17/07/2015

Tempestades em Campo Mourão - PR

  

 
Chuva torrencial no centro de Campo Mourão - Jul/2015

 
Temporal em Campo Mourão - 2014

Os primeiros exploradores da região dos Campo do Mourão, e pioneiros que por aqui firmaram suas residências, fizeram relatos de fortes chuvas, ventos e temporais avassaladores que ocorriam e ocorrem, periodicamente, na cidade, no atual município de Campo Mourão e territórios limítrofes.


1900 - O velho sertanejo, Jozé Luiz Pereira, conseguiu encontrar os Campos do Mourão somente na terceira tentativa. Nas duas primeiras foi barrado por tempestades nas travessias dos rios Cantu e da Várzea. No primeiro, inclusive, perdeu um burro, com a carga toda, que ele tocou rio adentro ao testar a passagem das águas turbulentas, mas o animal rodou, foi engolido pela forte cheia barrenta do Cantu e nada foi recuperado.


 
Nas cheias dos rios era difícil chegar a Campo Mourão/PR

Na beira do rio da Várzea (nome que ele deu ao rio) chovia por muitos dias. A cheia foi grande, os alimentos escassearam e tiveram que retornar a Pitanga.
Dizem as narrativas registradas por Nelson Bittencourt Prado: “Chegaram, enfim, à margem direita de um rio bem volumoso de água limpa, ao qual Jozé Luis Pereira deu o nome de Rio da Vargem (Rio da Várzea). No dia seguinte bateu muita chuva, o que os obrigou a ficar, por alguns dias, arranchados e parados naquele lugar,” até que o alimento acabou. “Na segunda tentativa foi barrado pela cheia do Rio Cantu. Teimoso, até que tentou atravessar, tocou a tropa e o primeiro burro de carga que entrou na água violenta e barrenta, rodou e desapareceu rio abaixo. Diante do perigo eminente e morte certa, deu meia volta e retornou novamente, com a comitiva exausta, à Guarapuava.”


 1910 – "Jorge Walter chegou dia 20 de Janeiro de 1910 (Dia de São Sebastião) à região de Campo Mourão.
Veio de Pitanga tocando 654 cabeças de gado vacum, 48 éguas de criar e 10 cargueiros de sal. Se fixou na região do Rio JJ (Rio Sem Passo) na gleba que ficou conhecida como ‘dos Walter’. 

 
As boiadas não tinham estradas até Campo Mourão/PR

Na chegada, pernoitaram às suas margens e, como a desmatação era pequena, armaram duas barracas, uma próxima da outra, sendo uma ocupada pelas cargas e a outra pela família Walter que era composta por nove filhos, além do casal (Jorge Walter (o Russo) e Julia Rocha Walter  – Nhá Dona). 
À noite bateu um forte furacão e, no dia seguinte, o acampamento amanheceu arrasado... árvores, madeiras arrancadas e jogadas... mas nenhuma  das barracas foi atingida. 
O Picadão (por onde passou o furacão) ficou como se fosse uma roça de mato derrubado, por uma extensão de uns 1.800 metros (quase dois quilômetros) mais ou menos. Demoraram mais de um dia para abrir as tranqueiras novamente e retirar os animais do mato.
Por sorte não machucou-se nenhum animal nem pessoa alguma."  Registrou Nelson Bittencourt Prado.

 

Francisco Walter, filho mais velho de Jorge Walter, o Russo, revelou que numa destas tempestades em Campo Mourão: "junto com meu irmão menor (Alcebíades Walter) tivemos que trazer oito cargueiros de feijão, sendo quatro destinados ao fazendeiro (Jorge Walter) e o outro tanto para consumo da comitiva do engenheiro Edmundo Mercer (que abria a picada da Boiadeira). No segundo dia de viajem (no transporte do feijão) o tempo começou a chover torrencialmente e como tinha que passar por três rios em canoas: da Vargem (Várzea), Muquilão e Corumbataí, na volta achavam-se transbordantes. Passamos o primeiro sem novidade, mas no segundo quase morri, eu e os demais. Como não dava para passar com a canoa simples, fizemos uma espécie de balsa com duas canoas amarradas uma na outra, firmadas com travessões de pau; carregamos cinco cargueiros de feijão e tocamos a balsa (improvisada) com varejão (vara de pau comprida), porém, em dado momento, não se alcançava o fundo do rio com o varejão... a balsa ficou descontrolada e começou rodopiar e a rodar ao mesmo tempo, a uns 60 metros da cachoeira. Com todo esforço possível a um humano, conseguimos encostar a balsa na barranca do rio a alguns passos apenas da cachoeira. Subimos abordando (se agarrando) a barranca do rio até chegar no Porto desejado. Seguiu-se a viagem e, no Rio Formoso, um burro carregado caiu, porém com um esforço conjunto dos que compunham a comitiva o animal foi salvo bem como a carga que levava. No mais, a viagem até seu termo, foi tudo bem." Contou Francisco. 


 
Primeiro meio de transporte em Campo Mourão/PR

Obs: cada cargueiro pesa, em média, 120 quilos (60 kg de cada lado no lombo do animal). Esse feijão foi transportado da região de Corumbataí do Sul até a região de Luiziana (São Domingos).

1949 – Entre Araruna, Peabiru e Engenheiro Beltrão deu um pé de vento violento que derriçou grande parte da mata por mais de 20 km. A clareira que ficou marcada por muitos anos, dava a visão impressionante de uma estrada aberta.


Madeireiros pioneiros de Campo Mourão:Davi Perdoncini, Mignoso, 
Tonet, Armelindo Trombini, Belim Carollo, Claudio S. Pinto e Bruno Ghering

1950 - Debaixo de uma tempestade, no seu trabalho, no meio do pinhal bruto, Belim Carollo, teve que ser enterrado vivo: "foi atingido por um raio, na mata, e desfaleceu. Quase morto, pela violenta descarga elétrica recebida, o pessoal da serraria o enterrou num buraco de terra até o pescoço, com correntões de ferro em torno de seu corpo inerte. Cerca de cinco horas depois, Belim abriu os olhos e começou a mexer a cabeça. Sinal que a descarga filtrou pela terra. Foi desenterrado são e salvo." Contou a professora do Colégio Estadual Marechal Rondon, e artista plástica , Ana Rosalie, orgulhosa neta do desbravador e empreendedor, Belim Carollo.




1971 – Campo Mourão sempre sofre fortes rajadas de ventos, raios, chuvas torrenciais e queda de granizo de vários tamanhos. A maior registrada ocorreu em 1971, com quase 100% das telhas das casas quebradas. Os prejuízos materiais foram incalculáveis. O prefeito Horácio Amaral decretou “estado de calamidade pública” e, pessoalmente, se empenhou em comprar telhas em Maringá, em companhia de Irajá Messias.
Todos os caminhões com telhas, que logo acorreram à cidade, venderam suas cargas.

Em 1971 fotografaram pedras de gelo maiores que ovo de galinha, que caíram as milhares sobre a cidade naquela ocasião. Felizmente sem vitimas fatais. Muitos carros ficaram com latarias amassadas, no formato das pedras, e animais domésticos, ao relento, amanheceram mortos a 'pedradas' e frio do gelo, inclusive um gato branco no gramado da minha casa.

 
Chuva de granizo 'descobriu' Campo Mourão em 1971

“Nosso beneficiamento de madeiras, na rua Interventor Manoel Ribas, esquina da Av. João Bento, foi completamente destelhado quando a chuva de granizo 'descobriu' Campo Mourão, em setembro de 1971, com enormes prejuízos no geral.” Registrou Silvestre Stanisziweski.

 
Árvores derrubadas pelo vento em Campo Mourão

2015 - Quedas de árvores e de granizo são comuns até hoje, sempre que chove forte e continuado sobre Campo Mourão e redondezas como podemos ver aqui, na Av. Manoel Mendes de Camargo, em frente ao Cartório de Ana Maria Coledan e Brinquedos Teka.
Campo Mourão promete... e cumpre!

Árvores derrubadas pelo vento em Campo Mourão


Campo Mourão tormenta na Avenida Jorge Walter

Postes caídos e fiações arrancadas em Campo Mourão


Raios sobre Campo Mourão - Jd Flórida onde moro