27/05/2017

Jacque Fresco tem soluções de Paz - wibaju




The Vênus Project é seu plano destinado a acabar com a fome, pobreza e guerra. No mundo do Projeto Vênus não existe caos e tudo é planeado ao ínfimo detalhe. As cidades parecem todas desenhadas do mesmo modo, independentemente da geografia ou da cultura local.
Mas Jacque Fresco tem a sua idéia de como redesenhar o mundo e não a compromete por nada nem ninguém. Qualquer outro projeto não vai longe o suficiente na resolução dos nossos males, por mais improvável que nos pareça que um só casal, isolado na Flórida, encontre todas soluções aos problemas criados pela complexidade humana. Em companhia de sua mulher, eles falam sobre seus planos e desejos de paz mundial:
“Se queremos acabar com a guerra precisamos considerar este planeta igual a uma herança comum a toda a humanidade. Os recursos do mundo precisam ser partilhados por todas as nações como se fossem uma só. 
Com as divisões de hoje, as nações que gastam mais recursos criam problemas às restantes. Se houver uma seca, surgem disputas territoriais pelos recursos de água. Quando os EUA fazem guerra, não é para exportar a democracia, mas sim para obter petróleo. E é esse o problema com todas as nações, são todas corruptas. Temos que nos unir e partilhar os recursos da Terra. Afinal, como é que os EUA conseguiram o seu território? Roubaram-no aos índios. E os ingleses, que diziam que o Sol nunca se punha no seu império? Como é que eles tinham colônias em todos os continentes? Todas as nações roubaram território às outras.
Temos que eliminar o sistema monetário e passar para uma economia baseada nos recursos. Se utilizarmos o dinheiro como modo de troca, acabamos por conseguir comprar políticos, vender droga e comprar recursos a outros países. Tem que se fazer um estudo sobre os recursos disponíveis e, a partir daí, estudar a melhor forma de os utilizar em conjunto, tendo toda a gente acesso às necessidades básicas para sobreviver. Até a Bíblia diz que o amor pelo dinheiro é a raiz de todos os males. Por isso, quando alguém diz que é impossível criar um sistema não-monetário, eu respondo que até Jesus disse “assim na Terra, como no Céu”. No Céu não há dinheiro, nem propriedade — pública ou privada. Não existem classes, nem exploração. E até chegarmos ao nosso sistema, vai haver problemas. As indústrias apostam cada vez mais na automação de processos, o que levará milhões para o desemprego. E esses desempregados vão ficar sem dinheiro, o que levará o sistema monetário a colapsar. Nenhum político no mundo é capaz de solucionar este problema. Os nossos problemas já não são políticos. São técnicos. Em vez de treinarmos soldados para serem máquinas de guerra, deveríamos envia-los de volta para a escola para se tornarem solucionadores de problemas. Temos muitos problemas: cancro, doenças cardíacas, tornados. Precisamos de os resolver e para isso precisamos de técnicos, não de políticos. Não vás só pelo que te digo, pergunta directamente a um político: como acabamos com a guerra? Eles não sabem. Como podemos produzir mais comida? Não sabem. Não sabem nada. 
 A única forma é fazer aquilo que estás a fazer. Gravar e apresentar isto, contar o plano às pessoas. E se as pessoas não entenderem isto, tenho pena do que acontecerá. Estamos a caminho da aniquilação nuclear, da destruição ambiental. Eu quero mostrar que não somos um partido político, mas que temos uma solução aos problemas através da ciência e da tecnologia. O método científico, no The Venus Project, é aplicado à Terra, às suas capacidades, de forma a determinarmos o número ideal de pessoas que podem viver no planeta. Se produzirmos mais pessoas do que aquelas que os recursos do planeta podem suportar, só vamos ter problemas. Digo às pessoas aquilo que elas podem conseguir com este projcto: um mundo sem exércitos, polícias ou políticos.
 Não conheço mais nenhuma organização que apresente soluções para estes problemas. Só falam de decência e de honestidade. 
Não passam de pessoas com boas intenções, que falam de justiça social e mercado justo.Mas nada disso é realista.
Roxanne Meadows: Todos tentam resolver os problemas dentro do sistema monetário, dentro do sistema que é a causa do problema.
Jacque: Não teremos exércitos, nem leis. Todas as condicionantes do comportamento dos humanos surgem da sociedade em que vivem: se nasceste numa tribo de caçadores de cabeças na Amazónia, vais acabar por ser um caçador de cabeças; se nascesses na Alemanha nos anos 30 e não tivesses acesso a livros ou qualquer coisa de fora, também serias nazi. Não se pode culpar as pessoas, a cultura é que as força a comportarem-se dessa forma. Por isso vamos planejar uma cultura onde as pessoas serão educadas na ciência e na sua relação com a natureza, como comunicar uns com os outros.
 Até a linguagem que utilizamos foi inventada há séculos e limita-nos o diálogo com outros povos. A escola só te informa das coisas da tua cultura. Torna-te patriótico em relação a essa cultura, mas todas as culturas são corruptas. 
Enquanto a guerra for lucrativa, não irá acabar. Há quem enriqueça a vender equipamento para os exércitos. A guerra é o maior falhanço das nações. Encurtar as diferenças entre os povos não enriquece ninguém, por isso ninguém está interessado. Gostava que as pessoas fossem mais inteligentes, para saberem estas coisas, mas nas escolas não se ensina isso, infelizmente".

Jacque Fresco - defensor da paz - foi um autodidata projetista industrial, engenheiro social, escritor, professor, futurologista, inventor que trabalhou numa grande variedade de áreas desde  inovações bio-médicas a sistemas sociais totalmente integrados.

Nascimento: 13 de março de 1916
Falecimento: 18 de maio de 2017