31/03/2011

A Verdadeira História de João e Maria de CM



Maria Cândida Ferreirinha: esta é a verdadeira história de João e Maria. Casal sofrido na Ilha da Madeira e no Brasil. Exemplo de pioneirismo e lutas para vencer na vida, sem medir sacrifícios. “Nossa lua-de-mel só aconteceu quatro anos depois de casados. Os melhores anos de nossas vidas vivemos na mata e dedicamos a Campo Mourão, com muita honra. Crescemos junto com a Cidade de Campo Mourão que nos adotou em definitivo e que amamos demais. Minha paixão é a arte de bordar e meu maior orgulho é minha família”, afirma dona 'Maria Bordadeira'.

Exposição dos seus bordados em Maringá

Maria Candida Ferreirinha (Maria Bordadeira), nasceu em São Vicente, na Ilha da Madeira (possessão portuguesa), no dia do descobrimento do Brasil, 22 de abril de 1931. Filha de lavradores: Umbilina da Silva e Manoel Gonçalves Ferreirinha. “Lá eu vivi vinte e três dos meus mais de setenta. Meus passeios eram ir à Igreja do Senhor Bom Jesus, aos domingos, com a família. Fiquei casada quase quatro anos sem ter contato físico com meu marido João Albino, que veio para o Brasil tentar obter dinheiro. Ganhou mas não levou. Na Ilha da Madeira eu trabalhava na terra. Aprendi sozinha a fazer bordados”, fala sobre sua infância e juventude. Maria Candida é a quarta filha, entre mais quatro irmãs e um irmão. Maria Teodora, Maria Cristina, Margarida Lúcia, Inês e Antônio. “Quando lá morava não havia carro e nem luz elétrica. Não tinha chuveiro e nem sanitários. Banho só de bacia e as necessidades se fazia em um buraco ao ar livre cercado de capoeira alta. Estive lá há pouco tempo. Está tudo moderno, mil vezes melhor que antes”, conta feliz ao visitar a “Terrinha”. “Eu não vou te narrar toda a minha história porque é muito longa e triste, senão até as calçadas choram”, diz com um sorriso amargurado.

Eu e meus pais

Formação - Maria Candida foi preparada para arrancar alimentos da terra. “A Cristina já era a bordadeira da casa e minha mãe queria eu na lavoura, por isso ficava brava se me pegasse a bordar. Na Ilha da Madeira não comia com essa fartura que tem no Brasil. Plantávamos batatinha, batata- doce, feijão, cebola e um pouco de milho só para nós comer e tratar dos animais domésticos. Os quintais da Ilha da Madeira são pequeninos. As criações têm que ficar presas. A vaca amarrada na corrente numa manjedoura de dois metros. Os porcos no chiqueiro cercado de pedras e as galinhas presas no galinheiro. Os estrumes dos animais eu juntava e adubava a horta. A água das nascentes era distribuída em cotas, canalizadas em valetinhas afim de molhar as plantações. A água corrida chegava até as divisas dos terreninhos separados por muretas de grandes pedras que serviam de barragem. A água não podia vazar nem uma gota para não levar a terra. Ninguém podia usar mais água que o vizinho. Para isso, na tarde, hora de molhar, um fiscal acompanhava a distribuição da água”, descreve.

Analfabeta - “Meus pais eram lavradores. Nasci e fui ensinada para trabalhar na roça. Sou analfabeta. A escola ficava quase seis quilômetros ao longe e era seletiva”. Só estudavam os filhos dos mais abastados. “Minha família era pobre. Meu marido só fez o terceiro ano primário”. Com 11 anos Maria Candida começou a bordar, observando as mais antigas. “Olhava as bordadeiras e treinava no meu quarto, à noite, escondida de minha mãe, com agulha e linha de carretel, a luz de lamparina”, conta Maria Bordadeira. “Fiquei muito feliz quando vendi seis lencinhos bordados a mão e ganhei meus primeiros cinco escudos (moeda portuguesa)”, sorri alegremente.

Bordado – Bordar na Ilha da Madeira e fazer vinho é uma arte centenária que passa de mãe para filha. Suas peças e tipos de bordados são únicos e famosos no mundo inteiro. As bordadeiras não usam o que fazem. Tudo é exportado. “Sai de lá baratinho e é vendido no exterior pelo ôlho-da-cara”, protesta dona Maria. O ponto mais famoso é o cheio. “Tem também o crivo e o recheliê “, explica e mostra alguns tecidos bordados por ela, inclusive a decoração do seu banheiro, “tão lindo que aqui dá vontade de ficar sentada mesmo sem fazer nada do que estás a pensar”, rindo muito.

Orgulho – “O bordado é minha terapia e meu ganha-pão. Me deu tudo que tenho. Trabalhos meus, toalhas de banquetes e lenços assinados, bordados à mão, estão até na Itália”. Cita parte de sua clientela de Campo Mourão, que encomenda e compra seus bordados: Eucáris Caldas, Alba Castanheira, Marlene Gouveia, Cília Trombini, Dulce Dalefe, Celso Ramos, “e a Leonora da Farmácia Estrela”, diz envaidecida. Maria Candida expôs em Maringá, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Recentemente foi aprovada como expositora no Concurso do Banco Real, a nível nacional. “Tudo por meu esforço sem apoio do Município. Aqui, as autoridades nem sabem que existo. Dou também cursos de bordado em casa. Quem quiser pode vir. Ensino tudo com o maior prazer porque não sou egoísta e quero legar minha arte”, garante Maria Bordadeira.

Trabalho pesado - As divisas dos quintais eram feitas de pedras que homens e mulheres carregavam nas costas. “Eu carreguei muitas”. O feijão de lá é o chamado feijão-de-vara, parecido com um cipó. “A planta tem mais de dois metros de altura e as vagens chegam quase aos dois metros de comprimento. Crescem se enrolando nas estacas. "Os feixes de varas tinha que cortar e trazer no ombro com as pontas arrastando atrás da gente, tiradas das grotas e pedreiras bem distantes. Tinha-se que ter muito cuidado ao pisar para não se rolar nas pedras abaixo. Para poder descansar no transporte difícil dos feixes de varas, andava-se com um bordão de pau (cajado), com forquilha na ponta. Parava e apoiava o feixe na forquilha para aliviar o ombro, tomar fôlego e seguir adiante. Numa dessas buscas João estava junto a nos ajudar. Carregados ficamos para trás. Paramos em uma relva afim de descansar. Foi quando ele me pediu em namoro”, conta rindo, com ar de assustada.

João e Maria na Ilha da Madeira

Namoro – “Eu fiquei apavorada. Levantei-me, sai ligeira com aquele peso nas costas, Não vi mais nada e nem cansei. Cheguei em casa. Me escondi, não sei se de emoção, surpresa ou vergonha... sei lá, entende?! - Depois chegaram os outros. Entraram, jantaram e eu lá escondida atrás da casa querendo escutar o que o João falava aos meus pais. Minha mãe ainda perguntou: mas, cadê a Candida?? - Ao que meu pai respondeu-lhe: deve estar por ai porque o feixe dela está no monte!! – Mas João não comentou do namoro. Foi-se embora. Depois eu entrei em casa. Não falei nada. Estava muito nervosa porque todo mundo pensava que ele queria namorar a minha irmã Cristina. Ela queria e a irmã (Emilia) do João também. Mas ele desejava a mim. Fazer o quê, né?!... ri encabulada. “Conheci o João desde pequena. Fiz catequese na casa dele, com a cunhada Emilia, muito amiga da minha irmã Cristina. Por isso Emilia era contra o João me namorar. Ele morava uns quinhentos metros, perto da nossa casa. Namoramos e casamos, mas lá na Ilha nunca ficamos sozinhos ou se relemos (esbarraram os corpos) um no outro. Nem na mão a gente se pegava”’, sorri e disfarça.

João Albino Fernandes, 80 anos, igualmente nasceu em Ponta Salgada, na Ilha da Madeira, dia 4 de fevereiro de 1925. Filho de lavradores: Candida Martinho de Freitas e Manoel Lourenço Fernandes. João é o caçula de três irmãs: Maria, Margarida e Candida Emilia. Quando moço adquiriu terrenos para plantar. “Ele sempre trabalhou duro, de sol a sol para sobreviver. Era pedreiro”. O sonho de João sempre foi ganhar dinheiro no Paraná. Diziam lá que ele era louco de vir para cá, porque aqui era terra de bandidos e se matava muita gente por pouca coisa. Ele não deu ouvidos. Veio em 1948, com 23 anos de idade, “justamente quando estávamos meio casados”, risos. “Vendeu parte do que tinha, emprestou dinheiro a juro, comprou a passagem, veio e eu fiquei lá”, conta.

Casamento – Depois que João pediu Maria em namoro, lá se foram uns 30 dias. “Uma tarde estava eu a regar a horta. O João apareceu e perguntou o que eu havia decidido. Respondi: “eu não decido nada. Se quiseres a mim, vai falar com meus pais!! – O João era um moço bonito, forte, decidido e... foi mesmo”, risos. “Eu estava com dezessete anos. Foi aquele alvoroço porque ele estava de partida ao Brasil. Em novembro de 1948 casamos no civil e só meus pais sabiam. Ele embarcou e deixou uma procuração ao meu pai para casarmos na Igreja, em dezembro”. Nas missas da Igreja do Senhor do Senhor Bom Jesus, padroeiro da Ilha da Madeira, o padre Carlos apregoou durante um mês que Maria Candida e João Albino iriam se casar e sempre perguntava se alguém tinha algo contra. Isso era costume na Ilha da Madeira. “Nesta mesma igreja fui batizada e casei – sabe com quem? - com meu pai, que representava o meu marido João”... gargalhadas. “O padre Carlos, que me casou é o mesmo que me batizou e morou alguns anos aqui pertinho, em Quinta do Sol”, revela Maria Candida. “Tomei conta dos nossos terrenos, plantava sozinha, colhia, vendia e paguei as contas dele. Em 1954 eu estava com 23 anos. Autorizou-me a vender outro terreninho para eu comprar a passagem ao Brasil e ser a mulher dele, como de fato já era, mas só nos papeis”, rindo muito.


No Brasil – Não se falava em avião naquele tempo. Para emigrar era preciso ter conhecido no Brasil e “carta de chamada” por indicação de um amigo. “Se a permanência no Brasil não desse certo, a pessoa que fez a indicação era a responsável para mandar o indicado de volta e pagar sua passagem”, explica. João e Maria vieram para o Brasil um após outro, com diferença de quatro anos, embarcados em navios e aportaram em Santos (SP). “Viajei onze dias e onze noites a duras penas, no transatlântico Alcântara, de bandeira Lusitana. Vim praticamente com a roupa do corpo e um bauzinho de pouco enxoval que eu mesma fiz, porque lá se vestia a mesma roupa, remendava quando estava rasgada e a usava até se acabar. Não tinha nada de luxo”, detalha Maria Candida.

Começo – De Santos, João foi a São José do Rio Preto. Carregava e descarregava sacos de sal e rolos de arame farpado, nas costas. Ouvia falar bem do Paraná. Juntou uns trocados e veio até Astorga. Não conhecia ninguém. Arrumou um sócio pilantra, também português e ficou feliz em ter um patrício para conversar. Comprou um traçador (serra manual), acolchoado e uma panela de ferro. Os dois se enfiaram no mato a derrubar árvores e fazer dormentes para a estrada de ferro, que vendiam em Maringá. Dormiam e comiam ali, a céu aberto, debaixo de chuva e sol por meses inteiros. "A cama era só o acolchoado sem-vergonha estendido na terra". O fogão era de três pedras que punham a panela em cima do fogo, "a fazer um ranguinho (comida rala)”, narra a dureza da chegada dos imigrantes ao Brasil. .

Lua de Mel – “Depois de quatro anos casados por procuração, eu lá e ele aqui em Uniflor, perto de Nova Esperança. Ele constava como solteiro. Trouxe os papeis de casamento para garantir nossas permanências no Brasil. O João foi me esperar em Santos e nossa lua-de-mel foi em São Paulo. Finalmente, marido e mulher!!! sorri feliz. Cortavam toras de cedro, vendiam em Maringá e logo compraram um caminhão para o transporte. "Morei numa casinha velha com outra família. Ocupamos duas pecinhas. Compramos duas bacias, dois pratos, duas colheres, uma cama usada de molas de arame (cama patente) e um colchão velho rasgado. Tinha pulgas demais. Meu bauzinho demorou uma semana para chegar em Maringá. Fiquei esse tempo todo com a roupa do corpo. - Banho?... eu fechava a casa, esquentava água num galão de tinta, jogava no corpo e depois enxugava o chão”, narra as agruras que não pararam por aí.

Campo Mourão - De Uniflor vieram para o patrimônio de Mamborê. "Meu marido se enfiava no mato em busca de madeiras. Eu ficava sozinha no ranchinho de costaneiras, um pouco pra lá da farmácia do João Seratiuk. Chorava muito pela falta dele e saudades de meus pais. Não tinha comida por semanas. Água só das vizinhas. Tudo longe. Eu implorava para acompanhar ele. Me respondia: o mato é perigoso pra você!!. Eu me declarava: Mas João, somos casados. Onde você morar eu moro, como e, se preciso, morro com você!!!.. apelava. Depois do rancho conseguimos uma casa velha de madeira, no vilarejo de Mamborê, patrimônio de Campo Mourão, que só tinha a igreja coberta de telhas. Meu fogão era um buraco de terra cercado de madeira e a chapa três pedaços de molas retas de caminhão, cruzadas. Eu buscava latas vazias de cera perto das casas e usava como balde e panelas. As roupas eu lavava na bacia de banhar os pés e as estendia sobre as moitas para secar. Quando chovia ou geava, cobria a tapera com encerado. No chão de terra colocava uma tábua como tapete perto da cama, pra quando levantasse não pisar o chão frio e úmido. Eu me virava. Sou muito ativa, independente e sempre amei meu marido, meus filhos e minha família, e valeu todo sacrifício que passei”, enfatiza.

Gravides – “Nessa situação, mal comia, engravidei. Minhas pernas incharam igual bexigas de plástico transparente. Assim eu andava pelos carreadores do mato com meu marido, ali pelo Tricolor, Guarani e Pensamento, derrubando árvores e vendendo toras em Maringá. Nosso sócio e compadre Henrique, ficava com o dinheiro. Tinha casa boa pra família dele e até amante. O João sem nada. Enfiada na mata, eu me alimentava mal e tomava água nos riachos. No sexto mês de gravides uma mulher me ofereceu um quartinho e um prato de comida por dia, a troco de eu cuidar de duas crianças e da casa dela. Que cooomida!!!... que mulher abençoaaada!!!", agradece dona Maria, erguendo as mãos ao céu.


Filhos – João alugou uma casa de três cômodos perto de Mamborê, onde diziam que foi a zona de meretrício. “Nas matajuntas fervia de percevejos que à noite vinham chupar nosso sangue. Não tinha veneno e fui matando aos poucos, com água quente. Ali, no meio do dia 23 de março de 1955 nasceu meu filho Antonio, hoje casado com Ivete, acionistas no Edifício Antares. Meu marido abriu a sociedade e mudamos para Roncador onde nasceu a Gorete, que é psicóloga. Em Campo Mourão nasceram o João Carlos, casado com a Sandra, agricultor em Aterrado Alto (Roncador), amigo e colega de escola e de vestibular do médico-prefeito daquela cidade, Odilon Gonçalves Andreoli. O meu caçula, que orgulha Campo Mourão, é o José Luiz, capitão de fragata, piloto de helicóptero de combate e assessor do Almirantado da Marinha Brasileira, casado com a Cristina, dentista da Marinha, na base naval de São Pedro da Aldeia (RJ). Tenho adoração pelos meus filhos, todos bem educados e encaminhados na vida, com sacrifício é verdade, porque sou analfabeta, uma humilde bordadeira e o meu marido um sofredor, hoje doente, que cuido como se fosse uma criança, em casa. Tenho uma neta e dois netos, muito sabidos: Fernanda (Direito), Tiago e César que já vão para a Universidade também”, diz toda faceira.


No Mato – “Quando mudamos a Campo Mourão a cidade não era nada. Moramos em casa alugada na Rua Panambí, em frente da residência do nosso compadre Alberto Spilka, da Mecânica Paulista. Meu marido vendia toras na Laminadora Oeste, onde hoje é o Mercado Municipal. Dali pra baixo era tudo mato. O gerente da laminadora, um tal de João, falou ao meu marido parar de pagar aluguel, ofereceu uma casa, aqui onde moramos até hoje. Onde está a Faculdade (Fecilcam) era a colônia dos operários da laminadora e por ali a gente buscava água de poço. Daqui ao centro era um caminho envolto em capoeiras. Por aqui era cheio de raízes de árvores por causa do desmatamento. Criticavam a gente por morar no mato. O João sempre acreditou em Campo Mourão e falava: já, já... não demora.. .a cidade chega aqui!! como de fato chegou”, relembra Maria Candida.

Hoje – “Sempre que posso vou ao Rio de Janeiro visitar meu filho na Marinha. Aqui chegamos sem nada. O João sempre no ramo de toras e eu a bordar. Baseada no que passamos hoje temos o essencial. Tudo que possuo construi com minha arte de bordadeira. Somos donos dessa área. Tenho minha casa boa, bem portuguesa com certeza, três kitinets de aluguel e uma família maravilhosa. O que ganhamos, a herança e o que vendemos na Ilha da Madeira, aplicamos tudo em Campo Mourão. Sou em parte triste, por ver meu marido doente”... diz com os olhos cheios de lágrimas e se cala. Tenta sorrir. Outra pausa. Enxuga os olhos e pede “perdão” pela emoção. "Minha felicidade – retoma o diálogo – e a minha vontade de ainda viver, são meus filhos!!.. tenta esboçar um largo sorriso, triste.

Prova de Amor - “Vi Campo Mourão crescer. Vencemos juntos. Todo lugar para ser bom depende do povo que vive em cima da sua terra. Com quem converso, não tenho queixa de ninguém sobre a cidade. Olha! ... para você valorizar onde vive, saia fora! Eu viajei muito para atender meu filho no Colégio Militar de Curitiba e a resolver os negócios na Ilha da Madeira, mas sempre que voltava, ao adentrar ao Paraná meu coração pulava de alegria e agradecia a Deus por estar na minha terra. É difícil eu viver fora de Campo Mourão. Daqui só saio para minha sepultura, que paguei 1.600 Reais para fazer, no Cemitério São Judas Tadeu. Não temo a morte nem um pouquinho. O cemitério é o nosso lugar mais certo.


É o  fim da história de cada pessoa”, concluiu a simpática e sorridente Maria Candida Ferreirinha, a competente Maria Bordadeira, há mais de 50 anos em  Campo Mourão.


Wille Bathke Jr
Campo Mourão