05/04/2011

Dina quer resgate do Peaberu

Dina Cardoso diz:
"é um privilégio Farol integrar a rota do caminho do Peaberu"

COMCAM
 Cumunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão

Na condição de integrante da COMCAM, Dina afirma que: “este Projeto pretende resgatar e mapear a trilha na nossa microrregião polarizada por Campo Mourão, por meio de pesquisas, vestígios líticos e da memória coletiva, tudo isso facilitado pelas fontes bibliográficas porque, aproveitando o Caminho, também teriam passado por ali os conquistadores espanhóis, os jesuítas das reduções, os bandeirantes paulistas nos séculos XVI e XVII e mesmo os pioneiros desbravadores do final do século XIX. Escritos do século XVI, aliás, chegam a descrevê-lo como possuindo cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 0,40 cm e forrado por gramíneas que impediam o crescimento do mato. A mesma descrição que dele fazem os guaranis. Peaberu é palavra tupi-guarani e possui muitas traduções: caminho forrado, caminho pisado, caminho sem ervas, caminho que leva ao céu. Para os descendentes guaranis, é o caminho de busca da Terra Sem Mal. Pode ter sido, porém, um caminho de comércio para o povo inca”.

O comandante espanhol, Ruy Diaz de Guzmán, fundador da segunda Vila Rica do Espírito Santo (1775), na foz do Rio Corumbataí com o Rio Ivai (Fênix–PR), traduziu a palavra composta pê abê y u como: caminho antigo de ir e vir. 

A introdução do livro “Farol: nossa terra, nossa gente”, do escritor farolense, Gilmar Cardoso, membro da Academia Mourãoense de Letras, descreve que: “os primeiros viajantes e exploradores que passaram pela região onde está assentado o Município de Farol de quem se tem notícia foram registrados a partir da construção da estrada que liga Guarapuava a Campo Mourão, passando por Pitanga. Esta estrada foi feita em cima da antiga “picada na mata” por onde muitas expedições exploradoras passaram, a partir do primeiro quarto do século XX”.

E continua a narrativa: “A história do Paraná é uma história de caminhos. É de se perguntar, haverá história, dentre tantas construídas pela humanidade, que não seja a da caminhada dos povos? Pelos campos, florestas, mares, rios e desertos, os povos tem caminhado, desde o dos primórdios dos tempos, fazendo a civilização. Nosso povo não foge disso!”.

No livro 2º Compêndio da Academia Mourãoense de Letras, o escritor Gilmar Cardoso ao descrever sobre a verdadeira origem do carneiro no buraco destacou que: “... viajava nossa caravana em busca da Água da Fonte de São João Maria de Jesus, que segundo se sabia, ficava cerca de doze léguas a oeste do povoado de Campos do Mourão num lugarejo batizado por Pinhalão, disse o oficial. Vínhamos da já frondosa Guarapuava, a qual era matrona de toda essa região, cujo percurso fazíamos em lombos de mulas. Se me lembro bem, o Zizinho e o Cacique vinham a pé. Um burro forte carregava a cozinha, que era composta dos víveres, uma chaleira de ferro para esquentar a água do chimarrão, talheres de pau e um tacho de cobre com tampa. A água carregávamos nas cabeças.  Estávamos já há muitos dias andando por uma estrada conhecida como Caminho Pisado, uma antiga via que possuía cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 40 cm e forrado por gramíneas que impediam o crescimento do mato. Esse histórico ramal era popularmente conhecido como caminho das tropas ou Peaberu; e naquele tempo ainda era bem delineado(....)” , descreve a narrativa histórica até chegar à Água da Fonte, no hoje município de Farol.

O pesquisador mourãoense Wille Bathke Junior escreveu em seu livro: Peaberu, o Sagrado Caminho de São Thomé, em um de seus trechos que: “No município de Farol tem uma localidade conhecida como Cruzeirinho, onde existia uma antiquíssima cruz de madeira atribuída a Thomé, erguida à margem de uma trilha do Peaberu. Quando caiu, foi recolhida pelo primeiro prefeito farolense Gilmar Cardoso, que desconhecia o valor histórico desse marco, mas ele me disse: “Eu me lembro do cruzeirinho e preciso ver onde foi guardado e vamos resgata-lo”, prometeu Gilmar.

Na Vila Brzezinski de Campo Mourão – Alto Alegre – a partir de onde a família Staniziewski chegou a Pinhalão do Oeste (Farol) pelo Peaberu, antigos moradores comentavam a existência de uma pedra com as marcas dos pés descalços do apóstolo Thomé, creditando-se o desaparecimento das pegadas e das trilhas do milenar Caminho, ao avanço incontido da agropecuária.

O pioneiro Pedro Stanisweski, fundador da Serraria Vitória, primeira indústria madeireira do Município de Farol, edificada ao lado da Água da Fonte, em atividade até os dias de hoje, descreveu no livro do Peaberu, de Wille Batke Junior que: “quando abrimos a Serraria Vitória, no meio da mata era nítido o Caminho do Peaberu. Cansei de ver o trecho. Era meio fundo de tanto ser pisado, com uns dois metros de largura. Essa relíquia, que ninguém sabia do seu valor histórico, perdeu-se no meio das lavouras, soterrada pela mecanização”, testemunha Silvestre Staniziewski, que entrou na região de Campo Mourão na década de 40, com seu pai Pedro. 
Nessa época só dava para ir de jeep ou caminhão, de Campo Mourão até o Alto Alegre (Vila Brzezinski). “Dali pra frente só montado em cavalgaduras. Os cavalos e burros eram alugados pelo tropeiro, Joaquim Fonseca. Depois abrimos e limpamos a trilha, no facão e na enxada, 14 quilômetros de estrada para chegar na Serraria Vitória”, conta Silvestre, em depoimento ao Projeto Raízes do jornal Tribuna de Campo Mourão. (Pedro Staniziewski chegou a Farol pela trilha do Peaberu).

Recuperar a Via Sagrada do Peaberu de Thomé pode ser um dos mais expressivos gestos de se comemorar a brasilidade quinhentista e promover, por essa meio, a integração do Mercosul, da Fé em Deus e na Paz Total, um sonho mundial, que os nativos sul-americanos já levavam a efeito há milhares de anos atrás, na busca permanente da Terra Sem Mal.

O projeto de retomada do imponente Peaberu aberto sob orientação de Thomé tem que ser desenvolvido de forma que o peregrino retorne no tempo e vivencie a exuberância da natureza ainda intacta, no contato harmonioso com o homem e os lugares santos, entre nativos, com Thomé, a terra, as águas e as matas.
O que nos dificultada os trabalhos de pesquisas e estudos é o fato de que o desenvolvimento urbano e agropecuário acabou por apagar enorme parte do traçado primitivo e nos falta, ainda, o apoio constitucional.

Dina Cardoso destacou que: “é notória a importância que o Caminho de Peaberu possui seja pelo traçado que cortava o continente, seja pelas personagens que por ele transitavam, pois é através dele que a verdadeira história e cultura de nossos antepassados são transmitidas nos dias de hoje, apesar da colonização européia que, utilizando do Peabiru adentrou na nossa região a fim de explorar o povo e a grandiosa riqueza natural aqui encontrada. O Peabiru é um caminho de importância inquestionável e deve ser resgatado para que as raízes do nosso povo sejam mantidas vivas entre o maior número de cidadãos e não apenas na memória de poucos estudiosos”, concluiu a prefeita Farolense.