23/03/2011

Correios de Campo Mourão - Histórico

ORIGEM HISTÓRICA
Campo Mourão foi elevado a Município em 10 de outubro de 1947


O serviço postal em Campo Mourão, antes da instalação da agência atual em 1973, foi executado inicialmente por intermédio de particulares que viajavam para as cidades de Maringá ou Pitanga. As correspondências eram então trazidas por pessoas que voltavam nas “jardineiras” que ligavam Campo Mourão a essas duas cidades, dentre as quais o senhor Ville Bathke, Escrivão Criminal e Oficial do Registro Civil..

Existiam duas pequenas empresas de ônibus para transporte de passageiros. O “Expresso do Campo” de propriedade do capitão Renato Romeiro Pinto de Mello, residente e com garagem na avenida Capitão Índio Bandeira esquina com a rua Roberto Brzezinski e o “Expresso do Oeste” de propriedade do senhor Elias Xavier do Rego, na avenida Capitão Índio Bandeira esquina com a rua Brasil. As “jardineiras” eram dirigidas pelos senhores Daniel Miranda, Lauro e os irmãos Aristóteles e Joaquim Xavier do Rego, motoristas abnegados que enfrentavam as péssimas condições das estradas que mais pareciam “carreadores” cortando as densas matas naturais e selvagens, cujas viagens duravam mais de oito horas em dias normais ou vários dias quando chovia.

BR 158 - “Jardineira” atolada – 1950

Balsa Hilda – travessia do Rio Ivaí – Campo Mourão x Maringá

Inicialmente, as correspondências eram deixadas na Prefeitura Municipal que era localizada na avenida Capitão Índio Bandeira nº 000, depois na “Casa Iracema” de propriedade dos senhores Jeremias Cilião de Araújo e Acir Paraná Barbosa, que era localizada na avenida Irmãos Pereira nº 000 esquina com a rua Brasil, ou na “Casa Santo Antonio” de propriedade da senhora Margarida Wakin Michicoski, que era localizada na avenida Capitão Índio Bandeira esquina com a rua São Paulo.

1ª Prefeitura e Escola – na av. Capitão Índio Bandeira, frente a Praça - 1947

Casa Iracema, Sapataria Paulista e Hotel Central –
Av Irmãos Pereira x Rua Brasil e Francisco Albuquerque – 1948


ORGANIZAÇÃO

 - Em 10 de maio de 1950, quando Ville Bathke veio para Campo Mourão e assumiu interinamente o cargo de Escrivão do Crime, acumulando as funções de Escrivão do Júri e das Execuções Criminais e de Oficial do Registro Civil de Casamentos, Nascimentos e Óbitos, no Distrito da sede da Comarca de Campo Mourão, de início já encontrou a dificuldade de comunicação postal com a capital do Estado e outras cidades do País, para a remessa das correspondências oficiais, processos e cartas-precatórias, dependendo de viagens semanais para Maringá e Pitanga, as duas cidades mais próximas, distantes 80km, que tinham serviço postal regular e cujas despesas corriam por sua conta.Para melhor poder desempenhar as suas funções, aproveitar o tempo e economia de gastos, conversou com os agentes postais daquelas duas cidades e surgiu a idéia da confecção de malotes de lona fechados com cadeado, os quais eram entregues aos motoristas das “jardineiras”.Como na volta e no interior dos malotes vinham correspondências endereçadas para diversas pessoas e casas comerciais de Campo Mourão e seus distritos, começou a nascer o “Correio Particular de Campo Mourão”, centralizando-se a recepção e entrega de correspondências no Fórum, que na época localiza-se na avenida Irmãos Pereira nº 000, quando certo dia foi solicitado pelo doutor Illian Moraes de Castro Vellozo - o primeiro Juiz de Direito da Comarca de Campo Mourão - o término desse trabalho ou a transferência para outro local, em virtude do volume de pessoas que nada tinham a ver com os trabalhos forenses.
1º Casarão do Fórum da Comarca de Campo Mourão-PR – 1950
Na av Irmãos Pereira – em frente da antiga Telepar

Meia-água - Havia na avenida Capitão Índio Bandeira, esquina com a rua Araruna, a primeira e única farmácia chamada “Farmácia Luz” de Waldemar Roth, destruída por um incêndio, ao lado da qual instalou-se a “agência” do “Correio Particular de Campo Mourão”, tendo sido designado Rubens Bathke, para recepção e entrega das correspondências e encomendas, ocasião em que foram instaladas “caixas postais” pagas e a venda de selos, cuja receita precariamente mantinha a continuidade dos trabalhos numa pequena meia-água de madeira, no terreno onde foi construído, depois, o Hotel Roma.

Nesse tempo as casas comerciais ou residenciais não tinham números e poucas ruas e avenidas estavam abertas, concentravam-se ao redor da Praça Getulio Vargas. Eram construídas de madeira em cima de cepos e cobertas de lascas de pinho. Não havia tijolos nem telhas de barro, pois na época não existia olaria. As janelas eram de madeira rústica, não tinham vidros e eram trancadas por dentro com um pedaço de ripa (tramela). Mesmo assim, a agência do “Correio Particular de Campo Mourão” foi arrombada, sem prejuízo nenhum porque nada tinha para ser roubado. Em conseqüência desse incidente, a “agência” foi transferida para a avenida José Custódio de Oliveira, nº 1274 onde ficou até a criação definitiva da “Agência Postal” e instalação do “telégrafo sem fio” no início do ano de 1954, na rua Ceará nº 423, hoje denominada rua Harrison José Borges, tendo assumido como agente postal, Juvita Messias Marques.Em setembro de 1954, passados alguns meses, a “Agência Postal” foi mudada e instalada na mesma rua Harrison José Borges, quando também começou a funcionar o “telégrafo sem fio” com a vinda do radiotelegrafista Carlos Mareck, o qual foi nomeado agente postal em substituição a Juvita Messias Marques.

2ª agência postal – maquete – Rua Harrison José Borges – 1963
Autor – Ademir Fogassa – Mourãoense de nascimento.

No ano de 1964, mais uma vez a “Agência Postal” mudou de endereço e instalou-se na rua Brasil, esquina com a avenida Goioerê, próximo do Grupo Escolar Marechal Candido Rondon.


3ª Agência Postal – Rua Brasil x Av Goio Erê – 1964

Os mourãoenses contavam, então, com a prestação dos serviços postais que consistiam basicamente:1- na postagem, encaminhamento e entrega de cartas simples e registradas, de encomendas postais, de numerário, documentos e objetos com valor declarado ou declaração do seu conteúdo;2- no recebimento, transmissão e entrega de numerário por meio de vale e cheque;3- na obtenção do destinatário e devolução ao remetente do Aviso de Recebimento – AR;4- na venda e troca de Cupons Response.

O acelerado crescimento, que impulsionou a cidade de Campo Mourão em 1972 influenciou, acentuadamente, na demanda dos serviços postais e telegráficos, passando a exigir uma estrutura compatível dos correios sendo então construído o prédio atual com 320,50m2, à rua Francisco Ferreira de Albuquerque nº 805.

O prédio comportava em primeiro lugar o “hall público” com balcão de atendimento, a tesouraria, a área telegráfica, o almoxarifado, o setor de caixas postais, a área de triagem e manipulação das correspondências, sanitários, sala de aparelhos como a cabine pública de telex, aparelhos de telefones, sala da gerência, área do SERCA, e a sala de preparação para distribuição de correspondências.

Narrativa e fotos de Rubens Bathke
Campo Mourão, 2007