19/06/2011

O Patriarca Bathke no Brasil

 


Johannes Friederich Paul Gellert Dietrich Bathke


Nasceu em Berlim, Alemanha,  e chegou ao Brasil em 1890. Desembarcou no Porto de Aratu, cidade baixa de Salvador/BA, de onde seguiu a Blumenau-SC. Juntou-se à grande colônia de alemães recentemente instalada na região. Foi até Lages e radicou-se no vilarejo chamado São Joaquim da Costa da Serra, local que o impressionou pelo clima frio e pela beleza singular.

1889 - Antes de imigrar ao Brasil, apelidado Paulo Bathke do Brasil, fazia parte de uma comissão especializada que iria prestar serviços no Japão, mas por decisão de última hora do Kaiser, a viagem foi cancelada, o que frustrou o empreendedor que anteriormente já tinha viajado por toda a Europa. Além do alemão, falava fluentemente inglês, francês, italiano e espanhol. Desiludido por não ter ido ao Japão, seu espírito aventureiro o traz ao Brasil, e por conseguinte a São Joaquim-SC, onde constituiu família e fixou residência.

Por duas vezes retornou à Alemanha rever familiares, mas a sua morada definitiva estava em São Joaquim da Costa da Serra, povoado que adotou e do qual tornou-se figura legendária.

1893 - Paulo Bathke, como passou a ser chamado pelos joaquinenses, já que ninguém sabia pronunciar seu nome em alemão, casou-se em 20 de janeiro de 1893 com Maria Olinda da Silva Ribeiro, descendente da tradicional e influente família dos Ribeiros, grandes fazendeiros e políticos influentes da época.

1931 - O pioneirismo deste imigrante alemão se acentua na década de 1930, quando foi eleito Prefeito de São Joaquim (1931 a 1934).
Na sua destacada gestão, determinou e acompanhou pessoalmente a abertura da maior parte das estradas hoje conhecidas, numa época rudimentar neste tipo de atividade. 


Introduziu o cultivo da macieira na região, além de ser um grande entusiasta do cultivo da maçã, tendo provado ao então governador Adolfo Konder que uma macieira dava lucro duas vezes maior que um pé de café.

Construiu e gerenciou o primeiro cinema e comprou o primeiro caminhão visto em São Joaquim. 
Quando prefeito construiu o Grupo Escolar Manoel Cruz, uma das obras de maior importância na história cultural da cidade.

Não bastasse todas as suas realizações como líder social e comunitário, Paulo Bathke, além de ter doado terras ao município, exerceu diversas outras atividades: advogado, jornalista (fundou jornal em São Joaquim), botânico, agrimensor e político.

Combatente - Mas também exerceu uma atividade inusitada. Foi revolucionário, juntamente com seu genro Francisco (Chico) Palma. Defendeu São Joaquim com armas na mão quando um pelotão de policiais que praticavam torturas em Lages e Painel ameaçaram invadir a cidade. Assm, reuniu mais de cem homens armados com fuzis e comandou uma ‘espera’ na região da atual Serrinha, a fim de repelir os invasores. Entretanto, com a notícia da armação, os bandidos souberam da resistência e desistiram do ataque.


Reunidos e armados na região da Serrinha

Paulo Bathke, por ser um homem culto e amante da arte e da música, trouxe a São Joaquim, com o propósito de ensinar a arte aos seus filhos, o maestro Waltrick e, através deste, o músico Leonel Porto, que viria a ser um dos fundadores do famoso grupo musical “Pedacinho do Céu”.


Paulo Bathke conviveu com grandes personalidades, dentre tais: Osvaldo Aranha, Flores da Cunha, Nereu Ramos, Vidal Ramos e Adolfo Konder.

São Joaquim - Cidade da Neve 


(Texto e fotos: Terezinha de Jesus Thibes Bleyer Martins Costa)

Depalma deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O Patriarca Bathke no Brasil":

"Combatente - Mas também exerceu uma atividade inusitada. Foi revolucionário, juntamente com seu genro Francisco (Chico) Palma....
" A foto embaixo, refere-se a história? É na região da Serrinha?

Obrigado, Roigério