03/10/2013

Filho Relata Triste Fim do Patrono de Campo Mourão

D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão 
(n. 1722/02/21 - f. 1798/10/03) 
Dona Leonor Ana Luísa José de Portugal (esposa) 
(n. 1722 - f. 1806)

 

Em 1754, dia 24 de Setembro, Dona Maria Antônia São Boaventura e Meneses, viúva de Rodrigo Sousa Coutinho e D. António Luís Caetano de Sousa, 4º Marquês das Minas, efetuaram o contrato de casamento entre D. Luís António de Sousa Botelho Mourão e Dona Leonor Ana Luísa José de Portugal, realizado dia 2 de Outubro de 1755 .


  
D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão 
(n. 1722/02/21 - f. 1798/10/03) 

Foram os IV Morgado da Casa de Mateus, administradores das Capelas de Nossa Senhora dos Prazeres, Cabeça do Morgadio e de Nossa Senhora da Esperança na Cumieira, assim como dos bens da Casa de Sabrosa e dos de Vila Pouca, Lago Bom e Bornes. Foram ainda administradores dos morgadios de Moroleiros e dos Queirós em Amarante e de outros bens, vínculos e privilégios que herdaram do avô D. Luís António de Sousa e de sua mulher Dona Bárbara Mascarenhas.
A todos esses bens acrescentaram outros, como foi o caso do Morgadio de Arroios de seus primos Álvares Coelho de Faria e o de Fontelas da família Mendes de Vasconcelos, cuja falta de sucessão justificou a reivindicação levada a cabo por D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão e seu filho José Maria de sobrenome Vasconcelos.
D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão fez vínculo de suas propriedades e reduziu a um só todos os bens incorporados a sua fortuna da Casa de Mateus, além dos dois grandes vínculos feitos em 1752 e 1754 . Não só segurou seus bens e propriedades com as renovações e vinculações referidas, como também iniciou a organização dos seus documentos, encontrando-se muitas pastas e capilhas manuscritas pelo próprio. Os documentos refletem o rigor com que D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão e sua mulher conduziam os negócios da Casa, tendo sido a sua organização continuada por seu filho D. José Maria do Carmo de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, V Morgado de Mateus. 



Este filho escreveu, mais tarde, que sua mãe, "na ausência do pai que estava no Brasil, (…) teve aqui (contractou) hum homem para o archivo que principiou a ordenar (…)" .
Na verdade, a administração de Dona Leonor, enquanto seu marido esteve no Brasil, foi, segundo seu filho D. José Maria,  "(…) a melhor administração que teve a Casa. Extinguiu ela todas as dívidas que meu pai deixara, que montavam a 30$000 cruzados, e com o seu juízo viu que valia mais aumentar as fazendas existentes do que comprar novas deixando tudo por cultivar (…) A Capela acabada, já a pôs no maior asseio e culto; reformou e mobilou as casas, conseguiu juiz privativo para o tombo dela (…) Em 1772, quando saiu a Lei das confirmações dos Morgados, pediu que lhe enviassem para Lisboa as instituições da Casa para serem confirmadas. Tendo a bolsa que continha os títulos sido roubada viu-se obrigada a obter novas confirmações de todos os bens pertencentes a Casa de Mateus. Deste modo veio a ser esta calamidade (roubo) a origem de um grande bem . Nas cartas que escrevia a seu marido, D. Leonor dava conta de todas as suas acções relativamente à administração da Casa."

Regresso gerou dúvidas

Várias razões são apontadas para o conturbado regresso de D. Luís, a Portugal . No entanto, a verdadeira causa do regresso de D. Luís, de acordo com seu filho D. José Maria, teria sido o insucesso do casamento de Dona Isabel Juliana de Sousa Coutinho com o filho do Marquês de Pombal, José Francisco de Carvalho Daun. Ela era filha de D. Vicente Roque José de Sousa Coutinho de Menezes Monteiro Paim, irmão de D. Leonor Ana Luísa José de Portugal que, em conluio com sua mãe tentou obrigar a sobrinha a aceitar o marido. Realizou-se o casamento, mas a prima Isabel, como lhe chama D. José Maria, não aceitou por marido D. José Francisco, (…) indo ela como vítima ao altar; esta malfadada união não subsistiu senão por três anos pois, desenganado, o Marquês de Pombal, de que netos viessem a dar-lhe sucessão, requereu hum divórcio que foi fácil ao seu poder obter (…)".
Nesse tempo o Marquês de Pombal, conspirou contra a Rainha e foi banido da corte. Por conseqência, D. Luiz, que era seu indicado de confiança no Brasil, sofreu péssimas consequências.


  
O fim
D. Luís Antônio de Souza Botelho Mourão regressou do Brasil a Portugal, desgostoso, após onze anos de serviços à Coroa, na governança da Província de Piratininga (São Paulo). Recolheu-se a Casa de Mateus onde se deixou envenenar pela sua filha bastarda Teresa de Jesus Maciel, que foi protagonista de intrigas e roubos na Casa. 
D. Luiz morreu dia 03 de Outubro de 1798, ignorado pela corte portuguesa, no reinado de Dona Maria I.
Hoje faz 215 anos da morte de D. Luíz (76 anos) que, se vivo, teria 391 anos de idade.

(veja neste blog a biografia completa de Luíz Antônio de Souza Botelho Mourão, e seus feitos no Brasil)