26/03/2011

Gilmar Aparecido Cardoso

Meu tributo ao Gilmar


O menino ontem abandonado,
hoje advogado e poeta, tem uma história de vida igual a um conto de fadas.

Gilmar Aparecido Cardoso - é filho, de coração, do ucraíno José Elias Semiguem e da polonesa Lídia Semiguem. Um casal caridoso, amoroso, humilde, cristão, cumpridor de suas tarefas e com uma enorme bondade. 'Minha mãe Lídia foi companheira exemplar e amiga. Meu pai Elias me ensinou ter caráter e me dizia: 'quando faltar dinheiro, alguma coisa importante se perdeu; quanto faltar a saúde, muita coisa se perdeu; mas, quando faltar a honra, a dignidade e a honestidade, então, tudo se perdeu”. Ambos falecidos.


Gilmar Cardoso e sua família Semiguem - Campo Mourão

Cadê a Mãe? - “Nasci na colônia da Serraria Vitória, da família Stanizewski, em Farol”. Filho de uma jovem adolescente, solteira, Silvia Maria Cardoso, “que só conheço de nome e desde a data da minha adoção, pela família Semiguem (6 meses de idade), ninguém jamais teve noticias de seu paradeiro dela”.

Estudante - No antigo Pinhalão do Oeste, hoje Município de Farol, “cresci, estudei e tive uma infância feliz e minha diversão era futebol, que gosto desde criança. Tivemos uma ótima equipe, a do Grêmio Esportivo Farol – GEF dirigida pelo técnico Vicente Peludinho. Na disputa do Amadorzão de 1979 da Liga de Futebol de Campo Mourão, o GEF contava com os craques: Eurico Agulhon, Aldo, Jairo, Aparício, Eudes, Moacir, Polaco e Índio. Atílio, Dalton, Gercino, Antoninho, Joel Português, Flavinho, Nivaldo e Pauliche.


Gilmar Cardoso - Campo Mourão

Trabalho - Começou trabalhar desde pequeno ajudando seu pai a atender fregueses à moda antiga no Armazém São José de secos &  molhados, numa esquina da Avenida Paraná, área central de Farol. "Eu  fazia as anotações do “fiado” nas cadernetas dos freguesas mensalistas. Nas horas de folga ganhava um dinheirinho extra". Engraxava sapatos com uma caixa alaranjada feita na Marcenaria do amigo Jane Paxu.

Emprego - "Meu primeiro emprego - com carteira assinada - foi na Prefeitura de Campo Mourão, na gestão do prefeito José Pochapski. Trabalhei como agente odontológico de saúde e atuava no módulo instalado numa sala da Escola Municipal Casemiro de Abreu. Fui auxiliar dos dentistas Paulo Davidoff e do Guto, seu irmão; dos gêmeos Max e Marcos e da Dra Zilda Gentilin".
Prestou serviço militar obrigatório no Quartel do 27º Batalhão Logístico do Exército Brasileiro, em 1987, no Bairro Bacacheri, em Curitiba.


Campo Mourão o casal e padrinhos

Casamento - Gilmar é casado com a catarinense e prefeita de Farol, Dina de Fátima Gandolfi Cardoso, filha de agricultores. Gilmar e Dina tem duas filhas: Lydia Luyza e Lygia Gabryelle.


Campo Mourão família Cardoso

Na Política - Quando deu baixa, voltou à Secretaria de Saúde de Campo Mourão onde ficou poucos meses e, após ter lançado meu primeiro livro de poesias, recebeu convite do então deputado estadual Namir Piacentini afim de atuar no seu gabinete parlamentar. Fazia a redação e e elaborava  projetos de lei e pronunciamentos de Namir. Antes de ser admitido, "fiz testes de redação com o português Nuno César Quinta de Morais, da Casa Portuguesa de Campo Mourão, ligado do deputado".


Campo Mourão Gilmar e Namir

A Assembléia vivia um período de apresentação de projetos para emancipação política e criação de novos municípios. O deputado Namir propôs a criação das cidades de São Vicente (Araruna), Malu (Terra Boa), Rancho Alegre do Oeste (Goioere), Quarto Centenário (Goioere), Iracema do Oeste (Assis Chateabriand) e Farol (Campo Mourão) do qual fui eleito primeiro prefeito do Município de Farol.

Formação - Estudou o primário no extinto Grupo Escolar Afonso Botelho e o ensino fundamental na Escola Estadual de Farol. Curssou o então segundo grau - hoje ensino médio - no Colégio Estadual Professor João de Oliveira Gomes de Campo Mourão. "O diretor era o prof Joani Teixeira., tinhamos uma sala mista com alunos dos distritos de Farol e Piquirivai. Fiz vestibular e obtive a aprovação em Economia na Fecilcam, que na época era por semestres e no terceiro semestre troquei pelo curso de Administração, por não me sair bem na matemática e ter vocação por história, língua portuguesa e geografia, mas não concluí nenhum". Fez o curso de Direito na Universidade do Oeste Paulista - Unoeste, em Presidente Prudente, cursos de atualização e aperfeiçoamento em Maringá, pós-graduação em direito civil e processo civil na Faculdade Integrado de CM-CIES.

Simplicidade - “Sou cristão católico, membro do Movimento da Renovação Carismática, fiel, humilde, reservado e companheiro. Sou uma pedra bruta que todos os dias carece de ser lapidada na busca pela perfeição. Sou filho de Deus, creio que ele me amou primeiro e que pela intercessão de seu filho, Jesus Cristo, que com ele vive e reina na unidade do Espírito Santo, eu posso todas as coisas. Creio em Deus Pai, todo poderoso, santo, forte e imortal. Cultuo bases na família, na amizade e no relacionamento fraterno com as pessoas. Creio que só homens livres e de bons costumes podem fazer um mundo mais justo e perfeito”, assevera.

O Advogado - Na qualidade de advogado atuei na assessoria e consultoria jurídica da Associação das Câmaras da Microrregião Doze- Acamdoze, União dos Vereadores do Paraná – Uvepar e União dos Vereadores do Brasil – UVB. Fui procurador geral dos Municípios de Campo Mourão e Farol, assessor jurídico das câmaras municipais de Araruna e Luiziana e fui coordenador geral da prefeitura de Farol na gestão da Dina.


Campo Mourão tem...

Prefeito pioneiro - Tive o privilégio de ter sido escolhido o mais jovem escritor do Estado a ser admitido como membro do tradicional e centenário Centro de Letras do Paraná e, em Campo Mourão, fui eleito membro fundador da Cadeira nº 01 da Academia Mourãoense de Letras – AML, que tem como patrono Adinor Cordeiro, o “Jibóia”. Nessa área, disputei a cadeira vaga pela morte do jornalista e diretor-proprietário da Organizações Globo, jornalista Roberto Marinho, na Academia Brasileira de Letras, em eleição que teve como concorrentes o escritor e secretário de estado de cultura de São Paulo, Fernando Morais e o senador e ex-presidente interino da república, Marco Maciel.

Campo Mourão Vasquinho do Gilmar menguista
Futebol - Desde pequeno fui apaixonado pelo futebol. Joguei no Vasquinho FC, time mirim de Farol que na década de 80 disputava suas partidas num campo de chão batido onde hoje está tudo habitado ali próximo ao trevo de acesso principal à cidade. Depois passamos a jogar no campo gramado do Ticão onde passávamos o domingo inteiro brincando de bola. Esse campo também não existe mais! Jogava na meia-direita, de centroavante, sempre na frente. Agora, por questões cronológicas do tempo, fui recuado do meio para traz, parado na defesa para auxiliar o goleiro, tipo gandula.
Meu esporte favorito é o futebol-arte e bem jogado. Também curto o tênis, volei e a Formula Um. Meu time do coração é o Clube de Regatas do Flamengo, o Mengão da raça, amor e paixão. Minhas referências esportivas são o Zico e o Senna.

Admiração -O mestre Itamar Augustinho Tagliari, jogando em todas as posições; O Professor Paulo César da Costa, o Paulinho do Atletismo; O Sérgio Massaji Ueda, do tênis de mesa; O Ari Mateus, pedalando no ciclismo; O Edson “China” Hirata, cestinha do basquete; Silvana Casali, no handebol; Além do professor Jair Grasso e Getúlio Ferrari Jr, pelas relevantes contribuições à política pública municipal de esportes.


Gilmar de Campo Mourão na APL

Poeta - "Desde o dia em que escrevi despretenciosamente o meu primeiro poema, “Cidadezinha”, numa aula da professora Célia Dadamo Carneiro, na 6ª série da Escola Estadual de Farol e graças ao seu apoio e incentivo, passei a acreditar que era capaz de alçar vôos maiores e me aventurei a escrever, lançar livros e ser reconhecido na área. Amo a leitura e a escrita e creio como Monteiro Lobato, que um pais se faz com homens e livros", assim surgiu o poeta Gilmar e seu primeiro verso:
...... FAROL, MINHA CIDADE! /À VÓS, RENDO OS MEUS LOUVORES./
EU TAMBÉM SOU TEU FILHO,/ E MORRO... POR TI...DE AMORES!

Minha professora Célia  me deu força, esposa do amigo Deocleciano Carneiro (Sanico)

Inspiração - "Encontrei uma frase que expressa bem o que é SER POETA, escrita por um dos grandes mestres das letras, José de Alencar: O cidadão é o poeta do direito e da justiça; o poeta é o cidadão do belo e da arte. Penso que, antes de mais nada, ser poeta, é um estado de espírito. Quem é poeta, o é internamente. Tem a poesia na alma. Falamos poeta, mas normalmente estamos nos referindo a toda pessoa que tem o dom natural das artes escritas, seja em poesia, ou em prosa. Tudo depende do lirismo da alma de quem escreve", explica.

A Vida - A Vida judia, mas também ensina."Gosto muito de apreciar a natureza e sentir a brisa mansa do vento soprando enquanto fito os olhos no horizonte, principalmente se for ao som das águas de um rio. Meu passatempo preferido é assistir bons filmes e ler os melhores livros, confortavelmente, no sofá da sala ao lado da minha família, ambiente ideal para se ouvir uma boa musica, que deve variar de Legião Urbana, Titãs. Skank, Ultraje, Capital Inicial, J.Quest à Chico Buarque, Caetano, Bethania, Gal, Djavan, Tom, Toquinho, Elis, Ana Carolina, Seu Jorge, Peninha, passa por Michael Jackson, Kenni G, Abba, dentre outros que sabem fazer arte popular".

Suas preferidas - "Das minhas, a que mais gostei de escrever foi o poema “Circulo Vicioso”, do livro “Poetar é Preciso” que descreve o sofrido cotidiano de uma família de bóias-frias da região e que foi laureada com o 1º lugar do concurso “Retratos da Realidade Paranaense” do Centro de Letras do Paraná. Já a mais importante, foi a minha primeira poesia, um quarteto simples com estrofes de quatro versos, por coincidência uma singela e infantil homenagem à minha querida Farol, sob o título de “Cidadezinha”, quando ainda era aluno da 6ª série da Escola Estadual, aos 12 anos de idade, numa aula de língua e literatura ministrada pela professora Célia Dadamo Carneiro, atuante secretária municipal de Educação e Cultura de Farol".
Imortais? - Membro de uma Academia de Letras é tido igual um imortal. "Primeiro é preciso explicar ao público a definição de imortalidade dada pelo acadêmico Túlio Vargas, da Academia de Letras e do Centro de Letras do Paraná, que na data de 21 de maio de 2002 – Dia da Língua Nacional – instalou solenemente a nossa Academia Mourãoense de Letras, o 20º braço da academia maior, em evento histórico e memorável no Teatro Municipal. Segundo ele, imortal é na verdade utilizado para simbolizar aqueles que não tem onde cair morto!" (risos) Ao definir o que significa ser membro da AML fica com as palavras do colega advogado Cristiano Calixto, ao meu modesto pensar, ao lado de José Eugênio Maciel, um dos maiores cérebros que a nossa cidade já produziu, que escreveu em artigo publicado na imprensa local que “àqueles que tiveram a visão do empreendimento a certeza de que a vanguarda faz a diferença; àqueles que por suas ações concretas, transformando a idéia em realidade, a certeza de que sempre vale a pena agir, fazer, realizar, empreender; àqueles que emprestaram seus nomes às cadeiras da academia o duradouro reconhecimento pelos méritos que, em vida, conquistaram,e, aos respectivos titulares daquelas cadeiras, agora empossados sob o compromisso solene, na a árdua e nobre missão de continuarem pensando e escrevendo em favor de nós outros, pobres mortais” – e vaticina – “acadêmicos, dêem os seus conhecimentos ao povo; emprestem luzes às mentes ignóbeis; ofereçam seus prestimos à causa humana; façam das letras trilhos de esperança; doem rimas de amor à paz universal; escrevam textos, simples, que digam da magnitude do Criador, mas, acima de tudo, escrevam linhas que nasçam de onde Deus fez sua morada: o coração. Vivas, vivas.vivas à Academia Mourãoense de Letras. Estamos amadurecidos!” Gilmar é fundador e detentor da cadeira n° 1 da AML.


Campo Mourão Gilmar criança

Lembranças - "Sinto saudade da minha família, do Cine Plaza, da Churrascaria Marabá (Piacentini), da Rádio Humaitá, da Banda no coreto da praça, do Anísio Morais Notícias, das Novenas da Santinha peregrina, da Cantina do Nuno, do Colégio Estadual Profº João de Oliveira Gomes, do “documentado” Júlio Vieira, do Tony Nishimura, das Carpas do Abelar Gonçalves Neto e da boa parceria entre o Idê e o Turozi na Câmara de Vereadores, dos meus pais, José e Lídia Semiguem".
Campo Mourão Dina e Gilmar

Dina Mulher Mãe Amiga - "O relacionamento entre a gente é fruto de uma imensurável amizade, transforma da em amor que se renova dia a dia, a cada nascer ou pôr do sol. Essa mulher é, sobretudo, companheira incansável na adversidade das campanhas eleitorais, nas promoções sociais administrativas junto aos mais humildes, nos embates do cotidiano, no compromisso firmado perante o altar de fidelidade, na alegria e na tristeza, bem como na ternura da primavera. Quanto mais o nosso cansaço aos outros repousa, mais felizes ficamos, mais essências compartilhamos, mais amantes e farolenses somos.

Soldado brasileiro - "Uma satisfação foi  eu prestar o serviço militar em Curitiba, aquartelado no 27º BLOG - Batalhão Logístico. Por conta dessa experiência, além de ter morado à noite e finais de semana num cômodo com os colegas de caserna - Benhur de Souza (filho do prefeito nomeado José Antônio dos Santos e escrevente no Cartório do Acir) e Marquinhos Silveira (Marcos Louco)-, quando não estávamos de serviço, foi fundamental para que conhecesse como sendo meu oficial superior, o Sargento Milton Vicente Ferreira, membro da Academia Paranaense de Letras, mentor e incentivador para que eu tivesse coragem de publicar os escritos que foram reunidos no meu primeiro livro, “Confissões de Ninguém”, do qual ele é o apresentador/prefaciante e escreveu-me;  ao jovem poeta Glmar, resta-me dizer-lhe, que a estrada da poesia é infinita, sublime, musical, e que se palmilhada com reflexão, estudo, busca, pode-se chegar à mais íntima realização. mais uma estrela surgiu...mais um poeta nasceu".

Hoje - "Vivemos de bem com a vida, compartilhamos entusiasmo da Dina em fazer um Farol melhor. Temois um aconvivência fraterna e solidária com todos quantos quero e me querem bem.  Campo Mourão é m motivo de orgulho por seus números pujantes, de seus indicadores vigorosos, do seu crescimento em todos os setores da economia. A sede da maior cooperativa agrícola singular da América do Sul, com cidadãos reconhecidos no Estado e fora dele. Campo Mourão, Farol seu filho, hoje é seu irmão!" Gilmar faz parte da equipe de Marcio Nunes no Águas Paraná, do governo Beto Richa, ao lado do seu amigo de infância, Tino Stanisziewski, presidente da Surhema.


Mengão - “Sou Flamengo desde 1981, que tinha: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior: Adílio, Andrade, Zico, Tita, Lico e Nunes. O técnico era Paulo César Carpeggiani que tinha como reservas: Cantarelli, Figueiredo, Peu, Anselmo, Nei Dias e Baroninho. Este time, quando comandado por Zico, venceu o Campeonato Mundial Interclubes, em 1981, a Taça Libertadores da América e o Campeonato Carioca daquele ano, além das conquistas do Campeonato Brasileiro, em 1982, 1983, 1987”.

Seu primeiro livro e seu pai do coração, Campo Mourão

Livros - Gilmar Cardoso é autor dos livros de poesias: Confissões de Ninguém (mar/89),Tempos & Contratempos(nov/89), Panacéia (set/90), Poetar é Preciso (jan/92) e Ensaio Geral (set/93), todos lançados pela Editora Scortecci (São Paulo). É de sua autoria o livro: Farol, Nossa Terra,Nossa Gente, que conta a saga pioneiros, desde que surgiu o antigo Pinhalão d’Oeste, até o hoje município de Farol. "Entendo que poesia não muda o mundo. A poesia só muda os homens e os homens é que mudam o mundo!" concluiu Gilmar.


 
"Dupla delícia - O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado." (Mário Quintana)