01/05/2011

Roget Delatre - agente voador




Este pioneiro foi agente aéreo, construiu a nova pista do aeroporto, atuou como auxiliar de Delegado de Policia e é sócio-fundador do Clube 10 de Outubro. A esposa Dulcinéia é a primeira vereadora de Campo Mourão, fundadora e diretora da Escola Normal Secundarista, primeira professora normalista e primeira Inspetora de Ensino. A filha é mourãoense, “uma lembrança viva da cidade, de um povo muito querido, que vimos nascer e ajudamos a crescer...”

Roget Delatre é filho do francês Eugênio Francisco Delatre e da italiana Filomena Delatre. Os pais de dona Filomena vieram para a cidade de Morretes para montar hotel. “Nós éramos em treze e eu o caçula. Nasci em 1917 na Rua Visconde de Guarapuava, em Curitiba. Os demais nasceram em Piraquara. Depois meus avós mudaram-se para a Capital.
Meu pai nasceu em 1872 e minha mãe em 1875”. Com sete anos Roget morou numa casa grande, tipo mansão antiga, no Sitio Palmital, no Atuba, que hoje é bairro metropolitano, comprado pelo seu pai. “O lugar era de palmito nativo, daí o nome. Meus irmãos casaram e eu fiquei com meus pais. Mais adiante compramos outro terreno próximo, onde montou uma olaria de tijolos. Papai estava com cinqüenta e um anos e fazia a média de mil tijolos manuais por dia. Produzia lenha branca de pinho, carvão e comercializava areia. Lembro-me bem que sua roupa era surrada, suja do trabalho, as mãos grossas e calejadas. E assim criou os filhos. Tivemos pouco estudo por causa do trabalho duro”, recorda Roget da sua infância.

Mudanças – “Depois mudamos para o Bairro Alto, perto do Bacacheri. Tínhamos uma charrete de passeio e carroça com tolda para transporte de mercadorias. Eu com doze anos ajudava a carregar e vender. Aos treze (1930) minha mãe morreu, com 55 anos, de ataque no coração. Quatro anos depois meu pai casou de novo”. Roget estudou no Instituto Santa Maria, de irmãos Maristas, na Rua XV. “Não me dei bem porque era um menino muito levado da breca e fui parar no internato do Colégio Luiz Aníbal Calderari e fugi dessa escola”.
Eram pensionistas Irosê e José de Almeida, um no terceiro ano de Direito e o outro no começo, que moravam naquele colégio. Num canto do pátio existia muito arvoredo e um monte de telhas quebradas. “Eu estava ali um dia brincando, jogando cacos nas copas das árvores, o Irosê passava e acertei nele, sem querer. Ele correu, me pegou e me deu socos na cabeça, no rosto e o meu nariz sangrou. Apavorei. A porta do colégio estava aberta, me mandei pra rua. O colégio mandou um telegrama para meu pai que estava em Itararé (SP), dizendo que eu havia desaparecido. A Policia Civil andou atrás de mim, mas não me achou. Dormi duas noites ali pelo Passeio Público, escondido. Depois fui pousar na casa da minha irmã. Eu aprontei muito quando era guri. Terminei os estudos e no fim deu tudo certo”, gargalhadas.

Soldado - “Ingressei no Exército com dezenove anos. Queria ser oficial. Fiquei quase quatro anos no 5° Regimento de Aviação, que hoje é a Base Aérea do Bacacheri. Fiz curso de cabo e reprovei pra sargento porque outros tiraram notas mais altas. Dei baixa com vinte e três anos qualificado Instrutor de Ordem Unida, treinado pelo Sargento Wendling. Sai porque houve uma indisposição minha com um capitão e meu pai achou melhor eu trabalhar em outro lugar”, lamenta ter deixado o Exército.

Madeira – “Em 1940 fui a Palmeira, perto de Ponta Grossa, trabalhar com um irmão que lidava com embarque de madeiras e outro dirigia a serraria. Um dia tiraram-me do setor de embarque e a firma mandou eu fazer estágio de gerente, em Dorizon”. Em 1942  já era noivo da professora normalista Dulcinéia Gomes d’Oliveira (foto), formada pelo Instituto de Educação de Curitiba. “Veja que interessante. Eu e minha namorada, depois noiva e esposa, nascemos na mesma rua em Curitiba e só fomos nos conhecer em Palmeira”, conta feliz.


Dulcinéia d'Oliveira Gomes fez muito em Campo Mourão

Namoricos – “Sempre fui muito romântico e bem apanhado. Me chamavam de galã”... risos. “Tive namoradinhas, só que não tinha beijo e nem pegar na mão. Perto existia o Clube Palmeirense, onde tinha reuniões e bailes. Ela e a irmã freqüentavam a sociedade e as vezes me pediam para acompanhá-las até em casa. Eu morava um pouco adiante delas. Eu tinha namorada há quase um ano. Só nos víamos aos domingos. Os pais dela não sabiam. Queríamos casar mas eles achavam que a filha era muito nova, então desmanchamos. Até choramos juntos na despedida”, conta sorrindo. Depois teve outra namorada que foi morar em Ponta Grossa. Prefere não citar nomes, “pra não melindrar as pessoas”.
"Uma bela tarde um grupinho de moças estava na praça da Igreja de Palmeira. Uma disse: “lá vem o galã e aquela que ele falar o nome primeiro é porque está de olho!!"...risos.
“Quando passei, perguntei: cadê a Dulcinéia??  E elas disseram: 'olha aí quem é a preferida dele!... rindo muito'.

Casamento - “Começamos a namorar. Ela era de maior e contou aos pais. Em 1943 casamos. Fomos muito felizes, ela era como uma verdadeira mãe, uma grande companheira, tínhamos um amor muito grande, mas faleceu repentinamente dia 4 de fevereiro de 1997”, conta entristecido. Em 1944 nasceu o primeiro filho, Dalton Roget Gomes Delatre. Em 1946, depois de despachante de madeiras da estrada de ferro em Palmeiras foi quatro anos gerente de uma das maiores serrarias de Guarapuava (Junqueira França & Cia Ltda) atual Colônia Alemã onde, em 1948, nasceu o segundo filho: Dante Rogério Delatre.

Campo Mourão – Em 1949 foi instalada a Comarca de Campo Mourão. Quando a serraria estava para fechar em Guarapuava, meu cunhado Ruy Dirceu Saldanha Gomes, primeiro Promotor Público de Campo Mourão, convidou-me para trabalhar no Cartório de Registro Civil no lugar do escrivão Arthur Moreira de Castilho, que depois foi substituído pelo meu amigo concursado Ville Bathke.
Em 1949 fixamos residência em Campo Mourão. Minha esposa foi a primeira professora normalista da cidade. Estava grávida da nossa filha Dulcinéia, 'fabricada' em Guarapuava e nascida em Campo Mourão nas mãos da parteira e minha comadre Anita Gaspari Albuquerque.
"Eu não sou formado em nada, sempre fui muito vivo e de uma caligrafia boa até hoje. Quando cheguei o Juiz de Paz era o dentista e primeiro prefeito nomeado de Campo Mourão, José Antonio dos Santos, um grande homem. O consultório dele era no meio do sertão. A broca dentária era movida no pedal porque a energia elétrica não existia onde ele morava. Fazia um barulhão de enlouquecer o paciente”, conta da sua chegada.

Atividades – “No cartório eu fazia casamento, registro de nascimento, óbito e alistamento militar, que era junto com o Cartório de Notas do Pitico (Harrison José Borges). O Fórum era um casarão de madeira que ficava em frente da extinta Telepar. Eu gostava quando o casamento era na casa dos noivos. Íamos de jeep, era tudo longe, e comia à vontade, tinha churrascadas. Fui Oficial Maior do Tabelionato do Harrison José Borges.

Antonio Franco (coletor), Harrison José Borges (o Pitico doTabelião de Notas), entre os dois, ao fundo, Roget de Dalatre e à direita Joaquim Teodoro de OLiveira

Sub-Delegado - Depois, por indicação do chefe político (PSD) e meu compadre, Francisco Ferreira Albuquerque, assumi, em 1951, o cargo de Auxiliar de Delegado da Polícia de Campo Mourão, ao lado do titular Lázaro Mendes, casado com Cacilda (Zizinha) Albuquerque. As diligências para prender os bandidos e atender as ocorrências, só a cavalo ou de jeep pelo interior de Campo Mourão, um sertão bruto que só tinha picadas e carreadores”, registra.

Roget Delatre numa diligência policial em Pinhalzinho (Janiópolis)

Inspetora - "A Dulcinéia foi a primeira Inspetora Regional de Ensino, viajava a região toda em visitas às escolas estaduais e quando tinha folga me ajudava. A Escola Municipal ficava em frente, ao lado onde está a Prefeitura hoje, e a Escola Normal de primeiro grau ali onde está a Comcam e a Seico-no iê, antigo Clube Recreativo 1° de Maio fundado pelo Ville Bathke. Minha esposa lecionava nas duas escolas”, relembra.


Escola Normal – Em 1959 a professora Dulcinéia criou a Escola Normal Secundária (Magistério). O Estado exigia um número mínimo de estudantes. Ela foi de casa em casa, onde tinha moças e até mulheres casadas com ginásio completo, para fazer matrículas. “Inclusive o prefeito da época, Roberto Brzezinski, que deu muita força para criar esta escola trouxe as sobrinhas que moravam em Mallet, para estudar em Campo Mourão. Uma delas a Eulália formou-se juíza de direito”, detalha. “O estabelecimento foi fundado com o nome de Escola Normal Secundária João d’Oliveira Gomes, homenagem que ela prestou ao pai. Formava professoras para lecionar no primeiro grau. Foi uma luta de muitas viagens penosas à Curitiba, na Secretaria da Educação, para conseguir a autorização e o funcionamento desta escola", concluiu Roget Delatre.

Colégio Estadual - Quando fundaram o Colégio Estadual Campo Mourão, a Escola Normal João d’Oliveira Gomes foi absorvida porque era de segundo grau e não havia necessidade de duas escolas estaduais do mesmo nível. "Meu sogro era advogado e professor em Curitiba. Morreu e nunca esteve em Campo Mourão. Minha esposa sugeriu o nome dele ao Colégio, e foi aprovado”, conta Roget

Roget Delatre sub-delegado em Campo Mourão e, em Curitiba, com a vereadora e inspetora de ensino Dulcinéia d'Oliveira Delatre

Aviação – “Como você sabe eu era da Aviação e a BOA (Brasil Organização Aérea) começou a servir Campo Mourão com aviões pequenos. O farmacêutico Valdemar Roth vendia as passagens. Só tinha duas farmácias: a Luz, do Valdemar e a Santo Antonio, do Antonio Lourival Borba ao lado da Relojoaria Fuchs. Eu não quis mais continuar no cartório com o Pitico e fui convidado para ser agente da BOA. Montei o escritório ao lado da minha casa, na Rua Brasil, onde hoje é a Livraria Roma. Depois foi construído o Hotel Mundos na esquina com a avenida Manoel Mendes de Camargo, pela família Zavadniak."

Agência da Real em Campo Mourão, e a agência de Roget Delatre, adquirida por Roberto Teixeira Pinto, que ali instalou a Livraria Roma

Transporte Aéreo – A Real Transportes Aéreos – Aerovias Brasil – foi a primeira empresa de grandes aviões de passageiros (DC-3) a aterrizar comercialmente em Campo Mourão.
“A BOA era menor e foram lá falar comigo. A Real possuía cerca de cento e trinta aviões bimotores Douglas DC-3 pra 60 passageiros cada. Uma das maiores da América Latina”, revela.
Antes foi preciso cascalhar e compactar com piçarra a pista do Aeroporto de Campo Mourão para suportar o peso daqueles aviões. Tinha dois candidatos a agente da Real, um era indicado pelo prefeito, mas ambos desistiram.
“Em 1954 me convidaram e aceitei. Fui a São Paulo saber o que precisava. Me pediram para providenciar uma pista de 1.200 metros com 800 cascalhados. Falei com o prefeito e fizemos a pista que é do mesmo tamanho até hoje. Foi difícil porque existiam muitos formigueiros (saúva), buracos, terra fofa e não havia rolo compressor”, diz das dificuldades.


No improviso – “A Prefeitura andava mal de dinheiro e não tinha máquina para compactar a pista, mas havia muito transporte de café que cruzava por aqui. Abri uma estradinha e pedi aos caminhoneiros que passassem pelo local da obra e assim amassaram aquela terra e a piçarra. Minha mulher e outras senhoras arrecadavam dinheiro da população com o qual eu pagava a bóia de uns quatro ou cinco presidiários que o Delegado de Polícia me arrumou para ajudar nos serviços. Desta maneira fizemos o novo campo de pouso”.
A Real operou de 1955 a 1960. "O Capitão Renato de Melo, que tinha os ônibus da linha Campo Mourão/Maringá me ajudou muito. O Capitão arrumou com o Coronel Tourinho, que era o chefe do Departamento de Estradas e Rodagem, um caminhão com caçamba e chofer da turma que trabalhava um trecho da estrada Pitanga/Campo Mourão. Logo em seguida a Prefeitura arrumou uma patrola e me ajudou bastante”, diz agradecido.

Criatividades – “Há muitos anos não vou e não sei como está Campo Mourão. Não conheço nem o Colégio Estadual que tem o nome do meu sogro. A casa onde morou o médico José Carlos Ferreira, era nossa residência e onde está a Livraria Roma foi escritório da Agência da Real, ao lado do Hotel Mundos. Naquela época era muito melhor viajar de avião do que de ônibus porque as estradas eram terríveis. O tráfego aéreo em Campo Mourão foi intenso, teve umas quatro companhias de aviação na cidade, todo mundo viajava de avião que também transportava mercadorias para o comércio e filmes para serem exibidos nos cinemas."

Transporte de Roget Delatre que servia a Real

A domicílio - "Comprei uma jardineira e depois duas kombi para transportar os passageiros e entregar as encomendas. O movimento cresceu, outras companhias aéreas entraram em Campo Mourão e aí a concorrência foi brava. Eu, muito vivo, ia buscar o passageiro em casa, transportava até o Aeroporto para manter a clientela. Tinha que ser muito criativo”, diz Roget.
 
Governador Paulo Pimentel em Campo Mourão, cercado por Paulo Poli, alguns prefeitos da Comcam e o anfitrião, prefeito Horácio Amaral em seu gabinete

Paulo Poli (foto mão na cintura) "foi o primeiro dono de avião e piloto comercial de taxi aéreo em Campo Mourão. Ele perdeu a eleição e continuamos amigos. Sua mulher Helena Poli, sucedeu a Dulcinéia na direção da Escola Normal, por indicação política. Por esse envolvimento e apoio ao candidato à sucessão do Moisés Lupion, a Dulcinéia foi vítima de manobras políticas e por conseqüência, toda a família foi atingida".

Prefeito Antonio Teodoro de Oliveira - Campo Mourão - PR

Primeira Vereadora – Dulcinéia Gomes Delatre foi a primeira Vereadora eleita em Campo Mourão. Ficou como suplente. Logo assumiu a cadeira titular deixada por um vereador licenciado, na gestão do prefeito Antonio Teodoro de Oliveira, “o qual ajudamos a eleger”, conta Roget.
Dulcinéia (Dúlcia) esteve suplente de vereador na eleição da quarta legislatura de Campo, na gestão do quarto prefeito eleito, Antonio Teodoro de Oliveira (05.12.59 a 04.12.63), com 1.937 votos, pelo Partido Social Democrático - PSD.
Foram vereadores : Alfeu Teodo de OLiveira - 824 votos; Daniel Miranda -421; Francisco José da Silva - 322, Querino Cararo - 343, João Fenianos - 379, João Seratiuk - 432, José Dutra de Almeida Lira - 658, Lary Calixto Razzolini - 768 e Osman Antunes Ribeiro - 347 que ocuparam as 10 cadeiras de titulares.
Suplentes: Alcides Ferreira, Alfonso Germano Hruschka, Aroldo Tissot, Dúlcia Gomes Delatre, Eugênio Malmestron, Fioravante João Ferri, Moacir Reis Ferraz, Nelson Guimarães Monteiro e Wassílio Mamus.
Alfeu Teodoro de Oliveira, solicitou 30 dias de licença e o Vereador Francisco José da Silva, solicitou licença até 30 de novembro. Em 03.11.60, assumiram os suplentes Nelson Guimarães Monteiro e Dúlcia Gomes Delatre.

Reconhecimento - Dulcinéia recebeu o Diploma de Honra ao Mérito pela sua coragem e desprendimento dedicados às causas nobres do Município.
“Nessa homenagem prestada pela Câmara Municipal, no Jubileu de Ouro de Campo Mourão, fui convidado a comparecer mas não deu por causa da minha saúde.", lamenta.

Roget Delatre com amigos em frente a sua casa, que vendeu ao médico José Carlos Ferreira, na rua Brasil defonte a Prefeitura de Campo Mourão

Até 1963 permaneceu em Campo Mourão. "Mudamos pra Curitiba a fim de estudar os filhos. Em 1961 a Real e outras companhias aéreas foram atingidas pelas medidas do presidente Jânio Quadros, por isso pararam de servir as cidades de pequeno porte. Foi quando a Sadia incorporou a Real que vendeu os aviões para a VARIG. Até fevereiro de 1963 ainda trabalhei em Campo Mourão com a Sadia, criada pelo Dr. Fontana, genro de um dos donos desta Sadia de Concórdia (SC) que produz alimentos. Nessa época, pelas mudanças políticas, minha esposa perdeu os cargos de diretora da Escola Normal, deixou de ser Vereadora e o de Inspetora de Ensino, o que nos magoou profundamente. As nomeações dela foram assinadas pelo Governador Moisés Lupion e anuladas pelo Nei Braga. A Dulcinéia apoiou o Plínio Franco Ferreira da Costa e o Nei Braga ganhou para governador, e ai não deu outra. Ajudamos a construir o Clube 10 de Outubro, com o presidente Domingos Maciel Ribas. Minha esposa era muito amiga da mulher do seo Domingos, a professora Eroni Ribas, que faleceu recentemente”, conta triste.

Política – “Fui adversário político do Paulo Poli. Ele candidato a prefeito, que depois foi excelente deputado estadual por Campo Mourão. Eu era amigo do Roberto Brzezinski e do Harrison José Borges (Pitico). Um era prefeito e o outro candidato, mas faleceram pouco antes das eleições em acidente. Foi quando nos reunimos no Clube 10 de Outubro e pressionamos o seu Antoninho (Antonio Teodoro de Oliveira) a sair candidato em menos de dez dias úteis. Saiu e venceu o Paulo Poli, estourado. A família Teodoro de Oliveira é grande e muito estimada em Campo Mourão".
Desde então nos fixamos em Curitiba, onde estou viúvo, adoentado e moro sozinho, com recordações boas e saudades de Campo Mourão, que espero ainda visitar, um dia”, concluiu Roget Delatre.