17/01/2017

Leonel Brizola em Campo Mourão


Leonel de Moura Brizola nasceu em Carazinho – RS, dia 22 de janeiro de 1922. Filho de colonos italianos, foi batizado com o nome de Itagiba Moura Brizola, mas suas atividades políticas o levaram a mudar seu próprio nome por Leonel, homenagem ao destacado líder dos ‘maragatos’, na Revolução de 1923, Leonel Rocha.
Itagiba (Leonel) Brizola estudou em Porto Alegre - RS, na atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Formou-se em Engenharia Civil e chegou a trabalhar na área por um período, mas seu envolveu com a política que tomava todo o seu tempo. 



Em 1945, aos 23 anos, foi um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) ao lado de Getulio Vargas e João Goulart.  
 Em 1946, foi eleito deputado estadual, o que lhe valeu o começo de uma longa e polêmica carreira política.
 Em 1951, disputou a prefeitura de Porto Alegre pela primeira vez, mas foi derrotado por apenas 1% dos votos.
 Em 1954, foi nomeado secretário de estado de obras do RS  e, em seguida, se candidatou e foi eleito deputado federal com a maior votação até então, obtida no Rio Grande do Sul.
 Em 1955, disputou novamente a prefeitura de Porto Alegre e ganhou mais votos que todos os seus concorrentes juntos.
 Com uma carreira política de sucesso, aos 36 anos de idade Leonel Brizola foi eleito governador do Rio Grande do Sul, época em que iniciou um projeto de construção de seis mil escolas públicas no seu estado.
 
Brizola com João Goulart

 Foi durante seu mandato de governador que o presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo inesperadamente. Seu sucessor legal era o vice, João Goulart. No entanto, grupos de oposição tentaram impedir que João Goulart - em viagem a China - voltasse ao país e assumisse a presidência. Foi quando Leonel Brizola liderou a Marcha da Legalidade, que defendeu o direito de João Goulart tomar posse como novo presidente, e o movimento foi vitorioso.
 Em 1962, Leonel Brizola passou a morar no Rio de Janeiro onde se elegeu deputado federal, até que em 1964, militares comandaram o golpe que derrubou o presidente João Goulart, e instalou-se a ditadura militar no Brasil. Ameaçado de prisão, se exilou no Uruguai.

Em 1977, o regime militar brasileiro pediu sua expulsão do país vizinho e foi deportado para os Estados Unidos, onde desenvolveu boas relações. 
 
Brizola de volta do exílio

Em 1978, pediu asilo a Portugal e se juntou a outros exilados até voltar para o Brasil em 1979, graças a Lei da Anistia. Neste mesmo ano, foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e retomou sua vida política no Brasil.
 
 Em 1982, Leonel Brizola alcançou um feito ainda inigualado na história política do Brasil. Foi eleito governador por um estado diferente, o Rio de Janeiro. Pouco depois, a ditadura militar finalmente foi extinta no Brasil, em 1985.
 1989 - Com a volta das eleições diretas para presidente e a abertura eleitoral para os civis, Brizola se candidatou ao posto máximo da política brasileira em 1989. Esse pleito teve 22 candidatos e Brizola foi o terceiro mais votado, ficando atrás de Collor e Lula, que disputaram o segundo turno. Brizola apoiou Lula, mas Collor venceu. 
  
Comício de Brizola em Campo Mourão - PR

1989 - No roteiro de seus comícios, Brasil afora, incluiu Campo Mourão e se fez presente, diante de mais de aproximadamente 3 mil pessoas, na praça Getúlio Vargas, esquina da rua Brasil com av. Índio Bandeira, na frente do Ed. Mourão.
 
Namir Piacentini com Brizola em Campo Mourão - PR

Um dos anfitriões, ligado ao PDT de Campo Mourão e do Paraná, foi Namir Alcides Piacentini.

1990 - Brizola disputou o governo do Rio de Janeiro e se elegeu pela segunda vez.

Em 1994 tentou, novamente, a eleição para presidente, só que sua carreira política foi abalada ao apoiar Fernando Collor de Melo, que sofreu impeachment pelos atos de corrupção revelados em seu governo.
 
Com a esposa Neuza Brizola

Nos últimos 10 anos, o prestígio de Brizola caiu muito, tanto que sua votação foi insignificante em 1994. Na eleição seguinte para presidência, foi vice na chapa liderada por Lula, mas Fernando Henrique Cardoso conseguiu a reeleição. 
Nesse período, a jornada política de Brizola só colheria derrotas até sua morte. Perdeu nas eleições de 2000 para prefeito do Rio de Janeiro e nas eleições de 2002 para uma vaga no Senado.

Após os fracassos políticos, Leonel Brizola, continuou na militância do PDT, porém sem notória importância.
Depois de uma viagem a sua fazenda no Uruguai, retornou ao Brasil com infecção intestinal e muito gripado. Apresentava um quadro clínico bastante delicado que o deixou debilitado. Sua situação piorou e o forçou a ser hospitalizado. Exames foram feitos, mas nada de 'anormal' havia sido encontrado. Quando Brizola estava na entrada do elevador para deixar o hospital, sofreu um infarto agudo do miocárdio e ali faleceu no dia 21 de junho de 2004.

Leonel Brizola foi velado no Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro, e também em Porto Alegre, mas foi sepultado em São Borja, fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, mesmo local onde estão os ex-presidentes: Getúlio Vargas e João Goulart.


 
Citações e aforismos de Leonel Brizola

“Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo.” 

“Todas as crianças deveriam ter direito à escola, mas para aprender devem estar bem nutridas. Sem a preparação do ser humano, não há desenvolvimento. A violência é fruto da falta de educação.” 

“O amanhecer é o momento mais bonito do dia, mas, quando ele chega, encontra a maioria das pessoas dormindo.” 

“Nossos caminhos são pacíficos, nossos métodos democráticos, mas se nos tentam impedir só Deus sabe nossa obstinação.” 

“Nunca coloquei a Igreja debaixo do braço para me eleger.” 

Esse sujeito (Collor) bate no peito e diz que "O Estado sou eu". Depois dizem que o Brizola é que é o caudilho. 

“Esses pastores querem é estação de rádio e dinheiro. São adoradores dos bezerros de ouro.” 

“Essa reforma ministerial é um balaio de caranguejos. Uns caranguejos entrando, outros saindo.” 

“Venho e volto do campo e os bois são os mesmos: não mudam de caráter.”

"Sou como uma planta do deserto. Uma única gota de orvalho é suficiente para me alimentar."

"Em matéria de necessidade pública, primeiro a gente faz a despesa necessária ao interesse coletivo e depois, a receita."

"Eu amo a Justiça Eleitoral. Mas não estou tranqüilo com a informatização." (urna eletrônica).

Nós queremos um regime que não seja apenas da raposa, queremos um regime da raposa e da galinha, onde existam espaços para os dois.


Candidatos em 89

A eleição presidencial brasileira de 1989 foi realizada em 15 de novembro, sendo a 25ª eleição presidencial do Brasil, na qual concorreram 22 candidatos. Seriam 23 se Silvio Santos não fosse trapalhão. Os candidatos abaixo estão pela ordem de votação da maior a menor:

20 – Fernando Collor de Mello – PRN.
13 – Luís Inácio Lula da Silva – PT
12 – Leonel Brizola – PDT
45 – Mário Covas – PSDB
11 – Paulo Maluf – PDS
22 – Guilherme Afif Domingos – PL
15 – Ulysses Guimarães – PMDB
23 – Roberto Freire – PCB
25 – Aureliano Chaves – PFL
51 – Ronaldo Caiado – PSD
14 – Affonso Camargo – PTB
56 – Enéas Ferreira Carneiro – PRONA
42 – José Alcides Marronzinho – PSP
54 – Paulo Gontijo – PP

31 – Zamir José Teixeira – PCN
27 – Lívia Maria de Abreu – PN
55 – Eudes Mattar – PLP
43 – Fernando Gabeira – PV
33 – Celso Brant – PMN
16 – Antônio Pedreira – PPB
57 – Manuel Horta – PDC do B

26 – Armando Corrêa – PMB
Leonel Brizola – PDT 12:  foi o terceiro colocado no pleito de 1989, dentre 22 candidatos. Fernando Collor de Mello venceu e depois foi impichado.


Nos comícios de Brizola o povo cantava: “lá lá lá lá lá brizoooola”. Se eleito fosse, disse que sua 'primeira prioridade' de governo seria: rever a concessão da TV Globo.

OoO