30/03/2011

João Bento nos Campos do Mourão



João Rodrigues Monteiro - João Bento

 Em 25 de setembro de 1893, um grupo de guarapuavanos requereu uma grande posse de terra (60 mil hectares), na região dos Campos, mas não vieram tomar posse ou se fixar.

Em 16 de setembro de 1903, a primeira família, a dos Pereira, liderada por Jozé Luis, veio de mudança desde Pitanga morar nos Campos do Mourão.

Alguns anos depois – um contava para o outro – por volta de 1910, chegaram outras famílias, dentre elas a dos Custódio de Oliveira (Barreiro das Frutas).... Jorge Walter (Gleba Sem Passo)... Guilherme de Paula Xavier (Gleba Santa Maria) e outros.

Foi aí que Campos do Mourão começou realmente a ser explorado. Abriram-se picadas e as primeiras estradas, que eram simples carreadores, sobre trilhas nativas que já existiam, que foram alargadas na foice e no facão.

Cerrado - Campos do Mourão

Antes do “Picadão” Pitanga/Campo Mourão, um batalhão de engenharia do Exército rasgou o traçado de Guarapuava à Guaira, que passava por Paranavai (Fazenda Bandeira).

A Boiadeira no inicio (1903) era apenas um traço no mapa. Foi quando começou a ser aberta – de Guarapuava ao sul de Mato Grosso – com passagem pelos Campos do Mourão onde os tropeiros acampavam e descansavam. A picada da boiadeira terminou em 1910.

Em 1919, o engenheiro Edmundo Alberto Mercer iniciou o traçado da estrada de Campo Mourão ao Salto Ubá (Rio Ivai), que hoje é a rodovia (Avelino Piacentini), que interliga Campo Mourão a Peabiru, Engenheiro Beltrão, Ivailândia até Maringá. Essa estrada tinha cerca de 120 kms. Foi aberta de lá prá cá. Passava por Campo Mourão e seguia até as barrancas do piscoso Rio Paraná.

Em 1916 (3 de março) foi criado o Distrito Policial de Campo Mourão, subordinado à Delegacia de Policia de Pitanga, municipio de Guarapuava.

Em 1920, Campo Mourão ganhou a condição de Distrito Policial-Judiciário, quando já existia várias famílias espalhadas na região, com uma população estimada de 200 pessoas, segundo censo de Guarapuava naquele ano.

Para delimitar Campo Mourão – estabelecer o território – entre os rios Ivai e Piquiri e também garantir as terras dos primeiros posseiros, foi feito o mapa e as medições do território mourãoense (atual Comcam) no começo de 1920, pelo mesmo agrimensor Edmundo Mercer e o Engenheiro Carlos Alberto Coelho Junior que também era fotógrafo.

Por volta de 1940, foi desenhado o atual perímetro urbano da cidade de Campo Mourão, pelo agrimensor Eugênio Zaleski, que construiu o Hotel Central na esquina da Av. Irmãos Pereira x Rua Francisco Ferreira Albuquerque.



Nessa época veio morar em Campo Mourão o desbravador e pecuarista João Bento (batizado João Rodrigues Monteiro), que acreditou seriamente no futuro da região, investiu e foi um dos maiores propagadores do promissor Município do Centro Oeste do Paraná.


Sua posse de terra e residência eram onde está o Parque Municipal Joaquim Teodoro de Oliveira (Parque do Lago). Nas fotos, João Bento, com a família e ao lado do eng° Coelho Junior.


João Bento, que nasceu em Minas Gerais e se fixou em Campo Mourão em 1920, juntamente com Manoel Mendes Camargo, faleceu aos 64 anos, em 1935, vítima de malária (febre amarela) que contraiu durante uma pescaria com onze amigos, no Rio Ivaí.


Todos foram contagiados e sete faleceram, 
inclusive um filho e o pioneiro estradeiro.