Quem fazia este trabalho era
um senhor conhecido de nome Praxedes e seus dois filhos, Antonio e Manoel,
residentes no fundão da Vila Cândida.
Os conheci em 1962, quando trabalhei na Madeireira Slompinho, na rua das Indústrias, no Lar Paraná e eles compravam vigas/estacas de madeira de lei ali, e na serraria vizinha do seu Maione.
Os conheci em 1962, quando trabalhei na Madeireira Slompinho, na rua das Indústrias, no Lar Paraná e eles compravam vigas/estacas de madeira de lei ali, e na serraria vizinha do seu Maione.
Algumas vezes, curioso, acompanhei a operação, observando
atentamente cada detalhe e a habilidade dos rapazes adquirida durante a longa prática.
Em seguida, o mais lentamente possível, o macaco era movido para baixo até a casa assentar completamente no assoalho da longa traseira do
caminhão.
A casa
era estaqueada e suspensa lentamente com ajuda de macaco - apelidado de
‘chicão’- comumente utilizado por motoristas de carga pesada, no caso de pneu
furado.
Na medida que a casa subia os 'meninos' colocavam
calços até ficar na altura do assoalho da carroceria do caminhão, sem as laterais.
Seu Praxedes dava marcha-a-ré e entrava com a carroceria
por baixo da casa suspensa, bem no ponto de equilíbrio para ela não pender para
nenhum lado. E para não tombar para trás, a cumieira da frente era amarrada no para-choque dianteiro.
Após serem removidos os calços, o caminhão carregado começava a se deslocar
em primeira marcha o tempo todo, na velocidade média de 3 a 5 km por hora. Parecia tartaruga.
A operação era custosa e delicada e, não raras vezes, demorava
coisa de dois dias, conforme a distância.
Chegando ao novo local, a casa era novamente estaqueada para cima, até descolar da carroceria e, em seguida, era baixada até rente o solo, sobre os cepos de arvores ou pilares de tijolos previamente colocados na medida exata da metragem quadrada da casa.
Esse sistema foi muito usado nas décadas de 60 e 70 quando as
edificações de concreto e alvenaria começaram a dominar a construção civil em Campo Mourão e substituíram o madeiramento.

Mas
com o passar de 20 anos, seu Praxedes não mais teve encomendas para transporte
de casas inteiras e passou a trabalhar de carpinteiro em reformas de
residências, construções de pequeno porte e arrumação de telhados.
A última vez que conversamos foi quando nos encontramos no Instituto Santa Cruz depois de um Concurso de Fanfarras. Ele estava acompanhando um neto ali matriculado e eu narrando.
A última vez que conversamos foi quando nos encontramos no Instituto Santa Cruz depois de um Concurso de Fanfarras. Ele estava acompanhando um neto ali matriculado e eu narrando.
Entre um assunto e outro vem aquela inevitável pergunta:
-E a família como vai?
-Você sabe que enviuvei, né? Meus dois filhos continuam me
ajudando nos servicinhos que aparecem.
E o senhor como está?
Estou bem. Completei 103 anos agorinha, em setembro, e não
tenho do que reclamar. Aposentei pelo governo, mas não parei de trabalhar. Você
sabe que meus avós, lá atrás, eram escravos, né?
E a piazada?
Meus piá?, um é que nem eu. Pega e não reclama do pesado,
mas o caçula é um preguiçoso daqueles... o vagabundo só quer saber de curriola
e cachaça.
Com que idade ele está?
Eu casei novo... O meu caçula? - Está com 66 anos, mas parece
um bicho preguiça. O mais velho ta com 69 pra 70 e é dispostão igual eu.
Pôoxaaa !!
Pôoxaaa !!
Emudeci !!
Lhe dei um abraço forte, lhe desejei tudo de bom e fui embora pensando: piazada de 60... 70 anos... ele com 100 e caquerada ?? Carammbaa, carambola!!
Só aí dá mais de 200 anos de vida e saúde, somadas as idades!
Lhe dei um abraço forte, lhe desejei tudo de bom e fui embora pensando: piazada de 60... 70 anos... ele com 100 e caquerada ?? Carammbaa, carambola!!
Só aí dá mais de 200 anos de vida e saúde, somadas as idades!
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