18/04/2011

José Pochapski - Prefeito Saúde



“Nunca consegui viver longe de Campo Mourão. Gosto demais da minha família e dos meus amigos, que tenho tantos aqui. Ajudei no que pude a Saúde e a Educação. Quando fui prefeito quis fazer a melhor gestão do Brasil. Administrativamente fui bem, mas, politicamente fui verdinho. Fiz uns dez por cento, o resto não me deixaram fazer”.

José Pochapski nasceu em Barra Bonita (Prudentópolis-PR) dia 16 de Janeiro de 1946. Filho de Rosa Golhanoski (6/6/1926) e Conrado Pochapski (18/7/1921). Irmão de Áudio (falecido), Teófila (casada com Francisco Pimentel), Cláudio (solteiro) e Irene (Carlos Trucz). José Pochapski é casado (separado judicialmente) com Antonina Santana. Pai de Marcelo (acadêmico de Meio Ambiente e Turismo) e Márcia (odontóloga). - Os avós paternos, Catarina Peretiatko e Valdomiro Pochapski (Ucranianos), eram pequenos produtores de erva-mate e cachaça de alambique. Os avós maternos, Dominga Kich e Estefano Golhanoski, eram agricultores, em regime familiar.


Meus pais

e meu irmão Audio

Infância – “Da minha infância, lembro quase nada. Eu tinha uns 4... 5 anos e, ia junto com papai buscar cana prô engenho, numa carroça puxada por dois cavalos. Recordo de um caminhão GMC (Chevrolet), que só tinha longarinas (sem carroceria), prá transportar toras e madeiras... - Um domingo, mamãe cortava macarrão (caseiro) e a faca caiu. Ainda no ar, segurei. Pequei na lâmina e o fio me cortou a mão. Mamãe fez um curativo e mandou eu ir caçar passarinho, com a piazada... prá esquecer da dor”...(risos).


Campo Mourão - Pochapski bebê e sua mãe

1942 - "Meu avô Valdomiro e tio Miguel estiveram por aqui, mas não acreditaram que fosse prá frente. Papai ficou com Campo Mourão na cabeça, e em 1951 veio sozinho. O sonho dele era dar uma vida melhor à família. Carregou madeiras nas costas, da Mendes de Camargo até a Av. Goioerê (que ainda não estavam abertas) e construiu nossa casa, com sótão, coberta de telhas (Santa Therezinha, de Irati), entre as ruas São Paulo e Mato Grosso”, relembra.

Meus avós paternos ucraínos

Campo Mourão – “Em 1952 (abril), mudamos para Campo Mourão. Nossa casa era um armazém de secos e molhados. Papai progrediu. Em quatro anos adquiriu várias propriedades, inclusive o terreno, que hoje é o Jardim Conrado (homenagem a Conrado Pochapski que, também, é nome de rua). Minha irmã, Irene, ainda mora por ali. Parte da madeira da casa antiga é a casa onde moro, com meu irmão e meu filho, no Jardim Conrado, pertinho da Coamo. A cidade era uma vila. Tinha a quadra da praça e umas casas em volta. Rua só tinha no centro. Da Índio Bandeira e da Irmãos Pereira, prá baixo, era tudo mato”, relembra.

Meus filhos, ele ambientalista, ela odontóloga

Quase padre - Entre 1953/56, estudou no Instituto Santa Cruz. “Tinha as irmãs Filomena, Tereza, Aparecida e a professora Herta. Estudaram comigo, o Diógenes (Teodoro), João Teodoro, Maria Enilda, Jaíme (Mecânica Universal), o Plínio da banca e os irmãos dele (Antonio e José), o Vitoldo Nogarolli... e tantos outros, que não recordo, agora”. - De 57 a 64 estudou o ginásio e o científico no Colégio dos Padres Basilianos e no Ivaí Calmon. “Depois comecei estudar prá padre no Seminário São José. Tudo em Prudentópolis e Ivaí”. No final de 1964 prestou vestibular de Filosofia, na PUC, em Curitiba. “Fiquei em dúvida com minha vocação, e não terminei o curso de padre!!


Campo Mourão - Primeira Comunhão
Elétro Luz - Em 1965 veio para Campo Mourão. “Eu não via a hora de voltar”. O primeiro emprego foi na firma Elétro Luz (perto do Clube 10). Era do Sabino e do Bruno Montemezzo e do Marcos Morais. O Luiz Kehll trabalhou comigo. Quem me arrumou este emprego foi o Zigmundo Galicki (Zico), sogro do Ilivaldo Duarte (Coamo).

Professor - Em 1966 retornou à Curitiba de onde voltou professor de Matemática e Ciências. “Eu trabalhava de dia e estudava à noite! – Fui empregado da Dun & Brad Street Ltda (informações cadastrais de empresas). Eu comia na sede da UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas), no Passeio Público e morava (dormia) no “Puleiro dos Anjos”... (risos)... só homens...na sede da União Agrícola Instrutiva, ligada à comunidade ucraniana, em Curitiba”, explica. - “Me formei em 8 de dezembro de 1968, e voltei. Eu estava na biblioteca, que era na prefeitura mesmo, e conheci o professor Wilson Luiz Ubialli, dono do Ginásio Botelho e Mourão, que me convidou para lecionar, onde está o Santa Cruz, hoje. Eu dava Curso Supletivo, à noite, para adultos. Estudavam, o Joaquim Viana (cartorário), Nelson Tureck (deputado), Antonio Zufa (polícia rodoviário), Anísio Morais (radialista), Davi Camargo (relojoeiro), Jairo Padilha (laboratório). – Nesse período o seu Joaquim (Viana), era prefeito de Engenheiro Beltrão. Ele pegava a esposa e os assessores e vinham estudar em Campo Mourão... Já pensou que jóia?? – Os professores Jader Libório, o Fiore Ubiali, o Fortunato, foram meus colegas”, detalha Pochapski.
De 1969 a 1975 lecionou Matemática no Colégio Estadual. “Fui indicado ao diretor Martelinho (Egydio Martello), pelo professor Nicon Kopko. - Nesse tempo o Tauillo, Renatinho Fernandes, Laércio Dalefe, Nenzinha do Bento... Renato Dolci... foram uns de meus alunos. – É difícil lembrar todos, né?? (risos). - Em 1975 trabalhou na 42ª Inspetoria de Ensino (hoje Núcleo Regional), em uma sala do Colégio Marechal Rondon. “Fui Inspetor de Ensino Médio. Atendia uns 20 municípios da região”.


Pólo e Fundescam - Em 1976 implantou e foi o primeiro diretor do Colégio Unidade Pólo, inaugurado pelo prefeito Renato Fernandes Silva (prefeito-esporte). Entre 1974 e 1976, Dom Elizeu Simões Mendes (primeiro bispo) era diretor da Fundescam (Fundação de Ensino Superior de Campo Mourão). “Foi quando implantamos os cursos de Estudos Sociais, Letras e Pedagogia (licenciatura de 1º grau)”. O prédio da Fundescam (Fecilcam), foi construído por Horácio Amaral (prefeito-escola). Os primeiros cursos superiores da Facilcam (Faculdade de Ciências e Letras de Campo Mourão), foram reconhecidos na gestão do doutor Renato. Nesta luta, além das lideranças e da comunidade, o professor Ephigênio José Carneiro, teve um papel muito importante, como presidente da comissão”, destaca.


Colégio Agrícola - Nos anos de 1977/1978, Elmo Linhares presidiu a Fundescam e José Pochapski dirigiu a Facilcam. “Foi quando implantamos o Colégio Agrícola, que só funcionava à noite, numa sala da Faculdade. Fui o primeiro diretor (do Colégio Agrícola) e o professor Idevalci Ferreira Maia, o meu vice”. Tanto a Faculdade como o Colégio Agrícola eram mantidos pela Fundescam. Onde está o Colégio Agrícola hoje, numa área de 40 alqueires doada pelo prefeito, Augustinho Vecchi, era o Matadouro Municipal, “reformado, pela prefeitura, para ser o colégio”, revela.

Mutirão - Entre 1977 e 1982 acumulou o cargo de Diretor do Departamento Municipal de Educação, a convite do prefeito, Augustinho Vecchi. “Foi quando implantamos o Mutirão da Educação. Nesse tempo a prefeitura tinha mais de 100 escolas na área rural e hoje, só tem cinco. O êxodo rural foi muito grande e, também, Luiziana e Farol, se emanciparam, né?! Haviam as dificuldades mas foi um período legal e muito jóia. Aconteceram muitas coisas boas. Eu trabalhava direto, com o povo”, diz satisfeito.

Cuspideira – “Nessa lida, aprendi fazer e fumar o paieiro (cigarro de palha). Eu ainda fumo, meio escondido... (não vai publicar isso aí, viu?! – O Ephigênio, me mata!!!).... (risos). - Sei picar o fumo com canivete, fazer a palha, enrolar, pitar... e cuspir, também”...(risos). “Gosto de tomar, e sei fazer o chimarrão, tammmbém!!!...(risos). “Paieiro e mate, dá uma cuspideira na gente... já reparou? (risos)... Mass... é trem bão, né???


Campo Mourão, Pochapski sucedeu Augustinho
Augustinho – “Na prefeitura, tive muito apoio do Augustinho (Vecchi). Implantamos o pré-escolar, o projeto Lógus (para professores leigos), idealizamos a Fucam (para administrar o salário educação), organizamos mutirões nas escolas (cuidadas pela comunidade) e as associações de pais e professores. O programa do Anísio foi muito importante neste processo de ligação com a zona rural. Através dele e dos programas do Coronel Bastião e do Zé Mané, a gente divulgava nossa agenda. Nós tínhamos uma equipe de apoio, excelente: Ione Lucí Canalli, Nicon Kopko, Eleni Machado Ferreira, Sirlei Carolo, Antonio Gussão, Madalena Irineu Lídio, Guido Castelli e Vera Zagoto, Ademir Aleixo, Jacira Glaci de Melo e o (cunhado) Wilson de Pádua Santana, que administrava a Fucam presidida por Rosalino Salvadori. No período de Diretor da Educação, com o Augustinho Vecchi e o governador, Jayme Cannet Júnior, implantamos os cursos de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, na Faculdade”, comenta, satisfeito.

Prefeito – Em 1982 eu era desligado de política e, nem filiado. Apareci nas pesquisas e fui incentivado pelo Augustinho, a sair candidato a prefeito. Me filiei ao PP, depois no MDB, que fundiu com o PP do Tancredo Neves e nasceu o PMDB do Ulisses Guimarães. Éramos oposição ao PDS- Partido Democrático Social, do governo da ditadura militar. O presidente, general João Figueiredo, até veio fazer comício a favor do Getúlio Ferrari, ali na praça. Eu não queria ser prefeito. Pedi prá ser vereador ou vice do Darcy Deitos, mas o grupo não deixou. O Darcy era prá sair deputado federal. Eu não queria brigas e nem rachas. Eu era verdinho e... continuo verde, em política. Meu negócio é trabalhar!! – Eram cinco candidatos a prefeito. “O José Pedroso Fabri nosso vice... e, olha o que deu no fim: Fiquei em primeiro, com 12.012 votos. O Darcy em segundo com uns 7 mil, Getúlio mais de 4 mil, Joel Albuquerque com uns 2 mil e José Luiz Gurgel fez mais de mil. Eu tive apoio do José Richa (governador) e do Álvaro Dias (senador). Foi quando a dona Amelinha (Amélia de Almeida Hruschka) e o Rubens (Bueno), saíram a deputado estadual. O doutor Irineu (Francisco Irineu Brzezinski) saiu deputado federal. Todos ocuparam cadeiras... era um timaço”, enfatiza.

O administrador - Pochapski foi prefeito (1983 a 1988). “Meu sonho era fazer a melhor administração do Brasil. Mas desconhecia os bastidores, mas mantive o equilíbrio. Realizei uns 10 por cento do que planejei.. e o resto não consegui. Administrativamente fui bem, e mal, politicamente! - Nunca aceitei subornos e nem conchavos. A situação financeira, não era boa e, pisei fundo no breque... segurei tudo que podia. Fiquei um ano travado!!. - Sempre abri as portas para todo mundo que quisesse ajudar. Me atrapalhar, não!! (riso amarelo). Na porta do gabinete estava escrito: Sou Prefeito. Não sou Perfeito.


Obras - “Mas, com a situação em dia, montei cerca de 15 postos de saúde fora do centro, e gabinetes odontológicos nas escolas. Asfaltei a Perimetral Tancredo Neves (antiga Travessa Guaíra), com cerca de 5 mil metros. O Darcy Deitos ajudou, como diretor financeiro do DER. - Sediamos os Jogos Abertos do Paraná, no 40º Aniversário do Município (1987). Reformamos, totalmente, os ginásios JK e Bellin Carolo. Construímos os ginásios de esportes do Lar Paraná e da Vila Urupês. Renovei toda a frota de veículos da administração. Recuperei, cascalhei muitos trechos de estradas e construímos várias pontes de concreto. Implantamos o Ensino Interconficional (todas as religiões), nas escolas municipais.Estadualizamos a Fecilcam em 1987 (projeto de Rubens Bueno), com ajuda do Álvaro Dias (governador), que também, na minha gestão, asfaltou a rodovia Campo Mourão/Araruna. Asfaltamos todo o Conjunto Milton Luiz Pereira (Cohapar) e implantamos o Mendes. Construímos cerca de 400 a 500 casas populares. Foi no meu governo que fizemos os primeiros 25 km de asfalto da Boiadeira, e parece que ficou na mesma, até hoje”... (risos). “Lutamos – foi uma briga muito grande - pela ponte de Porto Camargo, aprovada quando eu era prefeito. - Reformei todas as escolas e implantei o transporte escolar gratuito. No fim, deixei a prefeitura com obras, projetos, dinheiro em caixa e vários convênios assinados. Minha parte eu fiz. A outra não me deixaram fazer”, reclama entristecido.

Detalhe - “Eu nunca inaugurei uma obra. Pode ver que não tem nenhuma placa minha. Sempre achei que inauguração é um ato político, e eu não tava afim de me promover. – Uma vez eu convidei o Rubens (Bueno), prá visitar o postinho da Vila Cândida e, quando chegamos lá, ele perguntou: Cadê o povo?!... (risos). “Acho que ele pensou que ia ter inauguração!!. (risos). Dos prefeitos de Campo Mourão, foi o último que presidiu a Comcam (1987). Depois, nunca mais teve prefeito de Campo Mourão presidente


Gol – “Minha alegria foi quando ganhei um carro Gol/85, do vice-prefeito, secretários, funcionários da prefeitura e alguns empresários, num jantar festivo, que me fizeram na Associação Trombini, na Vila Teixeira. Apesar da companheirada, sai muito decepcionado da prefeitura, pelo que já expliquei”.

Álvaro Dias ontem e hoje

Em Curitiba - Em 1989, de volta à Curitiba, trabalhei com o Rubens Bueno, na Secretaria de Estado do Trabalho e da Justiça Social, no governo do Álvaro (Dias). Com o Mário Pereira (vice do Requião), na Secretaria de Estado dos Transportes (setor de Assistência aos Municípios). Lecionei nos colégios Integral e Modelo do Paraná. De 89 a 98 trabalhei com a ONG Instituto Florestas Tropicais, na organização de agricultores em pequenas associações rurais. No início como voluntário e depois firmamos convênios com o Estado e a Prefeitura de Irati (94/98 foi remunerado). Temos parcerias com ONGs internacionais, principalmente com a The Bishop Budka Charitable Society, da cidade de Edmonton Alberta (Canadá).

Retorno – “Em 1999 voltei prá Campo Mourão. Continuo ligado a ONG. Eu andava muito depressivo. Um monte de problemas, inclusive a morte da minha mãe, me abalaram bastante. Em Campo Mourão tenho muitos amigos, parte da família, e vim porque gosto daqui. Ai apresentei uma proposta pro Tauillo e fiquei à frente do programa do Governo Interativo, junto à comunidade. Neste ano, voltei às origens, na direção geral da Secretaria Municipal da Educação. Hoje estou com 55 anos e estou pensando em voltar a lecionar”, confessa Pochapski.

CURIOSIDADES...
Meu nome é – “Meu nome é por causa de um tio que foi prá guerra (1944/45). A família pensou que ele tinha morrido e quiseram manter viva a lembrança dele. Me deram o nome de José. Veja bem!!.. Não sou santo!! – Mas, aconteceu, o meu primeiro e único milagre: Meu tio voltou, em janeiro de 1946, são e salvo!!!..(risos).
Meu sobrenome, na verdade - que veio da Ucrânia - é Potchapsky. Quando fui registrado, já abrasileirou.
Na campanha de 82, o Gurgel me apelidou de PuchaVecchi. Esses dias houve uma brincadeira na casa dos Teodoro e o Diógenes, me chamou de Te Zele. Aceitei a brincadeira e acrescentei: Te Zele Teodoro de Oliveira.... (risos). – Quando recebi o titulo, deu vontade de dizer: A partir de hoje, como cidadão, honorário, meu nome é: José Potchapsky PuchaVecchi Te Zele dos Teodoros... etc (risos)... - Afinal, sou um novo cidadão, do povo... de Campo Mourão... Sou o José de Todos”, arrematou José Pochapski, rindo muito.

Frases Mal Ditas:
 – Como prefeito, disse coisas que não devia. Fui mal entendido. Paguei o preço da inexperiência política: - Numa reunião de professores eu falei: Olha gente. Se fosse prá lecionar do jeito que eu lecionava antes, eu preferia ir carpir café, porque eu prejudicaria menos, os meus alunos!! – Eu quis dizer que era para os professores se prepararem melhor. Foi um mal estar geral. Pior que isso. Eu falei numa escola rural, num sítio de café!!.. (risos).
- Tentei melhorar o visual do centro. Recebi uns contra e até falei: Se quiserem amarrar cavalos nos postes, podem amarrar. Aqui no centro não faço nada! - Me dediquei mais aos bairros e à zona rural... Fui mal, nessa também, né?!
- Tinha terrenos vagos, aos montes, e anunciei: Vou aumentar ( e aumentei) o IPTU, prá acabar com a especulação dos terrenos baldios. Ainda disse: Vou enfiar a faca até o cabo... e dar uma mexidinha... (risos). “Foi a pior viagem!.. Viraram contra mim”.. (rindo)

Triste lembrança - Mataram papai.

– “Em 1956, papai foi morto pela polícia. Ele tinha 35 anos de idade. Houve uma discussão no armazém, com polícia civil. Foi naquela época de jaguncismo... sabe?! - Papai ficou bravo e deu uns tiros prá cima. Mandou eles sumirem. Por volta das 13 horas, eles voltaram e cercaram a casa. Um policia gritava para que papai saísse, senão eles iam metralhar a casa. Eu tinha 10 anos. A família estava toda, lá dentro. Papai preocupou. Me pegou pela mão e saímos pela porta da cozinha. Escutei o tiro e papai caiu, sem dar um gemido. A bala pegou no ouvido direito de papai e saiu pelo outro. Eu vi... corri prá dentro e falei: Mamãe, mataram nosso pai!! “O negócio foi o seguinte – conta Pochapski - 14 de setembro é dia santo ucraniano (Santa Cruz) e a venda tava fechada. Eles vieram, antes do almoço, e queriam tomar umas pinga. Papai disse que não ia abrir. Ai houve a discussão. Depois veio a polícia (militar), com fuzil e... deu no que deu!! Ficou tudo por isso mesmo!! - Mamãe estava grávida da Irene e ficou sozinha. Criou e educou os filhos. Nunca mais casou. Tinha 30 anos de idade. Continuou com o armazém. Eu estudava de manhã e ajudava à tarde. Enchia os pacotes mas não alcançava a balança Filizola (vermelha)”, lembra, com tristeza.

Pochapski foi prefeito, candidato a vice prefeito e se elegeu vereador na última eleição.

Pochapski e Milton Luiz Pereira cidadãos honorários de Campo Mourão