25/03/2011

Euvaldo Cordeiro Correa em Campo Mourão




Campo Mourão marcou muito minha vida. Deixei de ser Promotor para ficar na cidade. Tudo de bom me aconteceu ali e, um pouco de ruim também. Fui baleado, detido pelo Exército da Revolução, mas graças a Deus sobrevivi e estou feliz com minha família e amigos. Hoje vivo pacatamente aqui em Curitiba”.

Euvaldo Cordeiro Correia, filho de Leni Cordeiro e Guilherme da Mota Correia, nasceu em Curitiba, no dia 15 de março de 1936, na época em que seu pai foi professor do Liceu “Rio Branco”.  Euvaldo casou com Roseli Razzolini, que conheceu em Campo Mourão. Tem três irmãos. Reinaldo (casado com Luci Reno), Maria Zelinda (Ediloi Ribeiro) e Lucídio (atualmente com Nadir dos Santos).



Sem parada - Como Juiz de Direito, o pai trabalhou em Ribeirão Claro, Reserva, Ipiranga, Jacarezinho, Morretes, Pitanga, Tibagi, Londrina e em Curitiba. Por não ter residência fixa, em função das constante trocas de Comarcas, a família morava em hotéis. Euvaldo, aos cinco anos, teve a primeira professora particular, que lhe ensinava num quarto de hotel, em Jacarezinho.

Descalço - Em Ipiranga ia à escola. As crianças iam a pé e descalças, mesmo no barro. “Eu, de sapatos. Me sentia mal e aderi à moda. Também ia descalço, com bornalzinho de pano a tiracolo, porque eu não queria ser melhor e nem diferente delas”, conta Euvaldo. “Meu primeiro brinquedo foi um carrinho de pau, tipo roleman, com volante, que um Oficial de Justiça fez pra mim, e eu descia as ladeiras, voando”, lembra da infância em Ipiranga.

Bom de bola - Em Tibagi terminou o curso primário, “mas ali não tinha ginásio”. Fez o Exame de Admissão e o primeiro ano ginasial no Colégio Estadual “José Bonifácio” em Paranaguá, “onde morei com meus avós”. O segundo ano foi no Colégio Estadual de Londrina, “mas reprovei, porque lá tinha um padre, professor de francês, muito bonzinho.. (rindo).. que deixava sair quem não queria assistir a aula e, dava no que eu queria. Gostava muito de futebol e reprovei” (risos). “Meu pai ficou bravo e me matriculou no Internato Paranaense (Curitiba), dos Irmãos Maristas, onde terminei o ginásio, fui titular do time de futebol e campeão individual de ping-pong (tênis de mesa). Atuei uma temporada no Caxias de Londrina, patrocinado pela Viação Garcia”, lembra Euvaldo.

Direito - Nesta época a família veio para Curitiba. Fez o curso Científico no Colégio Estadual do Paraná, prestou Exame Vestibular e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Paraná (UFPR). Trabalhava de dia e estudava à noite. “Trabalhei no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois fui Fiscal da Fazenda Estadual”, seus primeiros empregos.

Órfão – “Quando entrei na Faculdade, meu pai faleceu (1957). Mamãe morreu em 1992”, relembra com tristeza. Atuou como Escrevente da 5ª Vara Criminal de Curitiba, “ao tempo do Juiz de Direito, Miguel Thomaz Pessoa, do Promotor de Justiça, Eros Gradowski e do Escrivão, Alberto Dalla Bona”, registra.

Dificuldades - Serviu o Exército Brasileiro durante 15 meses no 13º Batalhão de Caçadores, em Joinville (SC). Fez o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) e deu baixa com a patente de 1º Tenente. Neste meio tempo interrompeu um ano de trabalho na Vara Criminal mas não parou de estudar. “Foi difícil para mim. Estudava em Curitiba e servia em Joinville, por opção minha. Me arrebentava para não perder aulas. Apesar dos sacrifícios não me queixo, porque Direito sempre foi o sonho da minha vida e consegui o que eu queria”, diz satisfeito.

Formatura - No retorno à Curitiba foi nomeado funcionário do Tribunal de Justiça, onde ficou quatro anos à disposição da 5ª Vara Criminal. “Estava no fim do curso de Direito e queria advogar, mas faltava o juramento perante a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Pedi exoneração do Tribunal de Justiça para poder demandar, também, contra o Estado, na qualidade de advogado, se preciso fosse”, explica. Euvaldo, que colou grau aos 25 anos.

Campo Mourão – Em 1961, quando estava para prestar compromisso na OAB, o Procurador do Ministério Público, Dr. Arcoverde – conhecido da família – lhe ofereceu a Promotoria da Comarca de Campo Mourão, então a maior do Paraná. “Aceitei, arrumei a mala e fui de avião (bimotor DC3 da Real Aerovias Brasil). Cheguei em maio no Campo, sem conhecer nada. O motorista me deixou no Hotel Mundos”. No dia seguinte Euvaldo se apresentou no Fórum. Não estranhou muito, pois na infância e na juventude estava acostumado com cidades do interior.

A Cidade - “Mas, meu primeiro impacto foi o velho casarão de madeira do Fórum, na avenida Irmãos Pereira (defronte à ex-Telepar). Um contraste muito forte com os palácios forenses da Capital. Parecia cena de faroeste”... (risos). 
No Fórum, o Oficial de Justiça, Faustino Elias dos Santos, me recomendou o Hotel Brasil, um casarão de madeira, com um andar superior, até então o mais famoso da cidade, meia quadra abaixo do Fórum.
'Andando, vi uma cidade em franco desenvolvimento e um tanto agitada. Havia um trechinho de asfalto na Capitão Índio Bandeira inaugurado pelo prefeito Milton Luiz Pereira. Água era de poço. A energia elétrica muito fraca. Levei um rádio. Gostava de sintonizar as rádios Bandeirantes para ouvir futebol e Nacional que transmitia notícias. No Campo meu rádio só 'falava' depois das dez da noite. Muita gente usava a energia ao mesmo tempo até a essa hora. As lâmpadas acesas pareciam uns tomatinhos alaranjados, quase maduros”, recorda hilariante.

Amizades - Conheceu o Juiz de Direito, Joaquim Euzébio de Figueiredo, “uma figura impar, um magistrado ágil e atuante para o padrão da época, caçado pela revolução militar”.
Fez amizades com os advogados Nelson Bittencourt Prado, Paulo Vinício Fortes, Milton Luiz Pereira, Renato Fernandes Silva, Wilson do Amaral Brandão, Fernando Biasoli, Horácio Amaral, Francisco Irineu Brzezinski. Os Promotores de Justiça, Lary Calixto Razzolini (seu cunhado), José Dutra de Almeida Lira e Nilton Bussi, “meus amigos até hoje”, diz com satisfação, ao lamentar os passamentos de Horácio Amaral e Lary Razzolini.
“Nós advogados, tínhamos o hábito – que se conserva até hoje em Campo Mourão – de tomarmos chimarrão às nove horas, na casa do doutor Paulo Fortes, e colocarmos as fofocas em dia”... (risos).

Cadeia lotada – “Quando assumi a Promotoria em Campo Mourão a cadeia estava superlotada. Tinha preso vazando pelas grades. Era uma coisa infernal. Cela que cabia quatro, tinha oito... dez presos... aguardando julgamento. Imagine a tortura!!! -O Promotor que me antecedeu, um tal de Magnavita, que não conheci, diziam que estava brigado com o Juiz e por isso não fazia júris. De cara fiz doze em dez dias. Peguei processos mal instruídos. Sem testemunhas oculares. Difíceis de interpretar. Tanto é que perdi e condenei, meio a meio”, contabiliza.

Mestres - “Dos advogados de defesa os que mais me impressionaram foram o doutor Milton Luiz Pereira e o doutor Horácio Amaral que eram fantásticos. Dois excelentes oradores, super bem preparados, dentre os muito bons”, recorda.

Na Zona - “Você me perguntou se eu ia à zona do meretrício, lá em baixo, na rua Santa Catarina??!! - Fui sim... umas duas vezes verificar se havia freqüência de menores.
Não ia como habituê, mas como Promotor e defensor da sociedade” assevera.
"As Zonas de Baixo Meretrício (ZBMs) nas décadas de 50 a 70 eram uma necessidade nas cidades que estavam florescendo, porque a maioria dos homens não levava as famílias antes de se estabelecerem. Digamos que, o meretrício, era um mal necessário!!”, justifica.

Permuta - “Fui para ficar seis meses em Campo Mourão. Houve uma permuta de Comarca entre o Magnavita e doutor Paulo Magalhães dos Reis. Fui chamado à Curitiba para assumir outra Comarca. Não aceitei. Gostei muito de Campo Mourão. Então pedi demissão da Promotoria. Voltei e me estabeleci com o doutor Wilson do Amaral Brandão, como clínico-geral (advogado que atua em todas). O Brandão foi pro Rio de Janeiro e aceitei o convite do doutor Francisco Irineu Brzezinski, para trabalharmos juntos. Ele também estava no início de carreira e sempre foi muito dedicado e atuante”, elogia.

Namôro - “Conheci a Beibi (Roseli Razzolini) num jantar no Hotel Brasil da dona Dalva Boss Ribas e do seu Alberto Barros - duas pessoas muito queridas - onde eu me hospedava”. Só houve troca de olhares. 
Roseli conta que as moças, na escola, comentavam sobre um promotor novo, boa pinta, de bigodinho, recém chegado na cidade, que dançava com elas. “Na noite do jantar, no Hotel Brasil, quando conheci o Euvaldo, eu estava com meu irmão Lary e minha cunhada Belinha (Isabel Schwab). “Ele me olhava e eu também, oras!! (risos).
“Mas a primeira vez que conversamos foi dia 21 de outubro, quando nasceu meu sobrinho Francisco, filho do Lary. Lembro que o Euvaldo foi visitar nossa família.
Chegou sem bigode (ele sabia que eu não gostava) e levou um kit da Johnson de presente... (risos). O Lary saiu de fininho. Disse que ia ao cinema...(gargalhadas).
Enquanto minha irmã Nely cuidava da Belinha e do Chico (Francisco César Razzolini) eu fui fazer sala pro Euvaldo. Depois o Euvaldo me levava de carro, todo dia, para a escola e começamos a namorar. Íamos às festinhas nas casas de amigas, no Cine Mourão e no Império... tomar sorvete no Bar do Malluf e nos bailes do Clube 10 de outubro”, detalha.

Baile de Páscoa no Clube 10 de Outubro

Poeira nos bailes – “Naqueles bailes que tinha muita poeira, ai faziam um intervalo para varrer o pó. Jogavam aguinha no salão. Noite de chuva entrava todo mundo com sapatos cheios de barro, secava e virava aquele poeirão. Todo baile era lotado. Vinham Orquestras e cantores famosos. O salão era todo decorado com peças inteiras de tecidos coloridos de última moda da Casas Pernambucanas. Era no mesmo clube que o Lions fazia as reuniões e nós participávamos ativamente”, descreve a 'domadora' Roseli.


Casamento – “Em 1962 namoramos durante um ano, noivamos mais um e no dia 23 de janeiro de 1965 casamos em Ponta Grossa”, conta Euvaldo.
Nesse mesmo dia Francisco Irineu Brzezinski casou com a saudosa Hilda Munin, em Peabiru. “Fechamos o escritório pra casamento e não pra balanço” (risos). “Nossos filhos, para nossa honra, são todos mourãoenses”, orgulham-se Roseli e Euvaldo. Guilherme (casado com Gisele Bês), Euvaldo Júnior (Patrícia Dalle Cane), os gêmeos Maurício (assaltado e assassinado em 1998 em Curitiba) e Marcelo (solteiro). São avós de duas netas: Bruna e Camila, de 9 e 6 anos respectivamente.

Nosso casamento foi em Ponta Grossa

Roseli Razzolini (Beibi), nasceu em Ponta Grossa, dia 16 de setembro de 1941. Filha de Mercedes Cavagnari e do caixeiro-viajante, Celestino Francisco Razzolini. Tem quatro irmãos: Nely, Lary, Nice e Sônia Maria. Morou na Rua Santa Catarina, Nº 619, em Campo Mourão com o irmão Lary Razzolini (Promotor licenciado e vereador, depois prefeito de Peabiru). Roseli se formou professora em Ponta Grossa. Lecionou em Campo Mourão na Escola Normal de Grau Ginasial “Emiliano Perneta” e na Escola Municipal “Marechal Rondon”, hoje elevada a Colégio Estadual.

Ivo Trombini x Dr Milton – “Quando o doutor Milton foi eleito prefeito,. o advogado Íris Antonio Mazzuchetti, assumiu o escritório dele”. Antes o doutor Íris administrava o escritório da Imobiliária Slomp, no emergente Jardim Lar Paraná. “Nessa campanha pedi votos pró  Ivo Trombini (PTB) inclusive pela Rádio Colmeia. Eu propagava as qualidades do Ivo. Homem sério, excelente administrador, desbravador. Mas, o Milton (PDC) venceu e saiu-se um dos melhores prefeitos de Campo Mourão. É um homem fora de série”, reconhece.

Atividades - Em Campo Mourão, Euvaldo Cordeiro presidiu e secretariou o Lions Club. Junto com a esposa, encabeçou campanhas do Agasalho a favor dos detentos, fez o Natal dos Pobres e ajudou na Sopa  das crianças das vilas e da Creche Sagrada Família dirigida por Josephina (dona Fifi) Wendling Nunes e Tercília Traple esposa do Dr. Germano Traple). Euvaldo é membro da Loja Maçônica Grande Oriente. Lecionou Desenho, durante três anos, no Colégio Estadual “João d’Oliveira Gomes”, a convite do diretor Egydio Martello.

Levei chumbo -  “Uma fatídica manhã, deixei a Beibi no Rondon e fui abastecer. Um cidadão (cita o nome mas pede sigilo) discutiu comigo. Era rixa do pai dele, dono de um ferro velho, que devia dinheiro. Sai, e quando estacionei... desci pra subir ao escritório (em cima da Boca Maldita) dei de cara com ele de novo. Me puxou o revólver. Me safei e agarrei ele por trás e tentei tomar a arma. Virou a mão pra trás e...... pummm...... atirou na minha barriga. Doeu!! Queimou!! Sacudi o cara e o joguei em cima dos carros. Bateu a cabeça e caiu, revólver em punho. Corri até a esquina e entrei na Farmácia América do Osvaldo Wrosnki. Atirou de novo e pegou na parede. Olha!!... Não morri por sorte!!! O cara entrou no jeep que estava do outro lado da rua e sumiu da cidade”, conta o sufoco que passou.

RETRATO DA ÉPOCA...

Ditadura - “No famoso Caso Vendramim, 1964, que atuei como advogado, resultou em várias prisões e eu quase bailei. Era briga de terra do Vendramim com estelionatários de Maringá que tinham prisão preventiva, mas no Fórum nada constava. Havia um certo Capitão Neudo, fazendo furor. Acabei sendo envolvido por ele também. Era um delegado especial do governo militar da Revolução, que só ferrava. Primeiro prendia e nem sempre perguntava”, relembra da ditadura.

Confusão - O Coronel Manguê (Delegado de Polícia), que fazia a busca para prender os safados, reclamou que tava fazendo papel de besta porque o Neudo dizia que a assinatura do doutor Joaquim (Joaquim Euzébio de Figueiredo) era falsa. Acertei com os caras por um milhão de cruzeiros... um dinheirão na época. Quando desci pra ir comunicar o acerto ao doutor Joaquim, o dentista Álvaro Gomes e o Simião da Coletoria, dentro de um jeep, me chamaram. Avisaram que eu estava sendo seguido. Me mostraram um cara de terno preto parado em frente do Hotel Brasil. Olhei, disfarcei e atravessei a praça Getúlio Vargas. O doutor Joaquim morava ao lado do Hotel Brasil (Rua Araruna). Quase chegando, o Álvaro e o Simião, de novo, parados ali. Me falaram do homem. Olhei e ele disfarçou que limpava os sapatos no raspador, em frente do Hotel. Sol quente. Não tinha barro...(risos). Dei a pasta com o dinheiro pro Álvaro esconder. Eu não sabia quem era o espião”, conta.

Voz de prisão – “Nisso o doutor Joaquim chegou da fazenda. Atendeu umas pessoas que já estavam ali antes de nós. Quando fui entrar para entregar a declaração do acerto e acabar com a ordem de prisão, chegou um pelotão do exército. Era o Capitão Neudo. Prendeu todos que estavam ali. Fui eu, o doutor Joaquim, o Álvaro, o Simião... levados de Campo Mourão ao Hotel Bourbon, em Londrina. Ficamos isolados com escolta pessoal, um em cada quarto. O cara ficava dentro do quarto, com um revólver na mão... brincava com a arma... ameaçava, pra intimidar a gente. No outro dia nos chamaram para depor. Contei minha história e disse pro Neudo: Você tá dando cobertura pra safado... pra vigarista... tão te fazendo de bobo. Você vai ver que no fim, você é o bobão da história!!! Previu Euvaldo.

Cerceado – “Me liberaram à tarde. Quando voltei pro Campo no outro dia, de avião, meu escritório estava lacrado e guardado por soldados do Exército. Fui acusado de extorsão por causa do acerto que fizemos com as partes, de comum acordo com o Vendramim. O Neudo havia me perguntado se eu tinha cofre forte. Respondi que sim e até disse onde 'escondia' a chave. Era em cima do cofre...(risos). Nestas alturas a Folha de Londrina... Voz do Brasil já tinham publicado nossas prisões com versões absurdas. A Revolução mandava e eles editavam, se não já viu, né??!! Quando cheguei o sargento disse: não pode entrar, ordem do Capitão Neudo! Eu morava ali. Precisava tomar banho e trocar roupa. Liguei pro Neudo. Não demorou cinco minutos, ele chegou. Subimos. Abriu e entrou junto comigo com a escolta. Começaram remexer tudo. Mostrei o cofre e a chavinha. Ele queria o cheque do acerto...(risos). Enquanto eles reviravam tudo, comecei fingir que arrumava os livros na estante. Cada livro que eu punha a mão...(gargalhadas)...os caras pulavam em cima e...pááhh.....pegavam o livro, olhavam... desfolhavam... mas não tinha nada. Em certa altura perguntei pro Neudo, em tom de gozação: Porque você não procura no meu quarto?? Foi e virou tudo. Eu ainda disse: fale o que está procurando, quem sabe eu facilito as coisas pra você!!... Era um bobão mesmo!!! Pau mandado, manuseado pelos bandidos.
Depois todo mundo soube disso e um outro Coronel veio no lugar dele. Só que nunca acharam nada. Eu não tinha culpa nenhuma. Sumiram com minha pasta, com documentos, dinheiro e tudo!!" denuncia Euvaldo. “Nesse rolo, sem provas, dois bailaram e foram parar na Prisão Provisória do Ahu. O Juiz de Direito, Joaquim Euzébio de Figueiredo e o Escrivão do Crime, Ville Bathke. Simplesmente desapareceram de Campo Mourão a mando do Neudo”. Depois foram absolvidos por sete a zero “por falta de provas e aposentados compulsoriamente”, recorda Euvaldo.

Cidadão honorário – “Depois de tudo isso a Câmara de Vereadores de Campo Mourão, ciente que o doutor Joaquim era inocente, a exemplo do Ville. lhe outorgou o Título de Cidadão Honorário. O Exército protestou. Se sentiu ofendido pelos edis, mas a honraria prevaleceu.
No Caso Vendramim o doutor Joaquim agiu corretamente. Havia decretado a prisão dos bandidos de fato antes do inquérito ser registrado no Fórum, só que o Neudo dizia que aquela assinatura do juiz era falsa. Depois reconheceram que era verdadeira. Mas aí a vaca já tinha ido pro brejo com bezerro e tudo". O Brandão, lá no Rio de Janeiro, soltou o boato que o doutor Joaquim expedia títulos de eleitor em duplicata. "Foi outro motivo para ser condenado. Forjaram uns caras e títulos eleitorais. Sacanearam o doutor Joaquim que já estava preso". Quem expedia títulos era o Juiz Preparador que encaminhava ao Cartório Eleitoral para registro e posterior assinatura do Juiz. "O doutor Joaquim não tinha nada a ver com isso”, defende.

Preparador – “O seu Antonio Constâncio de Souza, do Cartório de Notas, era o Juiz Preparador, honesto e sério também. Eles tentaram prender ainda o Promotor Paulo Magalhães dos Reis, sob a acusação de que recebia dinheiro para não recorrer contra as sentenças de réus absolvidos. Disseram que com esse dinheiro ele comprou e loteou o Jardim Nossa Senhora Aparecida. Não tinha nada disso". A Mulher de Paulo era bem de vida e ele também. "Mas veja bem. No tempo da Revolução Militar era assim. Bastava alguém te dedurar e você já estava frito”, afirma Euvaldo.

Hoje – "Estou aqui em Curitiba. Feliz com minha família, mas Campo Mourão, as amizades, a cidade, tudo... povoa nossas mentes e moram em nossos corações. Meus filhos, todos são nascidos em Campo Mourão. São as nossas maiores relíquias e lembranças vivas daquela cidade, onde passei por tudo, mas os bons momentos é que ficaram e são a nossa superação”, concluiu Euvaldo Cordeiro Correia, nos desejando "saúde e boa sorte!"



Wille Bathke Junior
Curitiba