10/07/2017

Josafat é nome de rua em Campo Mourão

  
São Josafá Kuncewicz (João Kuntsevytch)

Nasceu no ano de 1580, em Volodymyr, na Volínia, importante centro comercial do Reino Polono-Lituano. Seu pai Gabriel e sua mãe Maria vinham de uma linhagem empobrecida. No batismo recebeu o nome de João.

Entre seus treze e quatorze anos de idade, João Kuntsevytch foi enviado por seus pais para Vilnius, capital da Lituânia, a fim de trabalhar com um rico comerciante e membro do governo lituano, Jacinto Popovytch, e aperfeiçoar-se na arte do comércio. Em Vilnius, uma cidade cosmopolita sob o aspecto religioso, onde conviviam as diversas confissões cristãs protestantes, católicos e ortodoxos João entrou em uma fase de escolhas decisivas em sua vida. Em sua consciência tomava corpo uma crucial pergunta: qual era a verdadeira Igreja de Cristo? Em face das divisões da Igreja, qual delas deveria ele seguir? Deveria permanecer fiel à Igreja Ortodoxa de sua família?I
Neste impasse foram importantes ao jovem João, os padres jesuítas da Academia Teológica de Vilnius, com os quais ele gostava de se aconselhar. Eles lhe mostraram o caminho: poderia ser católico, sem abandonar a sua tradição cristã oriental.
Justamente nesse tempo (1596), os bispos ucranianos da metropolia de Kiev, reunidos no sínodo de Brest, cidade próxima a Vilnius, declararam a sua fé católica e reconheceram o Papa como único chefe da igreja de Cristo, mas conservaram toda uma tradição oriental, de fonte bizantina. A União de Brest foi a luz que fez João dar o passo decisivo em sua vida.
São Josafat foi o restaurador da vida religiosa basiliana em terras eslavas e, junto com o metropolita José Veliamyn Rutskyi, foi o fundador da Ordem de São Basílio Magno, tal como ela é hoje sob a denominação de Ordem Basiliana de São Josafat. Rutskyi foi o grande amigo, companheiro e colaborador de Josafat, tanto na restauração da vida monástica como na obra da união cristã em torno do Papa.
Tudo na vida de João Kuncewicz aconteceu cedo e rápido. Estudou filosofia e teologia. Aos 20 anos se tornou monge na Ordem de São Basílio, e adotou o nome de Josafat. Em pouco tempo era nomeado superior do convento e, logo depois, arquimandrita e arcebispo de Polotsk, com apenas 37  anos.
Vivia-se a época do cisma cristão (divisão) provocado pelas igrejas do oriente e Josafat foi um dos grandes batalhadores pela união delas com Roma, e obteve vitórias em muitas das frentes de batalha. Defendia, sem medo, a autoridade do Papa e o fim do cisma, com a conseqüente união das igrejas. Pregava e fazia questão de seguir os ensinamentos de Jesus numa só igreja, sob a autoridade de um único pastor.
Sua luta incansável reconquistou muitos hereges e ele é   considerado o responsável pelo retorno dos rutenos (também chamados de cárpato-rutenos e russianos, um grupo étnico da Europa que fala a língua rutena e descende dos russianos que não se tornaram ucranianos), ao seio da igreja unificada.
Embora outras Igrejas do oriente não o tenham seguido, foi uma vitória histórica e muito importante.
Atuando desta forma era evidente que sofreria represálias. Foi vítima de calúnias, difamações, acusações absurdas e uma oposição ameaçadora por parte dos que apoiavam o cisma. Em uma pregação chegou a prever que seu fim estava próximo e seria na mão dos inimigos, mas não temia por sua vida e jamais deixou de lutar.
Em uma das visitas às paróquias sob sua administração, sua moradia foi cercada e atacada. Muitas pessoas da família e da comitiva foram massacradas e assassinadas. O arcebispo Josafat, então, se apresentou aos inimigos, perguntando porque matavam seus familiares se o alvo era ele?! Impiedosamente a multidão o atacou, torturou, matou e jogou seu corpo em um rio, dia 12 de novembro de 1623, na cidade de Vitebsk, na Bielorussia. 
Seu corpo foi recuperado da água do rio e venerado pelos fiéis. Mais tarde, os responsáveis pelo assassinato do arcebispo foram presos, julgados, condenados e acabaram se convertendo e, assim, escaparam da pena de morte.

São Josafat foi mártir por lutar pela união entre as igrejas ortodoxa e a católica, ao entender que os cristãos deveriam pertencer a uma única igreja e ter apenas um pastor.

O Papa Pio IX canonizou santo, Josafat Kuncewicz, em 1876.
 
Santíssima Trindade na Av M M Camargo X R. S. Josafat
Campo Mourão - PR