20/03/2011

Milton Luiz Pereira - o Prefeito Modelo

 


“Tudo de Campo Mourão só tenho boas lembranças, orgulho e alegrias. A Divina Providência me guiou até lá”, diz o mocinho graxeiro, o jovem advogado, homem de fibra e Prefeito Modelo de Campo Mourão - PR, que veio e ficou. Venceu na vida sozinho, meritosamente. Hoje, honrado e humilde, ocupa o alto posto de Ministro do Tribunal de Justiça. Reside em Curitiba. Não se separa do Fusca Azul, que ganhou da população mourãoense há mais de 30 anos. “É mágico. Dentro dele, estou em Campo Mourão e me sinto envolvido pelo povo”, confessa emocionado.

Milton Luiz Pereira é filho de José Benedito Pereira (Itajubá - MG) e de Júlia Pinto Pereira (Pardinho – SP). “Meu pai era prático em farmácia. Em 1924 mudou para Itatinga (SP), conheceu mamãe, casaram-se. Nasci no dia 9 de dezembro de 1932”, registra doutor Milton. Estudou o primário no Grupo Escolar “Matilde Vieira”, em Avaré (SP). “Lá o ensino era melhor. Morei com o tio Alcídes, em companhia do meu primo Benedito e estudávamos juntos. Fiquei dois anos sem estudar por causa das mudanças”, lembra.

No Paraná – Perto de 1940 a família Pereira morou em Califórnia (PR) onde José Benedito estabeleceu sua farmácia. “Recebi aulas particulares e fiz o Exame de Admissão”. Em 1947 entrou, interno, no Colégio Diocesano de Londrina. “Sou católico e o Londrinense era Presbiteriano. Nosso diretor, pastor Zaqueu de Mello – professor de Português - respeitava os credos”. Aos domingos exigia que os católicos fossem à Missa das 9 horas e não permitia atividades. Era Dia de Guarda, leitura bíblica, discussão de textos sagrados e meditação. “Tínhamos a Agenda Bíblica, que guardo e leio até hoje. Ali conclui o ginásio em 1950”, revela doutor Milton.

Curitiba - Em 1951 foi para Curitiba fazer o CPOR e tentar Direito. “Meu pai não tinha condições de me manter na Capital. Morei na Pensão Esplanada (R. Comendador Araújo, 268), desempregado. Conheci o Ítalo, mecânico da Ford, que me ofereceu sociedade numa oficina de fundo de garagem. Na Hermes Macedo (Av. Barão do Rio Branco) compramos ferramentas. Fui graxeiro (lavador de peças) por um ano. Vendi minha parte da oficina pela metade do preço”, recorda do primeiro investimento. “Nessa pensão o “Campinho” (Nelson Teodoro de Oliveira), morou no meu quarto a pedido de seu pai, Joaquim Teodoro de Oliveira. O Nelsinho me pediu para lhe ensinar Latim e me pagava... engraxando meus sapatos”, brinca doutor Milton.

Na Imprensa - Em 1952 fez teste de locutor noticiarista na Rádio Clube Paranaense (PRB 2). “Minha primeira experiência em microfone fora em serviço de auto-falante comercial e tomei gosto”. Admitido pela PRB 2, apresentava, com exclusividade: Prosdocimo Informa, às 9, 12, 16, 19 e 22 horas. Obteve índices de 72 por cento de audiência. Na época as emissoras davam oportunidades aos estudantes. “Era corrido. Tudo ao vivo, na base do telegrama manuscrito que eu pegava na hora... texto truncado, sem a tradicional redação de rádio”, relembra. Estudava pela manhã. “Naquela época não tinha aula à noite. Para ir na B2 eu corria da Universidade, chegava esbaforido, apresentava o noticiário e voltava à sala de aula. Era meio perto, mas cansava” (sorriu). “Foram meus contemporâneos de rádio: Airton Goulart (Medicina), Artur de Souza (Direito), Lóris de Souza (Engenharia Civil), Sérgio Fraga, João Feder, Rafael Iatauro (Rádio Marumbi) hoje preside o Tribunal de Contas, Stengel Guimarães (narrador e comentarista esportivo), Mário Vendramel (depois apresentador de televisão) e a Mary Granato (Geógrafa) minha esposa. Trabalhei um tempo na Rádio Emissora Paranaense, mas a B2 me chamou de volta, a pedido do Prosdocimo, com uma proposta irrecusável”, diz satisfeito.


Direito - Em 1953 passou no vestibular. Em 1954 iniciou o Curso de Direito (UFPR) e concluiu o curso de 1º Tenente R/2 no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva). “Foi aí que conheci o doutor Eduardo Portes Rocha, logo depois advogado e madeireiro em Campo Mourão”. Em 1955 começou a se preparar para o concurso de Juiz de Direito, “mas nunca fiz porque não saiu”, lamenta. “Trabalhei, estudei e me sustentei sozinho”, ressalta.

O Melhor - Em 1956 mereceu destaque na Revista do Rádio (circulação nacional) como o Melhor Locutor Noticiarista e Voz Padrão do rádio paranaense. Foi um dos locutores mais bem pagos do Paraná. Prosdocimo Informa se equiparava ao Repórter Esso (Eron Domingues e Cid Moreira) da Rádio Nacional (RJ). No tempo de B2 e Universidade, trabalhou com Fernando Pessoa, jornalista do Estado do Paraná, que estava começando a circular. “Ele escrevia mas não datilografava. Convidou-me para datilografar e revisar os textos”. Milton é diplomado em Datilografia pela Escola Técnica do Comércio Remington do Paraná (antiga Faculdade de Comércio).

Acadêmico - Em 1957 estagiou na 4ª Promotoria Pública de Curitiba. Realizou 12 cursos de especialização em Direito Civil. Em 1958, na 8ª Semana Nacional de Estudos Jurídicos, em Natal (RN), concorreu com centenas de acadêmicos de todo o Brasil e conquistou o primeiro lugar do Concurso Nacional de Oratória. “No dia 18 de dezembro de 1958, colei grau”.

Imagem negativa - “Em 1958, saia eu da B2. Encontrei o doutor Eduardo Portes Rocha com a esposa. Disse que montou escritório em Campo Mourão e convidou-me para trabalhar com ele. Fiquei de dar resposta. Comentei sobre Campo Mourão com o Pinheiro Júnior (Chefe da Polícia Civil)... com o Walter Gibson. que conhecia a região e este falou-me: Vai não... é terra de bandido e de muito mato!! Dias depois vi o Eduardo e expliquei porque não ia. Ele me respondeu: Campo Mourão mudou, melhorou muito. Vamos... Você vai gostar!!” Recém formado, decidiu passar um mês em Campo Mourão. ”Eu Precisava trabalhar”, argumenta.

Em Campo Mourão - Dia 9 de janeiro de 1959, Milton Luiz Pereira chegou a Campo Mourão. “Era uma segunda-feira de sol quente e muita poeira”. Tinha vôos de aviões DC-3 (Douglas bimotores) da Aerovias Brasil - Real, Vasp (Viação Aérea São Paulo), BOA (Brasil Organização Aérea), RETA (Real Transportes Aéreos) e Cruzeiro do Sul. 
“Seo Batista, da B2, me pagou os meses de dezembro (58) e janeiro (59). Ganhei a passagem e fui. Quando desembarquei no aeroporto de Campo Mourão vi um policial militar graduado, com cara de bravo, de capacete. Usava um cinto com pelos, de couro de veado e dois revólveres 38, dependurados. Era o Coronel Cibi (Alcebíades Rodrigues da Costa), delegado da cidade. Ouvi ele dizer que estava ali: fiscalizando a chegada dos estrangeiros e que bandido não se criava em Campo Mourão”... (rindo). “O dinheiro era pouco e o clima me pareceu hostil”, narra sua chegada.

Contatos - "A primeira pessoa com quem conversei foi Virgínio Manoel João (Gino) o dono do táxi (jeep) que me levou até o centro. A segunda foi a loirinha, Lourdes Gomes (esposa do dentista Álvaro Gomes), na portaria do Hotel Brasil. Conversamos mas não combinamos no preço. Achei caro. A terceira foi o Sabino Deitos, no velho Hotel Paraná. Disse que ia ficar um mês. Ele falou: tem que pagar adiantado!! Deu no que eu queria: paguei e garanti um mês de cama e comida (risos). Me ajeitei no quarto simples, tudo de madeira. Depois fui ao casarão do Fórum. Entrei... lá no fundo vi um homem debruçado sobre um livro grande, escrevendo. Era seu Ville Bathke, o Escrivão do Crime e Oficial do Registro Civil. Me apresentei. Disse-me que também era de Curitiba. Me deu todas as orientações que pedi. Falei da minha preocupação com a cidade. O seu Ville disse: Dr, Campo Mourão não é nada disso que se comenta, é só trabalhar com vontade e seriedade, que dá tudo certo!! – Me referendou aos advogados da cidade, os quais conheci depois: Nelson Bittencourt Prado (o mais antigo), Armando Queiroz de Morais e o solicitador Trajano Amaral (advogado não formado)”, relembra.

Janeiro - Férias forenses. Lary Calixto Razzolini – Promotor de Justiça e Joaquim Euzébio de Figueiredo - Juiz de Direito, mas este não viajou. Ia ao Fórum todo dia, às 14 horas. O Ville - escrivão - me apresentou a ele. O doutor Joaquim era rápido. Sentamos, conversamos no salão do Fórum e ele incentivou-me a ficar”, recorda. “À tarde me recolhi. Banho de chuveiro frio. Luz fraca, amarelada. Por volta das 18 horas começou a ventania, um poeirão que nunca vi na minha vida... parecia cena do velho oeste americano, e a chuva despencou, forte e pesada. Estava muito escuro e eu deitado, tentando dormir. Passava da meia-noite. Bateram na minha porta. Atendi... um viajante de Maringá disse que o amigo dele fora preso na ZBM (zona de baixo meretrício) e pediu-me para soltá-lo. Fui... não conhecia nada. Atravessamos a praça... escuridão total e chuva que desabava. Bati na porta da Delegacia (depois Conselho Tutelar). Um barbudo de calção atendeu e gritou: depois das vinte horas não se atende ninguém!!! 
Mais tarde fiquei sabendo que era o famoso bandido Galo-Cego. Pela atitude dele pensei até, que era o delegado”, (rindo muito). “Pela janelinha da porta nos Informou a casa do delegado: é praaa lááá... (a esquerda da Av. Manoel Mendes de Camargo). Não tinha asfalto. Muito barro e lama escorregadia. Vi o Cine Império. O Bar do Malluf (Chafic Baden Malluf) estava aberto. Algumas pessoas jogavam baralho. Entramos e perguntei do delegado. Nos indicaram a casa na R. Roberto Brzezinski) abaixo do antigo Hospital São Pedro, antes da Av. Goio-erê, à direita. Bati palmas. Nos avançaram dois cachorros policiais, dessste taamanho. Cerca baixinha de balaustres (madeira estreita). O Cibi gritou lá de dentro: Oiii de fora... o que quer??!! Abriu a janela, com uma lanterninha acesa na mão. – Sou advogado de Curitiba. Preciso falar com o senhor!! respondi em bom tom. Ele saiu de pijama... perguntou o que era. Eu falei do preso. Ele discutiu, ficou bravo, disse que não ia soltar ninguém naquela hora, xingou... falou um bom-dia seco e mandou nós embora. Viramos as costas e ele nos chamou de novo. Marcou para as nove horas na Delegacia. Quando chegamos fui recebido pelo sargento Rivair, muito gentil, que me disse: seu delegado está esperando, mas só pode entrar o senhor!! Insisti: meu cliente entra junto comigo, sim senhor!! Entramos numa salinha à esquerda. Me apresentei. Conversamos com o Cibi e ele falou: em consideração ao senhor, vou soltar o pilantra! E soltou. Voltei ao hotel com meu primeiro caso encerrado e acertar os honorários. O cliente disse: só tenho dinheiro para pagar o hotel e outro dia acerto com você!! Eu disse: não senhor... pague o meu primeiro e depois o hotel !! Paga não paga, no fim recebi uma mala de viagem, de couro, muito boa e bonita que usei muitos anos em minhas viagens... (risos). – Isso tudo aconteceu comigo no meu primeiro dia e noite, em Campo Mourão”, frisa doutor Milton, que depois exerceu a função de Procurador Judicial da Prefeitura e advogado credenciado da Caixa Econômica Federal. Advogado competente e respeitado pela sua eloquência, atuou em 128 julgamentos no Tribunal do Júri da Comarca de Campo Mourão, no período de 1959 a 1963.

Primeiros bens – “Meu primeiro escritório foi na Rua Brasil. Uma meia-água nos fundos da antiga casa do doutor Ruy Saldanha de Loyola (primeiro promotor público de Campo Mourão). Me foi alugada pelo Rogê Delatre”, (agente da Aerovias Brasil – Real) onde estava a Livraria Roma, depois. “Dividi em três cômodos. Um casal morou ali para cuidar e zelar. Comprei um automóvel coupê e uma casa de madeira na Av. Goioerê. Depois instalei o escritório um pouco adiante do Hotel Paraná. O concurso para Juiz de Direito não saiu. Fiquei em Campo Mourão. Me dei muito bem, conquistei muitas amizades e a simpatia do povo”, conta satisfeito.

Casamento – Em 9 de dezembro de 1959 Milton Luiz Pereira casa-se com Rizoleta Mary Pereira, filha de Carmem e Miguel Granato, na Igreja Santa Terezinha (Curitiba). A cerimônia foi celebrada por Dom Gerônimo Mazzarotto, “ex-professor da Mary”, explica. O casal tem cinco filhos e seis netos. 
“Meus primeiros três filhos, me orgulho de serem mourãoenses: a psicóloga Gisele (casada com André), a arquiteta Gislene (Vladimir) e o diplomata Celso de Tarso (Oriana)”. Nasceram em Curitiba: a psicóloga Luciene Maria (solteira) e o advogado Marcus Vinícius (Letícia). “Conheci a Mary na B2”. Apresentava a Revista Matinal com o Ayrton de Souza. “Casamos, temos uma família linda e somos felizes até hoje”, enfatiza.


O estimado casal Milton e Rizoleta casaram em Curitiba

Prefeito – O deputado estadual Armando Queiroz de Morais e o governador Ney Braga – ambos do PDC – Partido Democrático Cristão - foram decisivos na eleição de Milton Luiz Pereira a prefeito de Campo Mourão. “Muita gente me ajudou sem pedir nada em troca. O povo me elegeu e trabalhei de 1964 a 1967, incansavelmente, pelo Município”. O governo militar prorrogou os mandatos de prefeitos, por mais um ano. “Não aceitei pois havia sido nomeado Juiz Federal, em Curitiba, e passei o cargo ao presidente da Câmara, Rosalino M. Salvadori e entreguei a prefeitura rigorosamente em dia. Cumpri o mandato que os eleitores me outorgaram pelo sagrado voto popular e democrático. O ano a mais da ditadura, não aceitei”, destacou com veemência. Nesse tempo não havia a figura do vice-prefeito, e vereador não tinha salário nem assessores (as).


Milton Luiz Pereira recebe a Prefeitura de Antonio Teodoro de Oliveira 
e renunciou para assumir o cargo de Juiz Federal.


Assumiu Rosalino M. Salvadori que também renunciou e assumiu, então, Augustinho Vecchi, 
ambos presidentes da Câmara de Vereadores de Campo Mourão, pois nesse tempo não existia vice-prefeito. 

Nesta foto estão, de cima para baixo, os vereadores: Getulio Ferrari, Augusto de Oliveira Carneiro, Zamir José Teixeira (óculos escuros), Alfonso Germano Hruschka, José Costa Maria, Ephigênio José Carneiro, Fioravante Joâo Ferri e Rosalino Mansueto Salvadori, além do bispo D. Eliseu Simões Mendes e o prefeito Milton Luiz Pereira com sua filha.

Trabalho – Dentre as obras que Dr. Milton realizou, estão a conclusão do atual Paço Municipal projetado por Elias Faraht e iniciado pelo prefeito Antonio T. de Oliveira. “No dia da inauguração exigi a presença do seu Antoninho. Criamos a Biblioteca Pública, com as professoras Eroni Maciel Ribas e Luci Canalli. A Companhia de Desenvolvimento, Urbanização e Saneamento (Codusa) com Rosalino Salvadori (presidente) e Munir Karan (diretor financeiro). Pavimentamos 1.180 metros quadrados de asfalto. O primeiro desfile cívico sobre o asfalto foi na nossa gestão”. Realizou a substituição dos postes de madeira (troncos de pinheiros) por concreto e instalou lâmpadas a mercúrio. 

Reformas: primeiras arquibancadas e quadra polivalente (basquete, volei e futebol de salão) do Estádio Municipal Roberto Brzezinski, que foi considerado o melhor gramado do Paraná. “Em 1964 Fundamos a AERM-Associação Esportiva e Recreativa Mourãoense (futebol profissional)”. 

Colaborador - Autor do Estatuto da Associação dos Advogados de Campo Mourão e Peabiru, com o advogado Paulo Vinício Fortes (presidente). Orador do Clube 10 de Outubro. “Não tinha como não ser. Eu estava nas duas chapas de 1960, tanto do seu Domingos Maciel Ribas como na do dentista José Edson Salgado. Ganhou seu Domingos”.. (rindo muito). Fizemos a terraplenagem na construção do Country Club a pedido dos médicos Germano Traple e José Luiz Tabith. Pagaram o combustível e a Prefeitura entrou com as máquinas”. 

Obras - Construiu a Praça São José. “Para garantir a linha do Expresso Maringá a Campo Mourão abrimos a estrada até Barbosa Ferraz, depois da ponte do Rio da Várzea”. Reorganizou a Guarda Mirim. Deu ênfase à Educação. Construiu escolas rurais e urbanas. Manteve as estradas vicinais conservadas e autorizou construir pontes em apoio à Agricultura que se iniciava. “Educação e Agricultura foram dois itens importantes para conquistarmos o título de Município Modelo, concedido pelo Ministério da Agricultura, em 1964, através do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Único título nacional que Campo Mourão ostenta oficialmente, até hoje e ninguém nos tira”, destaca.

Juiz Federal - Em 1967 assumiu, como Juiz Federal Substituto, a 2ª Vara da Seção Judiciária do Paraná. Em 1972 passou a Juiz Federal da 5ª Vara da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul. No mesmo ano voltou à Curitiba como Juiz Federal da 1ª Vara da Seção Judiciária do Paraná. Por quatro períodos, entre 1974 e 1984, foi Juiz Federal Diretor do Foro pelo Egrégio Conselho da Justiça Federal. Também foi Juiz Substituto e depois Efetivo, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Em 1988 entrou como Substituto no Tribunal Federal de Recursos. De 1989 a 1992, foi Juiz Presidente do Tribunal Federal (3ª Região). Juiz Presidente do Conselho de Administração do Tribunal Federal (3ª Região). Juiz Presidente da Justiça Federal (3ª Região) e Juiz Presidente da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal (3ª Região).

Ministro - Em 1992 galgou o alto escalão de Ministro do Superior Tribunal de Justiça (Brasília). Integrou a Corte Especial. Membro do Conselho da Justiça Federal, Coordenador Geral da Justiça Federal, Diretor do Centro de Estudos Judiciários e membro do Conselho de Administração do Supremo Tribunal de Justiça, até hoje.

Professor - “Veja que curioso – comenta – sou professor aposentado com um salário mínimo, pela Faculdade de Direito de Curitiba, onde fui titular de Direito Penal, mas o salário era baixo e deu nessa minguada pensãozinha”, (sorri). Ali também foi professor e coordenador de Direito Constitucional. Na Faculdade de Direito de Umuarama, atuou como professor visitante. Em Campo Mourão lecionou Latim no Ginásio Campo Mourão (depois Colégio Estadual) e Prática Jurídica na Escola de Comércio Santo Inácio, propriedade do professor Ephigênio José Carneiro. Escreveu o livro Justiça Federal (1968 - Editora Sugestões Literárias - SP). Tem várias publicações em revistas renomadas.

O Fusca Azul 1300...


“Quando entro no meu fusca sinto-me envolvido pelo povo da cidade que mais amo na vida. Devo muito à essa gente boa e maravilhosa que sempre me recebe com carinho”, ufana-se Milton Luiz Pereira. No final do seu mandato, líderes e a população se cotizaram a fim de comprar um Fusca 1300, azul e presenteá-lo ao Prefeito Modelo de Campo Mourão.
“Teve um cidadão que deu uma galinha – consta na lista – que foi vendida no Mercado Municipal por NCr$ 1,00 (hum cruzeiro novo)”, sorri contente.
“Saí da prefeitura sem nada. Na condição de prefeito a lei não me permitia advogar. Vendi meu carro (coupê) e a casa da Av. Goioerê, a fim de honrar meus compromissos”, revela.
O Fusquinha foi entregue em clima de festa, mas na hora de dar na partida não ‘pegou’. Aí empurraram por quase duas quadras e acionou no ‘tranco’. Roncou bonito, o povo aplaudiu e Dr Milton acenou com o braço esquerdo pra fora e o polegar esticado, em sinal de ‘positivo’.
“Aproveitei o embalo e fui aos bancos Nacional e Bamerindus (extintos), verificar meus débitos. Mas, para surpresa minha, os gerentes disseram-me: estão quitados!!  Então, eu quis saber como??”
É que a lista da coleta rendeu para comprar o Fusca, sobrou para uma televisão portátil e ainda pagar os papagaios. Esse Fusca é meu orgulho. Quando saio, seja aonde for, vou com ele. Está conservadinho. Mantenho e está tudo original. Vou à festas, casamentos e solenidades chiques, com ele. Todo mundo fica nos olhando, mas me orgulho deste carrinho que me simboliza Campo Mourão... Graças a Deus!!, concluiu com alegria, o cidadão Milton Luiz Pereira, ao lado dos filhos, netos e da esposa, não menos feliz, Rizoleta Mary Pereira.

Milton Luiz Pereira é referência estadual e nacional 
de Campo Mourão e do Paraná.


Atividades e reconhecimentos

Magistratura: Juiz Federal Substituto da 2ª Vara da Seção Judiciária do Paraná, 1967.
Juiz Federal Titular da 1ª Vara da Seção Judiciária do Paraná, 1972.
Juiz Federal Diretor do Foro.
Juiz Efetivo do Tribunal Regional Eleitoral - PR - 1975/1977 e 1983/1985.
Convocado para substituir no Tribunal Federal de Recursos, a partir de novembro de 1988.
Juiz do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, 1989.
Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, 1989/1991.
Ministro do Superior Tribunal de Justiça, a partir de 23/4/92.
Coordenador-Geral da Justiça Federal, de 6/8/2001 a 10/12/2002.
Aposentado do cargo de Ministro do STJ, a partir de 10/12/2002.

Magistério: Professor de nível superior - Ministério da Educação e Cultura, Conselho Federal de Educação; Parecer nº 889/71; Disciplina: Direito Penal.
Auxiliar de Ensino da disciplina de Direito Penal na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, 1968/1971.
Professor titular de Direito Penal, desde 1968, na Faculdade de Direito de Curitiba.
Professor de Direito Constitucional na Faculdade de Direito de Curitiba.
Coordenador da área de Direito Penal na Faculdade de Direito de Curitiba.
Professor Visitante da Faculdade de Direito de Umuarama - PR.

Outras atividades: Oficial do Exército (R/2) - CPOR de Curitiba - PR.
Prefeito Municipal de Campo Mourão, Estado do Paraná - 1964/1967. 

Condecorações, Títulos, Medalhas:
Cidadão Honorário do Município de Campo Mourão - Lei Municipal nº 3/67.
Cidadão Honorário de Curitiba - Lei Municipal nº 6.426/83.
Cidadão Honorário do Paraná.
Comendador da Ordem da Solidariedade, no grau de Cruz do Mérito Cultural, 1967.
Colar do Mérito Judiciário Ministro Pedro Lessa - Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
Ordem do Mérito Militar - Corpo de Graduados Especiais, no Grau Oficial - Presidente da República, 1989
Diploma - Academia Brasileira de História.
Sócio Honorário da Academia Brasileira de Direito Tributário.
Membro Titular da Academia Paranaense de Letras Jurídicas
Medalhas, Diplomas, Placas, como distinção e homenagens.
Medalha do Mérito Eleitoral das Araucárias - TRE/PR, Resolução nº 468, de 18/4/2006.

Casal Falece em menos de 24 hs
Milton Luiz Pereira, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) morreu poucas horas após a morte de sua esposa, Rizoleta Mary Pereira. Ela faleceu na quinta-feira, dia 15 de fevereiro de 2012 (19 horas), e ele no dia seguinte, 16, às 2h20 da madrugada. Ambos estavam internados na UTI do Hospital N. Sra. das Graças, em Curitiba, em decorrência de complicações advindas de câncer no pulmão.

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