23/03/2011

Pierre Jort um Francês em Campo Mourão

 

Pedro Jort: aprendeu fazendo


Família Jort de Campo Mourão

Quando desembarcou no Brasil, no final da década de 30, deixando para trás a Grande Guerra, o francês Pierre Jort, ou Pedro Jort em bom Português, pensou que iria “derreter”.

Natural de Strasburgo, no Leste da França – cidade que hoje é sede do Parlamento Europeu e onde faz muito frio o ano inteiro, ele nunca tinha sentido tanto calor.

Na época, com 18 anos, ele veio com a mãe Eva e o pai Georges, então engenheiro mecânico. Depois de passar pelo Rio de Janeiro e São Paulo, a família foi para Curitiba onde a parte brasileira da história dos Jort no Brasil tem o seu início.
Depois de uma viagem ao interior do Paraná, quando o pai de ‘seu’ Pedro acompanhou o então interventor Manoel Ribas, os Jort adquiriram uma área de 713 alqueires de terras em Campo Mourão (Centro-Oeste do Paraná).
“O próprio Ribas afirmou ao meu pai que as terras da região de Campo Mourão eram o futuro do Estado”, afirma Pedro, ao relembrar que a região era um grande campo aberto, com muita saúva, rodeado por imensas matas, um vasto cerrado e extensos samambaiais que ninguém queria. 

Início difícil – A França havia sido invadida pelos nazistas e a chegada da família a Campo Mourão foi no início de 1941. A mudança dos bens veio aos poucos, já que todo o transporte, na época, era muito difícil pela falta de estradas. Com as dificuldades iniciais, por causa do pouco conhecimento em agricultura, o pai foi trabalhar em uma grande empresa no interior de São Paulo. Pedro Jort e a mãe ficaram no sítio, onde plantavam algumas lavouras manuais com o apoio dos vizinhos.
Com a mudança da mãe para Campinas-SP, onde o pai trabalhava, Pedro Jort foi aprender a profissão de agricultor em uma fazenda em Rolândia-PR. Durante 10 dez anos trabalhou, principalmente, no cultivo do café. Aproveitou, também, para formar a lavoura de café em parte da sua propriedade, na Fazenda Campo Bandeira, em Campo Mourão. 
Com os conhecimentos de mecânica, repassados pelo pai, Pedro fabricou um catador de café magnético, inventado pelo dono da fazenda onde trabalhava, e até vendeu alguns na região. “O instrumento separava o café da terra, após a colheita, facilitando a vida do produtor e a qualidade dos grãos”, explica.

Mecanização – Depois do casamento com dona Marlis, filha de alemães: Izabela e Rudolf Isay, donos da fazenda onde aprendeu a trabalhar com o café, Pedro Jort se instalou definitivamente em Campo Mourão. Comprou um trator de esteira e iniciou o preparo do solo para o plantio de arroz.
“Como a destoca com o esteira deu certo, acabei por mecanizar várias propriedades, o que rendeu muito trabalho em toda a região e cheguei a ter quatro desses tratores”, relembra satisfeito.
Mas a dificuldade para explorar toda a propriedade fez a família Jort dividir e vender parte da fazenda. Ficou com 120 alqueires, na região do Campo Bandeira, nas proximidades da cidade.

Apoio – Já com os sete filhos nascidos (Nicole, Regina, Cecília, Gabriel, Valéria, Rafael e Daniel), acompanhou de perto o início do crescimento da cidade e da Coamo. Em 1974, tornou-se sócio da cooperativa e deu início a uma nova fase na sua vida como agricultor. “Ficou tudo mais fácil. Ganhamos tranqüilidade e mais certeza para tocar a lavoura. Agora temos insumos certos; apoio para as situações adversas e, principalmente, assistência técnica e vantagens na comercialização da produção”, valoriza.
O filho Gabriel é hoje quem administra os 120 alqueires da família de Pedro Jort que, aos 88 anos, ainda realiza negócios. “Não deixei de ser sócio. A minha parte da produção é depositada na cooperativa e eu mesmo me encarrego das vendas”, revela sorridente.

Sentimento – Cada vez que “vê” o filme da sua vida, Pedro Jort sente que poderia ter feito mais para o futuro dos filhos. “Sei que fiz o melhor que pude para chegar onde estamos. E o meu maior orgulho não está no patrimônio material e sim no legado de caráter, determinação e vontade de trabalhar que herdei dos meus pais e procurei passar aos meus filhos. Hoje percebo que, apesar de tudo, fiz a coisa certa”, conclui Jort, que reside na Av. José Custódio, entre as ruas Brasil e Harrison José Borges.

Dados extraídos da entrevista publicada pela Coamo