13/07/2015

Egydio Brisola - Tio Neno de Campo Mourão

  


Egydio da Silva Brisola (Neno), nascido 26 de janeiro de 1931, em Jaguariaiva-PR, chegou a Campo Mourão em 1957, a convite de sua irmã Elza Brisola Maciel, esposa do contabilista Eloi Maciel. Fundou, em Campo Mourão, a empresa Mecanográfica Remington que, inicialmente, se instalou no Edifício Gênero, ao lado da Rádio Colméia, na rua Brasil. Começou consertando rádios valvulados, pois ainda não existiam os transístores.

Ficou famoso por recuperar e fazer peças artesanais para máquinas de escrever da Remington (na época não existia outra marca), somar e calcular, cópias de chaves; abria cofres encostando o ouvido no móvel e lentamente girava o ‘segredo’. Ultimamente trabalhou em reformas de lanchas, barcos, molinetes especiais de pesca e por fim, motores de popa.
Casado com Iracema (também falecida) tiveram quatro descendentes: Rosemere, Egydio Filho, Rosangela e Roseni Brisola. Foi um dos que ajudou a erguer e instalar a primeira torre metálica da Radio Colméia, sobre uma ilha de chumbo de baterias (aterramento), na Rua Santa Cruz. Também foi o primeiro responsável pela manutenção e funcionamento dos transmissores da emissora naquele local, em frente ao antigo Almoxarifado Municipal da Prefeitura de Campo Mourão.
No tempo da II Guerra Mundial, já em Ponta Grossa, aprendeu e fazia rádios a galena, montados em pequenos quadrados de madeira, com fios de cobre enrolados em carretéis (vazios) de linhas. A antena, também de cobre, era esticada por toda a extensão da cumiera da casa e o melhor aterramento era em local bem úmido, ''de preferência banhados", explicava. Chegou a vender alguns e neles se ouvia notícias dos combates e dos países envolvidos nas batalhas contra Alemanha, Itália e Japão.

Trata-se de um rádio feito com alguns metros de fio de cobre, 1 tubo de papelão ou carretel médio, 1 diodo, 1 capacitor e 1 auto falante de alta sensibilidade. Só sintoniza AM e não utiliza energia elétrica. A própria onda da emissora fornece energia ao auto-falante que reproduz o som. Este tipo de rádio receptor foi muito utilizado nas duas grandes guerras mundiais, pela facilidade e rapidez de montagem.
Neno é um dos fundadores da Associação Esportiva e Recreativa Mourãoense, do Country Clube e do Clube Social e Recreativo 10 de Outubro. Desportista nato, foi o responsável por conseguir uma bandeira do Paraguai antes do jogo Mourãoense x Olímpia, no Municipal RB. Era um 10 de outubro, aniversário do Município, e chovia muito. O Neno correu a cidade logo cedo a procura de uma costureira que pudesse confeccionar o pavilhão paraguaio em tempo recorde. Encontrou a senhora Odete Schen que o atendeu prontamente e, às 16 hs, foram hasteadas as bandeiras ao som dos respectivos hinos nacionais, do Brasil e do Paraguai, executados pela Banda Municipal de Campo Mourão. Foi um dos primeiros empresários a colocar placa publicitária em volta do alambrado do Municipal RB, que era cobrada pela manutenção da Mourãoense (futebol profissional).
Egydio da Silva Brisola, com 84 anos, faleceu dia 9 de julho de 2015, uma quinta-feira, na Santa Casa de Campo Mourão, vítima de acidente vascular cerebral (AVC). Está sepultado no Cemitério Municipal São Judas Tadeu.
A Mecanográfica Remington, de Egydio da Silva Brisola funcionou, até seu passamento, na Rua Panambi, 1896, no Centro de Campo Mourão.

Egydio da Silva Brisola com Enio, Elio e José Eugenio,
adotou Campo Mourão.

Cunhado e irmã de Egydio Brisola