12/04/2011

Antonio Nishimura - O Tony do Carneiro


“Olha, minha vida toda tentei de tudo em busca da auto-suficiência. Me encontrei nas Artes Plásticas, e na Culinária me realizo ao preparar o Carneiro no Buraco. Cada quadro ou tacho que acabo, para mim é uma obra de arte. Me orgulho em divulgar o nome de Campo Mourão. Amo Campo Mourão que me adotou. Minha família é o meu maior bem. Os verdadeiros e poucos amigos, um complemento”, palavras de Tony Nishimura.


Antonio Nishimura (Tony), nasceu dia 10 de maio de 1943, no Distrito Água do Boi (Cambará - PR). Quarto filho da nissei Shizuko e do issei Yoshimitsu Nishimura, cafeicultor e horticultor. Tony tem duas irmãs e quatro irmãos: Eico, Yoshiko, Tadao, Hidesshi, Manabu e Minoro. Aos quatro anos de idade a família mudou para Uraí, “onde meu pai montou uma máquina de beneficiar arroz”. Com sete anos, Tony Nishimura, morou em Jandaia do Sul, em um sítio de café e hortaliças.

Meus pais, eu no colo e meus irmãozinhos

No pé e no braço - “A família toda levantava às cinco... seis horas da madrugada para colher as hortaliças e colocar dentro de uma carroça de duas rodas, sem cavalo. Carregada, meu pai ia na frente puxando, eu e meu irmão Tadao atrás, empurrava morro acima até chegar na cidade. Meu pai vendia de porta em porta. Dava uns quatro quilômetros, ida e volta”, recorda do primeiro trabalho. O mesmo trajeto fazia à tarde até a Escola Municipal de Jandaia do Sul. “Em 1958 terminei o Ginásio”. Conta que teve dificuldades para estudar por causa das constantes mudanças de cidades.

Brincadeiras - “Minha infância foi muito boa. Fiz algumas peraltices”. Jogava betes, bolinha de gude, seis-marias, pulava corda, empinava papagaio, “roubava” frutas dos vizinhos e pescava escondido dos pais. “Uma vez ficamos ilhados na cabeceira do Rio Marumbi. Estava do outro lado pescando. Choveu forte até o fim da tarde. A água subiu rápido e não dava para voltar. Estava quase noite. Apavoramos. A correnteza baixou e apareceu a pinguela... liiisa! - Quando chegamos em casa, adivinhe: tivemos que usar a tática de não ficarmos perto pra não levar surra!! (risos). “As tábuas de lavar roupas - feitas de costaneiras de madeira e serrilhadas (costela de vaca) ficavam abaixo da represinha do riacho do fundo do sítio que eu o Tadao e mais um amiguinho, fazia em segredo. Quando estourava na cheia do riacho, a correnteza levava as tábuas todas embora. Mamãe descobriu e levei outra bronca dura”, recorda.

Tempestade – “Em Uraí mamãe lavava roupas no Rio Piranito e eu brincava nas pedras, dentro da água. Dia 6 de outubro de 1949, no casamento do tio Mário, deu uma tempestade bem na hora da cerimônia e desabou metade da Igreja, com povo dentro. Foi um Deus nos acuda. A casa da recepção, preparada aos convidados, destelhou. Encharcou o shushi... sujou e perdeu tudo. Me escondi em baixo da mesa. Um tio meu, vítima de paralisia infantil, entrou debaixo da cama e depois não conseguia sair. Ficou entalado. Deu trabalho para tirar ele de lá”, conta do apuro.

Metas – Em 1960 a família passou a residir em Cianorte e administrar os sítios que totalizavam 30 alqueires de café. “Com dezessete anos, concluí o curso ginasial, comecei a agarrar o mundo em busca da auto-suficiência e freqüentei aulas do Científico, Contabilidade ou Normal Colegial conforme as oportunidades que se me ofereciam por onde eu passava. Fiquei um ano em Curitiba no Colégio Estadual do Paraná, depois fui pra São Paulo. Eu, quando jovem, era um nômade”, sorri.

 
Era dificil a mim estudar

Andanças - Em 1962, Tony Nishimura, chegou a São Paulo. “Lá aprendi trabalhar em fotografias de ateliê (estúdio) no Foto Muito Bom, na Rua Teodoro Sampaio (Pinheiros)”. Depois aportou em Londrina. Trabalhou na empresa de Wilson Moreira (ex-prefeito). “Aprendi, em parte, a lidar com equipamentos elétricos e industriais”, recorda.

Campo Mourão - “Eu ouvia comentários sobre a rica e promissora região de Campo Mourão e queria conhecer. Meu cunhado Nelson Ito (casado com Yoshiko) era dono do Foto Estrela, em Peabiru. Vim para cá”. Isso foi em 1965. “Um ano depois eu comprei o Foto Estrela do Iduarte do Prado, na Rua Harrison José Borges, em frente ao antigo escritório da Café do Paraná. O Foto era pra cá da Eletro Som do Tironi”, detalha Tony. Nesse tempo Campo Mourão ainda estava evoluindo. “Não existia asfalto e para comprar material fotográfico a gente dependia de Maringá ou Londrina. As revelações a cores só em Curitiba, no Foto Colorama. Um dia pedi pra fazer uns posters (quadros) e a secretária do Colorama me telefonou: quer que eu mande montados? - Eu respondi: nãoo... mande pelo Expresso Nordeste... é mais rápido!! (gargalhadas). “Fui fotógrafo dos prefeitos Milton Luiz Pereira até o José Pochapski e até do Nelson Tureck que pediu adiantado ”, orgulha-se.

Em Peaberu

Mestre-cuca – Por volta de 1985 alugou o Restaurante Nikkei do professor Matsumi (Judô), na esquina da Rua Interventor Manoel Ribas com Avenida Manoel Mendes de Camargo. “Umas duas vezes por mês eu servia o Carneiro no Buraco... aos sábados feijoada completa, mas a especialidade era sukiaki, yakisoba, shashimi, tempan - yaki, frango xadrez, tempura e udon. Sempre gostei de cozinhar”. Culinária especial e Pintura artística são a vocação de Tony, “por natureza”, revela.

Especialidades - “Desde que me conheço por gente, sem aprender com ninguém, sou artista plástico em óleo sobre tela e nankin. Sou mestre de mim mesmo. Aprimoro minha técnica cada vez mais. Meu gosto em cozinhar me levou à especialidade de preparar o Carneiro no Buraco”. A galeria dos prefeitos de Campo Mourão - quadro a quadro em óleo sobre tela e inédita - é obra prima de Tony Nishimura. “Já retratei muitas damas da sociedade de Campo Mourão, inclusive de Curitiba e da Suíça”, mas prefere não declinar nomes.

Carneiro no Buraco – Tony Nishimura começou a se dedicar, efetivamente, ao prato típico de Campo Mourão, em 1972. “No começo a pedido dos amigos Sérgio Constantino Miguel e João Sérgio Kffuri”. No Aero Clube também, a convite do Dorival Conte e do Henning Baer. Envolveu-se gradativamente. Aperfeiçoou a receita, o sistema e ficou famoso como mestre-cuca no Brasil e no exterior. “O nosso prato típico, que faço com carinho e esmero, sem perder as características fundamentais da origem, já servi pelos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, nos dois Mato Grosso, Brasília (DF) e até em Nueva Esperanza (Paraguai)”, revela.


Com Rômulo Arantes

Comensais famosos - Dentre os serviços especializados oferecidos às autoridades, cita algumas “que provaram e elogiaram o Carneiro no Buraco”. Dentre elas, os presidentes da República: Emilio Garrastazu Médici e as comitivas de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso. Os Ministros Mário Andreazza (Transportes), Costa Cavalcante (Interior), Ciro Gomes (Fazenda), senador Roberto Freire, governadores Álvaro Dias (PR), Wilson Kleinubin (SC), Márcio Braga (deputado federal e presidente do Flamengo), o craque Zico (Galinho de Quintino), Rômulo Arantes (campeão de natação e ator da Globo), Milena Ceribeli (Globo Esporte), Rogério Sampaio (campeão de Judô), cantor Fagner, José Richa (senador), Fani Lerner (primeira dama do PR), prefeitos Maurício Fruet (Curitiba), Paulo Maluf e Reinaldo Barros (SP).

Amor à arte - “Faço isso profissionalmente. Meu maior orgulho é divulgar o nome de Campo Mourão. Rodo o Brasil com minha Caravan. Gosto de viajar sozinho por uma questão de independência. Levo todos os apetrechos dentro do carro”, detalha Tony.

1970 - em Porto Velho - AC

Confusões – Tony tem por hábito enviar por fac-símile, antecipadamente, as medidas do buraco, tipo e quantidade de lenha para preparar o braseiro. Mas nem sempre é compreendido. “Antes de ir à Curitiba, pedi ao Henning para me passar um fax explicando a medida do diâmetro do buraco, com o reforço (redondo). O Henning disse: tá chamando o dono da festa de ignorante?.. tira o redondo, deixa só o diâmetro!!. E foi assim. Mas, quando cheguei lá a boca do buraco estava quadrada e faltou lenha. O caseiro e eu catamos alguma lenha no bosque da chácara e ainda faltou. Daí, tinha umas torinhas de enfeite na lareira da mansão... catei tudo e queimei no buraco. Pedi os pratos e talheres para servir e me vieram com pratarias (coleção de prata)”, conta rindo muito.

Pirai do Sul (PR) – Foi na chácara do mestre de obras da Prefeitura. Cheguei lá o buraco estava quadrado também. Perguntei por quê e ele respondeu: eu li que era um metro e quinze de diâmetro, mas ninguém me explicou que tinha que ser redondo!. O mesmo aconteceu em Presidente Prudente... (risos).

Castrolanda (PR) – O poceiro estava fazendo o buraco muito afunilado. Pedi para acertar o barranco. Ele saiu quieto do buraco, pisando duro e foi até um bornal pendurado na árvore. Pensei: pronto, vai pegar uma arma e brigar comigo!!. Que nada. Pegou foi o fio de prumo, me mostrou e acertou a beirada do buraco, numa boa”, conta aliviado.

Monte Mor (SP) – Me arrumaram um ajudante muito perguntador na chácara do Beto Zini. Queria saber demais e me deixou apreensivo. Anoiteceu, fui descansar no hotel e pedi para o auxiliar cuidar das coisas. Quando voltei de madrugada, tudo escuro, deserto e abandonado. Gritei, chamei e nada. Acordei o caseiro que me ajudou a terminar os preparativos. Pensei: esse cara saiu daqui e vai voltar com uma renca, me assaltar, ou sei lá o quê?! - Ele tinha que dormir na sala de ginástica e sumiu. Depois do almoço perguntei do rapaz e me contaram que ele se escafedeu porque começou a ver visagens (assombrações).

Vacaria (RS) – Deixaram para cavar o buraco no dia. Quando deu oitenta centímetros verteu água. Já estava tudo atrasado. Procuramos outro local. O poceiro era bem de idade. Uns três quilômetro adiante de onde ia ser servido o almoço, o velho começou a abrir outro buraco. Eu e dois agrônomos da festa ali, olhando. De repente o cidadão disse: não agüento mais!!. Saiu e foi embora. E agora?, perguntei. Fazer o quê?... eu e os dois agrônomos acabamos de abrir o buraco. Eles ficaram estourados e eu com as mãos cheias de bolhas!!

São Joaquim (SC) – “Estávamos mo meio do Inverno. Temperatura abaixo de zero. No buraco deu rochas (pedras). Tiveram que amarrar e arrancar com trator. O pessoal que estava parado e na espera, entrou e ficou dentro da câmara fria de conservar maça, com temperatura de zero grau cravado. Isso porque, dentro da câmara, estava mais quente que lá fora”, gargalhadas.

Maringá (PR) – “Lá foram duas mancadas. Uma vez fui, fiz tudo e vim embora. Avisei. Choveu... quando estava deitado em casa, aqui no Campo, me ligaram ali pelas vinte e uma horas: Tony... onde está o buraco do carneiro?.. estamos procurando desde das sete (19) horas e não achamos” risos. “É que a chuva apagou tudo. Expliquei o local e depois acharam. - Na recepção do José Richa, o tacho entornou (virou) e caiu tudo em cima das brasas. Foi um minuto de silêncio literal: ... ahhhhhhhhhh!!.... óhhhhh!!.... – Daí foi aquela correria em busca de carne nas churrascarias. Até hoje quando o Richa me encontra, lembra disso e rimos muito”, conta Tony.

José Richa um dos 'causos" do Nishimura

Fraiburgo (SC) – “Estava tudo pronto. Entre o buraco e o barranco da estrada tinha um vão de sessenta centímetros. Por sorte eu tinha colocado um eternit sobre a terra do buraco. Passou uma vaca assustada e eu disse: pronnnto!!!... se ela pisar vai afundar tudo e, ao invés de carneiro no buraco, vamos ter vaca atolada”, gargalhadas.



Campo Mourão (PR) – Na I Festa do Carneiro no Buraco, instituída por Lei Municipal (731 – 20/06/91) assinada pelo prefeito em exercício, José Elmo Alvares Linhares, realizada no Parque de Exposições de Campo Mourão, as 13 entidades envolvidas escalaram equipes para realizar tudo e o Tony na coordenação geral. “Até as quatro horas da madrugada ficou uma turma e a outra deveria voltar às seis horas da madrugada... ajudar a descer os tachos. Apareceu uma meia dúzia. Aí Apavorei”. Eram 70 buracos. “Foi de matar. Eu e mais umas oito pessoas fizemos tudo sozinhos”, relembra.

1991 - primeiro tacho da primeira Festa do Carneiro no Buraco
Elmo, de costas, ajuda Tony

Pesadelo - “Você acredita que aquele fato do Richa em Maringá e essa da primeira Festa em Campo Mourão, me dão pesadelos até hoje? Todas as noites tenho os mais variados sonhos e fico apavorado com os possíveis imprevistos e desacertos. Afinal meu senso de responsabilidade e profissionalismo sempre falam mais alto e isso, até hoje, me incomoda”, revela Tony.

Atividades – Atualmente as profissões de Tony Nishimura são o Carneiro no Buraco e Artes Plásticas. “Vivo e sustento minha família assim, com muita honra e orgulho. Em tudo que faço está o meu amor por Campo Mourão, que divulgo com o maior prazer porque me orgulho das minhas filhas nascerem aqui... de eu ser mourãoense, mesmo adotivo” enfatiza. Tony trabalhou na Tribuna do Interior (com Joani Teixeira e Adinor Cordeiro – Jibóia) e no Estado do Paraná. “Sempre divulgo Campo Mourão gratuita e graciosamente. Minha vida é super corrida. São muitas encomendas. Hoje “moro” no Brasil e “passeio” em casa (risos). Tenho total apoio da minha família, meu único bem”, reafirma. “Cada carneiro que preparo ou quadro que pinto, para mim é uma obra de arte. Gosto do que faço e por isso executo tudo com muito amor”, assegura Tony Nishimura.


Tony só ouvia elogios, nunca foi criticado: 'meu tempero é amor no que faço!"

Criatividade - “Eu criei a Cozinha Única para padronizar o Carneiro no Buraco. Fiz a primeira e outras quatro festas oficiais, com sucesso, nunca menos para sete mil pessoas. Introduzi a tampa cônica do buraco e a tampa do tacho... antes não tinha. Diminui o tamanho do buraco para economizar lenha e tempo de cozimento (antes tinha 2,00 x 1,30 m). Inventei os ganchos para retirar os tachos sem entornar e as garras para transportar o tacho, sem queimar as mãos e nem as pernas. Também inventei a máquina de fazer o pirão do caldo do carneiro com farinha de mandioca, bem como o rechaud - suporte do tacho com fogareiro – que mantém a temperatura e o sabor do preparo”, orgulha-se. Antes o buraco era tapado com tábuas, cobertas com folhas de bananeira e terra por cima. "Caia muita terra no tacho, pelos vãos das tábuas", lembra Tony.


Rituais – A Festa Nacional do Carneiro no Buraco é cercada de vários rituais simbólicos implantados por Tony Nishimura: o do Fogo, a Descida dos Tachos e a Banda do Buraco. “Na retirada do primeiro tacho, nos eventos particulares, eu toco o berrante de boiadeiro para consolidar a parte folclórica”. É mais um detalhe especial mantido por Tony Nishimura, sugerido por Aramis Meier Costa, nos primórdios do desenvolvimento do prato típico de Campo Mourão.


Tony num Dia 7 de Setembro

Tradição – Contam que tudo começou com Joaquim Teodoro de Oliveira, Ênio Queiroz, Saul Caldas e Theonaldo Siqueira Ribas (Nono), depois de assistirem um faroeste mexicano no Cine Império. Viram os vaqueiros preparando carne em buracos. Tentaram com carneiro e deu certo. “Essa tradição típica mantenho até hoje, ao pé da letra. Quem provar do meu Carneiro hoje, daqui dez... vinte anos verá que não alterei e nem inventei nada do original. Respeito o culto da tradição”, garante. Oficialmente a primeira Festa do Carneiro no Buraco de Campo Mourão foi realizada no dia 14 de julho de 1991, no segundo domingo daquele mês, de acordo com a Lei. Demora de 10 a 12 horas, desde o preparo até servir. “Minha maior preocupação é não decepcionar as pessoas, por isso faço bem feito para que participem sempre”, enfatiza Tony Nishimura. Cada tacho leva cerca de 40 quilos do preparado e dá para servir até 70 pessoas, com reserva técnica (sobra). “Isso se muita gente não repetir o prato”, observa Tony.

Casamento – “Casei em dois tempos com a Zélia”. No civil, dia 23 de novembro de 1970, em Farol. “O Sanico, irmão do Augusto Carneiro, fez a cerimônia”. Em 27 de março de 1976 casou no religioso. Teve casamento coletivo na escolinha da Indústria Cristo Rei (Barreiro das Frutas) do seo Elizeu Hauagge e do Ubiratã Ribeiro, celebrado pelo padre João Oscar Nedel”, relembra. Tony e Zélia têm duas filhas: Sandra Marina e Sílvia Maria (casada com Clóvis Nishiwama). “Minha mulher é uma grande companheira, me apoia e me ajuda em tudo, por isso temos uma bela família”, elogia. Zélia Aparecida é filha de Maria Barbosa e Ladislau Reiffer. “Profissionalmente cresci em Campo Mourão, consolidei uma família e continuo a luta em busca dos mesmos ideais de concretizar meus anseios”, concluiu Tony Nishimura.

Com a Família

Despedida do Tony - Campo Mourão

Um dia antes de morrer:

"Cara eu vim aqui pra desbafar senão vou explodir".

- Masss, o quê aonteceu, Tony???

"Posso falar p...??... perguntou irritado.

- Fale, vou te ouvir e se puder... 

"Então fique queto, tá??... Acredita que o Nelson (prefeito) me dispensou de fazer o Carneiro desse ano?... Olha ele me chamou faz um mês e me garantiu que a cozinha seria por minha conta e, hoje, ele e uns assessorzinhos, me disseram que acertaram com outros. Pode?... Eu disse pra ele que fazia até de graça, se o problema fosse dinheiro. Olha, eu já comprei tudo que é preciso, contratei os garçons e ajudantes, e agora?... Cara, essa atitude dele foi pra matar mesmo. Como vou pagar o que já comprei e o pessoal que chamei?
Olha, vou pra casa ver se me acalmo e tiro um sono. To meio atordoado, cabeça girando. Vim te contar porque você sempre me ouviu e deu uns bons palpites... Mas hoje não quero ouvir nada, tá?...
Qualquer dia eu passo te pegar pra te mostrar a catacumba do Indio Bandeira lá perto de Mamborê e umas covas de índios, ali no Campo Bandeira."

- Combinados, Tony. E vá com Deus!

Então... Tchau!!

No dia seguinte a notícia que Tony faleceu. Coração parou.


Tony artista de Campo Mourão

Preparo do tacho, passo a passo

Anônimo diz: Tony Nishimura - “Mesmo estando longe da terra natal, não perco o costume de navegar pelos sites daí. E nestas navegadas, fiquei deveras entristecido em saber do falecimento do amigo Tony Nishimura. A cidade perde mais um dos seus símbolos, pois uma pessoa de fino trato e meticuloso em tudo que fazia. Tony era deveras respeitado por onde passava. Nossos sentimentos para os familiares. (Família de mourãoenses que agora mora pelas bandas de Colombo)”.

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