18/07/2017

Primeiro Juri em Campo Mourão




1951 dia 2 de Abril

Nesta data, o Fórum da Comarca de Campo Mourão realizou seu primeiro juri. Localizava-se em um casarão de madeiras, alugado pelo Estado, coberto de telhas, com vidraças, na av. Irmãos Pereira, entre as ruas Araruna e Francisco Albuquerque.
Juiz de Direito: Dr. Sinval Reis (substituto).
Promotor Público: Dr. Luiz Renato Pedroso.
Escrivão do Crime: Ville Bathke.
Advogados: Dr. Homero Cavalcanti e Dr. Altevir Alves Ribeiro.
Réu: Ezequiel Francisco Dutra.
Jurados: Eduardo Michicoski, Jamil de Oliveira Jacob, Guilherme Normann, Nelson Amaral,  Miguel Scharan, Egydio Genero e Domingos Maciel Ribas.
O sorteio dos sete Jurados foi feito pelo “menor” Wille Bathke Jr, de 11 anos de idade, e o réu foi absolvido.

17/07/2017

Independência de Campo Mourão por Pedro Viriato


Pedro Viriato de Souza Filho homenageado 31 anos depois
 
Pedro Viriato e Augustinho Vecchi

Dia  2 de setembro de 1978, 31º Ano da Emancipação de Campo Mourão, esteve presente nas comemorações da Semana da Pátria, a convite do prefeito Augustinho Vecchi, o primeiro prefeito eleito de Campo Mourão, Pedro Viriato de Souza Filho que, na ocasião, foi homenageado, juntamente com outros ex-prefeitos que o sucederam. Ao fazer uso da palavra, no palanque oficial, na Av. Índio Bandeira, esquina com a Rua Brasil, perante mais de 3 mil pessoas, visivelmente emocionado, Pedro Viriato agradeceu a recepção e fez um relato histórico, detalhado, sobre o mais importante episódio da História de Campo Mourão: a sua emancipação. 
Com a palavra, sua excelência, o primeiro prefeito de Campo Mourão: Pedro Viriato de Souza Filho.


 
Primeiro Prefeito de Campo Mourão

-- ”Vocês sabem que sempre fui um homem emotivo e, a solenidade que hoje se realiza, toca profundamente o meu coração. Não sei se poderei dizer a todos, aquilo que eu tanto desejo.
Voltando a 30 anos passados, para dizer melhor, ao dia em que Francisco Albuquerque, seguido por Antonio Teodoro de Oliveira, chegou ao meu rancho, na costa do rio da Vargem, levando a notícia de que o Estado passava por uma reforma administrativa e, com isso, criando diversos novos Municípios. A finalidade, no entanto, não era só darem a notícia, mas apelarem para que eu fosse tentar a criação do Município de Campo Mourão, alegando que eu era curitibano e que tinha boas relações de amizade na Capital e, portanto, era o mais indicado da turma, para tal reivindicação. Éramos um punhadinho de companheiros, dentre os que viviam ao redor da atual sede, tendo como ponto de reunião a casa e armazém de Francisco Albuquerque, na margem do rio (do Campo).
A empreitada era bastante dura, pois em volta da atual praça existiam quatro casas velhas, mais a escola e a igreja, em fase de construção. O esforço e a força de vontade da turma, mais o apelo de Francisco Albuquerque e Antonio Teodoro, que me receberam e me ajudaram a arranjar uma boa colocação, quando aqui cheguei, me fizeram seguir para Curitiba, onde tomei conhecimento de que o projeto já tinha passado em primeira discussão na Assembléia Legislativa. Não havia tempo a perder e, assim, na manhã seguinte fui diretamente ao Palácio e tive a sorte de conseguir uma audiência imediata com o Governador Moysés Lupion que eu conhecia, mas com quem não tinha intimidade. Conversamos sobre o assunto e ele achando que ainda não tínhamos possibilidades e eu garantindo o contrário, expondo que diariamente entravam mudanças que iam se internando no sertão, com famílias a pé, puxando cargueiros com as coisas mais necessárias, levando cabritos para garantir o leite para seus filhos, outros, já melhorados, montados à cavalo, puxando diversos cargueiros e até algumas reses e outros já em carroças com toldos, que traziam até sementes para a primeira plantação. Que a distância de Campo Mourão‑Pitanga era muito grande para se tratar de qualquer ato administrativo ou judiciário, e que o Município (Pitanga), não dava nenhuma atenção ao Distrito (Campo Mourão), ao ponto dos próprios moradores terem que atender a cerca do cemitério para que os animais não mexessem nos defuntos. De repente um cidadão que havia entrado, sem que eu notasse, disse ao Governador: “o que esse homem pede é impossível, só daqui uns dez ou quinze anos pode‑se pensar nisso”. Levantei como picado por uma cobra e respondi com violência, perguntando‑lhe se conhecia Campo Mourão, ou achava que eu estava mentindo, e fui mais grosseiro um pouco, o que valeu‑me uma repreensão do Governador, dizendo‑me que se tratava de um Secretário de Estado, afinal este se retirou e continuamos a conversa sobre o assunto, até que o Governador fez‑me umas perguntas:
- Você veio com o apoio total dos seus companheiros?
- Sim Senhor, respondi‑lhe.
- Eles confiam em você e você neles?
- Sim Senhor.
- Se você for candidato a Prefeito, tem possibilidade de se eleger?
-Absoluta, mas desejo que seja Francisco Albuquerque, é paranaense como eu, mais antigo em Campo Mourão, comerciante e tem inúmeros amigos e compadres.
- Quem está pedindo e garantindo as possibilidades é você, disse o Governador, portanto se você for o candidato vamos pensar nisso.
- Governador, o Senhor pode fazer o favor de mandar parar o projeto por uns dois dias e me dá esse prazo para resposta?
Ele concedeu. Nessa tarde me virei atrás de um teco‑teco que consegui com a BOA, para o dia seguinte cedo e passei um rádio por intermédio do Palácio, para Peabiru, avisando minha ida. Chegando a Campo Mourão, os companheiros aflitos já esperavam em volta de Francisco Albuquerque, dei‑lhes detalhadamente o acontecido e todos acharam que eu já devia ter resolvido.
Voltei em seguida, trazendo comigo Francisco Albuquerque que apresentei ao Governador como nosso líder, dizendo‑lhe que a turma havia ficado na maior satisfação e que os representantes da UDN e do PR, declararam que não apresentariam candidatos, estabelecendo assim, candidatura única.
Assim ficou resolvida a criação do Município. Criado o Município, para os efeitos legais, foi nomeado Prefeito, por nossa indicação, José Antonio dos Santos, que se limitou a aguardar a eleição e posse do Prefeito eleito, para cuja posse veio para nossa cidade o então juiz de direito de Londrina, falecido Desembargador Antonio Franco Ferreira da Costa.
Tivemos em seguida, grandes dificuldades, o Município recém criado ia do rio Ivaí ao Piquiri e do Muquilão ao Paraná, sem nenhuma estrada mais do que a péssima que nos ligava a Pitanga. Não tínhamos escola nem atendimento sanitário, recém criado não tínhamos nem verba, só boa vontade e dedicação dos companheiros ajudavam resolver a situação. Diversas vezes tivemos que recorrer ao Governador Lupion, que sempre com a maior boa vontade nos ajudou no caminho para o progresso.
Da união e do esforço daqueles bravos companheiros quero citar dois fatos:
Primeiro, quando informado da existência de um motor a diesel, encostado em São Mateus, fui pedir ao Governador esse motor, para instalarmos luz na sede, fiquei surpreso com a resposta:
- Não Prefeito, aquele motor não serve para vocês ‑ pensou um pouco e continuou ‑ estou informado que perto da sede tem um salto capaz de produzir força suficiente para instalação de uma Usina Hidroelétrica, eu vou mandar verificar.
- Mas isto é uma obra muito demorada Governador, ‑ respondi - nós pretendíamos ter energia elétrica logo.
- Com esse motor, disse o Governador, vocês terão grandes despesas e precisariam de um mecânico especializado permanente, e não tem estrada para garantir o transporte de óleo e se o salto for o que pensamos, dentro de um ano eu garanto a energia, nem que seja provisória.
Diante dessa afirmação voltei sem o motor, os companheiros, a princípio, acharam que eu tinha dormido no ponto.
Passado algum tempo chegava à Prefeitura o Dr. Javorski com uma carta do Governador pedindo que déssemos assistência necessária a ele, para fazer o serviço.No mesmo dia instalei‑o na margem do salto com tudo o que havia pedido.
Trinta dias depois, ele (Dr. Javorski) mandou levantar o acampamento e seguiu para Curitiba. Ao despedirmo‑nos perguntei‑lhe o resultado e ele respondeu: “ótimo, melhor do que nós esperávamos”.
Decorrido algum tempo, chegava na Prefeitura outro Engenheiro (Dr. Guy), com carta do Governador pedindo para darmos assistência, pois ele vinha fazer uma revisão dos estudos e, dias depois foi embora, ou seja, quando foi embora, perguntado sobre o resultado, disse que o Dr. Javorski tinha sido bastante moderado na sua avaliação. Passado alguns dias recebemos um rádio que marcava a data do lançamento da pedra fundamental da Usina. Os companheiros reunidos, perguntávamos, como vamos levar o Governador até o salto?  A cavalo? Então foi mandado avisar aos que não tinham estado presentes, que no dia seguinte, todo cidadão útil, deveria estar na encruzilhada da estrada de Pitanga, com a fazenda Santa Maria, quem tinha carroça que a levasse e outros que não tivessem carroças, que levassem as ferramentas que pudessem e tivessem, no ponto indicado e assim, em três dias estava a estrada pronta até o salto.
Para esse trabalho não faltou ninguém, Prefeito, dentista, farmacêutico, comerciantes, sitiantes, todos deram sua valiosa colaboração.
Assim Moysés Lupion e a comitiva pode ir de automóvel, por ótima estrada, fazer o lançamento da pedra fundamental da Usina. Depois das solenidades, durante almoço que foi lá mesmo, o Governador conversando comigo, disse: “com gente como essa é um prazer ajudar”.
Foi uma obra para a qual todos contribuíram, vindo de rincões distantes há quase um dia a cavalo, para dar um dia de serviço.
Segundo: vindo a Campo Mourão, o Brigadeiro Geraldo de Aquino, que também pretendia ter aqui um pedaço de terra. Nas conversas mantidas com ele [Brig. Aquino], nasceu a idéia de um campo de aviação, que eles ajudariam para que fosse incluído na rota do Correio Aéreo Nacional. Ficando assim tudo combinado e, logo que estivesse pronto, deveríamos avisar que ele, Brigadeiro Aquino, viria inaugurar.
Como sempre, o punhado de companheiros, tomando a iniciativa mandou avisar a todos, inclusive pelo Inspetor de Quarteirão municipal, marcando o dia para o início. Outros trataram de arrumar alimentação, ferramentas e acomodações... em três dias e meio de serviço, que responderam quatrocentos homens num dia, ficou o campo de aviação pronto e foi inaugurado pelo Brigadeiro Aquino.
Meses depois correu a notícia de uma reforma judiciária no Estado, segui para Curitiba para pleitear também a nossa Comarca. Apenas comecei a conversar com o Governador Moysés Lupion, dispondo nosso ponto de vista, quando ele fez um sinal com a mão e eu parei de falar, e ele disse: “na reforma judiciária pretendida, já está incluído Campo Mourão, pode voltar e dizer aos nossos companheiros que é um ato de justiça e que Campo Mourão será Comarca quando for aprovada a reforma judiciária”. Assim, dentro em breve, um fato inédito até então na história da criação dos Municípios. Município de um ano e, dentro de um ano, Comarca Judiciária.
Da boa vontade do Governador Lupion para com o nosso Município, ninguém tem dúvida, era um homem que olhava pelos Municípios do interior com todo o carinho, principalmente os Municípios do Norte, a quem devemos tudo o que fomos no princípio.
Dos bravos companheiros que tanto nos ajudaram, eu sinto a falta dos que já partiram para o além: Francisco Albuquerque, Antonio Teodoro de Oliveira, Devete de Paula Xavier, José Antonio dos Santos, Zaleski, Guadaniuk, Scharan, Narciso Simão e Daniel Portela, que hoje não podem estar ao nosso lado, para receberem o culto de homenagem prestada pelos seus trabalhos.
Campo Mourão foi feliz, criado com tão boa vontade, teve a sorte de ter em todas as suas administrações homens cheios de dedicação que tudo fizeram para que alcançasse essa grandeza em que hoje se encontra.
Da união de nossos companheiros e o apoio ao seu Prefeito, o que fazia sentir o governo a força de seus pedidos, resultou conseguirmos os principais fatores do nosso progresso.
Não terminei o meu mandato. Numa sexta‑feira de agosto de 1950, recebi um rádio do Chefe da Casa Militar do Governador, dizendo que ele me esperava no dia seguinte, sem falta. Respondi que ia providenciar um avião e estaria presente. Pedi um teco‑teco da BOA e, no dia seguinte, ao meio‑dia, chegava em minha casa em Curitiba e minha filha, ao me receber disse, que já tinham telefonado, por três vezes do Palácio perguntando se eu já havia chegado, então disse a ela que me visse uma roupa e um cafezinho, que eu iria em seguida, mas enquanto isso acontecia, o telefone bateu e eu atendi, era o Cel. Crespo, ele disse que estavam ansiosos pela minha presença, pois estava na hora do Governador ir para sua residência tomar remédios a que estava habituado, e perguntou‑me se eu tinha condução, como eu disse que não, ele me respondeu que ia mandar um carro me buscar.
Ao chegar no Palácio me surpreendi ao ver o Cel. Crespo me esperando no topo da escada e mais ainda, quando atravessamos a ante‑sala do Gabinete, a presença de todos os Secretários de Estado e diversos Deputados, aos quais o Cel. Crespo deu um sinal para que seguissem ao Gabinete. Recebido pelo Governador Lupion que me abraçou e dirigiu‑se a todos os presentes dizendo: “apresento a todos os meus amigos e auxiliares, o meu novo Diretor do Departamento das Municipalidades”. Eu quase caí! Governador, disse, não é possível, eu não aceito, esse cargo é um cargo técnico, é um cargo para um Engenheiro e, além do mais eu ainda tenho um ano e cinco meses de Prefeitura em Campo Mourão. Ele me respondeu, por parte:
Campo Mourão já é uma criança que anda com passos firmes, para um caminho de progresso e independência. Fiz tudo que vocês pediram, mas agora são trinta e dois Municípios do Estado que pedem a sua colaboração, precisam de um homem capaz de fazer cumprir os 32 compromissos que eu tenho com os Municípios do interior e só o amigo, um homem de capacidade como você, poderá realizar, quanto aos técnicos, aquele que você precisar requisita e eu colocarei à sua disposição.
Não teve outro jeito, ele virou‑se para o Secretário de Governo e disse “... leia o termo de posse de nosso Diretor”. Lido o termo, foi levado o livro para o Governador assinar, que passou‑me para eu também assinar. Assinei com o coração gelado. Depois disso voltei a Campo Mourão para transferir ao Presidente da Câmara o cargo de Prefeito, aí terminou, definitivamente, o meu mandato. Voltando para Curitiba assumi o cargo de Diretor do Departamento dos Municípios e, graças a Deus, conseguimos cumprir aquilo que o Governador tanto desejava. Campo Mourão contribuiu assim, perdendo o seu Prefeito, para que o Governador pudesse fazer cumprir, em 32 Municípios, as obras importantes que ele havia prometido e, dentre essas, eu consegui que fosse incluída a ponte do rio Ivaí, ficou contrato assinado com a Deloma Ltda. para construção mas, com a passagem do governo para Bento Munhoz da Rocha, esse mandou rescindir aquele contrato, e mandou também parar as obras da Usina Hidroelétrica de Campo Mourão. Tivemos que esperar cinco anos, sofrendo com as dificuldades daquela balsa, até que o novo governo, Moysés Lupion, mandou construir a ponte que havia prometido, é essa que aí está até hoje.
Estou me alongando demais, mas já vou terminar. Desde que vim para Campo Mourão, vivi em toda região sozinho, quero dizer, sem familiares, porque a minha esposa, muito doente, vivia debaixo de assistência médica diária e não podia sair de Curitiba, então minha família ficou lá. Acontece que recebido com afeição e carinho por todos, dentro em pouco eu tinha duas continuações do meu lar, em Campo Mourão com a família de Francisco Albuquerque e, em Peabiru, com a família de Narciso Simão, o compadre Narciso de todos. Mais tarde, também a casa de Renato de Mello, todos esses amigos tinham filhas meninas, já algumas se faziam mocinhas e todas me tratavam como se fosse um tio e, em compensação eu as tratava e as queria como se fossem minhas próprias filhas, pela atenção e carinho que me dispensavam e, por obra do destino, ou simples coincidência, hoje a primeira dama de nosso Município é uma das meninas daquele tempo, Samira, a filha de Narciso Simão e esposa do nosso Prefeito Augustinho Vecchi.
A todos os que me ouvem... o meu muito obrigado pela atenção”.  (palmas... muitas palmas) - Finalizou Pedro Viriato de Souza Filho, um exemplo de abnegação e amor por Campo Mourão.


Pedro Viriato de Souza Filho
Breve Biografia do primeiro prefeito de Campo Mourão



Pedro Viriato de Souza Filho, nasceu em Curitiba, dia 13  de dezembro de 1901. Filho de Pedro Viriato de Souza e Helena Parigot de Souza.
Casou-se por duas vezes; a primeira com Cecília Wilhelm com quem teve seis filhos: Cecília, Arlette, Pedro Viriato, Almir, Júlio Jacques e Rachel e, na segunda, com Raquel Sun, com quem teve dois filhos: Jorge Rômulo e Hugo.
Formado em Perito Contador (Guarda Livro), começou a trabalhar em 1918 no cargo de 3° Oficial da Procuradoria da Fazenda e, efetivado, como datilógrafo, em 1921. 
Foi promovido por várias vezes. Ocupou importantes cargos no Governo do Estado, entre os quais: Diretor do Departamento de Imprensa Oficial do Estado e Diretor do Departamento de Assistência Técnica aos Municípios do Paraná.
 
Pedro Viriato de Souza Filho na Revolução de 30

Na investidura de cidadão, participou, no campo de batalha,  da Revolução de 1930, quando foi citado por "ato de bravura". Lutou sob a liderança de Getulio Dorneles Vargas.
Morou em Curitiba até 1943, quando mudou-se a Campo Mourão, onde foi cafeicultor e safrista de suínos, a exemplo dos poucos pioneiros do seu tempo. Participou ativa e diretamente do movimento emancipatório do então distrito pertencente a Pitanga, e logrou êxito na difícil iniciativa que, a princípio teve apoio de Francisco Ferreira Albuquerque (Tio Chico) e Antonio Teodoro de Oliveira (seu Antoninho).
Depois de obter a palavra do governador, a favor da instalação do Município de Campo Mourão, com apoio unanime das lideranças políticas locais, aliadas ao PSD, foi candidato único, por consenso, e eleito prefeito, com 230 votos, no memorável dia 22 de novembro de 1947.
Em 20 de abril de 1950 transmitiu seu cargo ao presidente da Câmara de Vereadores, Devete de Paula Xavier, por ter aceito convite do governador Moysés Lupion, que o nomeou diretor do Departamento de Assistência aos Municípios do Paraná.


 
No centro, a anfitriã Adalbrair Albuquerque

Mais tarde fixou residência em Goioerê, com fazenda de gado e café e outras culturas menores. 
Foi homenageado dia 2 de Setembro de 1978, durante festejos da Independência do Brasil quando pronunciou seu histórico discurso sobre o movimento separatista de Campo Mourão. 
Em 1970, voltou a morar em Curitiba, onde faleceu em 11 de abril de 1980.
Mais conhecido na região e no Estado, por "Pedro Parigot" tem, discretamente, seu importante nome em uma rua modesta do Jardim Aeroporto, em  Campo Mourão - PR.


 
Prefeito Pedro Viriato de Souza Filho - 1948
Frente a Prefeitura/Escola de Campo Mourão - PR


Porfirio em Campo Mourão - Juiz e Vereador

 
 Porfírio Querino Pereira

Nasceu em 1879. Casou com Felicidade Maria da Conceição e tiveram três filhos. Com a família, deixou Guarapuava – PR e fixou residência na região da Vila Guarujá, à margem esquerda da estrada Campo Mourão/Roncador (BR-158), dia 22 de junho de 1936, com 57 anos de idade.
Na comarca guarapuavana foi Delegado de Polícia por 12 anos e, em Campo Mourão, foi nomeado Juiz de Paz Distrital pelo Município de Pitanga – PR, cargo que exerceu por cerca de 10 anos, até a instalação do município e da comarca mourãoense.
Em 1947 integrou o movimento pró-desmembramento de Campo Mourão e entrou na luta pela elevação à categoria de município, desmembrado de Pitanga. 
Concorreu ao cargo de vereador pelo Partido Social Democrático (PSD) e, dia 2 de janeiro de 1948, assumiu sua função. 
Participou ativamente dos trabalhos da primeira legislatura mourãoense e, na Casa de Leis, foi membro da Comissão de Legislação, Justiça, Higiene, Assistência Social, Educação e Cultura, presidida por Devete de Paula Xavier, tendo  como par o edil Joaquim Teodoro de Oliveira.
Falecimento - O pioneiro sessentão, sempre servil, bem vestido e incansável nas suas longas caminhadas – conhecido como ‘o homem do guarda-chuva’ – faleceu dia 22 de outubro de 1970, aos 91 anos de idade e está sepultado em Campo Mourão. 

Crianças e a História de Campo Mourão


Antes de tudo...
Essa terra era dos índios da Nação Guarani.
Chegaram os portugueses e espanhóis e dividiram essa terra pelo Tratado de Tordesilhas.
A região de Campo Mourão ficou para os espanhóis, na Província Del Guairá.
Logo em seguida vieram os jesuítas a fim de catequizar os índios da região.
Mas os bandeirantes portugueses, temendo a expansão do território espanhol, vieram pelos caminhos e trilhas nativas do Pe abe y'u e pelos rios Paranapanema, Ivaí, Tibagi e Piquiri, e expulsaram os jesuítas, os espanhóis e os índios da região.
Mais de um século depois, um homem chamado Dom Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, Governador da Província de Piratininga (hoje Estado de São Paulo), enviou um grupo de expedicionários para vasculhar a região.
Esses homens cruzaram rios, atravessaram matas, e quando avistaram a nossa região se encantaram com o cerrado no descampado entre o rio do Campo e o ribeirão 119.
Esse espigão tinha uma vegetação rala, de troncos retorcidos e de cascas grossas, muito diferente das enormes árvores das florestas ao seu redor.
Resolveram chamar essa região aberta de “Campos do Mourão”, que mais tarde passou a se chamar Campo do Mourão e, após a emancipação do município: Campo Mourão. Esses campos foram, por muitos anos, local de descanso dos tropeiros, que traziam gado do Mato Grosso para engorda no Paraná.
No final do século XIX, um grupo de guarapuavanos chegou à esta região. Vieram criar gado nas pastagens naturais dos “Campos do Mourão”. Desse grupo, somente Jorge Walter, o Russo, regressou e se fixou em Campo Mourão, mais tarde seguido por Guilherme de Paula Xavier e pouco depois pelas famílias do paulista Jozé Luis Pereira e a de José Custódio de Oliveira.
No início do século XX, em 1903, chegaram as primeiras famílias, entre elas, os Pereira, com a intenção de morar nessa terra.
Naquela época não tinha energia elétrica. Os ranchos eram iluminados por lampiões e candeias, e a água retirada de minas e poços.
Três anos depois foi aberto um caminho entre Pitanga e Campo Mourão que ficou conhecido como “Picadão”, e em 1911, foi iniciada a abertura de uma outra estrada para trazer o gado de Mato Grosso... a conhecida Estrada Boiadeira.
Trinta e pouco anos depois, incentivadas pelo governador do Paraná, que queria colonizar o interior do Estado, mais e mais famílias chegaram na região de Campo Mourão, e trouxeram juntos, seus costumes e tradições.
Nessa época, o território de Campo Mourão pertencia ao município de Guarapuava, e foi nesse período que a cidade começou a ser formada. Era, ainda, um pequeno povoado com alguns moradores, na região do Jardim Santa Cruz, aberta pelos Pereira.
Centrados no desenvolvimento da cidade e nas famílias que chegavam, os engenheiros escolheram um lugar entre o rio do Campo e o rio Km 119, e traçaram largas ruas e avenidas, onde está hoje o centro da cidade.
No ponto mais alto, construíram a igreja matriz, toda de madeira, e em frente, uma grande praça que reunia muita gente que vinha para as missas e comemorações e, também, para verem os cavalos dispararem pela “Raia dos Porungos”.
Naquela época, a cidade era cercada por florestas.
Tinha muita madeira de lei, boa para construir casas, pontes, barracões, móveis, que fizeram brilhar os olhos dos madeireiros.
Em pouco tempo, Campo Mourão se tornou o maior produtor de madeira da região e o povoado cresceu.
Em 1943, o Distrito de Campo Mourão passou a pertencer ao município de Pitanga.
Mas cresceu tão rápido, que no dia 10 de outubro de 1947, Campo Mourão tornou-se município desmembrado de Pitanga.
Naquela época o território de Campo Mourão ia longe,
das margens do rio Piquiri às margens do rio Ivaí.
Veio tanta gente para cá que, entre 1950 e 1960, a população de Campo Mourão saltou de 32 mil para 142 mil habitantes.
Com tanta gente e tanta terra, logo, os distritos de Peabiru, Goioerê, Fênix, Barbosa Ferraz, Iretama, Roncador, Mamborê, Campina da Lagoa e Ubiratã se desmembraram de Campo Mourão e levaram um tanto de gente e um bom tanto de terra.
Para atender o desenvolvimento de Campo Mourão e região, as águas do rio Mourão e do rio Sem Passo foram represadas na altura do Salto São João e formou um lago, a fim de gerar energia elétrica.
Em 1º de outubro de 1964, a COPEL inaugurou a Usina Hidrelétrica Mourão, que passou a fornecer energia a toda a região.
Nessa mesma época a água tirada dos poços foi substituída pela água encanada captada no rio do Campo, onde está hoje o Parque do Lago.
Com tanto desenvolvimento a produção de madeira começou a diminuir. Já não tinha tantas florestas para serem derrubadas. No lugar das árvores, nessa terra de chão vermelho, as lavouras de café, milho, cana-de-açúcar, feijão e hortelã eram tocadas na base da enxada, arada e muito suor.
Plantava-se também arroz, amendoim, algodão e mandioca, mas as colheitas nem sempre eram das melhores.
As geadas, as formigas saúva, o sapé e as samambaias não davam trégua.
No ramo da indústria, a erva-mate era colhida das campinas para o chimarrão e o chá; a hortelã abastecia os alambiques para produzir óleo de menta, e a cana-de-açúcar  as pequenas fábricas de rapadura e aguardente.
No início da década de 1970 uma grande transformação estava para acontecer: as máquinas chegaram ao campo, fazendo rapidinho e melhor o que os homens demoravam em fazer com a enxada.
Logo, as plantações de trigo, soja e depois, de milho se espalharam pelo campo, iniciando uma nova fase econômica no município.
Porém, sem trabalho, muita gente deixou o campo e foi morar nas cidades à procura de emprego. E foi a partir de então, que quase toda a população de Campo Mourão passou a morar na cidade.
Para acolher toda essa gente a cidade precisou construir muitas casas, escolas, hospitais, postos de saúde, creches, abrigos... Precisaram levar água, energia elétrica, asfalto, ônibus, coleta de lixo e tantas outras coisas para todos os bairros que foram sendo criados.
Apesar de todo o esforço...nem todos ficaram bem alojados. Faltou emprego para muitos e casas para todos morarem. Surgiram as favelas, o desemprego, e as desigualdades aumentaram.
Chegamos no século XXI.
Hoje, somos mais de 87 mil habitantes, mais de 82 mil moram na cidade.
Nesses anos, de muita luta e trabalho, nossos pioneiros se tornaram pés vermelhos e conquistaram muitas coisas que, hoje, nos enchem de orgulho.
Além dos grãos, produzimos alimentos e equipamentos de alta tecnologia. Nossos serviços atendem não só o município como também toda a região.
Somos conhecidos pela Festa Nacional do Carneiro no Buraco, que reúne todos os anos, muitas pessoas de todos os cantos do Brasil.
Nossos estudantes não precisam mais sair da cidade para buscar uma profissão. Na verdade, os cursos que Campo Mourão oferece têm atraído muitos estudantes de outras regiões. Mesmo assim, nem todos têm conquistado seu espaço no mercado de trabalho. Por isso, precisamos planejar nosso futuro e o futuro de nossa cidade com responsabilidade, porque queremos continuar a viver aqui, nessa terra que acolheu nossas famílias. Não queremos ir embora daqui por falta de moradia, saúde, educação, emprego, segurança, cultura e lazer.
Por isso, precisamos mudar atitudes e comportamentos
para corrigirmos o que não está dando certo e valorizarmos o que temos de melhor.
Mas, principalmente, que todos assumam um compromisso coletivo que vise o desenvolvimento do município; concilie crescimento econômico com justiça social e respeito ao meio ambiente para que nós, crianças, possamos viver dignamente em Campo Mourão nos próximos anos.
...
Obs: Texto produzido pela Agenda 21 Local de Campo Mourão, com a participação de estudantes da 3ª série do Ensino Fundamental das Escolas Municipais de Campo Mourão, durante o 2º Desafio da Agenda 21 realizado entre agosto a outubro de 2007. 
Agenda 21 Mirim - 2º Desafio da Agenda 21, 2007

FONTES CONSULTADAS:
BATHKE JR, W. Blog do Wille Bathke Junior. Informações gerais sobre Campo Mourão e à saga das famílias Bathke e Vera Luque. Disponível em: http://wibajucm.blogspot.com.br/
HESPANHOL, N. A. A formação sócio espacial da região de Campo Mourão e dos municípios de Ubiratã, Campina da Lagoa e Nova Cantú-PR. In: BOLETIM DE GEOGRAFIA, Maringá: UEM – Ano 11, no 01, dezembro, 1993.
MAACK, Reinhard. Geografia física do Estado do Paraná. 3. ed. Curitiba: Imprensa Oficial, 2002.
ONOFRE, G.R.; OLIVEIRA, D.R.; SUZUKI, J.C. A formação do espaço mourãoenses: o esquecimento das lutas e a intensificação do capital no campo. In: XIX ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA. São Paulo, 2009. Pp. 1-28

15/07/2017

Primeiras Eleições em Campo Mourão


A 1ª eleição em Campo Mourão, foi realizada em novembro de 1947. Pedro Viriato de Souza Filho (PSD) não teve adversário e se elegeu com 230 votos. 
Com ele foram eleitos os vereadores: Porfírio Quirino Pereira, Devete de Paula Xavier, Joaquim Teodoro de Oliveira, Augusto Mendes dos Santos, Waldemar Roth, Daniel Portela, Waldomiro Cilião de Araújo e Newton Ferreira Albuquerque. 

A 2ª eleição em C.Mourão, aconteceu em 1951, para prefeito (dois candidatos) e vereadores, na rica história de Campo Mourão. Eram apenas 14 urnas e o município já contava com 3.184 eleitores, dos quais 991 não votaram. 
Daniel Portela - Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), com apoio do Partido Republicano (PR) derrotou Alcides Pinheiro de Souza - União Democrática Nacional (UDN) por 1.647 a 436 votos.
Foram eleitos 11 vereadores: Arthur Moreira de Castilho, José Podolan, Laurentino Batista Guimarães, Silvino Lopes de Oliveira, José Pereira Carneiro, Geremias Cilião de Araújo, Dalvino Batista Guimarães, Manoel de Jesus Pereira, Cláudio Silveira Pinto, Aparício Teixeira e Eleutério Galdino de Andrade.

A 3ª eleição em Campo Mourão - foi realizada em 1955 para prefeito e vereadores. A disputa contou com quatro 4 candidatos, com o seguinte resultado:
Roberto Brzezinski, venceu com 2.478 votos.
Eduardo Machado de Lima, com 1.252 votos.
Manoel Jesus Pereira, teve 1.219 votos.
Miguel Balabuch, com  298 votos.
No mesmo pleito foram eleitos 10 vereadores:
Paulo Vinícius Fortes, Januário Pinheiro, Ivo Mário Trombini, Joaquim Teodoro de Oliveira, João Otales Mendes, Nelson Bitencourt Prado, Reginaldo Silva, Arino Borges, Alcides Ferreira e Antonio Marques de Oliveira.

 
O Tempo não para. O Poder se alterna.
Nada é Para Sempre !!




Primeira Lei de Campo Mourão - PR

PREFEITURA MUNICIPAL

DE CAMPO MOURA

LEI No 1

A Camara Municipal de Campo Mourão, decretou e eu, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1.º — A taxa de Alvará de Licença, será lançada na proporção de meio por cento (1/2%) do estoque das firmas, ou casas comerciais, ou do seu Capital.
Par. Único - Esta taxa não poderá ser inferior a trezentos cruzeiros (Cr$ 300,00) e será cobrada anualmente.
Art. 2.o — Revogam-se as disposições em contrario.
Edifício da Prefeitura Municipal,
em 15 de Março de 1948

Pedro Viriato de Souza Filho


Prefeito Municipal

13/07/2017

DOTÔ JUIZ DI PAIZ de Iretama - PR


Lá pelos anos 70 – eu, ainda moleque, trabalhava no bar do Tião Correia - quando testemunhei um fato até interessante na casa do senhor Geraldo Borino. 

À quem não sabe, ele foi Juiz de Paz em Iretama/PR, por muitos anos. Era ele quem resolvia demandas, intermediava casamento. O próprio contava que: “quando os jovens fugiam, o casalzinho corria lá pra minha casa pedir guarida e proteção de medo do sogro”.

Seu Borino também resolvia algumas pendências. Quando, por exemplos: um animal do vizinho destruía a plantação do outro; mulher querendo largar do marido;  agressão familiar; dívidas vencidas... ele intermediava. Todos o acatavam e no final dava tudo certo.

Mas o que me leva a escrever sobre ele, é a fim de que, principalmente os mais jovens, saibam o respeito que todos tinham uns com outros... vizinhos com vizinhos... tipo: quem não ajudava, não atrapalhava !! -Existia, principalmente, um respeito grande com as autoridades, mesmo com um simples juiz de paz. Na investidura de autoridade distrital, seu Borino, era super considerado e respeitado em Iretama.

Agora, com o máximo respeito, data vênia, me permitam narrar aqui, um dialogo que os mais antigos de Iretama – contemporâneos do justo Geraldo Borino, jamais esquecerão e, dentre estes, que tiveram a felicidade de conviver, no seu tempo,  os seus atos de justiça, me incluo eu.
 
Casório com Juiz de Paz vi muitos em Campo Mourão

– Vamos ao dialogo simples, mas verdadeiro:

Uma bela tarde um cidadão, lá das bandas da Água da Anta, bateu palma na frente da casa do senhor Borino. Dona Zélia, esposa do juiz, saiu e atendeu o visitante que lhe indagou:
-       Boa tarde minha senhora... por favor,  o dotô juiz de paiz, tá ??
Dona Zélia, na maior simplicidade, respondeu: 
-       0lha meu senhor. O Gerardo está no sítio, lá na Santa Luzia... ele foi capina um arroz que o mato tá tomano conta. O senhor pode volta amanhã cedo ou esperá ele, que, lá pelas seis (da tarde) vai tá aqui para lhe atende!
-  Muito agradecido, dona. Volto amanhã. Já vai anoitecê e moro longe. Até Amanhã, intão!
-       Até amanhã. Que Deus lhe acompanhe !!

No dia seguinte, seis horas da manhã, o cidadão já estava na frente da casa e, sem maiores delongas, foi prontamente atendido pelo senhor Geraldo Bonino.
O que o cidadão tratou ou pediu eu não sei, porque a oitiva foi na sala de visitas, com porta fechada. Mas da maneira como saiu, sorridente, acredito que o ‘caso’ chegou a bom termo.

SIMPLICIDADE, HUMILDADE, RESPEITO... É O QUE REINAVA NAQUELE TEMPO. HOJE NÃO SE OUVE MAIS UM DIALOGO TÃO A NÍVEL, ASSIM !! 


VB.01-12-15






12/07/2017

Campo Mourão e Yvy marã e'ỹ - Terra Sem Males

 
Terra Sem Males - o Paraíso

Por onde passava o Pe abe y u, o  solo era considerado sagrado pela grande nação Guarani que tinha, na vasta região de Campo Mourão, a sua maior concentração a época da chegada dos jesuítas, que estimaram, a população, em cerca de 250 mil habitantes, no mesopotâmico Vale do Ivaí/Piquiri. Os ameríndios acreditavam que o longo e primitivo caminho levava os seres terrenos, ainda com vida, a Yvy Mara e’y - a Terra Sem Males (paraíso citado na bíblia, destino dos cristãos após a morte).


Paz Total - Segundo narrativas indígenas, neste lugar sagrado não havia guerras, nem fome, nem doença, nem mortos. Este paraíso era alcançado em vida pelos que buscavam Yvy marã e’y, através do Pe abe y u (caminho antigo de ir e voltar). O incentivo aos nativos tribais, em busca da Terra Sem Males, era apregoado, de geração a geração, pelos pajés, mais conhecidos por kara’y entre o povo Guarani. A fé sobre Yvy marã e’y foi um dos principais instrumentos de resistência, utilizado pelos nativos,  ante o ferrenho domínio dos espanhóis e portugueses.

Holocausto - Um fato assustador registrou-se em 1549, quando uma leva humana, calculada em 15.000 ameríndios, partiu da costa brasileira, sob ataques de aventureiros europeus e fugiu em direção aos contrafortes andinos em busca da Terra Sem Males, numa jornada de aproximadamente 5.ooo km pelas trilhas do Pe abe y u. O destino dos habitantes de Pindorama (terra das palmeiras), que habitavam o litoral brasileiro, era Chachalpoyas, no Peru, onde apenas 300 chegaram e, ao invés de paz, foram presos e escravizados pelos poderosos Incas (Filhos do Sol) que, capitulo anterior da história, foram massacrados e quase exterminados pelo impiedoso exército espanhol comandado por Francisco Pizarro (1530), que depois de assassinar o imperador Atahualpa, em 26 de julho de 1533, em Cajamarca – Peru, se arvorou governador daquele império e, oito anos depois, foi assassinado, dia 26 de junho de 1541, em Lima – Peru, cidade por ele fundada.
Guarani – povo coletor e caçador. O espaço físico que habitam é denominado tekoha (terra). São indivíduos que se consideram extensão do lugar onde habitam. Migrar é um processo natural entre eles. Essa é a tática aplicada para permitir a renovação do solo e dos recursos naturais e, assim, garantir sua renovação e sobrevivência. 
Europeus - Esse traço cultural nativo foi interrompido pela colonização européia. Após a chegada dos exploradores e aventureiros, grupos Guarani iniciaram um processo de migração a fim de escaparem dos ataques, doenças, assassinatos e escravidão. Com a posse do território pelo ganancioso e impiedoso homem branco, não havia mais lugar para migrar, embora algumas tribos ainda tendem a persistir.

População - Os Guarani formavam o maior povo em quantidade de indivíduos a viver no Brasil. São originários do tronco tupi-guarani, nos estados do Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Santa Catarina e Tocantins, tal qual existem na Argentina, Bolívia e Paraguai, divididos em kaiowá, mbya e ñadeva. Somente no Brasil, há 57 mil nativos (IBGE). A maior parte vive na Bolívia, onde há mais de 78 mil indivíduos. No Paraguai mais de 41 mil e na Argentina cerca de 6 mil.
O Guarani também é conhecido por: avá, chiripá, kainguá, monteses, baticolá, apyteré, kaingang e tembukuá.


Marginalizado - Hoje, o reduzido povo  guarani remanescente, vive em pequenas reservas, acampamentos à beira de rodovias e na periferia urbana ou, habitam, ainda, espaços isolados a margem dos grandes centros. Suas principais atividades econômicas são: a confecção e a venda de artesanato: cestaria feita com taquara e cipó, estátuas em madeira e colares com sementes nativas. Ainda coletam raízes, ervas e frutos silvestres e praticam o plantio tradicional de suas sementes. Falam sua língua nativa e mantém escolas dedicadas às crianças, onde aprendem a sua cultura e tradições milenares.


Crença - O mito de Yvy marã e'y  sobrevive entre os poucos guaranis mais aguerridos em suas crenças e do que resta da sua antiga e rica cultura, hoje bastante depauperada.