20/05/2011

Incas no Brasil

Incas no Brasil



Um desses indícios mais fantásticos são trechos de estradas de pedra encontrados em diversos pontos do território brasileiro, chamados pelos índios de peabirus (caminho forrado, na língua tupi). O arqueólogo ligou esses segmentos de estrada num mapa e encontrou uma hipotética, porém muito provável, rota ligando Cusco, a capital dos incas, no Peru, a Salvador, na Bahia.
De volta a São Paulo, depois de 45 dias embrenhado na selva amazônica e no cerrado, Heinz Budweg trazia no olhar a satisfação de quem conseguiu o que queria. Como arqueólogo amador, ele tem a cautela de não afirmar nada categoricamente. Acredita, antes, que os indícios falam por si. Mas considera que seus registros podem auxiliar os arqueólogos profissionais a comprovar sua tese. "A única coisa que quero", diz ele, "é que esse material seja estudado com profundidade, o que não aconteceu até agora. É este o desafio que eu lanço à arqueologia oficial. Que deixe o ceticismo de lado e mergulhe com seriedade no estudo desses indícios."


A segunda teoria mais cara de Heinz Budweg, de que os incas estiveram no Brasil antes do descobrimento, parece também uma obviedade: se esse povo era mesmo tão adiantado, capaz de construir estradas pavimentadas em pedra e cidades de ouro, por que razão não desceram o altiplano e se aventuraram para oeste, em direção ao Atlântico? Ao que tudo indica, eles o fizeram e Heinz garante ter, como prova disso, vestígios claros. Os mais estridentes são trechos de estrada de pedra, trabalhadas e empilhadas cuidadosamente, encontrados no centro, norte e nordeste do Brasil. Esses caminhos, chamados pelos índios de peabirus, eram muito utilizados pelos indígenas, mas é certo, segundo o arqueólogo, que não foram construídos por eles.


"Para trabalhar a pedra daquela forma, só usando ferramentas de metal", repete Heinz. "E todos sabemos que os indígenas brasileiros, assim como seus ancestrais, não dispunham dessa técnica e nem trabalhavam a pedra, apenas a madeira e o barro."A hipótese mais provável, segundo ele, é de que esses pedaços de caminho fizeram parte de uma das diversas estradas construídas pelos incas para chegar ao Oceano Atlântico. Sobre a existência de pelo menos duas dessas estradas, a ciência já não tem mais dúvidas: uma está localizada no sul do país, na altura de Santa Catarina, e outra no extremo norte, no vale do Rio Orinoco. A terceira, da qual Heinz encontrou partes, partiria de Cusco, no altiplano peruano, e terminaria em Salvador, na Bahia.