17/07/2017

Crianças e a História de Campo Mourão


Antes de tudo...
Essa terra era dos índios da Nação Guarani.
Chegaram os portugueses e espanhóis e dividiram essa terra pelo Tratado de Tordesilhas.
A região de Campo Mourão ficou para os espanhóis, na Província Del Guairá.
Logo em seguida vieram os jesuítas a fim de catequizar os índios da região.
Mas os bandeirantes portugueses, temendo a expansão do território espanhol, vieram pelos caminhos e trilhas nativas do Pe abe y'u e pelos rios Paranapanema, Ivaí, Tibagi e Piquiri, e expulsaram os jesuítas, os espanhóis e os índios da região.
Mais de um século depois, um homem chamado Dom Luís Antônio de Souza Botelho Mourão, Governador da Província de Piratininga (hoje Estado de São Paulo), enviou um grupo de expedicionários para vasculhar a região.
Esses homens cruzaram rios, atravessaram matas, e quando avistaram a nossa região se encantaram com o cerrado no descampado entre o rio do Campo e o ribeirão 119.
Esse espigão tinha uma vegetação rala, de troncos retorcidos e de cascas grossas, muito diferente das enormes árvores das florestas ao seu redor.
Resolveram chamar essa região aberta de “Campos do Mourão”, que mais tarde passou a se chamar Campo do Mourão e, após a emancipação do município: Campo Mourão. Esses campos foram, por muitos anos, local de descanso dos tropeiros, que traziam gado do Mato Grosso para engorda no Paraná.
No final do século XIX, um grupo de guarapuavanos chegou à esta região. Vieram criar gado nas pastagens naturais dos “Campos do Mourão”. Desse grupo, somente Jorge Walter, o Russo, regressou e se fixou em Campo Mourão, mais tarde seguido por Guilherme de Paula Xavier e pouco depois pelas famílias do paulista Jozé Luis Pereira e a de José Custódio de Oliveira.
No início do século XX, em 1903, chegaram as primeiras famílias, entre elas, os Pereira, com a intenção de morar nessa terra.
Naquela época não tinha energia elétrica. Os ranchos eram iluminados por lampiões e candeias, e a água retirada de minas e poços.
Três anos depois foi aberto um caminho entre Pitanga e Campo Mourão que ficou conhecido como “Picadão”, e em 1911, foi iniciada a abertura de uma outra estrada para trazer o gado de Mato Grosso... a conhecida Estrada Boiadeira.
Trinta e pouco anos depois, incentivadas pelo governador do Paraná, que queria colonizar o interior do Estado, mais e mais famílias chegaram na região de Campo Mourão, e trouxeram juntos, seus costumes e tradições.
Nessa época, o território de Campo Mourão pertencia ao município de Guarapuava, e foi nesse período que a cidade começou a ser formada. Era, ainda, um pequeno povoado com alguns moradores, na região do Jardim Santa Cruz, aberta pelos Pereira.
Centrados no desenvolvimento da cidade e nas famílias que chegavam, os engenheiros escolheram um lugar entre o rio do Campo e o rio Km 119, e traçaram largas ruas e avenidas, onde está hoje o centro da cidade.
No ponto mais alto, construíram a igreja matriz, toda de madeira, e em frente, uma grande praça que reunia muita gente que vinha para as missas e comemorações e, também, para verem os cavalos dispararem pela “Raia dos Porungos”.
Naquela época, a cidade era cercada por florestas.
Tinha muita madeira de lei, boa para construir casas, pontes, barracões, móveis, que fizeram brilhar os olhos dos madeireiros.
Em pouco tempo, Campo Mourão se tornou o maior produtor de madeira da região e o povoado cresceu.
Em 1943, o Distrito de Campo Mourão passou a pertencer ao município de Pitanga.
Mas cresceu tão rápido, que no dia 10 de outubro de 1947, Campo Mourão tornou-se município desmembrado de Pitanga.
Naquela época o território de Campo Mourão ia longe,
das margens do rio Piquiri às margens do rio Ivaí.
Veio tanta gente para cá que, entre 1950 e 1960, a população de Campo Mourão saltou de 32 mil para 142 mil habitantes.
Com tanta gente e tanta terra, logo, os distritos de Peabiru, Goioerê, Fênix, Barbosa Ferraz, Iretama, Roncador, Mamborê, Campina da Lagoa e Ubiratã se desmembraram de Campo Mourão e levaram um tanto de gente e um bom tanto de terra.
Para atender o desenvolvimento de Campo Mourão e região, as águas do rio Mourão e do rio Sem Passo foram represadas na altura do Salto São João e formou um lago, a fim de gerar energia elétrica.
Em 1º de outubro de 1964, a COPEL inaugurou a Usina Hidrelétrica Mourão, que passou a fornecer energia a toda a região.
Nessa mesma época a água tirada dos poços foi substituída pela água encanada captada no rio do Campo, onde está hoje o Parque do Lago.
Com tanto desenvolvimento a produção de madeira começou a diminuir. Já não tinha tantas florestas para serem derrubadas. No lugar das árvores, nessa terra de chão vermelho, as lavouras de café, milho, cana-de-açúcar, feijão e hortelã eram tocadas na base da enxada, arada e muito suor.
Plantava-se também arroz, amendoim, algodão e mandioca, mas as colheitas nem sempre eram das melhores.
As geadas, as formigas saúva, o sapé e as samambaias não davam trégua.
No ramo da indústria, a erva-mate era colhida das campinas para o chimarrão e o chá; a hortelã abastecia os alambiques para produzir óleo de menta, e a cana-de-açúcar  as pequenas fábricas de rapadura e aguardente.
No início da década de 1970 uma grande transformação estava para acontecer: as máquinas chegaram ao campo, fazendo rapidinho e melhor o que os homens demoravam em fazer com a enxada.
Logo, as plantações de trigo, soja e depois, de milho se espalharam pelo campo, iniciando uma nova fase econômica no município.
Porém, sem trabalho, muita gente deixou o campo e foi morar nas cidades à procura de emprego. E foi a partir de então, que quase toda a população de Campo Mourão passou a morar na cidade.
Para acolher toda essa gente a cidade precisou construir muitas casas, escolas, hospitais, postos de saúde, creches, abrigos... Precisaram levar água, energia elétrica, asfalto, ônibus, coleta de lixo e tantas outras coisas para todos os bairros que foram sendo criados.
Apesar de todo o esforço...nem todos ficaram bem alojados. Faltou emprego para muitos e casas para todos morarem. Surgiram as favelas, o desemprego, e as desigualdades aumentaram.
Chegamos no século XXI.
Hoje, somos mais de 87 mil habitantes, mais de 82 mil moram na cidade.
Nesses anos, de muita luta e trabalho, nossos pioneiros se tornaram pés vermelhos e conquistaram muitas coisas que, hoje, nos enchem de orgulho.
Além dos grãos, produzimos alimentos e equipamentos de alta tecnologia. Nossos serviços atendem não só o município como também toda a região.
Somos conhecidos pela Festa Nacional do Carneiro no Buraco, que reúne todos os anos, muitas pessoas de todos os cantos do Brasil.
Nossos estudantes não precisam mais sair da cidade para buscar uma profissão. Na verdade, os cursos que Campo Mourão oferece têm atraído muitos estudantes de outras regiões. Mesmo assim, nem todos têm conquistado seu espaço no mercado de trabalho. Por isso, precisamos planejar nosso futuro e o futuro de nossa cidade com responsabilidade, porque queremos continuar a viver aqui, nessa terra que acolheu nossas famílias. Não queremos ir embora daqui por falta de moradia, saúde, educação, emprego, segurança, cultura e lazer.
Por isso, precisamos mudar atitudes e comportamentos
para corrigirmos o que não está dando certo e valorizarmos o que temos de melhor.
Mas, principalmente, que todos assumam um compromisso coletivo que vise o desenvolvimento do município; concilie crescimento econômico com justiça social e respeito ao meio ambiente para que nós, crianças, possamos viver dignamente em Campo Mourão nos próximos anos.
...
Obs: Texto produzido pela Agenda 21 Local de Campo Mourão, com a participação de estudantes da 3ª série do Ensino Fundamental das Escolas Municipais de Campo Mourão, durante o 2º Desafio da Agenda 21 realizado entre agosto a outubro de 2007. 
Agenda 21 Mirim - 2º Desafio da Agenda 21, 2007

FONTES CONSULTADAS:
BATHKE JR, W. Blog do Wille Bathke Junior. Informações gerais sobre Campo Mourão e à saga das famílias Bathke e Vera Luque. Disponível em: http://wibajucm.blogspot.com.br/
HESPANHOL, N. A. A formação sócio espacial da região de Campo Mourão e dos municípios de Ubiratã, Campina da Lagoa e Nova Cantú-PR. In: BOLETIM DE GEOGRAFIA, Maringá: UEM – Ano 11, no 01, dezembro, 1993.
MAACK, Reinhard. Geografia física do Estado do Paraná. 3. ed. Curitiba: Imprensa Oficial, 2002.
ONOFRE, G.R.; OLIVEIRA, D.R.; SUZUKI, J.C. A formação do espaço mourãoenses: o esquecimento das lutas e a intensificação do capital no campo. In: XIX ENCONTRO NACIONAL DE GEOGRAFIA AGRÁRIA. São Paulo, 2009. Pp. 1-28