04/03/2013

Morre Historiador de Campo Mourão

 
###

 
Pedro da Veiga

Morreu aos 74 anos, na noite de domingo, 3 de março, vítima de mal súbito, o historiador e um dos pioneiros da comunicação de Campo Mourão-PR, Pedro da Veiga.
Pesquisador e escritor da história Mourãoense (Campo Mourão Centro do Progresso) foi locutor do Cine Mourão (A Voz Amiga da Cidade), funcionário da antiga Casa Rosa e secretário da administração pública municipal dos prefeitos: Horácio Amaral, Renato Fernandes Silva, Augustinho Vecchi (dois mandatos) e José Pochapski, de 1970 ao início de 1990. 
Deixou a função e se aposentou no início da gestão do prefeito Rubens Bueno. 

 
1956- "Esta é a Rádio Colmeia ZYS-63 de Campo Mourão, com estúdio na Rua Brasil – Edifício Gênero. Na sequência musical ouviremos com MARIO LANZA, de autoria de Cardillo, Domenico Carolli e Riccardo Cordiferro: CORE’NGRATO”.


Pedro da Veiga foi um dos locutores no início da Rádio Difusora Colmeia, onde atuou na função de repórter e apresentador do jornal falado: 'O Mundo em Foco', ao lado de Aroldo Tissot, Luiz Gonçalves, Jaíme de Assis e Hains Ravache. 
Fez parte da equipe de 'Colmeia nos Esportes', com Antonio Reiniscz, Anisio Morais e Wille Bathke Jr.

1970 - da esq>dir:  Pedro da Veiga, Ervin Bonkoski, Doraci Scorsato,
Brasilisio "Zé Mané" Pereira de Lima, Wille Bathke Jr e Antonio Reiniscz
Foi casado com Wilma Bathke, pai de: Adriano, Adalberto, Andrea, Alexandra e Alexander.
O corpo foi velado na Capela do Prever e sepultado no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, de Campo Mourão.

 
Leia neste blog: "Pedro da Veiga, fala e escreve"

“Minha paixão é a comunicação. Trabalhei no serviço de alto-falante do Cine Mourão e na Rádio Colmeia. Amo Campo Mourão desde que aqui cheguei. Com as células vivas, nos dedicamos de corpo e alma, às causas nobres da cidade, este grande Centro do Progresso, título do meu livro, que deixo como legado às gerações. Me orgulho de ter filhos e netas, todos mourãoenses”.

Pedro da Veiga nasceu dia 9 de dezembro de 1938, no Distrito de Cinzas (atual Jundiaí do Sul), município de Santo Antonio da Platina (PR). 'Jundia í' quer dizer Rio do Bagre.
"Jundiaí foi criado na mesma data de Campo Mourão, 10 de outubro de 1947, pelo governador Moisés Lupion”, explica. Pedro é filho do safrista de porcos e guarda florestal, José Batista Leite Veiga (Nhonhô) e de Theodora Cardoso de Lima. Tem cinco irmãos: Maria casada com Silveira Claudino, Terezinha, Paulo marido de Inês Hannel, Deodato esposo de Telma Vieira, Joana e Carlos Magno.

"Meus pais"

"Minha familia, minha mãe e eu com dois anos" 

Infância – Quando menino gostava de nadar no Rio Jundiaí e brincar de “mocinho e bandido”, influenciado por heróis do “far-west” que via no cinema local. Lembra-se dos filmes de Tex Ritter, Roy Rogger, Rock Lane e dos seriados do Zorro, Deusa de Jôba e Flash Gordon. “Comecei a trabalhar de locutor nos serviços de alto-falantes do cinema e da igreja matriz de São Francisco de Assis, padroeiro da minha cidade natal. Fazia reclames (comerciais), anunciava filmes, animava quermesses, tocava os sinos às dezoito horas, rezava a Ave Maria e rodava músicas até pouco antes da missa das sete da noite”.
Pedro da Veiga foi “coroinha” e “congregado mariano”. “Eu ajudava o frei Henrique de Trevíso - que me batizou - depois o padre Carlos Weiss, a celebrarem as cerimônias e auxiliava na limpeza da igreja”, recorda feliz. “Meu primeiro emprego, com doze anos, foi com José Milani, dono da Casa Popular, um senhor de idade, alegre e sacristão. Nós dois co-celebrávamos as missas”, sorri.

Tex Ritter, Zorro e Roy Roggers

Estudante – Pedro da Veiga iniciou os estudos aos sete anos. Concluiu o primário no Grupo Escolar Governador Moisés Lupion. “A diretora era Uacy Machado Pereira e minha professora, Eliza Armindo Pinto, que me marcou muito no dia da formatura. Meus colegas ganharam presentes das madrinhas, menos eu. Eliza era a minha. Esperei, meio jururu, e nada. Quando a cerimônia estava terminando ela veio sorridente, me parabenizou, me beijou e me deu um abraço tão gostoso, um dos maiores presentes que já recebi na minha vida”, relata emocionado. “Fiz o exame de admissão ao ginásio e o primeiro semestre em Santo Antonio da Platina – Jundiaí não tinha - e a outra metade do ano em Apucarana, mas tive que parar por mudanças da família”, conta Pedro.

Curitiba – Aos 16 anos deixou Jundiaí do Sul. “Meu pai comprou uma pensão perto da Praça Ozório de Curitiba, em sociedade com a irmã Maria Batista Veiga de Oliveira (tia Mariquinha). Não deu certo. Em 1955 retornamos de trem até Maringá. Quando estávamos em Londrina a composição descarrilou. Foi uma parada brusca e um choque violento. Apavorante. O vagão onde eu estava com a família, pendeu violentamente e por pouco não tombou”, conta assustado.

Campo Mourão – “Desembarcamos na estação ferroviária de Maringá. Seguimos de ônibus por uma estrada mal conservada e poeirenta. Atravessamos o Rio Ivai de balsa e chegamos a Campo Mourão. Moramos com o avô materno, Egydio Cardoso de Lima, cafeicultor, no Distrito de Barreirão do Oeste, atual município de Boa Esperança. Tudo era sertão, habitado por animais selvagens. Meu pai gostava de caçar pacas, de carne macia e gostosa”, narra Pedro da Veiga. "O desbravador, Egydio Cardoso de Lima, meu avô que chegou aqui em 1950, denomina uma rua no Jardim Country Clube de Campo Mourão."
Com a família, Pedro da Veiga aportou em Campo Mourão no ano de 1955.
“Amigo de Moisés Lupion, meu pai foi nomeado guarda florestal, designado para vigiar as matas e coibir a invasão na inóspita terra de Cascavel. Ficamos sozinhos em Campo Mourão. Morávamos em uma casa de madeira, sem luz, água de poço, na Avenida Goioerê, no meio das capoeiras do cerrado, perto do antigo Armazém do Licínio Rodrigues, entre o atual Supermercado Carreira e o Mercado Municipal”, localiza. 
 
Trecho do depoimento de Pedro da Veiga, ao Projeto Raízes, na Tribuna do Interior

 
Pedro da Veiga Curtiu a Vida. Escreveu e Passeou


  

Gregório Barrios cantor preferido de Pedro da Veiga

Angela Maria a sua cantora preferida


>clic nas fotos p/ empliar<