30/05/2011

Índio Bandeira de Campo Mourão - A Contribuição

Cacique Índio Bandeira:
Importante na História de Campo Mourão



O Índio Bandeira era da tribo ou grupo (coroados) dos caingangues que surgiram, nos campos de Guarapuava e do Mourão depois do povo Guarani.


1880 - A importância de seu nome na história de Campo Mourão não resulta de qualquer mais notável procedimento do que o de ter mostrado o caminho e os Campos do Mourão ao fazendeiro e amansador de índios, Norberto Mendes Cordeiro e aos seus companheiros de empreitada, em novembro de 1880.

Mas, atendendo a um verdadeiro culto aos legítimos possuidores da terra, no passado, como seu habitat natural, a figura do Índio Bandeira se religa, por suas origens, aos atos de posse civilizadora nos campos de Guarapuava, desde quando a Expedição Real de 1909 levantou a fortificação pioneira do forte de Atalaia.
Nos primeiros contatos, sob as instruções do Comandante Antônio da Rocha Loures e do Padre Chagas, os brancos irmanaram-se com os índios, de onde descende diretamente o Índio Bandeira.


A presença do nome luso brasileiro do Índio Bandeira – já que se desconhece qual teria sido o seu apelido de tribo - tem efeito nativista no conjunto da formação mourãoense pelas ligações às tradições Guarapuavanas e Mourãoenses.


Campo Mourão, av Capitão Índio Bandeira

Não obstante a irregularidade de suas moradias - pois é sabido que os índios eram habitualmente andarilhos das florestas, dado o sistema de vida - o seu testemunho dos primeiros atos de surgimento civilizado nos Campos do Mourão, deve ser perpetuado, nem só na designação do mais importante logradouro público da atualidade urbana de Campo Mourão (Avenida Capitão Índio Bandeira) graças a feliz iniciativa do pioneiro e nobre representativo mourãoense, Joaquim Teodoro de Oliveira, quando da Primeira Legislatura Municipal, bem como Patrono do Centro de Tradições Gauchas que leva o nome do cacique - CTG Índio Bandeira.

Campo Mourão

Resta, apenas, uma palavra final sobre o substantivo “capitão”, que a muitos tem causado espécie, pelo desconhecimento da qualificação primitiva atribuída aos caciques indígenas aproximados ou em aculturação.
De fato, a muitos ocorre a pergunta, diante do vistoso topônimo “Avenida Capitão Índio Bandeira”:


Capitão de que? - Do Exército da Marinha da Aeronáutica, ou do Exército da Salvação?



Acreditamos que o título de “capitão” venha da organização implantada nas aldeias indígenas desde o 7º Governador Geral do Brasil, D. Francisco de Souza, no período de 1591/1602, tal qual emprestava-se o título de "coronel" aos abastados e poderosos propietários de muita terra e escravos.



“Dava-se à aldeia, explica João Monteiro Jr, um chefe tirado dentre os índios mais velhos, ao qual se dava o título de Capitão, mas não tinha outra autoridade senão a de servir de “língua” (intérprete ou linguará), de transmissor de ordens dos administradores brancos e de figurar nos atos públicos como índio principal. Esses índios “aldeiados”, iludidos e vítimas de usurpação de sua terra, passavam a ter o nome de 'administrados', enquanto as aldeias não eram elevadas a freguesia e vilas”, (Taunay, Affonso de E., História Geral das Bandeiras Paulistas, S. Paulo, 1924, Tomo I, p. 81).



Assim, o “Capitão” que se vê na denominação complementar do “Índio Bandeira”, resultou da própria hierarquia convencional entre os elementos da tribo ou toldo, e o índio Bandeira passou a usá-la no trato e relacionamento com os brancos, para significar o “chefe” que era, de um grupo de famílias ou do toldo do “Campo do Abarracamento” em Campos do Mourão.


Campo Mourão, monumento ao Índio 
no Parque Municipal Joaquim Teodoro de Oliveira

Onde jaz o Índio Bandeira?
Dificilmente se saberá. Por mais que tenhamos indagado e pesquisado, somente informações vagas e controversas nos tem sido dadas.
Teria sido sepultado numa das reservas indígenas, em Marrecas, no atual Município de Manoel Ribas, ou em Mamborê (localidade de Catacumba)?
Ao certo, ninguém sabe informar.
Consta ainda que seus restos mortais foram levados pelos filhos que moram em São Paulo e lá repousam. Assim, melancólica e obscuramente desapareceu o nosso legendário Capitão Índio Bandeira, certamente tendo alcançado quase um século de existência, segundo o registro de sua presença em terra paranaense, desde meados do século XIX.

Podemos e devemos estabelecer conotação histórica entre as lembranças da figura do Cacique Bandeira com as dos primitivos caciques habitantes desta região, especialmente aquela de domínio do Cacique Taiaobá, onde, em 1625, aproximadamente, por sua aquiescência e por ação evangelizadora do Apóstolo do Guairá, o jesuíta Antônio Luiz de Montóya, onde erguera a grande Cruz de Cedro de 12 metros de altura, com o esforço de cerca de 300 índios do comando de Taiaobá, na frustada tentativa de se estabelecer em terra hoje do Município de Campo Mourão, uma redução indo-cristã (Vila de Los Angeles) segundo a denominação espanhola de então, que acabou frustrada pelos ataques mortais dos bandeirantes paulistas



Por uma dessas felizes coincidências do acaso histórico, foi com a elevação de uma cruz de cedro, onde hoje situa-se o Jardim Santa Cruz, que se deu a posse efetiva da civilização religiosa em Campo Mourão.

Uma e outra imagem se irmanaram e harmonizam no ato de edificação humana e espiritual, o que mostra que “o homem se agita e a humanidade o conduz”  pelas ligações entre o passado, o presente e o futuro.

Mas a paróquia de Santa Cruz, sem explicações, arrasou com o primeiro marco de fé  em Campo Mourão. Contra a lei de patrimônio histórico (intocável) ditada pela Municipalidade, sem ação ou reação nenhuma das autoridades constituídas, consumou-se esse sacrilégio.


As pedras da gruta, o que restou do cruzeiro queimado e as lembranças das promessas pagas, estão no altar da capela construída ao lado da Igreja Católica do Jardim Santa Cruz.


Campo Mourão e a Gruta da Santa Cruz