11/06/2011

Osvaldo B Wronski de Campo Mourão - Saúde e Futebol



Osvaldo B Wronski 
aposentou depois de 54 anos de Farmácia América

Segundo dona Tecla Brzezinski, “o primeiro farmacêutico, com diploma oficial, que se estabeleceu em Campo Mourão, foi o doutor Osvaldo B Wronski. Ele veio de Curitiba, bem jovem, a convite do meu marido Roberto (Brzezinski) que era prefeito, em 1954.” Osvaldo cursou a UFPR-Universidade Federal do Paraná, nos anos 50. “Depois que se firmou aqui, casou com a Irene, uma mulher linda e amiga, que morreu cedo. Eles tem um casal de filhos (Thais que é farmaceutica e Osvaldo Jr, advogado)!" contou triste dona Tecla, ao lembrar da amiga.

Clube 10 de Campo Mourão, Irene (veste floral)

1954 - Adquiriu toda a esquina da rua Brasil com a av Capitão Índio Bandeira, onde começou com uma casa de madeira, hoje Edifício Alvorada. Mais tarde construiu o primeiro sobrado de Campo Mourão. Residia em cima e na parte de baixo instalou a Farmácia América dia 6 de junho de 1954, com excelente quadro de funcionários, que treinou pessoalmente.

 
Osvaldo Wronski (centro), Manoel Nascimento, Casemiro e Jair
da Farmácia América de Campo Mourão/PR

"Certa vez me chegou um cliente aviar uma receita médica e ninguém conseguia ler os remédios recomendados. Falei ao cidadão: volte lá no médico (citou o nome), consulte novamente e peça a ele escrever a receita em letras de forma, porque essa tá brava de ler"... risos.


1955 - Apesar de não gostar muito de atuar em campo, é um desportista nato. Osvaldo Wronski é um aficionado “roxo” por futebol. Participou e incentivou todos os clubes, competições amadoras e profissionais desde os sofridos tempos do União Operário FC, que resultou da fusão da Associação e do Operário.

 
Campo Mourão 1955 - Osvaldo Wronski, Nelson Monteiro, Getulio Ferrari, Avelino Piacentini, Aroldo Tissot e Alcyr Costa Schen.   

O primeiro presidente e também zagueiro do União FC, foi Avelino Piacentini, e Osvaldo um dos dedicados diretores. Também teve participação marcante quando Campo Mourão entrou no futebol profissional do Paraná, com a Associação Esportiva e Recreativa Mourãoense, fundada em 1964, com apoio do prefeito Milton Luiz Pereira que, ao mesmo tempo mandou gramar e adaptou o Estádio Municipal de acordo com as exigências da Federação Paranaense de Futebol-FPR.

 
Campo Moura~ 1958 
"a farmácia começou nessa casa, depois ali no sobrado"

1958 - Arquitetou um dos primeiros edifícios de Campo Mourão, ao qual deu nome de Alvorada, com dois andares. Depois mudou a farmácia, do sobrado, ao Edifício Mourão, propriedade do madeireiro Bruno Ghering - da Madepinho - onde funcionou até Osvaldo encerrar suas atividades, a fim de descansar, depois de mais de 50 anos de atividades intensas.

Coração de Campo Mourão

1966 -Foi um dos fundadores e duas vezes presidente, por demais dedicado, da Liga Regional de Futebol de Campo Mourão por seis profícuos anos (1966 a 1972). Adquiriu a sede própria da Liga e mobiliou toda a sala transformada em escritório bem aparelhado onde se realizam as reuniões de dirigentes futebolísticos até hoje, no piso superior do Ed Alvorada.


Torneio Osvaldo Wronski – Em 1969, o então radialista e presidente da Liga Regional de Campo Mourão, Wille Bathke Junior, organizou várias competições, dentre elas o Torneio Extra Amador Osvaldo Wronski, que por dez anos, era disputado em dois domingos inteiros, no Estádio Municipal Roberto Brzezinski.
A finalidade maior da competição, bancada pelo homenageado e organizada pela Liga era, principalmente, oportunizar aos times próximos e distantes, terem a satisfação de pisar o gramado profissional daquele próprio da municipalidade. No início se inscreveram 16 equipes da cidade e região. Logo, pelo interesse do torneio, o número foi elevado a 32 clubes.

 
Campo Mourão, no RB: Wille, Osvaldo, Felix e Osvaldinho. 
Mesa de troféus menores. Atrás do Wille seu filho Rodolfo Cesar

Esse evento esportivo extra-amador (varzeano) premiava: a primeira equipe a chegar ao Estádio, a melhor no desfile cívico e a melhor torcida. Todas as equipes e árbitros recebiam troféus e medalhas. As três primeiras ganhavam os troféus maiores e a campeã ficava de posse do Troféu Osvaldo Wronski, uma obra de arte gigante (em mármore e bronze com detalhes dourados), e o clube que o conquistasse por três anos seguidos ou cinco alternados, ficava em definitivo com o cobiçado troféu.

Curiosidade - Em um desses torneios, a equipe premiada por chegar mais cedo, veio de Nova Cantu. Perguntados como conseguiram?, respondiam: saímos do Tricolor às 3 hs da madrugada e vamos ganhar! mas perderam na primeira.

Organização - Os jogos, após sorteio, começavam com uma cerimônia cívica, banda municipal, presença do prefeito, autoridades, hasteamento das bandeiras e Hino Nacional.
A competição pra valer, com o ponta-pé inicial de Osvaldo Wronski, começava às 8hs e acabava às 18, com jogos eliminatórios de 30 minutos (15 x 15) sem parada. O quadrangular final tinha duração regulamentar de 90 minutos com 15 de descanso.

Árbitros – Era nesse Torneio que a Liga revelava árbitros e bandeirinhas. Os futuros árbitros começavam como auxiliares e mesários. Os que se adaptavam e demonstravam conhecimentos e qualidades eram inscritos no Quadro de Árbitros e passavam a mediar jogos do Campeonato Amador Regional e da Taça Paraná. Dentre eles estavam Antonio Pinguinha, Abigail dos Santos (Tula), Wilson Vecchi, Nilson e Nelson de Souza, todos diplomados pela FPF.

Sociedade - Assíduo frequentador do Clube Social e Recreativo 10 de Outubro, com sua esposa Irene, não perdia um Carnaval. É sócio-fundador do Country Clube e do Lions Clube de Campo Mourão.

Dona Dalva passou mal - "Eu não ia muito ao Clube 10 por causa do meu trabalho de cuidar do hotel (Brasil)", explica Dalva Boss. "Mas resolvi ir em um deles (1956) com meu companheiro Alberto. Estava lotado e bem animado. Passei na mesa do Osvaldo e da Irene cumprimentar e ele, gentilmente, me ofereceu um copo de bebida (cuba libre). Tomei... praa quêee mooçoo? -Senti uma tontura, pensei que ia morrer, me levaram pro hotel e só acordei no outro dia, pelada (risos). Adivinhe o quê o danado pôs no copo? Boleta uééé!!!.. mas não era das fortes... eu que era fraca!.. gargalhadas. 

 
Campo Mourão: Pochapski e Osvaldo

Justa Homenagem - Recentemente seus méritos profissionais, seus trabalhos de cidadania, de empreendedor e dedicação assídua ao esporte em geral, Osvaldo B Wronski foi reconhecido pela municipalidade, que lhe concedeu, por merecimentos, o Título de Cidadão Honorário de Campo Mourão, à noite de 26 de maio de 2011, em concorrida sessão solene no auditório do Shopping Cidade. A homenagem partiu de seu amigo, ex-prefeito e vereador José Pochapski.

Lembra da Evita, Osvaldo??

"O Osvaldo Wronski nos ajudou muito a fixarmos em Campo Mourão. Eramos companheiros de pescaria a gostavamos muito de futebol, ao tempo do peixe bão e do  amor à camisa.
Fomos colegas de faculdade em Curitiba, e por isso o Osvaldo deve se lembrar dessa passagem: é que, antes de nossa formatura, o governador Bento Munhoz da Rocha Neto, visitou a Universidade (UFPR). Nos incentivou nos cursos que faziamos e prometeu nos dar uma viagem de 30 dias, à Argentina, se tivessemos boas notas. Fizemos nossa parte, e o que ele prometeu, cumpriu. Eu era o tesoureiro da turma de formandos. Na época imperava o Peronismo fanático naquele país, e foi por esses dias, quando estávamos lá, que morreu a Eva Peron. Ela era famosíssima, uma linda mulher charmosa e meiga. Buenos Aires estava endoidecida porque o povo a amava. Fomos ao velório e vimos o corpo da Evita... realmente uma mulher muito bonita. Estava serena. Nem parecia morta", realça o odontólogo mourãoense - Álvaro Gomes - amicíssimo do farmacêutico Osvaldo Wronski. 

 
Campo Mourão rendeu homenagem a Osvaldo B Wronski, 
mais de meio século de trabalho, dedicado à saúde do povo