12/04/2016

Histórias do meu avô sobre Campo Mourão

Histórias de Campo Mourão 

 
Meus avós paternos: Rodolfo e Idalina Bathke
em Campo Mourão

Em 1936 eu, meus irmãos e irmãs nem éramos nascidos quando nosso avô paterno, Germano Francisco Rodolfo Bathke (Av. Germano Francisco Rodolfo Bathke, Jd. Santa Cruz, Campo Mourão/PR) que morava e era colono em Balsa Nova, então Distrito de Campo Largo/PR, veio conhecer os Campos do Mourão a convite do seu cunhado Francisco Ferreira Albuquerque (tio Chico) que era irmão da nossa avó paterna, Idalina Albuquerque Bathke.
Em meados de 1930, tio Chico - telegrafista da RVPSC- veio da Lapa/PR residir em Palmeirinha – região de Pitanga – “criar porcos pra negócio e um pouco de gado pro gasto”, próximo a Borboletinha, onde morava sua irmã Sebastiana Albuquerque (Tiana) e dali veio, com sua esposa pontagrossense, Anita Gaspari e a família, se estabelecer com hospedaria e comércio (venda de tecidos, utensílios, secos e molhados), adquirida de Léo Guimarães, na Laje Grande de Campo do Mourão (imediações da Bica do Rio do Campo) e tocar a Fazenda Figueira na região de Engenheiro Beltrão, a convite do pioneiro e cafeicultor do Barreiro das Frutas, José Custódio de Oliveira, que aportou por estas plagas devolutas por volta de 1908/1910.

 
Butiazeirinho dos Campos do Mourão

“Nesse tempo tudo, em volta daqui, era Campo do Mourão, no imenso vale dos rios Ivaí e Piquiri, onde tudo que se plantava, era colheita na certa. As safras anuais de porcos eram tocadas a pé por caminhos naturais dos índios e picadas abertas na foice e no facão pelo meio da mata densa, inicialmente comercializadas em Guarapuava e depois em Apucarana”, contava meu avô, que se dizia deslumbrado com as algazarras e a quantidade enorme dos bandos de araras, papagaios, baitacas e outras aves e passarinhos raros que pousavam nas árvores, nas palmeiras e palmeirinhas típicas do cerrado e nelas ficavam horas se alimentando de coquinhos, pela manhã e no final da tarde. Nesse meio tempo do dia revoavam e sumiam, para continuar o ciclo de vida na manhã seguinte. Era tudo sertão bruto, mas não imagino onde tanta ave assim, dormia.” Se indagava nosso avô.


 
A região de Campo Mourão tinha bandos de Araras

 
O paraíso das antas era o banhado da Vila Rio Grande
em Campo Mourão

 
Cambutã vivia em grupos no Cerrado de Campo Mourão

“Pelo enorme cerrado todo, recoberto de sapé, capim nativo, pitanga e gabiroba do campo, a gente via muitos animais sozinhos ou em grupos (veados, capivaras, antas, pacas... eram muitos... até onça vez ou outra se via umas, e seus urros no cair da noite, se ouvia de longe e dava medo", revela.

 
Onça, a Rainha do Cerrado de Campo Mourão

"Nessa época também conheci o matreiro Índio Bandeira e sua pequena tribo de bugres (índios amansados).  Um deles matou, com uma flechada, um conhecido carpinteiro que estava fazendo a cumieira de uma casa perto onde é a praça central de Campo Mourão. Disseram que, um ano antes, esse carpinteiro havia maltratado o bugre, daí a vingança”, contava seu Rodolfo, que acabou por voltar a Balsa Nova e só veio morar em Campo Mourão definitivamente, em 1950, junto com seu filho e toda a família de Ville Bathke, primeiro escrivão vitalício da Escrivania do Crime e do Cartório de Registro Civil, da recém criada Comarca mourãoense.

 
Wille Bathke Jr e os 'bugres' em Paranaguá

 
Arara Una - Arara Azul povoava Campo Mourão