04/10/2013

PORQUE O NOME CAMPO MOURÃO

 POR QUÊ O NOME CAMPO MOURÃO?

Entre 1524/1632 o vale cercado pelos  rios Ivaí e Piquirí era denominado  “Campos”  ou  os “Campos de Coaracyberá”. Nestes Campos passava um trecho do Peabeyu, uma trilha milenar utilizada  pelos nativos e, posteriormente, pelos exploradores europeus, notadamente espanhóis e portugueses em busca de riqueza fácil, sem interesse nenhum na terra e nos seus habitantes naturais.
Na década de 1765/1775 governou a província de Piratininga (São Paulo) e a quarta (depois quinta) comarca de Curityba (Paraná),  o Capitão-Mór português, Dom Luís Antônio de Souza Botelho Mourão – (4° Morgado da Casa de Mateus) – amigo de confiança do marquês de Pombal, primeiro ministro do Rei Dom José.
Em 1769, Dom Luís determinou ao seu primo, o então Cel. Affonso Botelho de Sampaio e Souza, comandante geral da comarca de Curityba, o envio de expedições militares a fim de garantir o domínio da região dos “Campos” e recomendou que aos acidentes geográficos fossem dados nomes da família do Morgado de Mateus com o fito de perpetuar sua memória e conquistas no Brasil.
Nos anos de 1769/1770 duas expedições militares oriundas de Curityba (Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais) percorreram a região dos “Campos” no Oeste do Paraná. Utilizaram ramais do mesmo Peaberu com a finalidade de verificar se não havia invasões paraguaias aquém do rio Paraná.
A primeira (fins de 1769), saiu de São José dos Pinhais, comandada pelo capitão Estevam Ribeiro Bayão. Foi este militar, que deu à região o nome de “Campos do Mourão”, conforme ordens do governador Dom Luís.
A segunda (início de 1770) partiu de Curityba, comandada pelo capitão Francisco Lopes da Silva, que percorreu toda a extensão do Rio Ivaí e localizou as ruínas da Vila Rica do Espírito Santo (Fênix) na fóz do rio Corumbataí que desagua no Ivaí. 
Esta vila espanhola foi fundada em 1570 por Ruy Diaz de Melgarejo e transferida, em 1575, por Ruy Diaz de Gusman. Em 1632 foi saqueada e queimada pelos bandeirantes comandados por Antonio Raposo Tavares.
Os expedicionários até tentaram mudar os nomes dos rios Ivaí (ubha-y) e Corumbataí (corumbatá-y) para Dom Luís e Dom Afonso respectivamente. Mas, prevalecem até hoje as primitivas denominações nativas.

Resumo:
Campo Mourão (denominado Campos do Mourão por Estevam Ribeiro Bayão) homenagem ao Gov. D. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão.
Coaracy – sol... berá –brilhante.
Pê – caminho ...abê – antigo ...y u – de ir e vir.
Ubá – cana brava... y – água, rio.
Corumbatá  – sapo ... y –  rio.
Afonso Botelho de Sampaio e Souza (Avenida Afonso Botelho, em Campo ourão). Primo do Gov. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão.


CHEGADA DOS EUROPEUS

A HISTÓRIA CONTA QUE A CHEGADA DOS PRIMEIROS EUROPEUS AO CONTINENTE AMERICANO ACONTECEU EM 12 DE OUTUBRO DE 1492 (CRISTÓVÃO COLOMBO) E AO BRASIL EM 22 DE ABRIL 1500 (PEDRO ÁLVARES CABRAL).
NA REALIDADE NÃO DESCOBRIRAM NADA PORQUE AQUI JÁ EXISTIAM CENTENAS DE NAÇÕES, INCLUSIVE CIVILIZAÇÕES DESENVOLVIDAS (AZTECAS, MAIAS E ÍNCAS).
AS MAIORES DISPUTAS PELA POSSE DAS RIQUEZAS DO CONTINENTE SUL AMERICANO DERAM-SE ENTRE ESPANHÓIS E PORTUGUESES QUE, EM O7 DE JUNHO DE 1494 (PORTANTO ANTES DO TAL DESCOBRIMENTO DO BRASIL) ASSINARAM O TRATADO DE TORDESILHAS.  COM ESTA PARTILHA O OESTE SUL AMERICANO ÉRA DOS ESPANHÓIS E O LESTE (FAIXA LITORÂNEA) DOS PORTUGUESES. 
ESTE “ACERTO” FOI RESTABELECIDO EM 1765 COM O TRATADO DE MADRI (1770) E O DE SANTO ILDEFONSO (1777), MAS NUNCA RESPEITADOS.
OS PORTUGUESES INICIARAM A EXPLORAÇÃO PELA BAHIA DE TODOS OS SANTOS, SÃO VICENTE, SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO E SE EXPANDIRAM RAPIDAMENTE, COM OS AVENTUREIROS E BANDEIRANTES FUNDANDO POVOADOS E  VILAS, SEMPRE À CAÇA DE ÍNDIOS E RIQUEZAS FÁCEIS, PELEANDO CONTRA OS NATIVOS E ESPANHÓIS.
ESTES AVANÇOS E O TRATADO DE SANTO ILDEFONSO ESTABELECERAM OS LIMITES QUE O BRASIL, PRATICAMENTE,  TEM ATÉ HOJE.
-OS EXPLORADORES ENCONTRARAM FACILIDADES PARA SEGUIR BRASIL ADENTRO GUIADOS PELOS ÍNDIOS E UTILIZANDO-SE DO CAMINHO DO PEABERU (BATIZADO PELOS JESUÍTAS DE “CAMINHO DE SÃO THOMÉ”).
-ESTA VIA CORTAVA O CONTINENTE AMERICANO EM TODOS OS SENTIDOS. O TRONCO, QUE PASSAVA POR CAMPO MOURÃO, LIGAVA A COSTA BRASILEIRA, DESDE SÃO VICENTE–SP, PARANAGUÁ E SANTA CATARINA, ATÉ CUZCO E MACHU PICHU NAS ENCOSTAS DA CORDILHEIRA DOS ANDES, POR TRECHO PRESERVADO, COM CERCA DE 5 MIL QUILÔMETROS.
O TRECHO MAIS UTILIZADO TINHA 600 LÉGUAS (1.200 KM) DESDE CANANÉIA/SÃO VICENTE-SP, ATÉ ASSUNÇÃO (PARAGUAI). CORTAVA OS RIOS TIBAGÍ, IVAÍ, PIQUIRÍ E PARANÁ. 
O PRIMEIRO TRECHO DO PEABIRU FOI PERCORRIDO ENTRE 1523/1525, POR QUATRO BRANCOS, UM NEGRO E CENTENAS DE ÍNDIOS CARIJÓS CHEFIADOS PELO PORTUGUÊS ALEIXO GARCIA. O GRUPO DE AVENTUREIROS PARTIU DE SANTA CATARINA E PASSOU PELA REGIÃO DOS CAMPOS (HOJE CAMPO MOURÃO). ALEIXO GARCIA CHEGOU BEM PRÓXIMO A CUZCO (CAPITAL) E MACHU PICHU A SEDE DO IMPÉRIO ÍNCA. NOS ASSALTOS PRATICAD0S NOS PRIMEIROS POVOADOS ÍNCAS CONSEGUIU EM TORNO DE 25 QUILOS DE OURO E PRATA, MAS COM MEDO DAS REPRESÁLIAS DOS EXÉRCITOS ÍNCAS, BATEU EM RETIRADA.


 
Ornamentos em ouro e prata dos Incas

QUANDO VOLTAVA, JÁ EM TERRITÓRIO PARAGUAIO, O GRUPO FOI ATACADO POR ÍNDIOS DA TRIBO PAIAGUÁ, PERTO DO RIO MUNDAY, E DENTRE OS MORTOS  FICOU  ALEIXO GARCIA. O LOCAL PERTO DE SÃO PEDRO É CONHECIDO POR GARCIA CORÁ (LUGAR DE GARCIA).
O NEGRO PACHECO, DOIS BRANCOS E DEZENAS DE ÍNDIOS CONSEGUIRAM ESCAPAR DO MASSACRE COM UM POUCO DE OURO E PRATA. REGRESSARAM À SANTA CATARINA PELO MESMO TRECHO DO PEABERU E NA CHEGADA A NOTÍCIA DO “EL DORADO” SE ESPALHOU DE VEZ E AÍ COMEÇOU A CORRERIA EM BUSCA DAS “MINAS DE PRATA DE POTOSI” (SANTA CRUZ DE LA SIERRA) E DAS "MONTANHAS DE OURO" (MACHU PICHU). 


PASSAGEM DO SEGUNDO HOMEM BRANCO
O primeiro homem branco que passou pela região dos Campos (Campo Mourão) foi o português Aleixo Garcia, em 1524.
O segundo foi o espanhol, Alvar Nuñes Cabeza de Vaca, em 1542.
 Existe um livro,“Comentários” no qual o escrivão Pedro Hernández (um dos sobreviventes da expedição de Garcia) narra a viagem de Cabeza de Vaca e seu pequeno exército pelo Caminho do Peaberu e sua passagem pela região de Campo Mourão.
A princípio os navegadores vindo da Espanha desciam por Santa Catarina e subiam o Rio da Prata para atingir o porto de Assunção (Paraguai), sede do governo provincial espanhol.
O relato de Hernández, diz que Cabeza de Vaca, "partiu por terra (SC) no dia 18 de outubro de 1541 e, além do escrivão, vieram o contador (tesoureiro) Felipe de Cáceres e o piloto (navegador) Antônio López.
A expedição contava com 250 arcabuzeiros (soldados), 26 cavalos, os frades  franciscanos Bernardo de Armenta e Alonso Lebrón, além de centenas de índios flexeiros, guias e carregadores. Por onde passava tomava posse da terra em nome da Coroa Espanhola e, à região por onde passou no Paraná, deu o nome de Província de Vera, que não vingou.
Em 19 dias atingiu o Paraná onde encontrou várias tribos Guaranis (Coronados e Guaráyrus) e manteve contato com os caciques Añaryry, Cipóyay e Tucãguassú. Estas tribos já cultivavam o milho, a mandioca, criavam galinhas e patos.
Dia 29 de novembro de 1541 atingiu a aldeia do cacique Tucãguassú e no dia 1º de dezembro, atravessou a nascente do Yguassú, na região de Coretyba.
Dia 3 de dezembro chegou ao Tibagiba (Tibagi) onde descansou na aldeia do cacique Tapapyrassú. Neste ponto dispensou os índios que o acompanhavam desde Santa Catarina e requisitou outros. Aqui foi encontrado pelo índio Miguel, que veio de e foi seu guia até Assunção.
Dia 7 de dezembro, conheceu o toldo do cacique Abangoby, na altura do Rio Tacuary.
Dia 14 de dezembro, atingiu a tribo de Tucãngucyr (Paralelo 24º 30’) de onde atravessou um grande pinhal repleto de macacos (cay), aves e porcos do mato (tapyr), segundo relato de Hernández.  
Em meados de janeiro de 1542 atravessou o Ubáhy (Rio Ivai), atravessou a região dos Campos do cacique Coaracyberá (Campo Mourão), chegou à nascente do Piquiry de onde atingiu as barrancas do Yguassú nos domínios do cacique Yguatú, “um lugar bastante povoado e rico”, escreveu Hernández.
30 de janeiro de 1542, a expedição de Cabeza de Vaca cruzou o Rio Paranã (Paraná) e entrou na Província del Paraguay. Enquanto alguns homens seguiram em canoas pelo Rio Añemby, a maioria seguiu por terra pelo Peabeyu, até Assunción.", relatou.
O Peaberu foi a rota mais utilizada pelos espanhóis, portugueses e aventureiros. Tornou-se a via mais curta e segura para quem ia da costa atlântica até o Rio Paraná/Assunção e litoral do Oceano Pacífico, ou vice-versa.  

Wille bathke júnior – 19/05/2001 
programa anísio dos santos morais – rádio colmeia.