos legais, foi nomeado Prefeito, por nossa indicação, José Antonio dos Santos, que se limitou a aguardar a eleição e posse do Prefeito eleito, para cuja posse veio para nossa cidade o então juiz de direito de Londrina, falecido Desembargador Antonio Franco Ferreira da Costa.
Tivemos em seguida, grandes dificuldades, o Município recém criado ia do rio Ivaí ao Piquiri e do Muquilão ao Paraná, sem nenhuma estrada mais do que a péssima que nos ligava a Pitanga. Não tínhamos escola nem atendimento sanitário, recém criado não tínhamos nem verba, só boa vontade e dedicação dos companheiros ajudavam resolver a situação. Diversas vezes tivemos que recorrer ao Governador Lupion, que sempre com a maior boa vontade nos ajudou no caminho para o progresso.
Da união e do esforço daqueles bravos companheiros quero citar dois fatos:
Primeiro, quando informado da existência de um motor a diesel, encostado em São Mateus, fui pedir ao Governador esse motor, para instalarmos luz na sede, fiquei surpreso com a resposta:
- Não Prefeito, aquele motor não serve para vocês ‑ pensou um pouco e continuou ‑ estou informado que perto da sede tem um salto capaz de produzir força suficiente para instalação de uma Usina Hidroelétrica, eu vou mandar verificar.
- Mas isto é uma obra muito demorada Governador, ‑ respondi - nós pretendíamos ter energia elétrica logo.
- Com esse motor, disse o Governador, vocês terão grandes despesas e precisariam de um mecânico especializado permanente, e não tem estrada para garantir o transporte de óleo e se o salto for o que pensamos, dentro de um ano eu garanto a energia, nem que seja provisória.
Diante dessa afirmação voltei sem o motor, os companheiros, a princípio, acharam que eu tinha dormido no ponto.
Passado algum tempo chegava à Prefeitura o Dr. Javorski com uma carta do Governador pedindo que déssemos assistência necessária a ele, para fazer o serviço.No mesmo dia instalei‑o na margem do salto com tudo o que havia pedido.
Trinta dias depois, ele (Dr. Javorski) mandou levantar o acampamento e seguiu para Curitiba. Ao despedirmo‑nos perguntei‑lhe o resultado e ele respondeu: “ótimo, melhor do que nós esperávamos”.
Decorrido algum tempo, chegava na Prefeitura outro Engenheiro (Dr. Guy), com carta do Governador pedindo para darmos assistência, pois ele vinha fazer uma revisão dos estudos e, dias depois foi embora, ou seja, quando foi embora, perguntado sobre o resultado, disse que o Dr. Javorski tinha sido bastante moderado na sua avaliação. Passado alguns dias recebemos um rádio que marcava a data do lançamento da pedra fundamental da Usina. Os companheiros reunidos, perguntávamos, como vamos levar o Governador até o salto?  A cavalo? Então foi mandado avisar aos que não tinham estado presentes, que no dia seguinte, todo cidadão útil, deveria estar na encruzilhada da estrada de Pitanga, com a fazenda Santa Maria, quem tinha carroça que a levasse e outros que não tivessem carroças, que levassem as ferramentas que pudessem e tivessem, no ponto indicado e assim, em três dias estava a estrada pronta até o salto.
Para esse trabalho não faltou ninguém, Prefeito, dentista, farmacêutico, comerciantes, sitiantes, todos deram sua valiosa colaboração.
Assim Moysés Lupion e a comitiva pode ir de automóvel, por ótima estrada, fazer o lançamento da pedra fundamental da Usina. Depois das solenidades, durante almoço que foi lá mesmo, o Governador conversando comigo, disse: “com gente como essa é um prazer ajudar”.
Foi uma obra para a qual todos contribuíram, vindo de rincões distantes há quase um dia a cavalo, para dar um dia de serviço.
Segundo: vindo a Campo Mourão, o Brigadeiro Geraldo de Aquino, que também pretendia ter aqui um pedaço de terra. Nas conversas mantidas com ele [Brig. Aquino], nasceu a idéia de um campo de aviação, que eles ajudariam para que fosse incluído na rota do Correio Aéreo Nacional. Ficando assim tudo combinado e, logo que estivesse pronto, deveríamos avisar que ele, Brigadeiro Aquino, viria inaugurar.
Como sempre, o punhado de companheiros, tomando a iniciativa mandou avisar a todos, inclusive pelo Inspetor de Quarteirão municipal, marcando o dia para o início. Outros trataram de arrumar alimentação, ferramentas e acomodações... em três dias e meio de serviço, que responderam quatrocentos homens num dia, ficou o campo de aviação pronto e foi inaugurado pelo Brigadeiro Aquino.
Meses depois correu a notícia de uma reforma judiciária no Estado, segui para Curitiba para pleitear também a nossa Comarca. Apenas comecei a conversar com o Governador Moysés Lupion, dispondo nosso ponto de vista, quando ele fez um sinal com a mão e eu parei de falar, e ele disse: “na reforma judiciária pretendida, já está incluído Campo Mourão, pode voltar e dizer aos nossos companheiros que é um ato de justiça e que Campo Mourão será Comarca quando for aprovada a reforma judiciária”. Assim, dentro em breve, um fato inédito até então na história da criação dos Municípios. Município de um ano e, dentro de um ano, Comarca Judiciária.
Da boa vontade do Governador Lupion para com o nosso Município, ninguém tem dúvida, era um homem que olhava pelos Municípios do interior com todo o carinho, principalmente os Municípios do Norte, a quem devemos tudo o que fomos no princípio.
Dos bravos companheiros que tanto nos ajudaram, eu sinto a falta dos que já partiram para o além: Francisco Albuquerque, Antonio Teodoro de Oliveira, Devete de Paula Xavier, José Antonio dos Santos, Zaleski, Guadaniuk, Scharan, Narciso Simão e Daniel Portela, que hoje não podem estar ao nosso lado, para receberem o culto de homenagem prestada pelos seus trabalhos.
Campo Mourão foi feliz, criado com tão boa vontade, teve a sorte de ter em todas as suas administrações homens cheios de dedicação que tudo fizeram para que alcançasse essa grandeza em que hoje se encontra.
Da união de nossos companheiros e o apoio ao seu Prefeito, o que fazia sentir o governo a força de seus pedidos, resultou conseguirmos os principais fatores do nosso progresso.
Não terminei o meu mandato. Numa sexta‑feira de agosto de 1950, recebi um rádio do Chefe da Casa Militar do Governador, dizendo que ele me esperava no dia seguinte, sem falta. Respondi que ia providenciar um avião e estaria presente. Pedi um teco‑teco da BOA e, no dia seguinte, ao meio‑dia, chegava em minha casa em Curitiba e minha filha, ao me receber disse, que já tinham telefonado, por três vezes do Palácio perguntando se eu já havia chegado, então disse a ela que me visse uma roupa e um cafezinho, que eu iria em seguida, mas enquanto isso acontecia, o telefone bateu e eu atendi, era o Cel. Crespo, ele disse que estavam ansiosos pela minha presença, pois estava na hora do Governador ir para sua residência tomar remédios a que estava habituado, e perguntou‑me se eu tinha condução, como eu disse que não, ele me respondeu que ia mandar um carro me buscar.
Ao chegar no Palácio me surpreendi ao ver o Cel. Crespo me esperando no topo da escada e mais ainda, quando atravessamos a ante‑sala do Gabinete, a presença de todos os Secretários de Estado e diversos Deputados, aos quais o Cel. Crespo deu um sinal para que seguissem ao Gabinete. Recebido pelo Governador Lupion que me abraçou e dirigiu‑se a todos os presentes dizendo: “apresento a todos os meus amigos e auxiliares, o meu novo Diretor do Departamento das Municipalidades”. Eu quase caí! Governador, disse, não é possível, eu não aceito, esse cargo é um cargo técnico, é um cargo para um Engenheiro e, além do mais eu ainda tenho um ano e cinco meses de Prefeitura em Campo Mourão. Ele me respondeu, por parte:
Campo Mourão já é uma criança que anda com passos firmes, para um caminho de progresso e independência. Fiz tudo que vocês pediram, mas agora são trinta e dois Municípios do Estado que pedem a sua colaboração, precisam de um homem capaz de fazer cumprir os 32 compromissos que eu tenho com os Municípios do interior e só o amigo, um homem de capacidade como você, poderá realizar, quanto aos técnicos, aquele que você precisar requisita e eu colocarei à sua disposição.
Não teve outro jeito, ele virou‑se para o Secretário de Governo e disse “... leia o termo de posse de nosso Diretor”. Lido o termo, foi levado o livro para o Governador assinar, que passou‑me para eu também assinar. Assinei com o coração gelado. Depois disso voltei a Campo Mourão para transferir ao Presidente da Câmara o cargo de Prefeito, aí terminou, definitivamente, o meu mandato. Voltando para Curitiba assumi o cargo de Diretor do Departamento dos Municípios e, graças a Deus, conseguimos cumprir aquilo que o Governador tanto desejava. Campo Mourão contribuiu assim, perdendo o seu Prefeito, para que o Governador pudesse fazer cumprir, em 32 Municípios, as obras importantes que ele havia prometido e, dentre essas, eu consegui que fosse incluída a ponte do rio Ivaí, ficou contrato assinado com a Deloma Ltda. para construção mas, com a passagem do governo para Bento Munhoz da Rocha, esse mandou rescindir aquele contrato, e mandou também parar as obras da Usina Hidroelétrica de Campo Mourão. Tivemos que esperar cinco anos, sofrendo com as dificuldades daquela balsa, até que o novo governo, Moysés Lupion, mandou construir a ponte que havia prometido, é essa que aí está até hoje.
Estou me alongando demais, mas já vou terminar. Desde que vim para Campo Mourão, vivi em toda região sozinho, quero dizer, sem familiares, porque a minha esposa, muito doente, vivia debaixo de assistência médica diária e não podia sair de Curitiba, então minha família ficou lá. Acontece que recebido com afeição e carinho por todos, dentro em pouco eu tinha duas continuações do meu lar, em Campo Mourão com a família de Francisco Albuquerque e, em Peabiru, com a família de Narciso Simão, o compadre Narciso de todos. Mais tarde, também a casa de Renato de Mello, todos esses amigos tinham filhas meninas, já algumas se faziam mocinhas e todas me tratavam como se fosse um tio e, em compensação eu as tratava e as queria como se fossem minhas próprias filhas, pela atenção e carinho que me dispensavam e, por obra do destino, ou simples coincidência, hoje a primeira dama de nosso Município é uma das meninas daquele tempo, Samira, a filha de Narciso Simão e esposa do nosso Prefeito Augustinho Vecchi.
A todos os que me ouvem... o meu muito obrigado pela atenção”.  (palmas... muitas palmas) - Finalizou Pedro Viriato de Souza Filho, um exemplo de abnegação e amor por Campo Mourão.


Pedro Viriato de Souza Filho
Breve Biografia do primeiro prefeito de Campo Mourão



Pedro Viriato de Souza Filho, nasceu em Curitiba, dia 13  de dezembro de 1901. Filho de Pedro Viriato de Souza e Helena Parigot de Souza.
Casou-se por duas vezes; a primeira com Cecília Wilhelm com quem teve seis filhos: Cecília, Arlette, Pedro Viriato, Almir, Júlio Jacques e Rachel e, na segunda, com Raquel Sun, com quem teve dois filhos: Jorge Rômulo e Hugo.
Formado em Perito Contador (Guarda Livro), começou a trabalhar em 1918 no cargo de 3° Oficial da Procuradoria da Fazenda e, efetivado, como datilógrafo, em 1921. 
Foi promovido por várias vezes. Ocupou importantes cargos no Governo do Estado, entre os quais: Diretor do Departamento de Imprensa Oficial do Estado e Diretor do Departamento de Assistência Técnica aos Municípios do Paraná.
 
Pedro Viriato de Souza Filho na Revolução de 30

Na investidura de cidadão, participou, no campo de batalha,  da Revolução de 1930, quando foi citado por "ato de bravura". Lutou sob a liderança de Getulio Dorneles Vargas.
Morou em Curitiba até 1943, quando mudou-se a Campo Mourão, onde foi cafeicultor e safrista de suínos, a exemplo dos poucos pioneiros do seu tempo. Participou ativa e diretamente do movimento emancipatório do então distrito pertencente a Pitanga, e logrou êxito na difícil iniciativa que, a princípio teve apoio de Francisco Ferreira Albuquerque (Tio Chico) e Antonio Teodoro de Oliveira (seu Antoninho).
Depois de obter a palavra do governador, a favor da instalação do Município de Campo Mourão, com apoio unanime das lideranças políticas locais, aliadas ao PSD, foi candidato único, por consenso, e eleito prefeito, com 230 votos, no memorável dia 22 de novembro de 1947.
Em 20 de abril de 1950 transmitiu seu cargo ao presidente da Câmara de Vereadores, Devete de Paula Xavier, por ter aceito convite do governador Moysés Lupion, que o nomeou diretor do Departamento de Assistência aos Municípios do Paraná.


 
No centro, a anfitriã Adalbrair Albuquerque

Mais tarde fixou residência em Goioerê, com fazenda de gado e café e outras culturas menores. 
Foi homenageado dia 2 de Setembro de 1978, durante festejos da Independência do Brasil quando pronunciou seu histórico discurso sobre o movimento separatista de Campo Mourão. 
Em 1970, voltou a morar em Curitiba, onde faleceu em 11 de abril de 1980.
Mais conhecido na região e no Estado, por "Pedro Parigot" tem, discretamente, seu importante nome em uma rua modesta do Jardim Aeroporto, em  Campo Mourão - PR.


 
Prefeito Pedro Viriato de Souza Filho - 1948
Frente a Prefeitura/Escola de Campo Mourão - PR