13/07/2017

DOTÔ JUIZ DI PAIZ de Iretama - PR


Lá pelos anos 70 – eu, ainda moleque, trabalhava no bar do Tião Correia - quando testemunhei um fato até interessante na casa do senhor Geraldo Borino. 

À quem não sabe, ele foi Juiz de Paz em Iretama/PR, por muitos anos. Era ele quem resolvia demandas, intermediava casamentos. O próprio contava que: “quando os jovens fugiam, o casalzinho corria lá pra minha casa pedir guarida e proteção de medo do sogro”.

Seu Borino também resolvia algumas pendências. Quando, por exemplo: um animal do vizinho destruía a plantação do outro; mulher querendo largar do marido;  agressão familiar; dívidas vencidas... ele intermediava. Todos o acatavam e no final dava tudo certo.

Mas o que me leva a escrever sobre ele, é a fim de que, principalmente os mais jovens, saibam o respeito que todos tinham uns com outros... vizinhos com vizinhos... tipo: quem não ajudava, não atrapalhava !! 
Existia, principalmente, um respeito grande com as autoridades, mesmo com um simples juiz de paz. Na investidura de autoridade distrital, seu Borino, era super considerado e respeitado em Iretama.

Agora, com o máximo respeito, data vênia, me permitam narrar aqui, um dialogo que os mais antigos de Iretama – contemporâneos do justo Geraldo Borino, jamais esquecerão e, dentre estes, que tiveram a felicidade de conviver, no seu tempo,  os seus atos de justiça, me incluo eu.
 
Casório com Juiz de Paz vi muitos em Campo Mourão

– Vamos ao dialogo simples, mas verdadeiro:

Uma bela tarde um cidadão, lá das bandas da Água da Anta, bateu palma na frente da casa do senhor Borino. Dona Zélia, esposa do juiz, saiu e atendeu o visitante que lhe indagou:
-       Boa tarde minha senhora... por favor,  o dotô juiz de paiz, tá ??
Dona Zélia, na maior simplicidade, respondeu: 
-       0lha meu senhor. O Gerardo está no sítio, lá na Santa Luzia... ele foi capina um arroz que o mato tá tomano conta. O senhor pode volta amanhã cedo ou esperá ele, que, lá pelas seis (da tarde) vai tá aqui para lhe atende!
-  Muito agradecido, dona. Volto amanhã. Já vai anoitecê e moro longe. Até Amanhã, intão!
-       Até amanhã. Que Deus lhe acompanhe !!

No dia seguinte, seis horas da manhã, o cidadão já estava na frente da casa e, sem maiores delongas, foi prontamente atendido pelo senhor Geraldo Bonino.
O que o cidadão tratou ou pediu eu não sei, porque a oitiva foi na sala de visitas, com porta fechada. Mas da maneira como saiu, sorridente, acredito que o ‘caso’ chegou a bom termo.


SIMPLICIDADE, HUMILDADE, RESPEITO... É O QUE REINAVA NAQUELE TEMPO. HOJE NÃO SE OUVE MAIS UM DIALOGO TÃO A NÍVEL, ASSIM !! 


VB.01-12-15