20/07/2013

Campo Mourão e Affonso Botelho de Sampaio e Souza

Affonso Botelho é nome de avenida em Campo Mourão

     

Brasões das famílias Botelho e Sampaio

Affonso Botelho de Sampaio e Sousa 
Casou duas vezes, primeiro com Ana Felícia de Figueiredo,
e a segunda vez, com Rosa Margarida Guedes de Mansilha.
Teve apenas uma filha e foi do primeiro casamento:
casada, em 1830, com António Botelho Correia Guedes do Amaral.



No governo de Dom Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão (1765-1775), na Capitania de São Paulo (Província de Piratininga) seu primo, major Affonso Botelho de Sampaio e Souza, foi Governador da 5a Comarca de Curitiba-PR e, a mando do governador ordenou expedições aos sertões além dos rios Tibagi e Iguaçu a fim de garantir o domínio português na América do Sul.
Uma dessas marchas foi comandada pelo Cap. Estevão Ribeiro Baião, que partiu de Curitiba, em 1760 e chegou aos Campos do cerrado mourãoense que, em homenagem ao governador provinciano, denominou: Campos do Mourão, mais tarde abreviado: Campo do Mourão e, a partir de 1947 (ano da emancipação): Campo Mourão.

  
Dom Luíz Antônio de Souza Botelho Mourão
Capitão Mór da Capitania de São Paulo 1765 a 1775, eternizado por Campo Mourão

Havia uma preocupação com a contenção de custos, já que as expedições representavam grande investimento e a Coroa não podia arcar com as custas. Uma estratégia, então, foi recrutar pessoas locais que financiassem as expedições em troca de mercês (favores), conforme foi orientado Luíz Antônio, pelo Marquês de Pombal, em carta de 2 de agosto de 1765 :
"(...) lhe ofereci passar a patente de capitão de auxiliares pardos com graduação de tenente de infantaria, se ele me juntasse cem homens armados, e fardados a sua custa, de que ele ficou muito satisfeito", e assim possibilitar a organização de expedições. Note-se que as pessoas recrutadas  não eram militares, mas sim figuras influentes na região que, interessadas no status que uma patente militar poderia lhes oferecer, tomaram parte no empreendimento.
Relendo a documentação, percebe-se um afluxo muito grande de pessoas da Vila de Nossa Senhora da Luz (Curitiba), e regiões próximas, consolidando sua posição de núcleo irradiador de populacionar o Paraná.

As ações de Affonso Botelho de Sampaio e Souza, verificadas entre 1768 e 1772, foram entradas oficiais que exploraram os sertões dos Rios Iguaçu, Tibagi até as barrancas do Rio Paraná, a partir da comarca de Curitiba e São José dos Pinhais que aquartelava as tropas, então guiadas por nativos através de seus caminhos, dentre os quais o principal era o Pe abe y u (Peaberu).
A principal instrução aos comandantes dessas expedições era a de reconhecer, demarcar e explorar um território desconhecido e espionar possíveis invasões espanholas, bem como fixar moradores pelos caminhos e fazer roças de alimentos.
As ordens vinham diretamente da Coroa Portuguesa e foram cumpridas com todos os riscos, pelos governos militares (capitanias) estabelecidos no Brasil Colônia.

As sete expedições oficiais foram:
• a primeira data de 5 de dezembro de 1768, comandada por Domingos Lopes Cascaes, que partiu do Rio do Registro (Rio Iguaçu).
• a segunda é do dia 20 de junho de 1769, comandada por Estevão Ribeiro Bayão, que partiu do Porto de São Bento, do rio Tibagi.
• a terceira inicia-se com Francisco Nunes a 12 de agosto de 1769, também no Porto de São Bento (mais tarde substituído por Francisco Lopes da Silveira).
• a quarta expedição é de 28 de agosto de 1769, sob o comando de Bruno da Costa Filgueira, e partiu do Rio do Registro.
• a quinta, de 16 de outubro de 1769 foi comandada por Antônio da Silveira Peixoto. Partiu do Porto de N. Sa. da Conceição do Caiacanga, também no rio do Registro.
• a sexta parte do Carrapato (na serra de São Luís do Purunã), dia 26 de julho de 1770, sob o comando de Francisco Martins Lustosa, com a missão de explorar os campos de Guarapuava.
• a última expedição parte em 09 de novembro de 1711, tendo o próprio Affonso Botelho em seu comando, e segue também em direção aos campos de Guarapuava, mas retornou antes com medo dos nativos revoltados com as invasões dos portugueses.

Sistema de Demarcação de Posse
Observamos em trechos das Instruções sobre a expedição que partiu do Porto de São Bento sob o comando do capitão Estevão Ribeiro Bayão, redigida por Affonso Botelho, em 1769, de que forma eram demarcadas as posses luzitanas nos sertões do Paraná:
"Em todo lugar que o capitão tiver alguma demora fará roças para bastante planta, cuja se fará em toda ocasião que houver, e a todos os campos que encontrar porá fogo, e sempre na entrada e saída das matas fará cortar árvores grandes, e em outras fará cruzes e descreverá alguns caracteres nos troncos das árvores e em pedras, que digam «V i v a El-Rei de Portugal» e outras coisas semelhantes, que em todo tempo se conheça chegou por aí a expedição: nas barras dos rios e lugares mais notáveis deixarão os ditos caracteres, e no roteiro virão marcados para saber onde ficam". 

Entendia, Affonso Botelho, que assim se estabelecia fronteiras e garantias a posse do território paranaense antes que os castelhanos avançassem. Nessa época vigorava o dito "uti possidetis", ou seja, quem povoasse antes o território tinha a sua posse.
Desta iniciativa foram escritos relatos de viagens, os quais objetivavam dar conta do sucesso das expedições ao governador de São Paulo, D. Luis Antônio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus.

 
Ofício com assinatura do major Affonso Botelho de Sampaio e Sousa, comandante interino do Regimento de Cavalaria 3, enviado ao conde de Subserra, ao informar a ordem de marcha do sargento Patricio José e mais dois soldados que desertaram  do quartel de Penamacor.

MANOEL IGNÁCIO MARTINS PAMPLONA (CORTE REAL) CONDE DE SUBSERRA
Primeiro Ministro Assistente ao Despacho de Sua Magestade D. João VI.

"Conselheiro de Estado, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Guerra, da Marinha e Ultramar. Gentil Homem da Real Camara e Seu Embaixador junto a S. M.C. Comendador do Pinheiro-Grande na Ordem de Cristo, Grão-Cruz das Ordens de Torre e Espada da Legião de Honra de Carlos III, de Santo Alexandre Newsky."