04/06/2011

Nilton Bussi de Campo Mourão - Promotor Divertido

 

NILTON BUSSI

“Estou em Curitiba mais meu coração mora em Campo Mourão. Os fatos marcantes da minha vida aconteceram lá. Devo minha realização pessoal e jurídica àquela cidade abençoada. Convivi com pessoas maravilhosas e vi Campo Mourão se desenvolver. Eu me orgulho de ser mourãoense por adoção”, enfatiza doutor Bussi.


Nilton e Maria Inês de Campo Mourão à Curitiba

Nilton Bussi é natural de Porto União (SC). Nasceu dia 19 de abril de 1938. Filho de Cantídia dos Santos (funcionária forense) e Felix Bussi (Oficial de Justiça). Casou com Maria Inês Andreazza, dia 6 de janeiro de 1971, em Lages (SC). Maria Inês é de Tangará (SC), do dia 19 de julho de 1948. Têm três filhas: Luize Cristina (arquiteta), Cristiane (advogada) e Aline Maria (designer).

Ensino superior - Em 1960 não tinha faculdades no interior. Fez curso de Inglês do Ministério da Educação e Cultura MEC), no Colégio Estadual de Curitiba, com o professor, Phillip Summer. Morou na Casa do Estudante Universitário, concluiu o curso de Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e trabalhou no extinto Banco da Província do Rio Grande do Sul.

Convite – “Em 1961, estava eu no Colégio Estadual do Paraná, me apareceu o Ephigênio José Carneiro a procura de um professor de Inglês e Matemática, a fim de lecionar no Ginásio Campo Mourão, que era dele. Eu não entendia nada de Matemática. Estava meio mal (sem dinheiro) e disse a um colega, vou nessa!! (risos)... o Ephigênio pegou meu cartão, levou e eu fiquei na minha. Em março me telefonou. As aulas estavam no início. Voei pela Real,a Campo Mourão, sem conhecer naaada!!"... conta Bussi.

Desbravador - Recém formado, seus livros estavam empacotados na Transportadora Paulista. “Aí só tive o trabalho de pegar um pincel atômico, escrever Campo Mourão e ir embora. Fui o oitavo advogado de uma Comarca enorme, brava e muito crime por causa de terra. Compreendia quase um quarto do Estado”, explica. “O Juiz de Direito era o doutor Joaquim Euzébio de Figueiredo e o Promotor de Justiça, Lary Calixto Razzolini”, relembra.

Avião errado - Foi de Curitiba em avião bimotor (Douglas - DC3) pela Real Aerovias Brasil. Sentou ao lado do madeireiro Bellin Carolo. “O vôo foi meio tumultuado”. O tempo fechou sobre Campo Mourão e Maringá. “Dava muitos solavancos. O piloto desviou e pousamos em Londrina. O vôo estava perigoso”. No dia seguinte, na hora do reembarque a Campo Mourão, Bellin Carolo, um homem simples, “com forte sotaque atalianado”, ia entrando na aeronave de São Paulo. “Eu o avisei: ôoo seu Italiano?! Olha, não é por aí!... Esse gesto reforçou nossa amizade," recorda. “Seu Bellin era muito católico e eu também. Na chegada me disse: olha, depois da missa nóis toma um chimarrãozinho atrás da igreja (São José). Vai lá pra gente se conversar”. Era o escritório da Indústria de Madeiras Guarapuavinha, onde hoje é o Hotel Santa Maria. “Ali conheci o Martellinho, o Luiz Tonet e o Luizinho (Luiz Carolo)”. Egydio Martello fazia a contabilidade da empresa e também lecionava no Ginásio do Ephigênio.

Na chegada – Dia 15 de março de 1961, por volta das 14 horas, Nilton Bussi, desembarcou em Campo Mourão. Tempo chuvoso e barro. "À noite eu já estava lecionando.Fui com o Ephigênio, que tinha um pé-de-bode (Ford de bigode – Ano 39 - adaptado) de marcha seca, uma gaiotinha, que depois comprei dele. Cheguei um dia atrasado por causa do pouso forçado em Londrina. Fui admitido na condição de professor suplementarista de Inglês Clássico, mas nunca dei uma aula de Matemática naquela escola”, conta rindo.
 
Professor - Bussi também lecionou OSPB – Organização Social e Política Brasileira, “matéria implantada pelo governo da Revolução”, na Escola Normal Regional (João d’Oliveira Gomes), que à noite era a Escola de Comércio Santo Inácio, atrás da Prefeitura. e dava palestras no antigo Instituto Santa Cruz. Nesse tempo professor ganhava bem. “Eu me mantinha dando aulas e sobrava dinheiro. Conto isso hoje e ninguém me acredita. Sempre tive sorte. As coisas boas me aconteceram muito cedo. Tive a felicidade de ir para Campo Mourão com 22 anos, onde aconteceram os melhores dias da minha vida”, recorda feliz..

Hotel simples - “Depois da aula o Ephigênio me levou para o hotel do seu Sabino Deitos”, antigo Hotel Paraná de madeiras, meio torto, parecia que ia desabar. “O Darci Deitos foi nosso aluno”. Ainda não havia visto a cidade. “O hotel tinha um corredorzão. Escada barulhenta. No quartinho mal cabiam cama e guarda-roupas meia-aba (risos). O banheiro era coletivo. Bem simples. Eu estava acostumado em hotéis de Curitiba, imagine só: fila para tomar banho e fila para ir na privada”, rindo muito.

Campo Mourão, "seu Sabino dono do rangedor Hotel Paraná"

Chimarrão – No dia seguinte passou a lecionar pela manhã e à noite. “A tarde eu ficava livre”. Não ficou uma semana no hotel. “Cheguei numa quarta-feira e domingo, depois da missa, fui tomar chimarrão. Entrei na roda. Seu Bellin perguntou: tá morando aonde? Respondi: em hotel!! Chamou o Tonet, sobrinho dele, e ordenou: ponha o moço lá na república, viu??!! Tudo isso me aconteceu em três dias. Campo Mourão para mim é uma terra abençoada. Ali comecei minha vida”, enfatiza contente.

 
Madeireiros de Campo Mourão

República - Foi conhecer a república. “Nunca morei em outro lugar em Campo Mourão. Só ali, sem pagar nada, durante seis anos”. O local ficava na Av. Capitão Índio Bandeira, abaixo da casa do advogado Paulo Vinício Fortes, ao lado da casa de Luiz Carolo, perto do Sindicato dos Operários anexo ao escritório do advogado Wilson do Amaral Brandão. “Nessa caminhada até a república passei em frente do antigo Fórum e do Hotel Brasil. Uns casarões de madeiras. Virei a Rua Araruna. Na esquina de cá tinha a Loja Renner (Albano Zanini) e quase na esquina de lá, a casa do doutor Nelson Bittencourt Prado. Na esquina da frente hoje tem o Colégio Santa Cruz. Desci à esquerda da Índio Bandeira. No meio existia uma selaria velha, depois uma cerca de ripas e no fundo da data, a república de três quartos, onde ficamos com o Martello e o Luiz Tonet”, descreve Bussi.

Jeca - Um dia de chuva saiu da república para ir na Sapataria Paulista. Nada de calçamento. “De cara meu sapato fez nhóóóóóc... atolei no barro. Passei na rodoviária velha do Feiz e Elias Farhat. Do lado esquerdo era a praça e a direita um bosque nativo, muito bonito, descampado (onde hoje estão a Telepar, o Shopping Cidade e o Colégio Santa Cruz). Na esquina (Av. Irmãos Pereira) havia o Hotel Central. No meio da quadra estava a sapataria e ao lado uma pensão (Bom Jesus), “que não tinha quartos, só camas e os paus-de-arara (nordestinos) dormiam em redes. Era uma roncadeira e um fedor desgraçado”, conta rindo. “Na Paulista faziam uma botinha tipo Jeca Tatu (risos). Era uma botina meia-canela, bico chato, confortável. Gostei, comprei e nunca mais tirei dos pés. Calçava sapatos de vez em quando”, relembra. 

Amizades - Nilton Bussi fez muitas amizades. “Conheci os doutores Milton Luiz Pereira, Paulo Vinício Fortes, Nelson Bittencourt Prado, José Dutra de Almeida Lira e dona Maria do Céu – esse Dutra um dia tomou um porre, pegou a mulher, o carro e sumiram da cidade. Conheci o Horácio Amaral que misturava política com advocacia. Fiquei muito amigo de todos os advogados, do Rubens e do Ville Bathke do cartório, do Fioravante João Ferri, um dos homens mais ricos de Campo Mourão e vereador, que tomava mate com a gente, enrolava e fumava paióva (cigarro de palha), fundador da Coamo; da dona Ana e do Arthur Tramujas; do seu Antoninho prefeito (Antonio Teodoro de Oliveira) do irmão dele, seu Joaquim Teodoro de Oliveira, da dona Luíza e da família dele”, recorda. 

Pilantragem – “Chegou em Campo Mourão um Promotor baiano, chamado Magnavita – tinha uma mulher bonita e se hospedavam na Casa do Bispo, Dom Elizeu Simões Mendes, também baiano de Feira de Santana, um religioso muito culto, inteligente, que gostava de acercar-se de pessoas, mesmo alguns o achando elitista. Mas, esse tal Magnavita tomou dinheiro do pessoal, uma coisa de louco!! Ele despachava no casarão velho do Fórum, tipo faroeste... com privada cheia de bironhas (moscas varejeiras) lá no fundo da data. Nas segundas-feiras – conta Bussi - vinha gente de todo canto fazer compras, ir ao médico e resolver questões judiciais em Campo Mourão. No salão, uma mesa grande. O Magnavita sentado ali, atendia as causas, mentia que estava tudo resolvido e mordia o povo. Depois sumiu também”, revelou. 

Advogado - Nilton Bussi especializou-se em demandas de terra, inspirado na obra do advogado Ponce de Miranda. Montou escritório na Rua Harrison José Borges, ao lado do Posto Amaral (Posto do Cunhado). Na esquina da Av. Irmãos Pereira, defronte ao posto, residia Dr. Armando Queiroz de Morais. “Coloquei minha plaquinha, que guardo até hoje, e comecei a advogar”.
Mostra a placa ainda manchada de poeira encalacrada, de Campo Mourão.

"Julia Rocha Walter pioneira de Campo Mouão, não era boba"

Gleba dos Walter - Estavam abrindo o território de Campo Mourão. Muitas mortes por causa de terra. Uma área de conflito era na Gleba Rio Sem Passo, conhecida como Pinhal Azul, fechada de pinheiros. “Essa demanda envolvia dona Nagiba (Júlia da Rocha Walter) que vendeu a terra para uns espertalhões de Maringá e o Bellin Carolo era o segundo comprador. Se os picaretas de Maringá perdessem, o Bellin ficava com a terra. Peguei a causa. Quando compraram da Nagiba e do homem com quem ela vivia, os espertões de Maringá fumaram um troço (droga) pro casal ficar baratinado e assinar os documentos. O marido dela ficou meio tonto, assinou. Ela, esperta, só colocou o apelido no papel a troco de um revólver e uma máquina de costura velha. Aí é que deu a confusão por causa da invalidade da assinatura. O caso rolou cinco anos na justiça e eu como advogado. Só houve acordo quando aceitaram deixar um sítio de terra à dona Nagiba. Foi a maior demanda da minha vida. Não recebi nada pelo resultado. Mas, quando aceitei, assinamos um contrato válido até o final da decisão, por um salário mínimo mensal, que recebi direitinho, durante cinco anos”, agradece.

Automóveis - “Nesse tempo Promotor também podia advogar, menos causas que envolviam menores e o Estado”. Comprou seu primeiro veículo. “Foi o pé-de-bode do Ephigênio. Depois um Ford Mercury/47, coupê, preto, do Delcides Constantino Miguel. O do doutor Milton era azul. Mais tarde, comprei um Fusca azul, do ano”, diz vitorioso. 

 
"O Dr Odilon atendia no Centro de Saúde de Campo Mourão, bem aí!"

Heróis - "Conheci um médico que foi pra II Guerra (Dr. Odilon) no Posto de Saúde (atual Museu Municipal). Ele era engraçado, excêntrico, que colecionava armas antigas. Operava muito bem e quem costurava os pontos, com rara habilidade, era a mulher dele. Tínhamos lá outros médicos excelentes. Verdadeiros heróis pela falta de recursos da época. O José Luiz Tabith, muito humanitário e o Germano Traple que começou em Mamborê, trabalhou no Campo e é médico da Organização das Nações Unidas (ONU), além dos doutores Manoel Andrade e José Carlos Ferreira, que já estavam lá quando cheguei. Tinham o Hospital São Pedro e atendiam muito bem. A energia elétrica era fraca. As vezes estavam operando um paciente, apagava tudo. Era um Deus nos acuda!! - Dr. Germano Traple tinha um fusca marrom, antigo. “Todo mundo sabia onde estava o doutor por causa do fusca. Não tinha como se esconder!! rindo muito. 

Economia – “No meu tempo Campo Mourão era uma riqueza só. Tinha culturas de café, hortelã (menta), muita madeira e começava a criar gado. Faziam enormes alambiques para extrair o óleo de menta e exportavam por Maringá. Depois descobriram que hortelã exaure a terra e pararam de plantar”, alerta.

Promotor – No concurso a Promotor que participou tinha cerca de 400 candidatos, passaram 20. “Engraçado que apenas 11 foram nomeados. O número 11 era eu, justamente nomeado para atender as comarcas de Cruzeiro do Oeste e Campo Mourão”, rindo muito. “Viajava todo santo dia. Um poeirão danado. Cansei de empurrar ônibus no barro. Punha um bonezão na cabeça e vestia um avental marrom que comprei na Casa Pinheiro, aqui em Curitiba”, descreve.

Matança – “Para você ter idéia de quanto se matava em Campo Mourão, de março de 61 até setembro de 63, só eu defendi 25 réus. Eram oito advogados na cidade e essa era a cota de cada um. Tinha dia que se fazia júri de manhã e à tarde. A cadeia era superlotada. Cabia no máximo 12 presos e tinha 35 quando cheguei”, contabiliza. 

JK congregou a região de Campo Mourão

Maior comício – “Nunca vi tanta gente na minha vida como em 1962, no comício do Juscelino Kubistchek a favor da candidatura de Ivo Mário Trombini a prefeito. Palanque alto, em frente da Igreja. Praça e quatro quadras lotadas. Não dava pra chegar perto. Tinha gente, uns clientes meus, até de Paraná do Oeste, lugar que chamavam de Moscouzinho, porque diziam que lá tinha muito comunista. Se tinha, nunca vi”, sorrindo. “Nesse dia memorável Campo Mourão foi invadida por um exército de jeeps. Eram milhares... pra você ver o prestígio que tinha o ex-presidente JK”, observa. “Mas nesta o doutor Milton venceu, com apoio do governador Ney Braga e dos deputados Paulo Póli e Armando Queiroz de Morais. O Ney Braga sabia que o Ivo ia vencer, mas deu um cheque-mate: não ajudo prefeito que é contra meu governo. Aí deu Milton na cabeça!”, registra o ardil político. 

 
Ney Braga, astuto político virou a eleição em Campo Mourão

Revolução – Em outubro de 1963 passou a Promotor. Em março de 1964 veio a Revolução Militar. “Eu estava em Campo Mourão quando o doutor Joaquim, seu Ville (Bathke), o doutor Alvinho (Álvaro Gomes) e várias pessoas graúdas foram detidas pelo Exército. Houve muita perseguição em Campo Mourão por causa das deduragens. O Comandante Neudo chegou para agir em Campo Mourão. A tropa do exército acantonou na Prefeitura. Você falava: eu não gosto do Bussi. Eles iam lá... pá... e me prendiam. Era assim!! Muita gente inocente pagou o pato. O Neudo entrava no Fórum e bagunçava os processos. Um dia, 14 horas, fui ao Fórum.

Nilton Bussi, Augusto Massareto e Rubens Bathke em sessão de juri em Campo Mourão

"Reunimos com o doutor Augusto Massareto (juiz de direito substituto). Vestimos a beca preta. O Nêudo chegou com a escolta. Todos do pelotão bem armados. Nem boa tarde, nem nada. Seu Ville ainda estava no Cartório, deu uma encarada no milico e disse: "o senhor vai me desculpar mas tenho ordem do juiz de não lhe entregar mais nenhum processo!!"
O Nêudo deu meia volta-volver, e saiu pisando duro!!
O doutor Massareto o abordou e disse com voz firme: "quero lhe comunicar que qualquer processo que o senhor quiser, tem que requerer, com visto do Promotor. É uma ordem minha!!" O Nêudo bufou: "mas doutor, eu sou militar da revolução!!"
O doutor Massareto, com a maior calma, respondeu: "e eu sou do Poder Judiciário. Ainda existe Lei neste País”, narra o promotor Nilton Bussi.
"Depois trouxeram o doutor Mattioli, Juiz de Direito de Ponta Grossa, que chegou em Campo Mourão intimidando, sob as bênçãos da Revolução. Foi logo dizendo: lembrem-se que debaixo da minha toga existe uma espada!!", detalhou Bussi.

Piloto maluco - “Um dia viajei de teco-teco com o Tico-Tico (Odair da Rosa Lima), sobrinho do deputado Paulo Póli, dono do avião. Numa boa, sobrevoamos Campo Mourão e o Tico-Tico disse, lá em cima: "vou chamar um táxi pra nos pegar no aeroporto!!" - Raaapaz do céu!!!.. Deu um rasante em cima do ponto... vi as casas, o chão, tudo vindo ao nosso encontro. Ele era doido... cortou a gasolina e veio de bico. Quando tava bem pertinho, ligou... deu aquele estouro... acelerou... subiiiimos de novo.... putzzzzzzzz... quase me borrei”, gargalhadas.

Na Zona - "Eu comprei uma vez um terreno a duras penas, sem ver. Quando fui verificar, descobri que era na ZBM (zona de baixo meretrício), numa rua (Interventor Manoel Ribas) paralela à famosa Rua Santa Catarina. Lembro que perto tinha a casa da dona Lucrécia (Boite Sorriso), que ergueu um paredão em volta pra disfarçar. Ai é que chamava mais a atenção. Todo mundo queria ver a mulherada que tinha lá dentro (risos). Uns dez anos depois, vendi o terreno”, perto do almoxarifado municipal 

Atentado - Nessa época entrou em vigor o Estatuto da Terra, “que acabou com a agricultura porque os trabalhadore rurais adquiriram direitos trabalhistas, que até então não tinham”. Como Promotor resolvia as questões entre as partes. Certa vez ofereceu denúncia contra uma quadrilha de Maringá que aplicava o golpe-da-segunda (pegavam o titulo de terra da pessoa, mentiam que iam escriturar e registravam em nome deles). “Era o chamado grilo de terra, sob o comando de um certo bandidão Galo-Cego. O pessoal do Fórum começou a receber ameaças. Passei a usar um revólver Schmidt Welson (SW-32) por precaução. O soldado Baguncinha (PM) era meu guarda-costa. Uma noite estava indo para o Hotel Cacique, em Cruzeiro do Oeste, rua sem luz. Passava eu, por uma árvore caída, ouvi dois estampidos. Pensei que eram bombinhas: péfft... péfft. Entrei no hotel, o pessoal assustado. Atiraram no senhor, doutor?? Respondi: "Foi nada, não!! Mas foi sim. No outro dia estivemos no lugar onde passei na hora dos tiros e vimos duas perfurações na árvore. Não me acertaram, por Deus”, conta aliviado.

Mudanças - Em 1967, na qualidade de Promotor, foi promovido para Iporã, Ubiratã, Ribeirão Claro, Loanda, Cornélio Procópio, Ibiporã, Londrina e Curitiba. Em Londrina ficou 10 anos. Lecionou na antiga Faculdade Estadual de Direito de Londrina, hoje Universidade Estadual de Londrina (UEL), “da qual sou um dos fundadores”, a primeira reconhecida no interior do Brasil, pelo presidente Garrastazu Médici.


Themis - Nesse meio tempo visitou a Prisão Provisória do Ahu (Curitiba) e ficou abismado com a situação dos presos. “Foi quando iniciamos, com estudantes de Direito da UEL, o Projeto Albergados, visando a recuperação de presos de pouca periculosidade, sem enviá-los às penitenciárias”. O Programa Themis foi apoiado pelo Estado. “Fomos pioneiros do hoje, Pró-Egresso, que a doutora Irene Brzezinski dirige em Campo Mourão”. Bussi é idealizador e primeiro coordenador do Programa Themis no Paraná. “Criamos também a Coordenadoria das Promotorias Cíveis e Criminais do Estado do Paraná, que deu origem aos centros de apoio, porque os promotores não se falavam e um não sabia o que rolava de processos em cada Vara”, da qual também, foi o primeiro coordenador.

"O Munir Karan (camisa listrada e óculos), colega de Campo Mourão, me ajudou"

Recordações – Lembra-se de pessoas que o marcaram muito em Campo Mourão. “Uma filha da dona Elza Brisola (Socorro), minha aluna, que declamava muito bem. A Dione Cavali, linda, que casou com o Tico-Tico maluco. As meninas do Hotel Bandeirantes, filhas do seu Augusto Cavalcante, bonitas: a Irene, Conceição, Bibí (Recileni) que casou com o Zamir Teixeira e a Áurea que casou com o Serafim Portes Rocha. Os madeireiros: Eduardo e o Santinor Portes Rocha sócios do Elizeu Hauagge, estudaram comigo em Porto União. Eram de São Mateus do Sul. Me dava bem até com jogador de futebol, o meio-campo Biju (Wilson Yurk). O Nelsinho (Nelson Guimarães Monteiro), era engraçado, foi vereador. Fazia um programa na Rádio Colmeia do Ervin Bonkoski. O Nelsinho fumava muito. No estúdio, mais tossia do que falava!! (rindo). Fui ao casamento da Valquíria, conheci a Dorinha e a Verinha, moças lindas, de fino trato, filhas do seu Antonio Silveira e da dona Izolde, da Casa Guaíra. A Natália Metcko, a Celita Amaral, a Videte e o Zamir Teixeira, o Munir Karan, advogado e meu amigo. O Clube 10 de Outubro era nosso lazer. Vinham as melhores orquestras do Brasil. O cantor Roberto Carlos. Fizemos alguns Bailes de Carnaval ali, dos bons. Lotava. Tudo gente amiga e divertida, parecia uma só família”, recorda com saudades.

 
Clube 10 de Outubro de Campo Mourão agitou os anos 50 e 60

Em Curitiba – Voltou à UFPR como professor de Direito Penal, concursado. “Fiz mestrado e sou doutorando em Direito Público”. Aposentou em 1995. “Mas não parei de trabalhar e nunca me desliguei de Campo Mourão. Estou em Curitiba mas meu coração está lá”, concluiu Nilton Bussi.
 
 
Incentivei os academicos a aderir no programa

 
recebi apoio do padre Valter Salles

 
e do deputado Tullio Vargas, com êxito na minha empreitada