05/06/2011

Zoraido Casarin - Pioneiro Desbravador

 

ZORAIDO CASARIN


A família Casarin chegou à região dos Campos do Mourão em 1942. Veio desbravar um lugar chamado Araruna. Viajou em carroça (2 cavalos) e carroção com quatro juntas (8 cavalos). De Joaçaba (SC) o destino era Pitanga (PR) mas ficaram quatro anos em Guarapuava. “As estradas e as travessias de rios eram difíceis. Vi Campo Mourão crescer e Araruna nascer. Me orgulho de morar aqui e nós ter contribuído pra isso”.

 
Zoraido pioneiro de Araruna e Campo Mourão

Zoraido Casarin, conta: “meu pai (Tomas Casarim) tinha três anos e mamãe (Amélia Tardeti) dois, quando vieram da Itália. Meus avós (Josephina e Luigi Casarin) se instalaram em Soledade (RS). Eram colonos”. Doze dos quinze irmãos nasceram no Rio Grande. Luiz, Zoraido e Redêmio nasceram em Joaçaba (SC). É 14º filho nascido no dia 23 de setembro de 1924. “Papai tinha um moinho de pedra (mós) movido à roda d’água. Produzia farinha de trigo e fubá de milho. Atendia a colônia italiana e tinha bom movimento. Ali só se falava e rezava em italiano”, explica Zoraido.


Tomas Casarim começou Araruna

Infância - Dos cinco aos treze anos lembra das corridas que disputava com os amiguinhos: “O mais veloz era respeitado”. Apostavam quem subia mais alto nas árvores e nos coqueiros: “Aí era o mais corajoso”. Pescava com marreta de ferro e facão. Estudou até o terceiro ano primário “porque a escola não dava mais estudo que isso e ficava longe e eu tinha que trabalhar na roça com meu pai”. Zoraido diz que pegava peixe com a mão de dia e à noite com facão. “Batia a marreta nas pedras, o peixe de escama atordoava, subia e a gente pegava. Tinha que ser rápido. De noite nós fazia um facho na ponta da taquara, achava as taraíras dormindo. Alumiava, ia pé por pé... dava uma facãozada na cabeça delas e pegava”, relembra com saudade o seu tempo de infância.

No Paraná - Em 1938 a família Casarin partiu de Joaçaba, “em carroças com toldadas”. O destino era Pitanga. “Chegamos em Guarapuava num domingo. Paramos prá descansar os animais e ali ficamos quatro anos”. Além dos pais vieram os filhos Zoraido, Luiz, Demétrio (veio casado) e Leocádia. “Os outros irmãos ficaram: Firmíno, Telesser, Vendelina, Emiliano, Vivina, Natália, Belásia e Redêmio. Três faleceram novinhos, mas seriam os mais velhos”, explica.

 
"O rio Iguaçu quando enchia a gente nem passava"

Perigos - O pior trecho da viagem, além das estradas carroçáveis, foi a travessia do Rio Iguaçu. “Choveu muito e encheu. Acampamos e esperamos a água baixar. Não tinha recurso por perto. Mamãe fazia a comida em cima de braseiros. A gente dormia desajeitado nas carroças e cuidava dos animais. Se perdesse um, ficava a pé. Quando o tempo melhorou passamos aos poucos. Uma coisa de cada vez. Foram três ida e volta numa balsinha fraca e perigosa, tocada a remo. Balançava muito”, diz Zoráido, do medo de virar a “balsa” e afundar com tudo na correnteza do rio.

Guarapuava - Em Guarapuava seu Tomas comprou um sitio em nome dos filhos, para sustentar a família. Produzia de tudo. O milho e feijão que sobrava, vendia. “Nesse tempo, com 15 prá 16 anos, trabalhei de diarista com a turma grande que fez o campo da aviação de Guarapuava. Eu operava uma caçamba sobre trilhos e uma gaióta (carroça de duas rodas) puxada por um burro. Transportava terra. O campo de pouso foi gramado e ficou pronto. Só pousava teco-teco (avião monomotor pequeno). Daí voltei prá roça com a família”. Este foi seu primeiro e único emprego, fora de casa. “A coisa ficou meio apurada em Guarapuava. Papai deixou o sitio lá e viemos pro Campo, de carroça”, recorda.


No Campo – “Era tempo de guerra (II Guerra Mundial) e meu pai não podia requerer terra porque era estrangeiro, então comprava no nome dos filhos”. Em 1942 chegaram a Campo Mourão. Se hospedaram na casa de Eugênio e Sofia Zaleski. “Era nosso conhecido de Guarapuava e tinha chácara, perto do Patinhas”. No mesmo dia chegou o primeiro inspetor de terra, Júlio Régis, “que também se hospedou ali. O Eugênio era agrimensor. Demarcou o quadro urbano (loteamento) de Campo Mourão, e o Régis abriu a Gleba 5 (Araruna). “O engenheiro era o doutor Vítor (não lembrou o sobrenome). Foi o Eugênio quem encaminhou nós prá lá”, lembra. A avenida Índio Bandeira era uma estradinha que ia do Rio do Campo até o Rio 19. Passava pela capelinha da Santa Cruz onde conheci muito a casa e o velho Jozé Luis Pereira, uma família grande de paulistas. Atravessava pela água do Rio 19, pelo caminho dos índios (Peaberu) sempre prá esquerda, passava na Vila Peabiru, Venda Branca, até o Rio Claro e, prá lá deste rio tava a terra mista de Araruna”, narra Zoraido.

 
"Todas as cerimônias e festas religiosas era na Santa Cruz de Campo Mourão"

Comerciantes – . “Em 1942 aqui tinha a venda do Juscelino Medeiros (Casa Iracema, na esquina da Av. Irmãos Pereira com a R. Brasil – hoje Edifício Casali), que depois foi do Geremias Cilião de Araújo. O boteco do Norberto Padilha ficava ali perto onde é o Bradesco. O Antonio Mascate, pai da professora Tamára, que casou com o Ricardo Zaleski, tinha um comércio lá perto da Vila Guarujá" aponta.


Hotel Central primeiro de Campo Mourão

"O Eugênio Zaleski construiu o primeiro hotel (Hotel Central – Av. Irmãos Pereira esquina da R. Francisco Albuquerque). Loguinho depois da água do Rio 19, em frente do guaviroval, tinha a venda do Devete (de Paula Xavier). Mais prá frente, chegando na Lagoa Seca de Peabiru onde tinha a venda do Tito Albuquerque. Perto da serraria do Metchko (Laje Grande) existia a residência e o armazém do seu Chico (Francisco Albuquerque) que, antes de 1935, era do seu Léo Guimarães. Ali havia de tudo. Até pensão e comida pros que chegavam de novo. Vendiam querosene, lampião, tecidos, secos e molhados, calçados (botinas e tamancos) e até remédios (homeopáticos). Do outro lado da água (Rio do Campo) tinha o armazém do Antonio Teodoro (de Oliveira – seu Antoninho), na Campina dos Teodoro (Barreiro das Frutas). Existia dois carroceiros que faziam os transportes de uma cidade e de um lugar para outro”. Eram os irmãos João (carroceiro) e o Ludovico Flroricsack, “tios da minha mulher e irmãos do sogro Ladislau Floricsack. Até tenho uma foto deles aqui, olha... em frente da casa dos Albuquerque, na Laje”.. mostra Zoraido.

"Venda dos Albuquerque, onde todo mundo se abastecia em Campo Mourão"

“Tinha também o Zé Sapateiro (José Voidelo), que chegou aqui em 1937, se hospedava nessa casa aí, nos Albuquerque. Morreu de maleita (febre amarela)”, conta ao retratar Campos do Mourão dos anos 30/40.

"Campo Mourão não tinha quase nada em 42"

Peabiru - “Quando passei por aqui não tinha nada. Peabiru estava começando. Araruna não existia. Demos no Rio Claro que não tinha ponte. Ali paramos”, narra Zoraido. “Existiam três casas construídas pelo Estado em 1942, onde moraram o inspetor Júlio Régis, o Silvino Lopes (foi vereador e deputado) que operava o rádio de comunicação, e o farmacêutico Waldemar Roth, que depois montou a Farmácia Luz na R. Araruna, por ali onde está a PC Motos e Bicicletas e foi vereador da primeira Câmara de Campo Mourão”, recorda com precisão.

20 quilômetros em 60 dias – “Daqui até Araruna acampamos duas vezes. Uma no sítio do Laurindo Borges (cartorário) adiante do Rio 19 e outra já na barranca do Rio Claro. Demoramos sessenta dias prá achar a nossa terra. Era um carreador (estradinha) que o Estado acabava de abrir e mais nada. Os animais de montaria e os de carga (cargueiros) atravessaram por dentro do Rio Claro. As carroças ficaram do lado de cá, cuidadas pela mamãe que ficava sozinha, mas não tinha medo. Era muita água prá atravessar. Naquele tempo não tinha perigo de ladrão. Você podia deixar a casa aberta e ninguém mexia em nada”, recorda da solidão dos primórdios em Araruna.
Algum tempo depois compraram madeiras do Teodoro Metchko (hoje serraria dos Perdoncini) e começaram a fazer uma ponte. “Antes de terminar - não tinha aterro e nem cabeceiras - colocamos umas pranchas e passamos as carroças, empurradas no muque, sem os animais. Entramos na terra e mais tarde papai requereu, em meu nome, um lote de 37,5 alqueires indicado pelo Eugênio Zaleski, uns dois quilômetros antes de onde hoje é o centro de Araruna. Mas a gente não sabia onde ficava. Fomos orientados por um morador mais antigo (Paulo Toledo), chamado Paulo Paraguai, que tinha um índio (guarani) Vicente, que morava separado, tinha família grande e trabalhava com ele na região do Lirial de São Luiz. O seu Paulo nos levou até o sítio", explica.

Rompendo - "Fomos na frente abrindo picada com machado e facão pros cargueiros passar. Chegamos na terra e já tinha sinal de safra (queimada). Alguém morou por ali. Fizemos um rancho de tronco de palmito rachado no meio e cobrimos com as folhas.

 
"A gente começava morar assim"

"Era de chão batido. Fogão de barro. Igual índio. Tinha palmito que não acabava mais. Começamos a plantar prá sobreviver. A gente comia muita carne de galinha e de caça. Tinha veado, anta, capivara... nunca vi onça por perto, só rastro. A gente matava também macuco, jacutinga, uru e nhambú. Tinha muito. A comida era quirela, canjica, arroz - tudo socado no pilão - e rapadura. Café não tinha. Nós tomava chimarrão que gosto até hoje e a pinguinha também”... (rindo muito).

 
"Os pilão, os monjolo e as engenhoca, a gente fazia tudo de árvore farquejada, na mão"

“A farinha de biju (cascão de milho) fazia no monjolo movido à água. Começamos derrubar o mato, fazer lavoura e criar porcos. As árvores eram enormes e imensas. Tinha muita peroba rosa e amarela. Uma madeira muito dura e retorcida. Era no machado. A mão da gente ficava grossa e cheia de calo. Era preciso plantar e colher rápido. Tinha que ter sustento próprio e força prá trabalhar, senão não sobrevivia no sertão”, diz da dureza enfrentada na época, sem o mínimo de recursos.

 
"Primeiro a gente derrubava o mato. Depois fazia a coivara (queima) prá depois plantar a roça"


Primeiras famílias – ‘Tinha cinco famílias quando chegamos na Araruna”. Faz um esforço de memória e nomina: “O Ribeiro, o Antonio Rodrigues, o Paulo Toledo (Paraguay), o João Olenski e o Romalino, tudo longe um do outro. A primeira casa de madeira (boa) coberta de taboinhas, na vila, foi do meu irmão Luiz Casarin, que fez a residência, a venda e um botequinho. Depois voltou de mudança, prá Guarapuava”, registra.
“Os ranchos era iluminado com querosene (lampião) e banha de porco com pavio de pano trançado (lamparina). Fazia muita fumaça preta. Todo mundo amanhecia com o nariz preto, feito uma fornalha”... (gargalhadas). “Tomar banho e lavar roupa, só no rio, com sabão de cinza. Tinha água de mina (respeitada) prá beber e fazer a bóia”, explica o “conforto” da época de vida natural. “Papai morreu novo, com 72 anos em Araruna e mamãe morreu aqui, com 95”, lamenta.

 
Família de Dona Sofia, pioneirissima de Campo Mourão

Casamento – No dia 21 de maio de 1944, com 20 anos de idade, casou com Sofia Florizack, em Campo Mourão. “O Juiz de Paz e o escrivão eram Miguel Scharan e Arthur Moreira de Castilho”, respectivamente. O casal morou em Araruna até 1966. “Mudei pro Campo para dar estudos aos meus filhos”. Manteve o sítio arrendado e vendeu em 1975.
“Já conhecia minha mulher de vista em Guarapuava. O pai dela (Ladislau Floriczack e a mãe Bronislava Belinski) vieram prá cá em 1939. Tinham várias filhas e faziam baile na casa. Eu ia sempre lá, namoramos e casamos. Foi um casamento coletivo. A gente aproveitava quando o padre vinha de vez em quanto na Santa Cruz, por aqui. Foi tudo meio assim e nem fotografia tiramos. Não tinha fotógrafo à vontade como hoje”... (risos). “Temos oito filhos: Altair (casado com a Sebastiana - Santa), Nelson (Jacira de Lima), Elvira (Genésio Silva), Hamilton (Dulce Pazinato), Zulmira (João Milton), Odirce (Ivo Kimita), Airton (Neuza Cardoso) e o Darci (Lúcia Garcia)”. Tem 19 netos e 13 bisnetos. “Uma bisneta já tá com quinze anos e de repente já sou tataravô. Uma benção de Deus”... (sorri feliz). “Trabalho ainda no pesado. Faço cercas, arrumo casas, subo nos telhados.. faço qualquer negócio”, diz orgulhoso.

Primeiro voto – “O Milton Luiz Pereira era o prefeito quando vim morar no Campo e me estabelecer com bar (Ki Bom) na avenida Jorge Walter. Meu primeiro voto para prefeito foi pro Pedro Parigot (Pedro Viriato de Souza Filho), do PSD (Partido Social Democrático), no dia 16 de novembro de 1947, irmão do Sady (Cartório de Imóveis) e do Edilberto Parigot de Souza (Distribuidor Público)”. Araruna foi emancipada em 18 de novembro de 1955 e o primeiro prefeito foi o Dalvino Batista Guimarães. “Minha família votou nele também”, revela o cidadão Zoraido.

Santos remédios - “Quando adoecia o remédio que se conhecia era o pau-prá-tudo. Cozinhava e fazia um chá amarelado e amargo prá burro”... (rindo). Não existia médico e nem farmácia, só curador e benzedor. “Eu me curei da hepatite com chá de picão e não tem outro igual pro fígado. Onde nós achava um pouco de tudo e comprava, era no armazém do seu Chico e da dona Anita Albuquerque, aqui no Campo. Era longe toda vida. Papai, eu ou meu irmão vinha de Araruna,  de carroça abastecer, principalmente de sal grosso, que servia prá gente e pros animais. O sal não podia faltar de jeito nenhum”, explica Zoraido. “O primeiro médico do Estado aqui, em 1943, foi o doutor Délbos Zolá. O barbatimão e o anjico curava os pulmão e as mulher fazia banho de higiene, delas. Aprenderam com as índias”, lembra.

 
"Casca de Anta curava tudo"

Tempo bom – "Campo Mourão e a região hoje são bons. Mas gosto mais do tempo antigo. Tinha as dificuldades, mas era melhor. As pessoas se conversavam mais. Tinha a famosa Festa de São Roque na Venda Branca na casa do Lazinho (Lázaro Emídio). As amizades eram muitas... a gente saia e passeava bastante... – Os melhores bailes era na casa do José Makoski (Peabiru) e na do meu sogro. Não tinha acordeón, então ia de violão e na gaitinha de boca mesmo, e a marcação no pandeiro era uma toada só. Teve um baile, na casa do sogro, que o sanfoneiro tocou uma música só, a noite inteirinhaaaa. Tá looco sô !!!... (rindo muito). “Da roça a gente tirava tudo. Não faltava nada. A comida e água era sadia. Sal grosso se comprava de saco e o açúcar era de rapadura. Sei fazer tudo isso até hoje." diz com humildade. 


Religião - "Em 1942 a Santa Cruz era um lugar de reza, festança e de pagar promessa. A primeira igrejinha (São José), de madeira e coberta de taboinha, que o padre Aloísio Jacob rezava missa, batizava e fazia casamento, em Campo Mourão, era prá lá dos Carolo e do Frigorífico, onde tinha um campo de futebol até pouco tempo”, localiza o católico Zoraido.
“Em Araruna, entre 1945/46, o povo construiu uma igrejinha de pau (Santo Antonio), coberta de folhas, na praça (Nossa Senhora do Rocio) em frente onde está a prefeitura. O padre Aloísio ia a cavalo, celebrar missa lá, também”, recorda.

Queijo de porco – “Sei matar porco, carneio, faço lingüiça, salame defumado e o tal queijo de porco, assim, óh... - Você pega a cabeça do porco sem couro. Tira a banha mais grossa. Junta o coração, orelhas, a língua... aferventa na água... depois passa no moedor... enche o bucho do porco, bemmmm lavado.. cozinha numa panela grande... tira e põe em cima da mesa. Aí... coloca uma prancha bem pesada em cima prá achatar e arredondar. Deixa prensado a noite toda prá sair o líquido da gordura... no outro dia parece um queijo, enxutinho e gostoso. Daí é só comer”, ensina sorrindo.
“Comi muito. Uma vez fiz isso daí, a coisa estragou e quase matei minha família intoxicada. Daí parei!!!.... lembra assustado.


“O forno de assar, fazer bolo e pão era no quintal, feito de pedra e barro alisado com a mão. Primeiro se faz uma caixa de madeira, enche de terra prá forrar e uma armação de ripinha fina (sarrafo). Mais tarde fazia com tijolo, já mais moderno”, fala com ar de professor.

Bons de bocha - “Depois mudei o Bar Ki Bom e residência na Av. Goioerê, com duas canchas de bocha. Tinha um timaço, de oito duplas. A seleção de Campo Mourão. A disputa mais importante, que me lembro, foi nos Jogos Regionais de Maringá, no tempo do prefeito-esporte, Renato Fernandes Silva. Ele deu a maior força. Fomos vice-campeões e só perdemos prá Maringá”. Além da sua atuação, Zoraido Casarin destaca, “como turma da pesada”, o Coronel Spina, Augusto e Orlando Verona, Valentin Ubiali, Bruno Ghering, Augustinho Grasso, Roberto Figueiredo, Cláudio Salvadori, Rafael Pepino e César Uliani. “A bola da vez (jogada decisiva) sempre sobrava prá mim e pro Augusto”... (ri, convencido).

Realizado – “Nunca parei. Sempre trabalhei e trabalho duro. Nunca esmoreci. Eduquei meus filhos e me sinto realizado. Tenho muitos amigos. Meu prato favorito é feijão, arroz e uma carninha no domingo... (risos). “Viajei muito, sempre com a mulher. Conhecemos Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia, Rio de Janeiro (a que mais gostei pelo Cristo, Corcovado e pela paisagem), Salvador, Belém do Pará, Terezina, Cuiabá, Campo Grande... Aparecida do Norte. Só que a terra que eu gosto, bemmm messssmo... é Campo Mourão. Daqui não saio e daqui ninguém me tira”, enfatiza, sorrindo.

Pistoleiro - "Vi uma cena de bang-bang no centro de Araruna. Foi do Vardico (Valdir), pistoleiro famoso. Montava um cavalo bonito, ensinado. Ele assobiava, o cavalo vinha. Tava cheio de gente na rua. Ele avisou que a polícia de Peabiru tava vindo prá prender ele. Disse que não ia se entregar e berrou: Saiam de perto que o chumbo vai comer solto!!!..
Os policias chegaram e tentaram cercar ele. O delegado, agachado, deu a volta por trás de um quiosquinho e quando apontou a cara, levou um tiro no caroço do pescoço. Morreu na hora. A polícia atirava e o Vardico respondia o fogo. Acertaram um menino que tentou atravessar a rua correndo, que morreu. O Vardico foi baleado no braço. Chamou o cavalo, mas um polícia prendeu o animal. Conseguiu fugir a pé, pelo mato e foi parar na casa de um cunhado nos Três Marcos (Janiópolis)”, narrou.

 
Campo Mourão, Família Casarin

"Nós somos de paz e amizades. Minha família é muito carinhosa e unida. A filharada, a netaiada e bisnetos, sempre estão aqui em casa e, eu, fico todo orgulhoso dessa união", diz contente Zoraido Casarin.

Sofia e Zoraido. "Sempre que dá a gente viaja. Somos devotos de N. S. Aparecida"