14/05/2011

A Princesa e o Plebeu de Campo Mourão - PR

Leony Bittencourt Prado e Manoel Andrade



Esta é a história real da Princesa e o Plebeu. A menina rica que casou com o menino de origem humilde e que se tornaram um grande exemplo de vida. De um namoro contemplativo que durou nove anos aconteceu um casamento perfeito, de amor duradouro, forjado pela vontade férrea de vencer em uma cidade inóspita, mas de um lindo por do sol, que floresceu a partir de 1950. Leony e Cely (Manoel Andrade) emocionados revivem hoje, mais de 60 anos de paixão por Campo Mourão.




Leony Bittencourt Prado é natural de Guarapuava, filha de Hygina Bittencourt e do agrimensor, João Lemos do Prado. Leony teve dois irmãos: o advogado Nelson Bittencourt Prado casado com Nelly, e Neida casada com Lineu, ambos falecidos. “Meu pai foi apaixonado pelos Campos do Mourão. Para cá veio a cavalo em 1922. Adquiriu posses de terra no descampado onde hoje está a região do Jardim Lar Paraná e construiu serraria na localidade de Barras. Tanto amava Campo Mourão que, quando casei com o Cely, em 1950, ele e minha mãe nos trouxeram com a mudança para morarmos aqui.

Conheci Campo Mourão - Em 1949, ainda solteira, eu e papai viemos visitar a pequena vila de Campo Mourão. Existiam poucas casas feitas de madeiras brutas, cobertas de lascas de pinho. Hospedamo-nos no Hotel Central de Eugênio Zaleski, que também era agrimensor. Papai tinha mais dois amigos aqui: o madeireiro Belim Carollo e o Inspetor de Terras do Estado, Sady Silva. Meu pai também foi auxiliar do 7º Comissariado de Terras, em Guarapuava.
Eu ficava maravilhada com o por do sol. A praça era um capão de mato e árvores nativas e no meio tinha um poço comunitário de uns vinte e cinco metros de profundidade do qual as famílias retiravam a água com uma corda e manivela (sarilho) e a transportava em baldes e latas.

O que tinha - Havia só duas casas de comércio: o Armazém Santo Antonio da dona Margarida Wakin (onde era a Riachuelo) e a Casa Iracema do Geremias Cilião de Araújo (na esquina da Rua Brasil com Avenida Irmãos Pereira).
O traçado da cidade se resumia ao centro, entre as ruas Araruna e Ceará (atual Harrison José Borges) e as avenidas Capitão Índio Bandeira e Irmãos Pereira. Isolada, na outra quadra, estava a igreja de São José, toda de madeira e, ao lado, a casa do padre. O restante era tomado pela mata e capoeiras do cerrado, mas era tudo muito lindo”, recorda Leony.

Estudos – “Minha família era de posses. Sou a filha caçula. Tive uma infância feliz e encantadora. Tudo do bom e do melhor. Meu pai lutava para dar conforto à família. Tínhamos muitos parentes e nos reuníamos seguidamente. Fiz o Jardim da Infância aos cinco anos de idade. Ia de chupeta na boca, muito pequenina. Minha primeira professora era a tia e madrinha, Zoraíde Bittencourt Rocha. Tive aulas, depois, com as professoras Jandira Bastos e a prima Eroni Bittencourt Ribas casada com Domingos Maciel Ribas, o qual construiu o atual Clube 10 de Outubro e foi presidente por muitos anos.
Primeiramente estudei no Grupo Escolar Visconde de Guarapuava. Em Curitiba fiz o Exame de Admissão e os dois primeiros anos de ginásio na Escola de Professores (Instituto de Educação) e, em 1943, conclui o ginasial no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, das freiras, no Bairro Cajuru.
Durante a Escola de Professores, onde tive excelentes mestres, como: Erasmo Pilotto (Secretário de Estado da Educação) e a poetisa Helena Kollody, fui pensionista interna do Colégio São José, na Praça Rui Barbosa. Em 1945 me formei professora, apta a lecionar."

Professora - “Retornei à Guarapuava. Sozinha consegui minha nomeação pelo Estado contra a vontade de papai que não queria que eu trabalhasse. Comecei a lecionar as quatro matérias do curso primário na Escola Visconde de Guarapuava, onde estudei quando menina.
Em Campo Mourão minha primeira aula, à tarde, foi dia 15 de fevereiro de 1950, em uma salinha anexa à velha prefeitura de madeira defronte a Praça 10 de Outubro (atual Getúlio Vargas). Meus alunos eram cerca de dez crianças que foram me buscar em casa. Chegando na escolinha a porta não abria e o secretário municipal Casimiro Biaico veio me dar as boas vindas e ajudou a abrir. A professora Dulcia Delatre lecionava pela manhã. Era Escola Isolada e só tinha do primeiro ao terceiro ano primário.
Em 1952 inauguramos duas salas de aula no Grupo Escolar de Campo Mourão criado e mantido pelo Estado, no fundo do pátio da atual prefeitura. Eram professoras: Eroni Maciel Ribas, Lady Amaral, Nair Amaral, Adelaide Amaral e eu. A diretora era a Jorinda Santos Portela, esposa do médico e prefeito Daniel Portela, que residiam em Peabiru, patrimônio de Campo Mourão."


Leony Bittencourt Prado e o Secretário Candinho do Estado

Em 1957 "saiu uma circular do Estado exigindo que as escolas tivessem nomes. Eu, apaixonada pelo sertanista e professor Cândido Mariano da Silva Rondon sugeri o seu nome e foi aprovado, dentre outros.
No decreto ficou Escola Marechal Rondon, hoje Colégio Estadual Marechal Rondon, cuja construção acompanhamos com o mestre-de-obras Basílio Ochrim, desde o lançamento da pedra fundamental até a inauguração.
A casa de madeira perto da prefeitura passou a ser a Escola Normal Regional Emiliano Perneta, com aula inaugural proferida por Diva Vidal, que era a Chefe do Ensino Normal do Paraná e a primeira diretora a professora Dircyra Torres Ragugnetti, esposa do farmacêutico Nilo Ragugnetti.
"Também foi fundada a Escola Normal de (formação) Professores, denominada João d’Oliveira Gomes, nome do pai da primeira diretora a Dúlcia Delatre, esposa do agente da Real - Aerovias Brasil.

Diretora -Assumi a direção do Colégio Marechal Rondon, oficialmente, em 30 de novembro de 1955 e me aposentei pelo primeiro padrão em 14 de novembro de 1985, mas continuei com meu trabalho de auxiliar do segundo padrão. Minha sucessora foi a professora Eugênia Inês Mauro Teixeira”, narra Leony.

Facilcam – “Muito me orgulho de pertencer à primeira turma de formandos do curso de Pedagogia (licenciatura curta) da Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão (Facilcam), depois Fecilcam. Hoje estou aposentada pelos dois padrões do Estado, feliz, certa que cumpri minha missão, amando minhas amizades e Campo Mourão, onde quero ficar para sempre com o meu querido Cely, marido que adoro. Somos muito unidos, vivenciamos e crescemos juntos com Campo Mourão, uma cidade abençoada”, enfatiza a professora Leony Bittencourt Andrade, no auge dos seus mais de 70 anos, com incrível memória e vitalidade.

Homenagens – Leony Bittencourt Andrade é a primeira mulher a receber o Título de Cidadania Honorária de Campo Mourão (14/11/1984). Realizou o Baile do Piano em 8 de julho de 1961 no Clube 10 de Outubro a fim de comprar o instrumento para a escola. No dia 18 de maio de 2002 recebeu a homenagem de 50 Anos de Magistério conferida pelo Colégio Estadual Marechal Rondon, no Clube 10 de Outubro.


Homenagem aos 50 anos de magistério da professora Leony Bittencourt Andrade, no Clube 10 de Outubro de Campo Mourão

Herença - “Ser professora está no meu sangue. Minha avó espanhola, Bibiana Birriel de Bittencourt foi a primeira professora em Guarapuava e seu nome está em uma das escolas mais importantes da minha cidade natal. Meu avô era francês, José de Bittencourt. Eu sou tão apaixonada pelo professor Cândido Rondon que um dia teve uma pesquisa lá no colégio e dentre outras perguntas tinha esta: quem é Marechal Rondon? Teve um aluno que respondeu: é o marido da professora Leony”, gargalhadas. “Sou felicíssima em Campo Mourão, que não troco por lugar nenhum do mundo”, reafirma Leony.


Manoel Andrade em Campo Mourão

Manoel Andrade, o Cely, nasceu dia 02 de Outubro de 1922, em Castro (PR). Filho de Hernância Quadros e Pedro Rodrigues de Andrade. 
“Meus pais eram pessoas humildes e os perdi muito cedo. Devo toda minha educação à minha irmã, professora Maria Antonia. Meu pai era músico, alfaiate, barbeiro e faleceu quando eu tinha cinco anos. Minha mãe sofreu para nos criar e morreu quando eu estava com dezessete anos. Éramos seis irmãos: Maria Antonia (Marica), Aracy (Zizi), Jacy (Bem), Alice, Sezinando (Nito) e eu o caçula”, rememora Manoel.


Familiares de Leony e Manoel (ao centro sentados)


Menino ou Menina? – “Há poucos anos atrás conseguimos reunir a irmandade. A Marica queria me batizar de Elcely. Quando nasci a parteira nem olhou meu sexo. Me enrolou em um pano e entregou à minha mãe dizendo: é mais uma menina”, conta Manoel rindo muito. “Mas, ao me dar a primeira mamada, me descobriu e viu que eu era menino” risos. “No batizado o padre não gostou do nome que a Marica tinha me dado como Elcely e trocou por Manoel. Detesto o meu nome, não gosto mesmo. A família toda me chama só de Cely. Certa vez vieram me visitar. Perguntaram onde morava o médico antigo da cidade, doutor Cely. Ninguém soube explicar porque não me conhecem por este nome. Depois de muitas explicações alguém informou onde morava o doutor Manoel, marido da professora Leony”, risos.

Formação – “A Maria Antonia era professora e me ensinou a ler e escrever. Em Ponta Grossa, onde moramos depois de Castro, tem a Escola Maria Antonia Andrade. Ela criou a cartilha Minha Terra. No início ela fazia uma para cada estudante, à mão. Depois, impressas em gráfica. Conclui a segunda etapa de estudos no Ginásio Regente Feijó, que na época durava cinco anos. Desde criança gostava de medicina. Um dia o inspetor de ensino estadual, Antonio Tupy Ribeiro visitou nossa sala e fez perguntas. A mim indagou o quê gostaria de ser? Respondi: vou ser doutor! Ele insistiu: mas, doutor em quê menino? Falei: operador-parteiro! Foi uma risada só. Doutor para mim era quem dava remédio e curava as pessoas”, justifica-se Manoel.

Em Curitiba – “Quando terminei o ginásio pedi à Marica para estudar Medicina em Curitiba e morar com meu irmão Sezinando. Ela disse-me que custava caro, que ia me ajudar, mas primeiro eu teria que estudar para professor: se uma profissão não der certo, a outra dá, explicou-me ela. Tirei o diploma de professor na mesma escola da Leony.
No início lecionei no Regimento de Infantaria do Boqueirão e ganhava cem mil réis (100$000) por mês. A pensão onde morei, na Rua Ébano Pereira, dona Josefa cobrava cento e vinte (120$000), pechinchei e consegui pelos cem, mas fiquei zerado.

Tava Duro - Depois dei aula no Grupo Escolar Professor Cleto, no centro. Meu futuro cunhado, Nelson Bittencourt Prado era sub-chefe da inspetoria do IBGE. Pedi para trabalhar lá. Ele prometeu, mas demorou. Sempre justificava que queria me arrumar algo bom. E eu precisava qualquer coisa acima dos cem mil réis. Ele falou: olha, tem uma vaga aí, mas só pagam quinhentos mil réis”, risos. “Era o que eu queria. Ali progredi e aliviei minha irmã. Nesse meio tempo, para ajudar a pagar meus estudos trabalhei de oficial de alfaiate. Também tocava cavaquinho que minha madrinha me deu quando garoto e que aprendi executar nas rodas de samba, na cadeia, com os presos, perto da nossa casa em Ponta Grossa”, relembra com saudades.


Manoel Andrade colou grau da UFPR, a duras penas


Medicina – "Me formei em Medicina pela Universidade Federal do Paraná. No último ano, naquele tempo eram seis anos, adoeci. Problemas sérios de saúde. O IBGE me deu dois anos de licença remunerada. Na universidade era época dos exames finais. Não podia perder. Consultei o meu professor, médico Mário Braga de Abreu e ele me disse que tinha que operar no dia seguinte. Mandou me internar. Falei dos exames que iria perder e não podia. Ele disse: o estudo espera, a morte não! E fui pra faca. Restabeleci minha saúde na casa das minhas irmãs. Engordei vinte e dois quilos, pois só comia, passeava e dormia. A vizinhança começou fofocar, que eu era um vadio e que ia viver às custas das irmãs. Mas eu ganhava do IBGE. Encabulei e voltei à Curitiba.
No retorno tentei concluir a Medicina. Meu cunhado, médico do exército, Lineu Beltrão se empenhou, falou de professor em professor e consegui uma bancada examinadora. Fui aprovado. Colei grau com a turma de 1948.
Pedi demissão do IBGE. Estagiei oito meses no Hospital de Castro, mas o médico, meio velhão tinha quatro enfermeiras bonitas, não me deu chance de trabalhar. Não sei se por medo de o superar na profissão ou ciúmes das funcionárias”, risos.


Convite ao Casamento de Leony e Manoel Andrade


Casamento - “Namoramos durante nove anos sem nunca nos tocar um dedinho. Nos pegamos nas mãos dia 18 de dezembro de 1948, na formatura do Cely, mesma data do nosso noivado, quando colocamos as alianças nos dedos, na sala da mansão da minha irmã Neyde Prado Beltrão e do meu cunhado, então capitão do exército, Lineu Beltrão, em Curitiba, onde hoje está a Telepar." conta Leony. 


Manoel e Leony demoraram pegar na mão

Tremi - "Antes do almoço, tínhamos voltado da missa, todos reunidos na sala, o Cely disse que queria falar com meu pai. Ele pediu minha mão. Sumi para dentro de um quarto e me tranquei. Tremia. Papai consentiu e o Lineu foi me buscar, me deu o braço, me apoiei e vim. A turma gritava: abraçaa... abraçaa!!! Colocamos as alianças e pela primeira vez, depois de quase dez anos de namoro, nos tocamos. Foi servido um banquete e deu aquela festa”, conta feliz.


Casamento de Manoel Andrade e Leony Bittencourt Prado

1950 - “Casamos dia 14 de janeiro de 1950, na Igreja de Belém, em Guarapuava. Tivemos uma festa íntima em casa e nossa lua-de-mel foi no balneário de Caiobá (PR), foi tudo muito lindo”, arremata Manoel.

Orgulho - “Temos uma filha maravilhosa, Joana d’Arc e dois netos lindos: Carolina e Victor nascidos nos Estados Unidos”, orgulha-se Leony ao lado de Manoel.


Joana D'Arc e os filhos Victor e Carolina

Campo Mourão - “Voltamos da praia, ficamos na casa de meus pais, e dia 06 de fevereiro de 1950 rumamos para Campo Mourão.
O pé-de-bode (Ford/28) de papai ia na frente e o caminhão da minha mudança atrás, conduzido por Antenor Stadler, que depois morou em Campo Mourão. Quando meu pai falou que íamos residir em Campo Mourão, só eu e o Cely, chorei para não virmos. Aí ele me fez lembrar do por do sol que eu amei. Meu pai se referia a Campo Mourão como o Eldorado do Paraná, sem nunca ter morado aqui.
Inicialmente residimos em uma casa de madeira, onde hoje mora a Nice Albuquerque, ao lado da Livraria Delta. Depois mudamos em uma casa melhor na esquina da Avenida Capitão Índio Bandeira e a Rua Devete de Paula Xavier, n° 1793, onde residimos até 10 de dezembro de 1979”, localiza Leony.

Consultórios - “Nossas casas também foram consultórios e como não havia vidraça eu colocava lençol nas janelas para não olharem lá de fora”, explica o Dr Manoel.
O Bortolo Gava era dono da Serraria Santa Margarida em Peabiru e construía casas para vender em Campo Mourão. “A casa papai nos deu de presente de núpcias. Na primeira casa, quando encostamos a mudança estava uma sujeira enorme, latas de tinta, muita poeira, um fogão de tijolo enorme. Eu não queria ficar. O Antenor buscou dois tambores de água no Rio do Campo, lavou tudo e minha mãe ajudou a arrumar os móveis.
Fiz um café e jantamos a farofa da viagem. Em volta não tinha cerca, nem luz, nem água, naaaada!
Quando vi a casa arrumadinha me animei. Meus pais ficaram conosco vários dias e depois se foram. Daí em diante eu e o Cely iniciamos a nossa luta, sozinhos e vencemos”, diz orgulhosa.

Pioneiros - Delbos Zola foi o primeiro médico e Carlos Boenig o primeiro laboratorista de Campo Mourão. O segundo, Daniel Portela. O terceiro, Leopoldino Ferreira, irmão do doutor José Carlos Ferreira. O quarto, Manoel Andrade e o quinto José Carlos Ferreira, que veio para ficar em lugar de seu irmão. Mas, efetivamente o primeiro a se fixar em Campo Mourão é Manoel Andrade e até hoje em atividade como Auditor do Sistema Único de Saúde (SUS) junto à Secretaria Municipal da Saúde. Doutor Manoel foi o primeiro médico do Posto de Higiene do Estado, na primeira construção em alvenaria da cidade, onde está o atual Museu Municipal. 


Manoel Andrade atendia a cavalo


O Médico paladino - “No início visitava os clientes a cavalo. Era tudo longe. Tinha dia que eu cavalgava tanto, chegava travado e não conseguia desmontar e a Leony me auxiliava. Colocava uma cadeira e eu descia do cavalo.
Quando não tinha luz, usava flash fotográfico para operar. Desde o início tive bons instrumentos cirúrgicos, do meu cunhado, que trouxe na bagagem.
O que mais gosto de fazer é parto e participar do surgimento da vida. O primeiro parto que fiz foi nas Barras. O segundo seria além de Araruna. Mandaram me buscar de carro. Ia cobrar um pouco mais de trinta mil réis. Eu estava recém chegado e precisava de uns trocos. Um cavaleiro me esperava em Araruna. Disse que a criança já tinha nascido e estava bem. Pensei: pronto, lá se foi o dinheiro! O cavaleiro ainda perguntou: quanto lhe devo doutor? Respondi: nada, eu não fiz nada para receber! Demos meia volta no carro, o cidadão tocou o cavalo, emparelhou conosco e jogou uma nota de 500$000 no meu colo, rodopiou nas patas do cavalo e sumiu na poeira da estrada.

O parto mais difícil - "Uma noite o Belim Carollo encostou a camionete junto com um caboclo na minha casa. Pediram e fui atender um parto difícil. Chegamos no rancho. Entrei. Luz de lampião. Vi uma mulher deitada no chão de terra. A criança nasceu mas houve retenção da placenta. Aqui não tinha recursos. Era morte certa. Levar à Maringá não dava tempo. Tinha que arriscar. Isso se faz com anestesia geral. A dor é muito grande. Só tinha uma ampola de morfina e apliquei. Pedi sabonete e me deram sabão. Pedi álcool e me deram cachaça. Lavei, escovei bem o braço direito e mandei a parteira segurar as pernas e o marido a cabeça e os braços da mulher.
Pedi: não deixem ela por as mãos em mim!
Iniciei o trabalho. Com dificuldade abri o útero com os dedos. Pensei: o caboclo vai me pagar bem! A mulher gritava e ele consolava: callmaaa... este é o médico dos pobres, nem vai cobrar! Percebi tudo. Fiz o trabalho perfeito. Passados dias ele veio me visitar e trouxe um frango de presente”, recorda, rindo muito.


Nosso Hospital São Pedro de Campo Mourão

Recebeu em camas - “Na década de 50 fui médico contratado do pessoal que construiu a Usina Mourão e da Indústria Cama Patente, que inclusive forneceu madeiras e camas de molas para eu construir o Hospital São Pedro, em sociedade com meu amigo, médico José Carlos Ferreira.
Pedro era meu pai, e o nome do hospital uma homenagem a ele”, registra Manoel.

O Papa Yanque Manoel Andrade


P Y – “Minha paixão é o Radiomadorismo. Há mais de cinquenta anos converso pelo rádio com amigos do mundo inteiro. Criei uma rodadada (reunião) de companheiros faz 32 anos e todas as manhãs conversamos sobre tudo um pouco”.

Manoel Andrade, Antonio Teodoro de Oliveira e José Carlos Ferreira honrados por Campo Mourão

Manoel Andrade é Cidadão Honorário de Campo Mourão, Honra ao Mérito da Associação Médica do Paraná, do Rotary Club e Jubilado de Ouro da Assembléia Legislativa do Paraná.
“A melhor coisa que aconteceu em minha vida é ter vindo para Campo Mourão, graças ao esteio da minha irmã Marica, do apoio do meu sogro e do grande companheirismo da minha esposa, que também recebeu muitas homenagens”, agradece Manoel.

Leony e Manoel duas vidas inteiras dedicadas a Campo Mourão

 
Dr. Manoel Andrade faleceu dia 10 de novembro de 2015 (terça-feira), com 93 anos de idade. Manoel Andrade é Cidadão Honorário de Campo Mourão, Honra ao Mérito da Associação Médica do Paraná, do Rotary Club Campo Mourão e Jubilado de Ouro da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. Além da esposa Leony deixa a filha Joana D’Arc e os netos:  Victor e Carolina. Seu corpo está sepultado no Cemitério Municipal São Judas Tadeu.