31/03/2011

"Cadeia" de madeira em Campo Mourão


Olha aí a Cadeia Pública em Campo Mourão na década de 40/50. 
Ao fundo o Fórum da Comarca que abrangia os 25 municípios.

As duas casas construídas com madeiras, a Cadeia coberta de tabuinhas, janelas, portas, celas e cozinha nos fundos, onde os detentos ‘queimavam’ panela e faziam seu próprio rango. Observe ao fundo, o Fórum já com cobertura de telhas e vidraças.

Na casa da Cadeia as portas, janelas eram de madeira, a cela tinha gradezinhas de paus de vassoura e na porta uma tramela (tranca de pau) que girava em torno de um prego fixado no batente. O próprio preso se prendia e se soltava a hora que quisesse. Circulava livremente pela pequena cidade, como qualquer cidadão e só ia pra Cadeia para comer e dormir.

A maioria frequentava os bares, a zona de meretrício, jogavam bola no campo da praça com a piazada, naturalmente. Tinham todos os privilégios enquanto aguardavam julgamento. Só eram presos e levados a júri, os autores de homicídios dolosos. Bandido mesmo!!

Mas essas regalias e a insegurança da Cadeia tinha uma ‘lei’ da polícia responsável pelos seus cuidados: ‘O preso que fugir, vamos atrás e matamos. Não tem volta’.

O famoso Galo Cego aprontava das suas. Colocou uma plaquinha na frente da casa onde se lia: ‘preso que chegar depois da meia moite não entra’. Rabiscada com o dedo e graxa preta de sapato.

Vez ou outra recém-chegados passavam por ali e perguntavam: aí é pensão??
Resposta: é sim, pode entrar!.
Os que entravam e dormiam ali, pagavam o pernoite pra caixinha do Galo, o mesmo que atendeu Milton Luiz Pereira. O recém chegado advogado, numa noite chuvosa bateu à porta da delegacia afim de soltar o primeiro cliente, pensou que o Galo era o Delegado.

A velha Cadeia estava ali onde era o Posto Pingo d’Agua, em frente onde dona Dalva construiu o Hotel Brasil, avenida Irmãos Pereira X Rua Araruna, patrimonio demolido pela prefeitura.

Antes dessa ‘Cadeia’, os presos eram amarrados nas árvores do Bosque das Copaíbas, depois num galpão perto da primeira casa da Prefeitura, até serem conduzidos as cadeias de Pitanga ou Guarapuava, em lombos de cavalos.

Este era o Fórum  próximo da Cadeia -
(acervo Rubens Bathke na foto)