24/04/2011

Caminhos Místicos -Thomé Exemplo da Fé

Estradas Turismísticas


O Caminho de São Tomé, inspirado no Caminho de Fé de Aparecida do Norte e no  Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que fazem a peregrinação a Bom Jesus de Iguape(SP), oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio.


Em seu caminhar, seguindo sempre as placas de sinalização, o peregrino vai reforçando sua fé observando a natureza privilegiada, superando as dificuldades do Caminho que é a síntese da própria vida.
Aprende que o pouco que necessita cabe na mochila e vai despojando-se do supérfluo.Exercitando a capacidade de ser humilde, compreenderá a simplicidade das pousadas e das refeições.
Em cada parada estará contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades e propiciando a integração cultural de seus habitantes com a dos peregrinos de diferentes origens.


Com o inicio do projeto, serão realizadas obras de conservação e sinalizado o trecho entre Capão Bonito e a Sede do Parque Carlos Botelho e com a adesão de outras prefeituras, paróquias, entidades e empresas, que já estão sendo contatadas, o trajeto poderá crescer e, na continuidade, seu traçado poderá ser sempre ampliado, visando justamente agregar outras cidades.
Outra preocupação é com o desenvolvimento da região por onde a estrada passará. Os muitos bairros existentes no trajeto são em sua maioria carentes e de poucas oportunidades sócio econômicas. Foi pensando nisso que a Secretaria de Turismo de Capão Bonito procurou o SEBRAE, mostrando o projeto e pedindo ajuda para implementação de capacitação nas áreas de cooperativismo associativismo e artesanato.
De pronto nosso pedido de parceria foi aceito e com certeza, o SEBRAE ajudara muito na transformação dessa região.
Dentre as ações a serem implementadas esta a criação de um Conselho Gestor de Governança composto pelos municípios participantes e todos os parceiros.
O trajeto se organizara sob a denominação de Circuito Turístico “Caminhos de São Tomé” sendo constituído como associação civil sem fins lucrativos e será regido pelas normas da legislação vigente e por estatuto próprio.


Igreja de Bom Jesus de Iguape por dentro e por fora

Existe uma oração que exprime bem o sentimento que o peregrino carrega durante o trajeto, de autoria de Paulo Brasil, peregrino do Caminho da Fé:

Oração do Cajado
"Paz para os homens de boa vontade...Desculpe Senhor pela relação grosseira que faço, mas sou obrigado a Te dizer que meu cajado me leva a Ti. Sei que é ousadia, mas a rusticidade daquele cabo de enxada me fez meditar.Ele me acompanha do princípio ao fim da minha peregrinação, como Tu fazes na minha vida.Como na vida, são constantes as subidas e descidas íngremes, poucos trechos planos, e assim como Tu, ele sempre está presente para nos ajudar. Quantas vezes cansado, apóio-me nele para descansar o peso do corpo e da mochila, bem como faço Contigo. Quando ele bate no chão de poeira, de barro, de grama ou de pedra, sua voz é diferente, bem como é a TUA PALAVRA em cada momento da minha vida. Quando tudo é plano eu o levo na mão, quase esquecendo que ele existe, bem como faço Contigo, tantas vezes na vida. Sempre tenho medo de esquecê-lo pelos cantos, como tenho tanto medo também de Te esquecer. Obrigado Senhor pelo eterno cajado que és em minha vida! Amém.”


O Caminho de São Tomé partirá de Capão Bonito com destino a Iguape(SP). Os peregrinos começam sua caminhada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Capão Bonito e seguirão até o Santuário de Bom Jesus de Iguape.Serão mais de 220 km, passando por seis municípios:Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Sete Barras, Registro, Pariquera-Açu e Iguape, aproximadamente 40km em território de Capão Bonito por entre montanhas e serras, caminhando, cavalgando ou pedalando ou de automóvel, por estradas de terra, passando por trilhas e pastos e em alguns trechos ao lado de rodovias com grande movimento.


Capão Bonito - Parque das Águas

Para dar suporte aos peregrinos e turistas nesse caminho, a iniciativa privada será chamada como parceira. É esperado um grande volume de investimentos nessa região o que acabará ocasionando uma onda de desenvolvimento nas micro-regiões onde o caminho passa.Existirão várias pousadas ao longo do Caminho, desde as mais simples até algumas onde encontrar-se-á um pouco mais de conforto. Em todo o trajeto você encontrará a hospitalidade do povo do interior.



Peaberu, Sumé, São Tomé...historiadores falam da existência de uma trilha indígena do período pré-descobrimento que ligava o Sul do Peru ao litoral paulista com o nome de Caminho do Peaberu.
Há fortes indícios de que o Paberu teve um se seus ramais passando por nossa região de Capão Bonito. Estudos revelam que índios não se fixavam por aqui, apenas passavam em determinadas épocas do ano, na sua andança.
Já foram encontrados vários objetos indígenas, como pontas de flechas lapidadas em pedra, demonstrando que eles caçavam muito nas regiões onde hoje estão localizados os parques estaduais Carlos Botelho e Intervales, isto reforça a tese de que a Rota do Peaberu passou por aqui.
O Peaberu era usado pelos índios Guaranis para caçar, ligar as diversas aldeias e, de acordo com alguns estudos, para procurar o que chamavam de “Terra sem Mal”, um lugar paradisíaco que imaginavam existir.
Com a chegada dos europeus, o caminho foi utilizado para penetrar o território sul-americano.Muitos historiadores afirmam que o Peaberu passava pelas nascentes do rio Paranapanema e seguiam até o Peru. Quando o Sudoeste Paulista ainda não havia sido palmilhado pelo homem branco, os naturais da terra já o atravessavam com muita freqüência, pois o território era cortado pelo famoso Peabiru, também conhecido como o Caminho de São Tomé.
Peabiru, uma velha rota indígena, era uma via transcontinental que vinha ao litoral paulista - São Vicente. Uma vertente vinha ao Planalto Paulista; este caminho também levava para o Sul, atravessava o Sudoeste Paulista seguindo, mais ou menos, a rota depois seguida pela estrada de ferro Sorocabana. Havia outra, uma ramificação que demandava Cananéia, passava pelas nascentes do Rio Paranapanema em Capão Bonito e a seguir, atingia a região ocupada atualmente por Itapeva, de onde partia uma ramificação que alcançava "Santo Antônio das Minas do Apiaí" e seguia em direção ao Paraná, onde haviam várias ramificações, uma se dirigindo a Assunção, no Paraguai e outra se dirigindo às minas de prata em Potosi e Cuzco então já no território do Peru.
Segundo  Washington Luiz, grande estudioso de nossa história, o Peabiru era a maior via de penetração do território Sul Americano. Foi em 1603 que começou a exploração portuguesa deste caminho entre Guairá e São Vicente.
O ilustre historiador paulista, Gentil de Moura, dá notícias em interessante trabalho sobre o misto de soldado e aventureiro, Ulrich Schmidt, que percorreu o Peabiru, de Assunção a São Vicente em companhia de vinte índios Carijós, conhecedores do trajeto. Daí, retornou à Europa. O aventureiro partiu no dia 26 de dezembro de 1552 chegando a São Vicente a 13 de junho de 1553.
Esta vereda foi usada por muitos bandeirantes nas suas andanças com destino ao Sul. Mas esta trilha indígena foi fechada por Tomé de Souza em 1653, pelo medo que os espanhóis causavam aos portugueses, temerosos de uma invasão, pois enquanto estes tinham a linha demarcatória do Tratado de Tordesilhas passando por Laguna, para os espanhóis este corte se dava em Iguape, no litoral paulista.
Ainda que os índios não tivessem um traçado fixo para as suas trilhas, elas foram usadas, mais tarde, pelos Bandeirantes. Fechada a velha trilha indígena em 1653, começou ela a ser novamente explorada pela pressão do comércio, a partir de 1693, quando do início do comércio entre o Planalto Paulista e Curitiba, já no ciclo do ouro.
Esta região pertencia aos nativos que construíram um caminho muito importante: o Peaberu (pê abê y u – caminho antigo de ir e vir). Era uma trilha muito antiga e comprida que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico que cruzava a América do Sul. Os nativos plantavam, nesse estreito caminho, uma grama miúda que evitava que a chuva lavasse a terra e, ao mesmo tempo, impedia que outras plantas invadissem a valeta. Assim, o caminho estava sempre pronto para ser trilhado e parecia um corredor acarpetado de verde macio. Essa grama era plantada em alguns trechos e se reproduzia pelo caminho. Produzia minúsculas sementes pegajosas que grudavam nos pés e pernas dos que por ali passavam e as semeavam pelo caminho afora.
Por esta trilha com menos de 2 metros de largura, andava muita gente importante da nossa história. Um destes homens era branco e ensinou muitas coisas boas para os nativos. Diziam que ele veio das águas e que seu nome era Tomé, Pai Sumé e Zumé. Era alto, com longas barbas. Usava cabelos curtos com um barrete no alto da cabeça, igual às que os padres tinham. A roupa branca ia até os pés, amarrada na cintura por um fino cinturão de couro.Nas mãos trazia um livro semelhante ao Breviário dos sacerdotes e também uma grande cruz de madeira. Por todos os lugares onde passava, deixava seus ensinamentos, condenando a poligamia e a antropofagia.
Ele evangelizava os índios falando sobre o único Deus. Também ensinou aos índios o cultivo de outras culturas como a cana-de-açúcar e o milho. Por pregar a palavra do bem e censurar a imoralidade, causou grande revolta nos chefes e pajés que, furiosos, mandaram persegui-lo, incendiando as cabanas onde se abrigava.
Ileso dos atentados sofridos, sempre fugia pelas águas dos rios ou do mar.
Os jesuítas, ao tomarem ciência dos índios, afirmaram que o homem branco era Tomé, apóstolo de Jesus Cristo, o mesmo que duvidou da ressurreição. Como foi descrente, Jesus lhe deu a missão de pregar o evangelho nas terras mais longínquas do mundo.
Naquela época, o mundo era apenas o Oriente, a Europa, África e a Ásia. Dizem que Tomé foi primeiro para a Pérsia. Assim que concluiu suas pregações, entrou num barco de mercadores rumo às Índias. Alcançou a Índia chegando até a China. Depois avançou no mar e chegou no litoral onde hoje é o Brasil.
Certo dia os inimigos conseguiram pegá-lo e o amarraram numa grande pedra. Furiosos, surraram-no e o largaram desmaiado. Então, três grandes águias desceram do céu, cortaram as amarras e o libertaram.
Ele fugiu pelas águas do Pacífico, da mesma maneira que chegou pelo Atlântico, e nunca mais ninguém o viu.


O Apóstolo Tomé - Pai Sumé – ensinou a técnica para construir e para preservar o Peaberu, e previu: “se um dia esse Caminho for destruído pelos gigantes de ferro e aço, haverá muita seca, as aves e animais irão e as águas dos rios se tornaram escuras”.- É preciso ver para crer??

Levando em conta o bom estado de conservação das estradas já existentes e a proximidade da festa de Bom Jesus de Iguape que se realiza anualmente no início do mês de agosto, cremos que com um pouco de esforço conseguiremos concluir a sinalização e a confecção de material de divulgação e passaportes para os peregrinos e assim lançarmos esta nova atração do turismo regional no final do mês de julho.

Isto tudo ainda é um projeto e apenas uma parte dele é de nossa responsabilidade. Podemos entregar ao povo de Capão Bonito e à sua clientela turística toda a estrutura necessária, dentro do nosso município. Mas o sucesso e a grandeza dele, depende de duas coisas: primeiro da adesão de pessoas interessadas em aventuras temáticas, que venham conhecer, participar e apreciar o que estamos planejando; segundo, da adesão dos municípios que compõem o trajeto do Caminho da Fé, para que dêem sustentação em cada trecho a percorrer, formando um todo integrado pela soma dos esforços dos encarregados pelo desenvolvimento turístico da região.

Muitos brasileiros vão à Europa, para fazer o Caminho de Santiago e acham perto, fácil e maravilhoso. Aqui, temos tudo a explorar, mas precisamos desse ideal das pessoas que são capazes de perceber quão grandioso é o nosso potencial, quão bela é a nossa natureza, vindo conferir conosco e nos ajudar a fazer do projeto um sucesso ao nosso alcance. Em outras palavras, todos tenhamos fé.